segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Eu e o acidente de ônibus: livramento de Deus?

*Foto do ônibus não é ilustrativa: é real. Foi o acidente que eu escapei.

Acabei de escapar ileso de um acidente: estava dentro do ônibus da viação Águia Branca, que voltava as 23h30, de Vitória à Ponto Belo, Espírito Santo, que bateu em um caminhão de boi, ferindo sete pessoas, três em estado grave, entre Colatina e São Domingos, por volta das três horas da madrugada de hoje.

A frase mais ouvida por mim foi a de que “Deus me livrou”. Mas hipótese que já descartei, com o seguinte (corajoso) questionamento: o que tinha em mim de diferente dessas sete vitimas, que fez Deus me livrar e a elas não?

Minha solidariedade e humanidade me faz posicionar ao lado das vitimas: não consigo conceber um Deus justo e bom, que em um mesmo acidente, livra alguns (eu) para deixar outros (sete) a mercê de seu próprio destino, ou, (o que é terrivelmente pior): determina quais se salvarão e quais se acidentarão.  

Sou muito humano para aceitar tal ideia (popular) de Deus (que faz distinção para livrar) e um pouco inteligente para aceitar tal explicação “milagrosa” do meu livramento. 

Prefiro tatear explicações mais, digamos, humanas e corajosas: por causa de alguns fatores controláveis e planejáveis, e outros, por mera “sorte”, escapei ileso.

Primeiro: toda vez que viajo, sempre prefiro poltronas que ficam do meio para o fim do ônibus: sempre me ocorreu a possibilidade de um acidente onde os primeiros da frente serão (obviamente) os primeiros atingidos, caso o ônibus bata de “frente”; e, sentar antes do final, para se caso baterem na traseira do ônibus, não ser o primeiro dos últimos a ser atingido.

Segundo: sempre uso cinto de segurança, pois isso se não ajudar na hora de um acidente mais grave, mal não vai fazer, além de muitas estatísticas mostrarem que o cinto pode literalmente salvar uma vida em acidentes.

Terceiro: contar com a sorte mesmo. Eu não escrevi errado. Escrevi sorte, porque quero dizer sorte mesmo. Se existe acidente para o mal, no caso do azar, do famoso estar na hora e lugar errado, existe também, o acidente para o bem: de não estar na hora e lugar errado.

O que quero dizer é que graças a fatores controláveis, como os que citei, e os que não estão em nosso controle (você estar dentro de um avião, por exemplo, que cai e mata todo mundo), é que podemos falar sempre em probabilidades e possibilidades, mas nunca de certezas.

O que significa dizer que o que aprendi é o que já sei, mas que foi reforçado: tome todos os cuidados necessários que estejam em seu alcance, mas saiba que a vida é como uma roleta russa: a qualquer momento podemos não escapar de um acidente.

Mas enquanto isso não chega, sou grato a Deus só pelo fato dEle não intervir nos acidentes, seja para bem, seja para o mal, porque afinal, um Deus universal, que não livra, mas que também não "permite" (leia-se "provoca") acidentes, é muito mais humano e justo, do que um Deus que livra "pela metade" (incompetência?) ou em "partes" (o famoso Deus me livrou de morrer, mas não me livrou de sofrer um acidente grave e parar num hospital).

Marcio Alves

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