sábado, 10 de dezembro de 2016
sábado, 12 de novembro de 2016
Depoimento sobre o meu livro "45 Dias de Pânico Total: Psicólogo relata como conseguiu sobreviver"
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Queria falar a respeito do livro do Marcio que estou lendo “45 dias de pânico total”. Primeiramente, quando li o título fiquei com um sentimento ambíguo. “Pánico”, não tem a ver comigo. Hum. “45 dias” não deve ser um livro técnico sobre síndrome do pânico como já estudei na faculdade. Deve ser vivência, deve ser humano, pensei. Isto tem a ver comigo. Comprei e estou lendo. Bom, não me enganei, é humano, e muito, não fala só de pânico e o Márcio relata sua experiência de sofrimento, seus sentimentos, suas sensações, seus pensamentos estando muito mal. Dificil não se identificar. Consegue descrever aquilo que quase todos sentimos sem, muitas vezes, sabermos nem o que é. Enfim, depois eu volto a comentar quando tiver adiantado mais no livro.
- Muito bom Márcio, muito corajoso.
Escrito por: Christophe Blondin
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
"40 dias no Vale da Sombra da Morte"
Título original: Carta a
um Confrade
Caro confrade Márcio
Dias atrás me pediste para fazer uma resenha crítica de teu
livro recém lançado ― “45 Dias
de Pânico”. Confesso que me senti incapaz de realizar tal façanha, ante a
impossibilidade de tratar de um assunto tão intrínseco subjetivo e altamente
individual. Preferi, te escrever uma carta, ao estilo dos velhos tempos em que
nem de longe imaginávamos o advento de um progresso tecnológico tão atraente
como o da internet.
Recebi teu livro por
e-mail, e comecei a lê-lo aos poucos, para degustar melhor. Na ocasião, em uma
mensagem postada no teu Face, falei que estava iniciando a leitura de tua
passagem pelo “Vale da Sombra da Morte” ― expressão de grande valor
metafórico e muito conhecida entre nós, que tivemos um passado não mui
agradável pelos meandros da religião. Ressalte-se aqui, que os arquétipos
religiosos plantados nos arquivos mais profundos de nossa psique são
indeletáveis, e a todo momento, sem que percebamos, estão eles a enviar
ressonâncias para o tempo presente.
Como você bem sabe, a
psicanálise jamais teria existido sem o pano de fundo dos símbolos e dogmas
religiosos da tradição judaico-cristã, a qual, por sinal, é a base de toda a
cultura do mundo ocidental. Os grandes expoentes da Psicanálise beberam dessa
fonte inesgotável: Freud (seu herói era o Moisés retratado por Michelangelo)
fez uma leitura partindo dos mitos judaicos, considerando a religião uma
“ilusão infantil” ou neurose obsessiva(mas quem não tem um pouco dessa
“loucura”? Se não fosse a tal da neurose nesse nosso mundo esquizóide, não
existiria o artista, que é justamente aquele que consegue dar as suas
experiências dolorosas um significado elevado para si e para os demais). Jung,
brilhantemente aproximou sua nascente ciência da rica simbologia do
Protestantismo (seu pai era um pastor protestante). Lacan, católico, por sua
vez, conciliou Freud com a simbologia dos termos aparentemente ambíguos
presentes nas histórias bíblicas, substituindo a palavra “Deus!” ou imago-deus
de Jung, por “Grande Outro”.
Logo na página 25 do teu
livro, um insight, ou
mesmo o sentimento “religa-re”(de natureza religiosa) creio eu, vindo dos
obscuros porões do teu inconsciente, me prendeu a atenção, quando repetiste uma
das frases mais contundentes do messias que os evangelhos relatam: “A
Minha Alma está Angustiada até a Morte.”
Na página 75, para expressar a forte dimensão analógica de tua
angústia como companheira inseparável (e não poderia ser diferente), recorreste
as regiões abissais dos arquivos arquetípicos religiosos escondidos em tua
psique: “...igual a Jesus
disse do seu Pai nos evangelhos. Que Ele e o Pai (Deus) eram um.”
Ainda sobre a desditosa e inseparável angústia, na página 89, eis que
me deparo com uma ressonância poderosa do tempo em que eras pregador das Boas
Novas: “Por que Afinal
Tenho Que Recorrer à Bíblia? Tu
mesmo respondes de forma profunda, tanto do ponto de vista psicanalítico,
quanto do ponto de vista teológico: ...porque
ninguém em sã consciência deseja e vai ao encontro dela…, nem precisa mesmo…,
ele é quem vem sempre ao nosso encontro.” O
conteúdo do inconsciente é assim: nós não o escolhemos; ele vem a nós quando
nos desarmamos.
Perdão peço, porque em
meio a descrição de tua enorme agonia, não pude evitar que a figura de Edir
Macedo viesse a minha mente, quando li a expressão largamente usada e abusada
no meio fundamentalista ― “Demônios da Insônia”, na página 95. Na
ocasião lembrei-me de um texto por mim postado em junho de 2010 na C.P.F.G.: “Sobre Nossos Demônios
Interiores”, de onde, para
avivar a memória, retiro esse pequeno trecho:
“É nesse grande palco
mental que o apóstolo Paulo denominou de “lugares celestiais”, que se trava a
imaginária luta entre as forças divinas e diabólicas” — que
rendeu 120 comentários. Dentre eles, ressalto a tua irretocável réplica: “Sendo assim, conhecemos um pouco
do caráter do sujeito através da imagem que ele nutre de seu deus”.(Marcio)
Na página 123, com o
sub-título “Afinal o que
Deus tem a Ver com Isso?” esboças
uma reação (afinal, somos todos reativos). Continuando, fazes a seguinte
afirmação (ou reação defensiva – Freud explica – rsrs): “Não acredito na existência de
Deus! Acabou a minha fé em um Deus celeste.”
Considero que quando
afirmamos “sou ateu” estamos defensivamente a nos referir àquela parte obscura e recalcada de nós que nos
incita a anular uma provocação, talvez vinda do inconsciente. Quando a provocação vem, seja de
fora (de outro) ou interna, o sujeito ativa
o mecanismo de negação. Quando a
cobrança ou ameaça vem da esfera do inconsciente, o indivíduo
passa a guerrear contra si mesmo. Freud, certa vez, disse que estamos fadados a
perder no conflito com o Superego. O equilíbrio reside em fazer as pazes com
essa imago-paterna-ameaçadora,
tornando-a menos importunadora, nunca tentando desafiá-la ou destruí-la
Sabemos que o
que mais caracteriza o homem é a sua contradição ou ambivalência, como tentei
passar no último ensaio do meu blog “Ensaios&Prosas”, que tem por
título: “Homem, Teu Nome é Paradoxo!”. Do
qual replico seu epílogo:
"Quem livrará o nosso EU, do peso da Contradição?” Quem atentar para essa brilhante enunciação da dúbia alma humana
realizada pelo apóstolo fundador do cristianismo, verá que ela está em perfeita
consonância com o sujeito da psicanálise, que às avessas do jargão cartesiano 'penso, logo existo', abarca o
Homem Paradoxal com esta emblemática frase:'Penso onde não sou; sou onde não
penso'.”
Olha lá o que colhi da paradoxalidade dos nossos afetos (advinda do polo que, devido certas circunstâncias, consideramos negativo) que a tua veia poética traduziu em forma
de uma extraordinária prece:
“Meus Deus, como faz bem para minha alma tão sofrida e
angustiada, ficar neste momento… ...olhando a tranquilidade, serenidade e paz
do meu filho dormindo.” (Márcio — 45
dias de Pânico — página 130)
Jung, já bem avançado de idade,
fez uma declaração autobiográfica que considero emblemática para o nosso tempo tão des-humano: “Não posso me referir aos meus
relacionamentos mais íntimos que me voltam à mente como lembranças longínquas,
pois constituem não somente minha vida mais profunda como também a dos meus
amigos.” (“Memórias, Sonhos, Reflexões” — Carl G. Jung — página 21)
No capítulo “Antes de
Tudo Religião” (página 183), Márcio, meu caro confrade, fazes aflorar uma profusão de lembranças
que,creio eu, tem ainda hoje o
condão de te impulsionar a escrever, escrever e escrever
sempre… sobre teu ser em si, como mostra tão bem o parágrafo abaixo:
“A religião foi durante
grande parte de minha vida, meu chão, meu norte, minha bússola… A pior coisa
que me aconteceu na vida foi ter-me tornado 'ateu'. […] Eu queria transformar o
outro (crente) em ateu, justamente porque o 'outro' era meu espelho que
refletia o que já fui e ainda o que está bem vivo dentro de mim.”
Lendo o teu instigante livro, de modo reflexivo, não consegui nas
entrelinhas, identificar
em ti a ausência desse tal ‘sentimento sublime!” que grupos religiosos banalizaram para interesses mercadológicos. Como escrevi em um artigo nos idos de 2011 a um amigo da blogosfera:
"embora uma
pessoa rejeite toda a crença, dogma e ilusão religiosa, não significa que ela
tenha anulado o sentimento nobre de re-ligar-se a um éden utópico”.
P.S.:
Mas voltando ao título do teu livro. Usando o simbolismo
judaico-cristão do número 40, e à guisa de encaixá-lo dentro de uma metáfora
bíblica, penso que não seria tão danoso subtrair cinco dias de tua agonia para
denominá-lo de: “40 dias no Vale da Sombra da Morte” ― tema
que faria o Eduardo, o Esdras e o J. Lima se esbaldarem em comentários
psico-teológicos, como fazíamos naquele saudoso e idílico tempo da C.P.F.G.
(rsrs)
Abçs,
Levi B. Santos
Guarabira, 02 de novembro de 2016
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quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Meu novo livro
Por: Marcio Alves
O que dizer do meu livro? Que ele é "indigesto", "pessimista", "insano", "pesado" e "depressivo"? Talvez... porém, se ele é isto tudo, ele também é sensível, conflituoso, angustiante, e acima de tudo: "humano, demasiado humano"! Antes que você pergunte: sim, psicólogo também adoece, também sofre, também pode ter transtorno, também tem problema, e sabe por que? Porque psicólogo também é "gente" de carne e osso. Não somos robôs, não, não somos. Não somos máquinas, não, não somos. Nem muito menos super-homens (ou super-mulheres). Somos profissionais que lidamos diariamente com a saúde mental. Nossa matéria prima é o sofrimento humano. Mas não quer dizer que não podemos adoecer. E isto não faz de nós menos competente. Menos profissional. Menos psicólogo. Isto faz de nós humano como qualquer outro humano, que por sofrer (e não apenas estudar) podemos também escutar, acolher e respeitar o sofrimento do outro, pois afinal, antes e acima de tudo, somos "humanos, demasiados humanos".
Segue link de um dos sites que é possível encontrar meu livro:
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