quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Deus – ser absoluto – e a lógica humana.



Por: Marcio Alves


Inicio esta postagem com uma pergunta: Deus – ser absoluto – pode ser compreendido pela lógica humana?

No senso comum evangélico, a resposta á esta pergunta seria (ou é); não!

Inclusive quando as pessoas não conseguem ter argumentos suficientes para contradizer uma possível “heresia”, então partem para o desprezo. Daí dizer que não é possível entender Deus, através da lógica. Ou quando não consegue explicar algo, já remetem para o mistério. Isto é muito broxante para quem pensa. Mas dizer isto é uma verdadeira castração de uma mente ávida pensante, que procura organizar as idéias de dentro de uma lógica.

Mas o que é lógica?

O dicionário define assim o termo “lógica”: “A lógica (do grego clássico λογική logos, que significa palavra, pensamento, idéia, argumento, relato, razão lógica ou princípio lógico), é uma ciência de índole matemática e fortemente ligada à Filosofia. Já que o pensamento é a manifestação do conhecimento, e que o conhecimento busca a verdade, é preciso estabelecer algumas regras para que essa meta possa ser atingida. Assim, a lógica é o ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um instrumento do pensar.”

O teólogo e filosofo Elienai, define assim o termo “lógica”: “A lógica é qualquer construção lingüística que busca organizar nossa compreensão de mundo. Ninguém pensa sem palavras. Ninguém fala sem uma lógica. Uma palavra só é linguagem, e não ruído, porque significa algo. E só significa porque está conectada a outras palavras e sentidos que compõem um esquema conceitual, ou um paradigma, ou uma lógica, ou ainda, uma visão de mundo. Sequer dizemos ‘Deus’ sem uma lógica”.

A partir do momento que você fala, escreve, pensa, isto já é uma lógica.

Claro que nossa mente é limitada, e logo toda lógica é limitada. Não tendo por objetivo dissecar Deus. Mas antes, organizar as idéias a partir do que Deus nos permitiu conhecer. Nenhuma lógica, por mais lógica que seja, consegue definir totalmente Deus. Dentro dessa lógica, há lógica com mais lógica, e lógica com menos lógica.

Partindo disso, a lógica é a seguinte: Se Deus não pode ser entendido por nossa lógica, então deixemos de buscar, estudar, refletir e até falar sobre Deus.

Porém, reconheço que:

1 – Toda e qualquer teologia – inclusive a minha – são frágeis percepções, condenadas às eternas reformulações.

2-Admito o valor e contribuição intrínsecos da teologia sistemática – o qual, em minha opinião, está engessada, e, portanto, não consegue responder as novas perguntas que tem surgido (pelo menos, não de formar satisfatória) – que em tempos passados, foi muito útil para dialogar com a cultura helenista.

3-Toda e qualquer lógica, não consegue e nem conseguirá definir absolutamente Deus.

4-Que todo pressuposto a favor da dês-lógica, parte da seguinte premissa teológica e filosófica:
“Se Deus é absoluto, e a nossa mente é limitada, logo, Deus não pode ser compreendido por uma lógica”.

Reconheço a veracidade de tal argumento.
Para a filosofia, isso seria um argumento irrefutável.
Menos para o Deus da bíblia.

A bíblia nos revela que Deus – ser absoluto – se relativiza.
Vou repetir: “Deus – ser absoluto – se relativiza”.

São três (3) as grandes provas disso:

1-A própria bíblia é um exemplo disso, pois Deus, para ser entendido por nós, seres finitos e limitados, “desce” ao mesmo nível de nossa compreensão, por isso que a bíblia é uma linguagem humana. Portanto, o era isto, ou Deus teria de nos transcender, nos tornando deuses, para dialogarmos e relacionarmos com Ele. Mas isto não pode ser feito, porque só há um Deus.

2-Os relatos da bíblia nos mostra Deus, se relativizando para relacionar conosco. Aquelas expressões de Deus, que a teologia clássica, vai nos explicar que; não passam de antropomorfismo, são na verdade, o jeito como Deus se relaciona conosco.

3-E finalmente, a maior de todas as revelações – a saber – Jesus Cristo, a chave hermenêutica da revelação de Deus. Em Jesus, Deus “desce” ao mais baixo nível, se esvazia do exercício de sua divindade – eu disse exercício, e não natureza – come e bebe com os pecadores, sente medo, fome, sede e frio e até morre. Deus se auto-limita, para podermos relacionar com Ele.

Imagine a cena, eu com o meu filho de apenas dois anos. Tentar impor a minha força e o meu intelecto, ele não conseguiria me entender e seria esmagado por minha força. Assim é Deus, se fosse relacionar-se conosco em termos de poder absoluto, seriamos esmagados, e não conseguiríamos entender Deus.

Daí a minha critica a concepção tradicional de Deus, defendida e difundida pelos evangélicos, embasada na filosofia grega de Agostinho.

Na filosofia, Deus é um ser transcendental inacessível absoluto que controla a tudo e a todos.

Isto em parte é verdade – em parte, porque Deus é onipotente, mas a grande questão não é, se Deus é ou não é onipotente, mas sim, em como Deus utiliza o seu poder.

Acredito e entendo pelas escrituras, que Deus esvaziou-se do exercício do seu todo-poder, limitando-se, para ter um relacionamento verdadeiro conosco.

Por isso é que Paulo vai nos dizer que: ”Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.”(1 Co 1 v 22-23)

Em todas as culturas – principalmente a helênica – nem um deus morreu por mãos humanas, como o nosso Deus.
Há historias de deuses que foram mortos, mas por outros deuses mais poderosos do que eles.

Daí a pregação do Cristo-homem-Deus ser morto por mãos humanas, ter sido uma loucura para os romanos e mentes da época – e ainda é.

Paradoxalmente, Deus é Deus para além de Deus, mas se fez conhecido por nós.



Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

sábado, 31 de outubro de 2009

"Vida de Pastor"


Por: Edson Moura

Chamem-me de covarde se quiserem, eu particularmente não ligo. Mas eu gostaria de fazer algumas perguntas e também dar as minhas próprias respostas.
Pretendo falar de homens que estão na vida muita gente. Homens que considero heróis num mundo tão deficiente de tais figuras.

Você estaria disposto a não ter um domingo com sua família, em prol de outras famílias?
Você sairia muitas vezes cansado de seu trabalho, para trazer uma palavra de edificação e inspiradora para homens e mulheres que você chama de irmão, mesmo sem muitas vezes saber nem o sobrenome delas?
Você subiria em um altar, com a responsabilidade de direcionar a e aconselhar vidas humanas? Sabendo que suas palavras ecoarão até a eternidade, e um dia você teria que prestar contas de cada alma que por ventura viesse a se perder?

Confesso que já almejei uma posição assim, mas quando paro para analisar as implicações deste dificílimo cargo, reconheço a minha total incapacidade, tanto estrutural como intelectual, mas principalmente emocional.

Por isso eu deixo de lado as críticas aos maus pastores, para tecer alguns elogios aos bons pastores. Homens como:

John Wesley, que dedicou sua vida inteira a granjear almas para Deus. Não por obrigação, mas por amor às vidas. "Eu considero todo o mundo como a minha paróquia; em qualquer parte que eu esteja, eu considero que é certo, correto e o meu sagrado dever é declarar a todos que estejam dispostos a ouvir, as boas novas da salvação." - John Wesley
"Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo." - John Wesley

Jônatas Edwards, entre os homens, era o vulto maior nesse avivamento, que se intitulava O grande despertamento. Sua vida é um exemplo destacado de consagração ao Senhor para o desenvolvimento maior do intelecto e, sem qualquer interesse próprio, de deixar o Espírito Santo usar o mesmo intelecto como instrumento em suas mãos. Amava a Deus, não somente de coração e alma, mas tam­bém de todo o entendimento. "Sua mente prodigiosa apo­derava-se das verdades mais profundas". Contudo, "sua alma era, de fato, um santuário do Espírito Santo". Sob aparente calma exterior, ardia nele o fogo divino, como um vulcão.
Charles Finney, foi instrumental no grande avivamento de 1857 a 1858 dos 'grupos de oração', que se espalhou por dez mil cidades e municípios, resultando na conversão de pelo menos um milhão de pessoas. Somente entre janeiro e abril de 1858, cem mil pessoas foram salvas nestas reuniões de oração ao meio-dia.

Entre outros tantos, que embora com as limitações de sua época, fizeram um ótimo trabalho para o reino de Deus.
Hoje não penso mais como há alguns anos sobre o conteúdo dos sermões desses grandes homens, mas reconheço a importância de seus testemunhos de vida, para esta nossa geração.
Muito se fala hoje em “pagar preço”, e sei que muitos pastores agarraram esse chamado divino e vêm desempenhando um bom trabalho.

Não falo dos grandes pastores de renome, e sim dos pequeninos, de igrejas pequeninas. Falo, não dos que andam de carro importado, e sim dos que ainda pegam ônibus lotados ou andam a pé por falta de recursos para sua própria condução.
Falo daqueles que muitas noites não tiveram o que comer com suas esposas, a não ser farinha com cebola, mesmo assim não deixaram de louvar a Deus. (história verídica)

Falo também daqueles que não usam terno de grife, e suas refeições em casa muitas vezes é pior do quê as refeições de alguns pastores na cadeia onde foram presos por tentarem sair do país com dólares não declarados.
Falo dos pastores que não vendem bíblias interpretadas “versículo por versículo”, que não escreveram livros ensinando como “exigir seus direitos”, que não enriqueceram vendendo pregações em áudio nos mostrando que “o dia da provação” vai chegar ou que é possível “destronar satanás”

Falo de homens como Acácio Carneiro, que abriram mão de uma vida bem sucedida para pregar quatro sermões aos domingos em sua pequena igreja. Ele não escreveu nem um livro (ainda), mas sua obra como pastor já renderia umas 500 páginas. Um homem que aprendi a amar, e que é co-responsável pelo ser humano que sou hoje. Meu pastor!

Falo de homens simples como Sergio Paschoal, que pra conseguir verbalizar seus pensamentos apelam para a poesia, preocupados em não ofender ninguém. Homens que se emocionam quando precisam abandonar um prédio onde fora sua igreja, por falta de recursos para o aluguel. As lágrimas e o embargo em sua voz demonstram sua sinceridade. Meu pastor!
Homens que acumulam em si qualidades que eu não tenho e não sei se um dia terei ,por isso a minha incapacidade para tão importante missão.

As qualidades bíblicas de pastores/presbíteros/bispos

Paulo cita as qualificações dos bispos ou (presbíteros) em duas cartas (1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9). A linguagem dele deixa bem claro que ele não está dando meras sugestões, e sim requerimentos. Em 1 Timóteo 3:2 ele diz: "É necessário, portanto, que o bispo seja...." Tito 1:7 diz: "Porque é indispensável que o bispo seja...." Antes de examinar as qualificações em si, vamos entender bem esse ponto.
Os requerimentos que encontramos nesses dois trechos são qualidades que o Espírito Santo revelou, através de Paulo, como exigências. Para servir como presbítero, um homem precisa de todas essas qualidades. Ninguém tem direito de apagar nenhum "i" ou "til" do que Deus falou aqui.
Agora, vamos ler o que o Espírito falou nessas duas listas paralelas (bem semelhantes, mas não exatamente iguais).

"Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo" (1 Timóteo 3:1-7).

"Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus, não arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância; antes, hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de si, apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem" (Tito 1:5-9).

Que Deus abençoe os verdadeiros pastores

domingo, 25 de outubro de 2009

Não creio em "milagres"!




Por: Marcio Alves


No inicio e durante muito tempo, na minha caminhada cristã, acreditei que por ser “filho” de Deus, tinha uma super proteção divina.
Não saía de casa, para qualquer lugar, sem antes, fazer uma oração a Deus, pedindo por uma proteção.

Inclusive, faço uma confissão: Na minha adolescência, ávido para “curtir” nas baladas da vida, perdi o interesse religioso, não tinha mais vontade nenhuma de ir á igreja.
Comecei achar os cultos, muito chato, mas, não tinha coragem, aliás, para ser mais exato, tinha medo, de sair da igreja. Acreditava que, saindo da igreja, perderia a proteção divina, ou pior, seria alvo do “castigo divino”.

Deixaria de ter bênçãos, para ganhar maldições.
Resultado; passei daquele amor entusiasmado e esfuziante a Deus, para servi-lo por medo e interesse.
Lembro-me bem, daquele dia, quando decídi sair da igreja, para andar com meus amigos do “mundo”. Com medo de Deus, gerado pela religiosidade evangélica, continuei orando a Deus por proteção.

Hoje, vejo como era engraçado. Saindo para farrear, beber e zuar, mas, o tempo todo, na minha mente, persistia a neurose evangélica; “Cuidado menino por onde andas e o que fazes, Deus esta vendo tudo e vai te castigar”. Lembro-me que, não poucas vezes, orei de dentro da balada: “Oh Deus, estou zuando um pouco aqui, mas não me deixe sofrer nenhum acidente. Proteja e livra-me de quaisquer imprevistos”.

Hoje, mais maduro e consciente, tenho poucas certezas, algumas percepções e muitas dúvidas. Neste texto, passo a escrever essas percepções e dúvidas, deixando de lado as certezas. Pois acredito, que a Fé anda de mãos dadas com a dúvida. Como disse um poeta; “Na casa das certezas, não há espaço para a Fé”. Não vejo Deus, e é por isso que tenho Fé Nele. Se visse, não precisaria de Fé.

Eis algumas das percepções ao longo da minha trajetória na Fé:

A maioria dos evangélicos serve a Deus por interesse.
Como moedas de troca, barganham com Deus.
As orações na maioria das vezes, não passam de pedidos com promessas e/ou sacrifícios com petições, do tipo:“Deus, se o Senhor me der isso, eu vou à igreja”. “Deus, estou ofertando na sua casa, me de aquela benção”. Por isso é que existem essas campanhas de oração e de jejum infindáveis.
“Para arrancar de Deus uma benção”. “Tomar posse da vitória”.Daí o jargão religioso: “A oração da fé move o braço de Deus”.

Se na era medieval, também chamada era das trevas, a igreja manipulava através do medo, hoje ela manipula através de promessas de bênçãos.
Eu tenho pena das pessoas que vão à igreja e acreditam (como eu já acreditei) que por orarem vão conseguir antecipar os percalços da vida e controlar o futuro. Inclusive, a vida só tem graça, porque não sabemos o que há de nos sobrevir amanhã. Passamos a ter uma vida com mais qualidade, quando nos tornamos consciente que ela é breve.
Não adianta ir ao culto, pensando que, se fizer tudo certinho, nossa vida vai ser ou se tornar um mar de rosas.
Alice, o pais das maravilhas, só existe em contos de fadas.

Precisamos ter Fé, isto não no sentido que o senso comum evangélico definiu a palavra Fé. Pois quando se diz; “Fé”, os crentes associam a vitoria, poder, livramento e milagres. Mas na bíblia, antes de tudo, a palavra Fé esta ligada ao sofrimento.
Não precisamos de ter Fé no milagre e vitoria, mas somos convocados a acreditar e servir a Deus, mesmo quando tudo sair errado, quando estamos imersos no sofrimento.

Não, não, não deixei de acreditar que Deus pode intervir.
Deus pode tudo.
A discussão aqui é outra.Esta fundamentada na seguinte pergunta:
Como Deus organizou a nossa existência?:

Eu não acredito que Deus, a todo instante, todos os dias, intervém em nossa realidade com milagres.
Ao contrário, ao nos dar a liberdade, Deus criou um mundo de imprevisibilidade, de acaso mesmo.
Você acha que por eu acreditar em acaso, virei ateu?

Pois leia você mesmo isto na bíblia:
Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.”

“Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.”

“Que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles.” (Eclesiates 9 v 2, 11 – 12) (O grifo em vermelho é meu)

Não consigo acreditar num “deus” que, protege um crente de assalto, que blinda outro com emprego, carro e casa, mas não protege bilhões de crianças da AIDS, fome, guerras e pedofilias. Afinal, se Deus fosse realmente proteger alguém, porventura essas, não seriam as criançinhas? Não são delas que a bíblia diz: “Dos tais são o Reino de Deus”?

Não consigo digerir a idéia de que, num acidente aéreo que matou 300 pessoas, e, portanto, são 300 famílias que choraram pela perda, apenas uma se salvou, porque Deus interveio. Então por que ele não salvou as 300?

Não excluo a possibilidade de milagre, mas passei acreditar em acaso.

Muitos – para não falar a maioria – dos testemunhos de “milagres” relatados nas igrejas evangélicas, não passam de mero acaso, de sorte mesmo. Concernente a curas, acredito – além é claro, de que Deus pode curar – em processos naturais de cura, produzidos pelo próprio organismo.
Mais os crentes ávidos, para constatarem que Deus ainda faz milagres, no menor sinal de favorecimento, alardeiam que ocorreu o sobrenatural.

O carro de uma pessoa tombou, ela conseguiu sobreviver, mais ficou paraplégica, logo eles afirmam que foi uma intervenção de Deus.
A pergunta que não quer calar: “Se Deus livrou aquela pessoa da morte, porque não fez o serviço completo? Se pode livrar da morte, também não podia livrar da cadeira de rodas? Então porque não o fez? Ah já sei, foi para cumprir um propósito divino, não é mesmo?! Deixou a pessoa para o resto da vida inválida, mais foi para um bem maior? Desculpem, mais não acredito nisso, já acreditei, mas hoje, isso não faz o menor sentido.

Já sei você vai usar a bíblia para provar que estou errado, não é mesmo? Lamento te informar, mais qualquer teoria – isto inclui a bíblia – precisa estar fundamentada na pratica da vida humana.
Pegar alguns textos da bíblia, que falam de promessas de livramentos para o justo e aplicar a nossa existência, prometendo que a vida do crente vai ser um mar de rosa, num mundo em que acidentes mortes e tragédias sobrevém a todos – inclusive aos crentes – é irreal e alucinação.

Vale lembrar que, é muito fácil falar da dor alheia, o difícil é falar em meio a sua própria dor.
Afirmar que os que sofreram com as enchentes de Santa Catarina, receberam um “justo juízo de Deus”, não estando lá é fácil. Teologizar a partir de um lugar privilegiado é muito cômodo, mas falar da enchente com água na cintura é bem diferente.

Portanto aos que sofrem e/ou sofreram, ou até mesmo aos sensíveis ao drama humano, eis a minha frágil proposta:

1- Não organize sua vida em torno de um possível milagre.
Porque o milagre, não passa de uma possibilidade rara, portanto, improvável de acontecer.

2- Não de ouvidos aos oportunistas que prometem, ter o poder de decretar o seu milagre.
Isso é mentira. Ninguém controla Deus.
Deus pode realizar milagres, mas isso não depende de nosso desempenho.

3- Viva uma vida normal.
Soa até esquisito, mas é verdade, as igrejas estão se especializando em “espiritualizar” todo problema.
Se você quer conseguir um emprego, envie currículo, corra atrás. Quer passar no vestibular, estude. Quer receber uma cura, procure ajuda médica, faça tratamento. Quer salvar seu casamento, seja melhor esposo ou esposa.

Não caia na paranóia evangélica, não busque a Deus, para melhorar de vida. Para ter melhor sorte do que o resto dos mortais.
Ninguém tem a proteção de Deus!
Para Deus nos proteger, seria necessário nos aprisionar, tirando nossa liberdade. È como o pássaro dentro de uma gaiola, protegido, mas preso. Tire-o da gaiola, ele terá liberdade, porém correrá riscos.Viver é uma grande aventura, que custa correr riscos.

Ore, e muito. Vá para os cultos. Mas sem propósito, a não ser para adorar e celebrar o amor de Deus.
Acho ridículo, oração com propósito. Você convida uma pessoa para orar, e ela já pergunta: “Para qual propósito?”. “Uma cura, emprego ou livramento?”Pergunto: Mas porque isso? Não podemos simplesmente orar a Deus, para termos comunhão com Ele?

Termino esta postagem, com um trecho de um texto do Pr. Ed. Rene Kivitz:
“Além disso, estar sob o cuidado de um super protetor não é a razão porque acredito em Deus: de fato, abro mão de ser protegido – minha solidariedade com a raça humana não me permite esperar melhor sorte do que a das crianças abandonadas, dos enfermos crônicos, dos miseráveis e vitimados pelas atrocidades dos maus. Ou Deus protege todo mundo, ou a proteção não serve como fundamento para a crença nele.”

Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

sábado, 17 de outubro de 2009

"Resposta ao leitor"




Por: Edson Moura

A Paz do Senhor meu irmão Isaias Medeiros.
Primeiramente gostaria de congratulá-lo pelo coragem e despreendimento para ler toda a mensagem (e acredito que você leu mais de uma vez), e pelo seu comentário que foi muito bem desenvolvido.

Esta é justamente a idéia de nosso blog, fazer com que as pessoas reflitam sobre o que escrevemos e discordem se acharem que o conteúdo é prejudicial à fé.

Você disse que acha que eu não passo de um "liberal", pois bem! Posso até ser muito racional, mas daí a me chamar de liberal, talvez seja um pouco de exagero de sua parte.
Quanto ao fato de Deus não ter que se ajustar ao homem, lamento decepcioná-lo, mas Deus já fez isso, no momento em que esvaziou-se de todo seu poder, e encarnou Cristo e andando pelo mundo durante 33 anos.

Quero agora me explicar, tanto à você Isaias, quanto aos outros leitores que possivelmente não tenham entendido o artigo escrito, demonstrando assim a minha preocupação e o senso de responsábilidade que voçe acha que não tenho.

Algumas Provas Bíblicas De Que Os Ímpios Não serão Atormentados Por Toda a Eternidade:

Um dia Deus irá terminar com o sofrimento veja:

“E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”. (Apocalipse 21:4).
Se o “inferno de fogo” durasse para sempre, esta passagem não poderia estar na Bíblia, pois o luto, o sofrimento, o pranto e a dor não cessariam. O pecado seria eterno, o que contraria plenamente as Escrituras. Se há um inferno eterno e o se diabo fosse atormentado por toda a eternidade juntamente com os pecadores, teríamos de aceitar pelo menos outras 4 heresias:

1a) Que o diabo, os demônios e os pecadores são e serão eternos. Deus não conseguirá um dia destruir o diabo definitivamente? Que dizer dos seguintes textos:
Malaquias 4:1-3; Romanos 16:20; Hebreus 2:14?
2a) Que o pecado é eterno – Se os ímpios fossem atormentados com o diabo eternamente, nunca iriam deixar de ter raiva de Deus por estarem no fogo, e continuamente o blasfemariam. Estariam constantemente pecando.

3a) Que muitas pessoas que pecaram 70 ou oitenta anos irão sofrer a mesma penalidade que satanás, que pecou desde o princípio e que foi o originador do pecado. Isto não estaria de acordo com os seguintes textos Bíblicos: Ap 20:11-13 e Lc 12:47 e 18 (alguns receberão “muitos açoites e outros poucos”).

4a) Que Deus nunca iria terminar com o sofrimento. A Bíblia ensina claramente que um dia não existirá mais o sofrimento (Ap 21:4, etc). Graças a Deus que não é assim; logo o Senhor Jesus irá terminar com todo o pecado e sofrimento. Creia, irmão Isaias, que Deus não irá condenar ninguém à tortura, pois ao analisar a Bíblia profundamente, percebemos isto; se o fizer, a visão que você tem de Deus será mudada, e sua comunhão com ele será melhor e mais duradoura.

Por fim: A doutrina do inferno eterno não é Bíblica; foi originada na mente do diabo para denegrir o caráter e a justiça de Deus e aperfeiçoada por filósofos pagãos. O que acontece é que este ensinamento entrou nas igrejas sutilmente, devido à influência desses filósofos no passado e uma errada interpretação de alguns versos Bíblicos que não foram analisados à luz do “contexto” da Bíblia (principalmente a parábola do Rico e Lázaro).

Meu ponto de vista:

O inferno de “tormento” não existe; a Bíblia diz que Deus punirá os ímpios no futuro e não agora no inferno: “porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos”. (Atos 17:31).

Uma pergunta:
Se as pessoas que morrem hoje já vão para o céu ou para o inferno de condenação, por que Deus terá que realizar um juízo final? Afinal de contas já não estão todos julgados?

No livro de Pedro diz que os anjos maus foram lançados para o Tártaro (lugar de escuridão). Ora, se fosse o inferno de fogo, como seria escuro?

A palavra inferno, traduzida de suas línguas originais (Sheol, Hades, etc) simplesmente significa “sepultura”. Neste momento os ímpios estão “dormindo” até “aquele dia em que Deus julgará a todos”, pois a morte não passa de um sono (Jesus disse isso em João 11:11-14 e devemos acreditar nele), onde a pessoa está inconsciente até a volta de Jesus.

“Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol... Tudo quanto te vier à mão para fazer faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”. (Eclesiastes 9:5, 6 e 10).

“Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda”. (I Coríntios 15:23) Quando Jesus voltar, ele irá ressuscitar a pessoa; aí sim ela ficará consciente (João 5:28 e 29; João 6:40).

Os justos serão ressuscitados para irem ao céu (I Tessalonicenses 4:16 e 17, etc) e os maus para serem destruídos (Malaquias 4:1, etc), pois não aceitaram a Jesus como salvador, rejeitaram seus ensinamentos e seus convites de amor. Veja ainda que o verso três de Malaquias 4 (e muitos outros ainda) diz que “os ímpios se farão em cinzas”; se os maus ficarão em cinzas como serão atormentados eternamente?

Os textos Bíblicos usados por muitos ‘em favor’ da existência do inferno não foram corretamente traduzidos de sua língua original e foram tirados de seu contexto. “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”. (I João 4:8).

Um Deus de amor jamais iria queimar alguém pela eternidade; sua justiça e misericórdia não permitem isto. Se Ele o fizesse, a dor, o sofrimento, o luto, não deixariam de existir nunca; as pessoas iriam blasfemar de Deus eternamente no ‘inferno’ e assim o pecado seria eterno.

Confie no amor de Deus. Vá a Ele sem temor, pois o Senhor lhe ama e quer bem. Ele tem muito mais a te oferecer do que um "inferno de fogo". Não que você já não o tenha feito Isaias, mas aceite a Jesus como salvador de sua vida e verás que a cada dia Ele lhe mostrará o amor do Pai e do Espírito Santo por você, tornando-o uma pessoa mais feliz e confiante quanto ao futuro.

“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei”. (Ezequiel 18:32).

Que Deus o Abençoe meu irmão!