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domingo, 29 de julho de 2012

A existência de Deus pode ser mais assustadora do que a sua inexistência




Por: Marcio Alves

Um Deus mal e perverso no controle absoluto do universo, jogando com nossas vidas, brincando e se divertindo com nosso destino, sem alguém superior a Ele para prestar conta do que faz conosco, rindo de nossas desgraças, provocando diversos tipos de catástrofes no mundo, não se importando com ninguém, atraído por sórdidas maldades, quem já imaginou um Deus assim? Ou, quanto um Deus assim pode ser temido?

Sempre quando se imagina um Deus, ou quando a religião cria, sistematizando uma crença em Deus, ela parte dos anseios mais profundos do porão do inconsciente humano, sendo assim, por mais que Deus seja punitivo com os outros que não compartilham da mesma crença e religião, com elas (seguidoras daquela religião), Deus sempre será aquele pai presente, que cuida, ama e preservar os seus filhos, mesmo quando os castiga, faz isto porque ama e se importa com eles. Nesta crença esta embutida, algumas vezes de maneira imperceptível, o “medo de Deus” que toda religião se utiliza para manter seus seguidores fieis. (No cristianismo é o inferno, no espiritismo é o carma, no budismo o samsara e assim por diante)

Esta crença propriamente dizendo é o lado mais infantilizado de todas as religiões, porque em meio a bilhões de seres humanos, com um universo “infinito” para controlar, Deus se importaria logo com este planeta tão pequeno e com seres humanos tão insignificantes (comparados a toda grandeza do universo)?

Pior do que a sua não existência (ateísmo) ou abandono total do nosso planeta (deismo) é a possibilidade de um Deus perverso, déspota, arrogante e malvado no controle do universo. Imagina se no final de tudo – de uma vida de sofrimento, porque o sofrimento esta ligado a existência, todo mundo sofre de alguma maneira e nível – após a morte, existir vida, e nós tivermos que pagar por toda eternidade, prestando conta (cristianismo) diante de um Ser maléfico, que criou uma camará de tortura com “fogo e enxofre” para atormentar nossa vida, e, isto sem fim?

Ou seja, a ideia da existência de Deus é mais apavorante do que a sua inexistência, porque se Ele não existe, não há o que temer, nem em vida e nem depois da morte, mas, e se Ele existir de verdade, quem é capaz de saber como Ele é, e, o que fará conosco?
E, todas as pistas no mundo indica que se há um Deus quem criou tudo, Ele deve ser muito perverso, porque criou um mundo de sofrimento, seres humanos sádicos, uma natureza muito violenta, ou seja, se Ele fosse realmente bondoso, porque não criou um mundo com menos sofrimento?

A questão do sofrimento que eu coloco aqui, e, que sempre foi uma “pedra” no “sapato” do teísmo (crença em Deus) não é o sofrimento moral, causado por outros seres humanos, ainda que Ele pudesse ter feito um ser humano com uma natureza melhor, mas antes, o sofrimento existencial, com milhares de doenças...imagina uma criança encefálica, (apenas um exemplo, para não citar todos) como pode um Deus bom e justo, permitir tamanha crueldade, ainda mais com um ser que não foi capaz de fazer nem bondade e nem maldade ainda?

Sem falar na natureza tão violenta e cruel, por que desde que o mundo é mundo, sempre houve catástrofes, a diferença é que não tinha tantos seres humanos vivendo de modo aglomerado, pois imagina um terremoto na cidade de São Paulo hoje, por exemplo, que catástrofe seria? Diferente se fosse um lugar deserto, há milhares de anos atrás, totalmente desabitado por pessoas...junta se a isto, o fato de termos acesso a todo tipo de informação mundial, isto significa, que temos mais informações hoje do que antes, o que dá a impressão de que o “mundo esta realmente acabando” – a questão principal aqui é: ou Deus existe e é mal, porque criou de propósito um mundo hostil ao ser humano, e aí meu amigo, se existir um Deus assim nós estamos literalmente “fudidos”, ou Deus não existe e a natureza é “cega” e podemos viver e morrer em paz, porque quando “acabar”, para nós realmente “acabou”, de qualquer jeito estamos todos nós (raça humana) no mesmo barco em meio ao mesmo oceano, a diferença é como enxergarmos e/ou como queremos enxergar este oceano....

Como a ciência em questão de Deus não pode provar que Ele existe ou não existe, cabe a você meu caro leitor decidir; acreditar em Deus de maneira religiosa, pessoal (teísmo) e viver a vida “pisando” em ovos, não sendo e não assumindo os riscos de uma vida sem Deus, com liberdade de ser e fazer o que se deseja, até porque na crença Deus é aquele eterno estraga prazer que sempre esta com o seu olhar onipresente de quem não se pode fugir, ou acreditar como os filósofos que Deus é impessoal, (deismo) que não interfere em nossas vidas, e/ou ainda como os ateus (ateísmo) que simplesmente ignoram não acreditando em deus ou deuses, e continuar vivendo a vida totalmente voltada para o “aqui e agora”, sem o peso de ter que prestar contas a Deus, mas apenas a sua consciência?

domingo, 1 de julho de 2012

As imagens do humano em Deus




Por: Marcio Alves

 "O homem encontra e desenha o “in-desenhado” e “in-contravel” Ser em seu próprio e limitado ser existencial, com sua mentalização e sentimentalização de aperceber e apreender o divino em si, pois deus só pode ser deus de cada individuo, sendo um espelho a refletir a imagem do homem que diz servir-lo, mas que na verdade é servido para si mesmo, para as suas projeções auto projetadas da sua psique inconsciente"

O Ser supremo nomeado pelo humano de “Deus” do alto de sua infinita e desconhecida imagem é não tendo uma imagem limitada que possa descrever e enquadrar seu ser, pois todas as imagens criadas foram e serão “in-criadas” a partir dele mesmo, não sendo e não podendo ser exata, mas si sendo real nos corações de quem sente e fabrica, pois é na verdade a realidade singular do sujeito que vai de si para si mesmo, não sendo o absoluto, por isso é relativizada pelos homens, não para a gloria do Ser, mas para a própria gloria terrestre do humano.

"(...) projeta sua autoimagem dele e para ele, declarando e sistematizando o divino de sua percepção nele mesmo, sendo posto no pedestal da adoração, adorando o Ser de sua imaginação"

O homem encontra e desenha o “in-desenhado” e “in-contravel” Ser em seu próprio e limitado ser existencial, com sua mentalização e sentimentalização de aperceber e apreender o divino em si, pois deus só pode ser deus de cada individuo, sendo um espelho a refletir a imagem do homem que diz servir-lo, mas que na verdade é servido para si mesmo, para as suas projeções auto projetadas da sua psique inconsciente.

"A figura das imagens esculpidas da não realidade visível, pintadas e moldadas pelo caráter e temperamento do próprio homem, tem sua gênese da não descoberta empírica do grande assombro, sendo desenvolvida a prematura necessidade de necessitar verbalizar o inefável, com os mais variados sons antropológicos das sociedades"

Pensando ter finalmente encontrado o supremo Ser do universo, mas sem saber que não achou Ele, projeta sua autoimagem dele e para ele, declarando e sistematizando o divino de sua percepção nele mesmo, sendo posto no pedestal da adoração, adorando o Ser de sua imaginação, embora seja Ele (Deus) mesmo não outro, para o individuo que revela o seu desejo de procurar pela busca de encontrar no encontro que se dá consigo mesmo, sendo real e verdadeiro para milhões que experimenta a experiência deste encontro que nomeia-se Deus.

"Mas a grande ilusão é iludir-se a si mesmo dizendo que este desenho pintado, esta musica tocada, esta linguagem decifrada, este sons ouvidos, “sentido sentido”, da não materialização, visibilidade e compreensão do divino no humano em formas do saber pensado, construído, intuído, sentido e finalmente crido pelo seres humanos, ser o mesmo Ser, sendo que nunca foi e nunca será, pois se algum dia for, então mesmo assim pode concluir o saber que não passou de não saber"

Pois o Ser sabendo que não poderia ser exaurido pelo conhecer das percepções do pensamento e sentimento da averiguação minuciosa da criatura, deixa sua própria marca de pegadas sutis na areia da vida subjetivada pela nitidez da percepção humanista, para que mesmo através das autoimagens criadas, possa ser revelado que Ele é e que existe existindo em cada realidade existente na criatura viva.

A figura das imagens esculpidas da não realidade visível, pintadas e moldadas pelo caráter e temperamento do próprio homem, tem sua gênese da não descoberta empírica do grande assombro, sendo desenvolvida a prematura necessidade de necessitar verbalizar o inefável, com os mais variados sons antropológicos das sociedades.

"O homem revela quem é mostrando no que crer e quem é o que ele crer, pois a sua crença é uma revelação de si mesmo e não do supremo Ser (...)"

Mas a grande ilusão é iludir-se a si mesmo dizendo que este desenho pintado, esta musica tocada, esta linguagem decifrada, este sons ouvidos, “sentido sentido”, da não materialização, visibilidade e compreensão do divino no humano em formas do saber pensado, construído, intuído, sentido e finalmente crido pelo seres humanos, ser o mesmo Ser, sendo que nunca foi e nunca será, pois se algum dia for, então mesmo assim pode concluir o saber que não passou de não saber.

"Com este texto o que eu proponho hoje, não é a questão “Se Deus existi ou não”, mas que mesmo existindo, se partimos desta premissa, todos os Deuses de todas as religiões e crenças não passam de criações humanas, e, que “Deus mesmo” é totalmente desconhecido por nós, o que equivale a dizer “Deus não existe!”, ou seja, para o homem não há um Deus existindo fora dele, perdido em  algum lugar no universo, mas antes, dentro dele"

O supremo Ser não sofre influencia das influencias humanas, sejam negativas ou positivas, pois não é processado no seu desenvolvimento como se fora uma criatura, pois não é sendo o criador, vê em si mesmo e não no reflexo dos homens, ser suficientemente suficiente com Ele e para Ele.

O homem revela quem é mostrando no que crer e quem é o que ele crer, pois a sua crença é uma revelação de si mesmo e não do supremo Ser, pois não passa de sua auto imagem e descoberta, se modelando em sua crença, formando e definido quem realmente ele é no que pensa ser o grande Ser, mas não sendo para ser quem realmente é o seu oculto ser revelado nas inúmeras imagens da psique humana.



P.S.: Texto escrito por mim em 08/03/2010 quando estava no final do processo de descrença, nesta época a ultima das crenças que ainda restava em mim era a crença em “Um Ser Superior”.

Com este texto o que eu proponho hoje, não é a questão “Se Deus existi ou não”, mas que mesmo existindo, se partimos desta premissa, todos os Deuses de todas as religiões e crenças não passam de criações humanas, e, que “Deus mesmo” é totalmente desconhecido por nós, o que equivale a dizer “Deus não existe!”, ou seja, para o homem não há um Deus existindo fora dele, perdido em  algum lugar no universo, mas antes, dentro dele.





sábado, 23 de junho de 2012

A opinião sincera de um ex-crente e atual ateu sobre a bíblia “sagrada”




Por: Marcio Alves


Chegou a hora de dar o último, o principal, porém, delicadíssimo passo, rumo à desconstrução total dos dogmas pétreos do Cristianismo ortodoxo.
Eu quero declarar em alto e bom som, minha mais sincera e transparente aversão a palavra dita de Deus.

Palavra esta que se for “literalmente literalizada”, muitos dos seus episódios “ocorridos”, torna Deus em um grande Ser desprovido de inteligência e amor.
Pois se não, vejamos:

Conto da desobediência humana, (Adão e Eva) sendo uma alternativa dada por Deus? Se for escolha, logo se segue que não deveria isto, levar o Senhor a amaldiçoar o homem, aja visto, Ele próprio ter decidido dar livre arbítrio para o mesmo. Como pode ser livre, se foi, é, e será punido?

Outro episodio que para mim é muito mais uma fabula do que realidade, embora o evento em si, seja factual, pois é constatado pela ciência que realmente houve um dilúvio, porém, as inúmeras estórias que são em diversas culturas contadas e recontadas, não passam de fabulas, ou será que imaginamos uma real possibilidade do “perfeito deus” ter de fato se arrependido de criar o homem, e, depois que o destrói, volta a se arrepender de novo, só que desta vez, por haver destruído o homem?

E a dramática e desumana estória (com “e”, e não com “h”) de Deus pedindo para Abraão sacrificar o seu único filho Isaque, como se fosse um animal, por causa de um estúpido teste, para saber se no final das contas, ele amava mesmo ou não Deus?

Oras, se isto for lido literalmente, nós temos um problema grave, pois isto revelaria um deus sádico, cruel e desumano, ou então, um Ser desprovido de inteligência e conhecimento prévio do futuro, pois não sabia Ele que é justamente “onisciente”, que Abraão o amava de verdade?
Então porque Ele precisava testar este amor?

E o caso lamentável de orgulho e exibicionismo da mais pura vaidade divina, que por causa de uma acusação inverídica do diabo, o soberano, déspota e arrogante “Deus”, resolve apostar com a vida de Jó, como se fosse um brinquedinho divino, que no final de tudo ainda, depois de delegar ao diabo poder total sobre Jó, que foi brutalmente destruído, tudo que tinha, não somente os bens materiais, mas também todos os seus filhos, ficando numa doença miserável, encontra-se com o criador, e vai simplesmente desabafar com Ele, e é, por isto, injustamente e duramente acusado pelo mesmo soberano, de disputar com Ele, quando nada sabe e nada entende?
Mas como haveria de entender, se nada viu e soube, e nem ainda se quer ficou sabendo, nem foi muito menos avisado?

E as dezenas de relatos das guerras e destruição, cometidos pelos Israelitas em nome de Deus?
Como explicar os genocídios e infanticídios que foram todos causados, por uma “motivação divina”, em que o povo Israelita se achou no direito, pois eram os escolhidos, em nome de Yavé, exterminar todos os outros povos em seu redor?

Percebe-se que é esta literalidade, glorificada e defendida com unhas e dentes pelos “guardiões da reta doutrina”, que precisamos jogar na lata do lixo, se ainda desejamos ler a bíblia sem repulsa e indignação, apenas contemplando com os olhos da alma, as suas belas e significativas metáforas, mitos e fabulas.

Mas não! A bíblia é colocada no mais alto pedestal, onde é idolatrada pelos evangélicos, tida como sagrada e reverenciada, igual ou até mesmo mais, do que o próprio Cristo ou/e Deus, podendo ser questionado tudo, menos a tal da “inspiração” e “inerrância” divina dos textos canônicos, tido como literais, daí a expressão ser mesmo o fundamentalismo xiita e talibanês dos crentes.

Mas não para por ai o meu ódio em relação à pretensa “palavra de deus”, tida como verdade absoluta do Cristianismo. Pois também no novo testamento, encontro mandamentos que são contrários a vida, como por exemplo, a demonização do corpo em favor da exaltação da alma, sendo tudo aquilo advindo e para o corpo, estigmatizado e considerado pecado, mas aquilo que for para alma é santo e puro!

Um deus avesso a vida, a alegria, a diversão e o mais delicioso prazer, com a promessa fantasiosa e alienante, de uma vida melhor no além, para o descanso da alma, mas em compensação em oposição ao corpo, que na linguagem cristã, para nada presta.

Sendo a liberdade humana restringida e limitada pelos cabrestos auto-impostos pelas inúmeras regras e mandamentos, como se a vida se resumisse a um mero comprimento de normas cinzentas e anti-alegres, onde o gozar o prazer na carne é o maior pecado, mas se esquecem que o que temos neste mundo é justamente o nosso corpo, e é com ele que podemos contar e devemos valorizar cada momento de nossa efêmera vida, não abrindo mão de nossa atual existência, por uma recompensa futura no céu que talvez não exista, e que seja apenas uma manobra política do império romano, para anestesiar o povo oprimido de sua época.

Falar em império romano, não é muito estranho ser justamente isto, que Jesus nos evangelhos, vai mais apoiar e incentivar, um total abandono por vingança, e um amor e perdão incondicional dado por aqueles que nos oprimem e nos tiranizam, ser direcionado a um povo pobre, injustiçado e indefeso pelo poder político do império?

Lembrando que o novo testamento como conhecemos hoje, foi justamente juntado e acabado pelo imperador Constantino, que talvez, pode ter adulterado muitas coisas nos mesmos, tentando levar vantagem sobre a massa oprimida por ele.

Pois sem duvida alguma, de todos os ensinamentos dados por Jesus, o mais estranho é o de amar incondicionalmente os inimigos, tiranos e assassinos, pois mesmo que se consiga tal atitude desumana, as pessoas seriam anestesiadas e impedidas de lutar, se preciso for, com suas próprias vidas, em pró de uma vida mais justa, e contra a opressora tirania.

É muito argucioso e pura esperteza mesmo, se de fato Constantino inventou e colocou na boca de Jesus, o sermão da montanha, pois tal ensinamento é uma apologia total em favor dos oprimidos, fracos e marginalizados, oferecendo aos mesmos, uma anestesia paralisante de revolta contra suas situações, sendo os mesmos levados a entender que aquilo justamente é o passaporte seguro para uma vida feliz no paraíso, mas lembrando, não é para aqui, sendo somente quando morrer, ou seja, domestica e inibi qualquer vontade de lutar contra a opressão.

Em fim, eu odeio este lado nefasto da bíblia, porém as suas profundas, significativas e ricas metáforas, fábulas, poesias, símbolos e estórias, minha mais verdadeira devoção!

Texto escrito e postado originalmente, por mim, no blog: http://cpfg.blogspot.com.br/2010/05/abominacao-sagrada-da-biblia.html     em 25/03/2010 

Com o titulo: A abominação “sagrada” da bíblia

Postagem esta que alcançou a incrível marca de 496 comentários, sendo até hoje a postagem mais comentada de todos os tempos daquele blog! Vale apena acessar e ler os comentários feitos nesta postagem!

sábado, 8 de outubro de 2011

Obrigado, Pastor Ricardo Gondim!

Por: Marcio Alves

Há pelos menos 3 ou 4 anos atrás, dava se inicio em minha vida o “processo de dês-religiosamento”.

Hoje, sentando nas escadarias da minha casa, olhando para o céu estrelado, pensando na vida, re-pensando e revendo passos, caminhos e descaminhos, estradas e trajetórias, pensamentos e sentimentos, crenças e crises, vitorias e perdas, valores e vazios, num encontro e desencontro comigo mesmo, tentava lembrar onde foi exatamente que isto tudo começou, qual foi o estopim que desencadeou e acelerou toda esta minha descrença e ceticismo de hoje.

Foi ai que lembrei.......

Lembrei e agradeci, com os olhos cheios de lágrimas e com a voz baixinha e embargada, aquela mesma que falamos conosco, que ninguém escuta, e sussurrei :

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim. Lembrei que durante meses – seis á sete meses, há 4 anos atrás, para ser mais exato – devorei todos os textos que você escreveu em seu site, aproximadamente uns 1. 800. Alguns leves que abordam a beleza da vida, outros mais indigestos e duros questionando os dogmas pétreos da ortodoxia, mas todos me conduziram a tornar quem sou hoje.

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim. Tudo bem que há mérito em mim também, que me esforcei e gastei meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos debruçados na mesa de meu computador devorando seus escritos, que não apenas me influenciaram diretamente, como que também indiretamente, pois foi através destas leituras que apaixonei e até viciei compulsivamente em ler. Hoje, já faz um tempo que não leio mais você, é verdade, mais através de você, aprendi a ler e saborear outros diversos autores.

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim. Hoje, minha capacidade de reflexão está muito mais aguçada, me tornei uma pessoa muito mais criteriosa, questionadora, que não aceita uma verdade simplesmente por ela ser verdade para o senso comum. Mas para que a verdade seja realmente verdade, ela deve ser antes passada e re-passada pelo moinho da duvida questionadora, e que depois de ser tanto duramente atacada, se ainda resistir é porque merece ser verdade.

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim. Você me ensinou a pensar por mim mesmo, a não ser um mero escravo do sistema, em simplesmente repetir conceitos já há muito tempo engessados, a não temer o medo de dizer “tenho duvidas”! De olhar para dentro de mim e aceitar minhas imperfeições e ambigüidades como fazendo parte da minha natureza, a entender que não eram pecados, que não seria castigado por uma divindade que cobra desempenhos pra lá de humanos.

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim. Durante muito tempo te segui, mas finalmente entendi que o melhor jeito de te seguir, é não te seguindo mais, para finalmente seguir os meus próprios passos, fazendo o meu próprio caminhar, e que fazendo isto, eu estaria seguindo você!

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim. Hoje, já não creio mais em castigo eterno, nem em um céu como recompensa, descreio num Deus evangélico que é avesso a vida, avesso ao prazer, a alegria de viver. Já não consigo mais engolir uma divindade que favorece alguns poucos, atendendo a caprichos, enquanto deixa bilhões na mais profunda miséria sem nenhuma intervenção urgente de vida e morte.

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim. Hoje, já não sou mais religioso, busco viver uma vida natural, sem as falsas promessas de que se fizer isto ou aquilo corretamente, terei o favor de Deus, nem tão pouco, vivo neuroticamente uma busca desenfreada por uma vida sobrenatural, de milagres e bênçãos.

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim. Reconheço a imensa capacidade em mim de questionar e até para descrer, mas certamente talvez, não teria coragem ou demoraria muito, se não tivesse no meio do meu caminho conhecido e lido exaustivamente você. Talvez meu único lamento seja “porque não conheci você antes”, mas entendo que tudo que vivi em minha vida, toda minha experiência de mais de 15 anos na igreja, foram mais que necessárias para forjar meu caráter e ser decisivo na construção de quem sou hoje.

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim. Aprendi contigo que para desconstruir a fé, é preciso usar a própria fé, que nunca uma cidade é atacada tão eficazmente quando é atacada de dentro para fora, que por mais fortes e hábeis que sejam os ataques externos, nunca surtirão os mesmos efeitos que de dentro.

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim. Sei que você sabe a contribuição que você trouxe para o meio evangélico, benefícios para alguns, estragos para a maioria, é verdade, mas ainda sim uma mudança radical no modo de ver, ouvir, pensar e sentir dos evangélicos.

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim. Sei que com sua idade – e você sabe também – sua morte iminente se aproxima cada dia mais – e de quem ela não se próxima também? Pois para morrer basta estar vivo! – e esta é a angustia de todos nós mortais; cada dia que se passa, significa que mais vivemos e que menos tempo temos para viver!

Mas você, Pr. Ricardo Gondim, já teve seu galardão antes mesmo de morrer: sabe que tens um nome que já entrou para os anais do cristianismo Brasileiro, que mesmo depois de sua morte, seu nome e seus conceitos continuarão a gritar nos ouvidos e mentes dos evangélicos: sua vida não foi como a da maioria; medíocre e insignificante, mas tua vida teve e sempre terá um peso, sendo lembrado por muito e muito tempo!

Mas o maior de todos os galardões é sem duvida alguma a de mudar vidas, transformando mentes, abrindo novos horizontes, revirando conceitos, salvando pessoas de uma vida ilusória, pobre e castradora que a religião oferece, dando maior sentido para o sentido de viver, sem medo, sem culpa, sem neuroses, sem mascaras, sem falso messianismo, sem falsa santidade.

Só nós e a vida, a vida e nós, e a consciência de um viver com significados, com maturidade, com responsabilidade.
Uma vida com vida, sem a morte-vida das religiões!

Obrigado, Pr. Ricardo Gondim!


Site do Pr. Ricardo Gondim: http://www.ricardogondim.com.br/

domingo, 4 de setembro de 2011

A importância do outro (humano) e a “des-importância” do Outro (Deus)

Por: Marcio Alves


Deus não existe! Qual o sentido de viver a vida, se Deus não existe? Vale apena continuar vivo então? Porque os ateus não se matam de uma vez, se não existe vida após a morte?

A primeira idéia que nos vem à cabeça, diante de tal pergunta é que a vida não tem mais sentido e graça para quem não acredita mais em Deus...será?

Deus não existe, mas a menina que o jovem esta de olho há um bom tempo existe...o filho do ex-religioso continua a existir mesmo sem Deus....os amigos do tempo das baladas, dos botecos da vida, dos jogos de futebol, das aventuras, e todas essas coisas aparentemente sem importância também existem, sem contar nos escritores de livros que nos levam a viver aventuras fantásticas, pelo mundo da imaginação. E os atores, atrizes e diretores de filmes e novelas prediletos nossos? Os cantores, bandas e compositores que fazem nossa alegria e nos dão prazer com suas canções?
Todos eles sem exceção existiram ou existem e fazem a diferença em nossa vida.

Por isso que Deus mesmo não existindo, nossa vida não deixa de existir, ela continua e o tempo não para, nem as coisas de que mais gostamos de fazer perdem o seu significado, mas justamente ao contrário!
A vida passa a ter mais sabor, sentido e valor, pois passamos a enxerga-lá como única e muito breve – e realmente é!

Por isso que a resposta a pergunta: “Porque os ateus não se matam de uma vez, se não existe vida após a morte?” traz em si mesmo a resposta: justamente por não ter vida após a morte, a vida tem maior valor para nós, pois ela é única e tem prazo de validade!

Agora que tal revertermos a pergunta, e direcionarmos para o crente da seguinte forma: Porque você crente, vive esta vida aqui tão apegado a ela, se existe a eternidade pela frente?

Mas não para por ai, porque o outro passa a ter mais importância e referencia em nossa vida quando não mais cremos em Deus.
Pois imagine a mulher crente tendo que deixar o seu marido ateu em casa ou no bar com os seus amigos e “amigas” para ir á igreja se santificar e buscar a Deus.

Agora pense nesta mesma mulher deixando de acreditar em Deus, e vivendo sua vida para si mesmo e seu esposo...ela irá passar mais tempo com ele, indo inclusive para o bar ou festas com ele, e o esposo incrédulo não precisará mais ter a atenção de sua mulher divida com o todo-poderoso – que se diga de passagem é uma competição injusta dado o “peso” de Deus para quem acredita e vive para ele!

Talvez você meu caro leitor religioso, não parou para pensar na fundamental importância do outro em sua vida, porque se seu amigão é Deus, o dono do universo, que te ama com um amor desumano (“que nem um ser humano é capaz de amar com tal intensidade”) e te protege e ajuda, para que então você iria ficar tão dependente de seus amiguinhos humanos?

É por isso que a primeira coisa que o crente faz quando se converte para “Deus” é abandonar os seus velhos amigos “mundanos”, “filhos da ira e do diabo”, os “perdidos e incrédulos”, “ímpios e perversos”, pois afinal, luz não combina com as trevas, e nem inferno com o céu, não é verdade, meu amigo crente e servo do altíssimo? (que no fundo enxerga todos os não cristãos – e ai não importa se o cara é ateu ou de outra religião – como inimigo a ser ganho do reino das trevas para o reino dos céus)

Mas repare também, que a primeira coisa que o crente faz quando desvia do caminho do senhor, é procurar os velhos amigos e reviver com eles tudo que a religião o privou....não é irônico que os “filhos das trevas” voltam a ser importante para os crentes desviados?

É que indiscutivelmente precisamos da relação eu-tu e tu-eu, pois neste sentido ninguém é uma ilha, tanto é verdade isto, que ninguém ama a si mesmo a tal ponto de ser auto-suficiente de não precisar do outro, pois todas as nossas fantasias e desejos têm sempre o outro como participante, ou você meu caro crente “fiel” e temente a Deus, vai dizer que quando se masturba, se masturba pensando só em si mesmo ou na placa de um carro? (ah na verdade você vai me dizer que não se masturba, pois masturbação é pecado, e como você orou e jejuou muito a Deus, ele tirou de você o desejo humanamente humano de transar, não é verdade?)

Deus não existe! Mas o mundo existe! A vida existe! O prazer existe! O sentido e o significado existem! E o mais importante: você existe! Pelo menos por enquanto, até quando em você houver respiração.....então faça valer a pena, deixando de ser escravo e mande Deus, crença, religião para o “diabo que os carregue”! (Risos não..gargalhadas hahahaha)


P.S: Este meu texto foi inspirado em algumas frases também de minha autoria no facebook no link: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002460045319




sábado, 30 de julho de 2011

Porque me tornei ateu (parte 6): Deus existe!

Sim! Deus existe! E foi ele quem criou todo universo num passe de mágica! Disse “Haja” e houve, tudo foi criado pelas palavras mágicas de Deus. Criou tudo que existe em seis dias, e no sétimo dia descansou, porque o trabalho é tão cansativo e chato que até Deus precisou descansar um pouco.

Creio que Deus sempre existiu, muito embora o universo também possa ter sempre existido, mas ele precisava de uma inteligência criadora por trás de si, agora Deus não, porque eu não sei, só sei que o que não se explica chamamos de Deus.

Acredito que Deus formou o homem do barro, e isto explica porque o homem gosta tanto de construir sua casa em cima de barrancos.
Que Deus criou a mulher da costela do homem, porque ele é machista, pois se fosse fêmea o divino, ele teria criado primeiro a mulher que daria a luz ao homem, como normalmente acontece.

Sirvo a um Deus brincalhão que gosta de pregar peças nas pessoas, pois testou Adão e Eva com a tentação da serpente, pois sendo ele onisciente, já sabia ao colocar a arvore proibida que a mulher curiosa que só, não resistiria à tentação e comeria do fruto e depois como é vingativa daria para o seu amado esposo.

O meu Deus é aquele mesmo que destruiu a terra com o dilúvio, matando indiscriminadamente, crianças, jovens, adultos e velhos, e depois que viu a cagada que fez, se arrependeu, pois ou não é tão onisciente assim como dizem as pessoas, ou porque as vezes é burro que nem nós mesmos.

O meu Deus não só criou tudo, como também inventou a guerra, pois ele mandava seus eleitos que na época eram os israelitas, mas que hoje somos nós os crentes, guerrearem, conquistando as terras dos outros povos, matando sem dó e piedade tudo que vissem pela frente, ou seja, o nosso Deus deve ser temido por todos mesmos, pois ele é um grande facínora!

De quebra, criou ainda um lugar horrível, mais escuro que a noite, cheio de trevas e solidão, onde o fogo queima sem destruir, e nunca se apaga, com demônios horripilantes com garras, chifres e tridentes por todos os lados, que torturam todos que não servem a Deus, de eternidade a eternidade, e Deus, fica sentado confortavelmente em seu trono assistindo comendo pipoca e tomando sua coca-cola gelada, porque cerveja é pecado, ao “show infernal do inferno”.

Mas nem tudo esta perdido, pois nós, que somos a geração eleita, os escolhidos, os verdadeiros servos do Senhor, não precisamos ficar preocupados, pois enquanto o mundo geme e sofre, nós somos protegidos por nosso Deus, que nos abençoa e cura todas as nossas enfermidades, e ainda de quebra, enquanto a humanidade toda estará em breve queimando no mármore do inferno, nós, os crentes, estaremos no céu, andando por ruas de ouro e cristal, porque nosso Deus é antiecológico, adorando e louvando de eternidade a eternidade ao senhor dos exércitos, porque ele é também narcisista e nos criou como bonecos para sua satisfação e deleite.

Por isso meu caro leitor e irmão em Cristo, continue indo para a igreja, servindo a um Ser que aparentemente não existe, mas que é real em nossa psique, dando seus dízimos e ofertas, ainda que Deus não precise e nunca veja o seu dinheiro, mas que é bem aproveitado por homens de Deus, e continue orando e consagrando sua vida, enquanto os ímpios se divertem nas baladas, tomando bebidas, dançando, se prostituindo, enquanto você vai se guardando e purificando para o senhor, se afastando e rejeitando as coisas impuras do mundo, porque, logo, logo, nosso Deus aparecerá nas nuvens com seus anjos para nos arrebatar e levar voando pelos ares, igualzinho aos filmes de ficção, para morar com ele para sempre no céu.

Somos a única religião verdadeira, mesmo que existam milhares, talvez até milhões, que até tenha um livro sagrado como nosso, que são tão antigas e algumas mais antigas que a nossa, que existam testemunhos de milagres e transformações, que seus membros tenha tido experiências sobrenaturais, pois na verdade isto tudo é obra do diabo para enganar as pessoas, desviando da verdade e do caminho que leva para salvação que só encontra em nossa religião evangélica.

Não importa que os ateus digam que isto tudo é ilusão e invenção humana, pois o que importa mesmo é que nós acreditamos porque queremos acreditar, e afinal, se isto nos deixa mais felizes e nos consola para quê deixar de acreditar? Só porque pode realmente não ser real objetivamente falando? Mas isto não importa, até porque, se realmente não existe Deus, céu, inferno, e todo o mundo espiritual, nós que cremos, nunca vamos nos decepcionar, porque ao morrermos não estaremos vivos para constatarmos que tudo não passou de fantasia de nossa imaginação.

Obrigado Senhor, Deus dos crentes, porque se você não “existisse” eu nunca deixaria de acreditar em Deus!

Por: Marcio Alves

domingo, 10 de julho de 2011

Porque me tornei ateu (parte 5): “Deus não paga minhas contas”!




Por: Marcio Alves

Não posso negar que em parte eu sou ateu porque quero também, mas o grande “responsável” disto é o próprio Deus, pois por não ver necessidade e lógica de um criador para o mundo, nem de um sustentador como se acreditava na época dos mitos como explicação dos fenômenos até então desconhecidos pelo homem que na ausência da ciência necessitava criar explicações para o mundo vivido por eles, muito embora a ciência hoje não consiga dar contar de explicar tudo, mas e a religião consegue?

Sendo que a ciência tem métodos e objetivos de investigações empíricos que podem ser testados, e todo um corpo histórico de estudiosos com suas pesquisas, claro que como todo saber humano não é infalível, mas esta no caminho certo, pois procura por evidencias e questiona tudo, ao contrário da religião que afirma tudo na base da crença ilusória.

Ora, as plantações nascem não porque tem uma divindade que faz elas brotarem e crescerem, mas há todo um processo natural de plantio, irrigação e colheita...como a gravidez não sucede também por simples mágica espiritual de algum Ser mágico – ou você meu caro leitor cristão acha ainda que Jesus nasceu porque o seu pai Jeová deu uma pimbada na Maria, sendo o seu esperma o Espírito santo? José seria então corno de Deus?

Inclusive as catástrofes que arrasam vilas, cidades e até países inteiros, como furação, terremoto, vulcão, enchente e tsunami não são castigos punitivos de algum “Deus” cruel e bárbaro que irado com os pecados dos homens que não conseguem não pecar porque sua natureza é feita de desejos e maldades, tem prazer em fazer o homem tão insignificante sofrer, não tendo nada mais importante a fazer no universo.

Não vi ao contrario de quem fecha os olhos para a realidade, Deus de alguma maneira intervindo no mundo e nem muito menos na minha vidinha ordinária.

Pois para acreditar que Deus me deu uma vaga de emprego, onde eu concorria com 5 outras pessoas, eu teria que ignorar fatos gritantes como minha própria capacidade intelectual e força de vontade, alem de pensar que as outras pessoas precisavam do emprego tanto quanto eu, e que milhões morrem no mundo na mais profunda miséria sem uma ajudinha do “criador”....como poderia ter melhor sorte então do que o resto dos mortais?

Mas enfim, como não vi e ainda não vejo necessidade de Deus na minha vida, pois tudo que me acontece, acontece não a mando de algum ser superior, mas, ou por causa da vida com suas intermináveis contingências ou mesmo por minha causa, “Deus” para mim não existe, pois sua presença não é por mim notada no meu dia a dia, até porque, se eu não acordar cedo, pegar ônibus lotado, enfrentar um transito enlouquecedor de São Paulo, derramar meu suor gastando minhas energias, e só voltado para casa no final da tarde já a noite, “Deus não vai descer do céu” para pagar a minha conta e por na minha mesa minha comida...ou você acha que vai?

Então para que preciso de Deus? Para que acreditar em Deus? Deus e nada é a mesma coisa....ou você acha que tem diferença?

Sem contar que todos os testemunhos “verídicos” que pude ter noticia e acompanhar de perto, não tiveram a ação pura de “Deus”, são sempre acompanhadas por tratamento da medicina – no caso das doenças ou acidentes – ou pela capacidade e força de vontade humana – no caso de emprego ou passar no vestibular.

“Deus curar” dor de cabeça, nariz, costa é fácil, eu quero ver curar, por exemplo, amputados ou crianças com síndrome de Danw, ou seja, doenças visíveis e não simplesmente os sintomas como ocorre por causa do ambiente manipulatorio das igrejas que auto-sugestiona os crédulos e ingênuos.

Pode ter certeza meu caro leitor, que se um dia você ficar doente é preferível esperar pela medicina e ter “fé” que os médicos através de longos estudos consigam encontrar cura para a sua doença, caso seja até então incurável, do que por Deus, porque os médicos pelo menos são reais mas e Deus?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Porque me tornei ateu (parte 4): Crenças são subjetivas e também racionais!




Por: Marcio Alves

Dizer por que me tornei ateu, sem duvida alguma, é até relativamente fácil, até porque acredito ser o ateísmo muito obvio e simples em sua base, não exigindo muito esforço intelectual (mas outras coisas que nesta serie de postagens estarei deixando claro), diferente do teísmo (que é a crença em “Deus” ou “Deuses”) que se tem que articular fundamentando bem as idéias. (Aqui eu diferencio entre “teísmo do senso-comum” que é aquele em que as pessoas acreditam porque foram condicionadas e porque querem acreditar, porém sem o senso critico, do “teísmo filosófico”, mas propriamente do deismo de muitos filósofos, sendo este ultimo um dos maiores sofismas filosóficos)

Porque o ateísmo nada mais é do que a simples ausência de crença, partindo sempre de nossa limitada e fragmentada realidade física, ao contrario da idéia filosófica de Deus, pois imagine você, meu caro leitor que a origem do universo já constitui em si mesma um problema, agora imagine dizer que o universo foi criado por Deus, isto é tentar responder um enigma por outro enigma maior ainda, criando assim não uma resposta, mas um circulo de infindáveis perguntas sem respostas, pois a partir desta “idéia de Deus”, não mais perguntaríamos somente sobre a origem do universo, mas também, sobre a origem de Deus, levantando assim perguntas tais como: “De onde Deus veio?” “Quem é Deus?” “Seria criado também por outro Ser?” “Qual sua verdadeira essência?” “O que pode e o que não pode?” “Como Deus se relaciona com o homem?” acrescentando a isto, o simples fato de que o estudo do universo é possível porque ele existe e é real, mas e o de Deus?

Por isso que o principal argumento e ao mesmo tempo o mais fraco também dos religiosos (digo não só dos crentes) defendendo a existência fantasiosa de “Deus” é a experiência subjetiva, pois toda pessoa que acredita em “Deus”, diz que ele é invisível, porém que dá para sentir ele, mas assim como não existe uma porção de coisa, mas também dá para sentir; como por exemplo, fantasma. Você acorda no meio da noite e vai até a cozinha tomar um copo de água, se você tiver a sensação de que tem alguma coisa ali que não dá para ver, mas que tá ali, você também vai “sentir” medo, e por conseqüência terá em seu corpo reações, como palpitação, calor, frio na barriga e etc. Ora, sensações não provam nada, pois é uma conseqüência natural da nossa imaginação.

Como é impossível provar objetivamente a existência de Deus, pois “Deus” não existe, sempre a “prova” de que “Deus” existe levantado por seus defensores, esta ou no campo da experiência particular do individuo, ou no campo filosófico dos argumentos, nunca no chão da existência.
Daí a crença e a fé, ao contrario do que muitos ateus imaginam, ser também racional, pois toda crença tem a sua lógica interna de explicação do que acredita e do porque acredita. (Vide os volumes infindáveis de livros religiosos, como as teologias sistemáticas, pois até um tempo atrás, verdade seja dita, a filosofia era “escrava” da teologia, e isto durante muito tempo!)

Portanto os que acreditam em Deus tentam provar por meio da subjetividade ou no campo da argumentação sua existência. (veja você meu caro leitor que para “Deus” existir precisa-se acreditar nele, ou seja, a crença é, como disse acima, o ponto forte como também o ponto fraco da religião, pois quanto mais necessidade se tem de acreditar em “Deus”, mas sua real existência é enfraquecida, pois, por exemplo, não precisamos crer que você existe, nem muito menos ficarmos de domingo a domingo indo para um templo nos reunindo, pegando nas mãos uns dos outros e dizendo que você existe e que é real, pelo simples fato de você existir mesmo! Já o ponto forte, porque não importa quais argumentos, lógicas e coerências no campo da razão você levante, o religioso que quer acreditar em Deus, sempre continuará a crer porque quer crer e isto lhe será mais do que suficiente)

Assim meu caro leitor, tenho até aqui em meus textos, deixado às vezes de forma subliminar, outras, porém, de modo explicito, meu caminhar, passo a passo pela trilha da descrença. (E ai, quem é o corajoso ou a corajosa que se aventura a vir comigo? Rsrsrs)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Porque me tornei ateu (parte 3): Meus sentimentos e conflitos!!

Eu, há 5 anos, ajoelhado de camisa preta e gravata branca, recebendo oração dos pastores!


Parafraseando Jesus que disse “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” com um nó na garganta e muita dor no coração, eu certa vez já disse em “voz alta” com meus pensamentos: “Oh Deus! Oh Deus! Por que nunca exististe?”.

O ser humano é totalmente condicionado, pois como bem disse Nietzsche que ao nascer todo ser humano é como camelo, onde as bagagens – valores, crenças, morais, leis, costumes (cultura) – é colocado em suas costas. Diante disso, alguns estudiosos chegaram até afirmar que o ser humano não tem nenhuma natureza pronta de antemão, pré- determinada, (a famosa frase “Sartreana” que a existência precede a essência) mas que o que faz o humano ser humano é a cultura, (o ser humano fez a cultura, e a cultura fez o ser humano) sendo esta totalmente apreendida. (embora eu não concorde totalmente com este pensamento, reconheço em grande parte sua legitimidade e valor)

Sendo assim, como é difícil questionar repensando nossos próprios valores, crenças e sentimentos, o que dirá ainda desfazer.
Confesso meu “pecado de ateu”: Senti muita tristeza e um vazio muito grande no processo de minha descrença, pois ao contrario do que muitos religiosos pensam, tentando desmerecer a minha antiga fé afirmando que nunca fui um crente verdadeiro, diminuindo assim minha autoridade, conhecimento e até experiência religiosa. (Vejo esta tática como uma maneira desesperada dos lideres religiosos defenderem as suas “ovelhas” e/ou a si mesmos dos meus argumentos, pois para enfraquecerem os meus conceitos, atacam a imagem – e assim autoridade – do autor – neste caso eu – e não propriamente meus argumentos)

Não! Não sou ateu por uma simples escolha de luxo, (pois hoje é chique você ser ateu...tá na moda. rsrs) como se simplesmente acordasse em um dia, e dissesse para mim mesmo: “Não vou mais acreditar em Deus, serei a partir de agora ateu”, mas antes foi gerado em mim, como em um parto angustiante de um “filho”, num processo incomensurável de luta, suor, dor e muitas lágrimas.

Lembro-me dos conflitos que as muitas dúvidas geraram em mim, de como me senti no dia em que não mais acreditei que Jesus morreu por meus pecados, que me amava, que tinha um plano de salvação, que em breve viria me arrebatar (se ainda cresse, estava até agora esperando rsrsrs) para estar para sempre com ele, (só agora vejo como era fantasiosa a fé cristã!), mas que tudo isso não passava de mera construção humana teológica, e do desespero e medo do ser humano da finitude desta vida.

Reconheço que chorei como uma criança, sentindo-me desamparado e abandonado, sozinho e perdido no universo, quando dei conta da minha total descrença em um ser superior.
Posso comparar esta experiência minha dramática com de um filho que a vida inteira viveu com seu pai acreditando que ele era realmente seu pai, mas que passados muito tempo depois, venho à tona a verdade; de que seu verdadeiro pai biológico o abandonou e o outro que ele chamava de pai, o acolheu como filho.

Mas este exemplo nem de longe se compara com o drama vivido por mim, pois no exemplo que dei, o filho sabe que o pai biológico existe, e que o abandonou, sendo acolhido como filho por outro homem.
No meu caso, eu nem cheguei a ser abandonado, eu simplesmente soube que o meu pai nunca existira de fato, que tudo aquilo que experimentei e acreditei não passou de uma ilusão, uma das maiores que tive na vida.

(Imagine você meu caro leitor, que a ilusão é tamanha que provoca nas pessoas uma sensação tão verdadeira, que para mim, o prazer de adorar a “Deus” naquela época que eu acreditava (ou me auto-enganava) era tão profundo que chegava a ser maior do que o prazer de gozar!)

Mas enfim, embora tenha assumido abertamente meu ateísmo, os conflitos não acabaram (o ser humano é um animal para angustia, não importa o que faça e em que acredite, ou o que não faça e em que não acredite!) e um dos meus conflitos é......

Continua na próxima postagem (risos) assim como também todo meu processo de descrença, porque você não acha meu caro leitor, que todo este processo de aproximadamente 23 anos – entre a crença e a descrença – seria escrito em apenas uma ou duas postagens?

Por: Marcio Alves

domingo, 5 de junho de 2011

“Se Deus existe realmente, então tudo é permitido”


Desde muito tempo acredita-se que o homem necessita de algo que delimite suas pulsões perversas, talvez seja por isso que algum sábio do passado resolveu criar um Deus que punisse o mal praticado. Já escreveram que se Deus não existe, e a alma é mortal, logo, tudo nos é permitido, mas eu discordo desta afirmação e explico-me:

No passado Deus era vingativo, intolerante com a impiedade, egocêntrico, todo poderoso e protetor dos seus filhos. Mas como tudo evolui, não poderia ser diferente com Ele. Atualmente Deus veste uma nova roupagem. Hoje está muito mais fácil ser Deus, afinal, se algo de muito bom acontece, logo agradecemos a Deus, mas, se uma tragédia ocorre, culparemos ao Diabo ou, na melhor das hipóteses, ao próprio homem.

Deus teria um bom motivo para permitir o mal? Há um propósito para que uma criança seja morta por um estuprador, ou até mesmo seja atropelada por um carro, por mero descuido do adulto que não segurou a mãozinha dela? Será que Ele permite que um louco lance ácido sulfúrico no rosto de uma mulher linda porque ela não quis casar-se com ele? Ou, será que Ele irá condená-la se a justiça dos homens autorizá-la a fazer o mesmo com o indivíduo? Ora, é claro que Deus está vendo tudo isso.

O homem é totalmente responsável pelos seus atos, é o que todos dizem, mas quando este homem “livre” opta por não acreditar em Deus, receberá um castigo maior do que o merecido. Será mandado para o inferno onde sua alma viverá para sempre em sofrimento, sem chance de arrependimento. Então chego a uma conclusão trágica:

Realmente Deus existe (estou sendo irônico), e permite (por total incapacidade de impedir o homem livre de fazer o mal) que a humanidade se destrua. Ele fica lá no céu, de bermudão e havaianas, com um coco gelado numa das mãos e o controle remoto da sua tevê por assinatura de seis bilhões de canais na outra, zapeando de um para outro, assistindo apático cada um de seus filhos arquitetarem os mais hediondos crimes contra seus irmãos. Vez ou outra ele se detêm em um canal em particular, onde um pastor filho da puta está enchendo sua bola.

Fica então a pergunta:

Para que eu preciso de um Deus assim? Como pode uma pessoa acreditar que este Deus seja bom, quando sua vida está uma desgraça só? Como pode um irresponsável dizer para uma mãe enlutada, que Deus levou sua criança para morar no céu, e que o fato de ela ter sido estuprada antes de morrer foi permissão de Divina? Quem em sã consciência pode dizer que existe um Deus, ao mesmo tempo em que um louco resolve fazer uma limpeza étnica e tira a vida de seis milhões de seres humanos? Seria Deus o maior de todos os “voyeures”?

Dostoyevsky deveria ter escrito o seguinte: “ Deus existindo ou não, tanto faz, o homem pode fazer o que quiser de sua vida e da vida do outro”. Portanto, pouco me importa se existe a possibilidade de existir um criador. Vivo minha vida sem ele, encaro a morte como um processo orgânico e culpo apenas o homem pelo mal que nos assola. Este é o meu jeito de absolver Deus de todas as acusações feitas por ateus decepcionados com a religião e conseqüentemente com Deus.

Noreda Somu Tossan