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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Fadados estamos a imperfeitos sermos

Droga!!! Por que a perfeição do outro me incomoda tanto? O cara é bonito, rico, porte atlético, inteligente...tantas mulheres o querem. E eu assim, magrelo, feio, pobre e a pé. É como diria Fernando Pessoa: “Só vejo príncipes! Quem me dera ouvir de alguém a voz humana. Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?” Mas tenho um acalento...e não é o álcool.

Elas não estão satisfeitas com a perfeição, não, querem mais..muito mais. Querem perscrutar, virar do avesso, descobrir a carne, revelar os músculos e os vasos e achar ali, bem no fundo, no fundo, no fundo do ser masculino, um defeito que o torne tão vil quanto eu. E acham. Sim, sempre acham um defeito parte, que será analisado como se o todo fosse. Ele tem mal hálito, ele é mulherengo, ele sai aos domingos pra jogar futebol com os amigos e me deixa só, ele tem o pau pequeno, torto, grande demais sei lá, ele tem um defeito.

Porra, não dá! Perfeito só Deus! E o cara é tão egocêntrico (Deus) que não se preocupa em asseverar o tempo todo que só Ele é assim, e por ser assim, precisou criar um ser que não fosse como ele, para que não perdesse o posto de “fodão”. Mandou um pra cá que também era perfeito, mas logo trataram de apontar suas falhas: “Ele anda com putas e ladrões, ele deixou de socorrer um amigo que estava morrendo em Betânia, Ele era frouxo e chorava sozinho pedindo para que lhe afastasse o cálice, ele expulsava demônios em nome do Diabo, ele abraçava leprosos (que nojo), Crucifiquem o Príncipe, mas ponham-lhe antes uma coroa de rei, só pra sacanear.

Novamente me tranquilizo, e de novo não é com o álcool como o poema sugere. Acham defeito em tudo, em todos, porque não encontrariam em mim? Se nem a natureza é perfeita, ora, flores de várias cores, seres de várias espécies, planetas de vários tamanhos, mas tem tsunami, furacão e terremoto. Tem homem que nasce mal (defeito na natureza humana), tem homem que nasce bom e a sociedade o corrompe (defeito da sociedade), tem outros que nascem neutros (ser neutro é não ter características, logo, defeito também).

Quero ser franco me chamam de mal educado, quero ser honesto me chamam de trouxa, quero ser ético me chamam de demagogo, quando quero ser romântico o título que ganho é de fresco, viado, sem pegada, mas quando resolvo ser homem, aí sou machista, bruto, insensível...grosso. Então prefiro mentir, prefiro ser dois, três e até quatro pessoas diferentes dentro de um só ser. Agrado falando o que querem ouvir, finjo o tempo todo ser o que elas querem que eu seja. Deixo-me usar como um pedaço de carne, como um lenço pra enxugar lágrimas (descartável de preferência), sou apenas um absorvente sem abas que dá conforto mas só querem me ver nos dias ruins, e assim vou enganando a elas e a mim.

E mesmo esses, aparentemente perfeitos, o Grey de todas as mulheres, mesmo esses devem ter um defeito que vai incomodar cedo ou tarde, por isso, elas preferem deixá-lo, traí-lo, ignorá-lo, pois não estão prontas para o homem perfeito. Na verdade acho que nem querem um, porque se tiverem... a quem vão poder apontar o dedo e vomitar impropérios numa DR de pelo menos duas horas? Se o cara não tiver defeitos elas não vão ter sempre razão, e não há tragédia pior para uma mulher do que não ter sempre razão.

É Fernando... em linha reta não dá pra agradar.

Edson Moura

domingo, 15 de setembro de 2013

Criação? Seleção Natural? Seleção Artificial. (Parte 2)




Por Edson Moura

"De que vale o eterno criar, se a criação em nada terminar? Se perderão num imenso nada e, mesmo depois de ficarem famosos por suas teorias, cairão num mar de esquecimento, pois entenderão que não passam de “produtos de suas épocas”, saberão que não são eternos como eu." “Sede fecundos e multiplicai-vos”, foi o que eu disse. Mas, sinto uma necessidade urgente de rever meus cálculos. O homem, minha criação magnífica, aparentemente conseguiu cumprir uma de minhas ordens finalmente, entretanto, talvez esta seja a única das ordenanças que eles deveriam ter ignorado. Mea culpa!

A população Mundial explodiu de forma descontrolada, passando de um para dois bilhões de pessoas entre 1850 e 1925, um intervalo de apenas 75 anos. Passou de dois para três bilhões de pessoas entre 1925 e 1962, 37 anos. Continuou a se multiplicar e chegou a quatro bilhões de pessoas de 1962 a 1975 - 13 anos. De quatro para cinco bilhões de pessoas entre 1975 e 1985 - 10 anos. Continuou sua reprodução e alcançou o numero alarmante de 5 a 6 bilhões de pessoas entre 1985 a 1994 - 9 anos. E por fim, me causa espanto o que observo hoje. A humanidade passou de seis para sete bilhões de pessoas entre 1994 a 2011 - 17 anos. Não é preciso ser Deus para saber que a matemática não mudará sua lógica. 

Se a natureza não encontrar uma maneira de “se purificar”, acredito que nem eu poderei impedir a extinção desta espécie. Ao longo dos séculos, tentei impedir que o fim chegasse. Mandei dilúvio, incitei batalhas sangrentas, criei líderes megalomaníacos que, sem saber, trabalhavam para mim, com o intuito de diminuir a quantidade de pessoas. Mandei a Peste Negra, terremotos, maremotos, causei vazamentos em usinas nucleares, desenvolvi em meu tanque de experiências, doenças incuráveis, doenças, me matavam rápido, outras que aniquilavam aos poucos. Nada funcionou. A capacidade de procriação de minha criação é absurdamente rápida. Perdi o controle.

Como ratos no porão de um navio, comendo e se procriando desordenadamente até sue número ser tão grande que o único alimento que terão será o próprio navio, ou uns aos outros, assim vejo o triste fim do homem. Sei que a “pequena esfera azul não suportará vinte bilhões de homens, mulheres e crianças... muitas crianças. Será uma cena “Dantesca”, corpos amontoados uns sobre os outros, apodrecendo, matando, roubando, infectando. Interessante eu pensar no homem como um rato. Talvez seja porque fora com esses animaizinhos que eu consegui exterminar um terço da população europeia, cerca de setenta e cinco milhões de humanos, logo depois de matar dois terços da população chinesa. Na época, foi um sucesso. A Europa enfim soergueu-se, tendo uma explosão intelectual, artística e principalmente, no campo das ciências médicas. 

Os que sobreviveram, começaram a traçar novas metas para seu futuro. Vacinas foram criadas, curas encontradas, a higiene deu um salto enorme, evitando assim a maioria das doenças que realmente matavam rápido. Mas, mesmo depois dessa diminuição drástica e da riqueza que conseguiram com a sobra de terras, alimentos e ar puro, o homem iniciou novamente seu crescimento. Enterraram a cabeça na areia como avestruzes, ignorando o perigo a sua volta, um mecanismo de defesa que certamente a natureza lhes deu á medida que iam evoluindo. A negação.

Como crianças que escondem o rosto, acreditando que não podem ser vistas, assim são os adultos. Não pensam em sua extinção, não pensam que a explosão demográfica será o seu fim, não o Apocalipse narrado por João na ilha da Patmos. Até certo ponto, os que acreditam na minha existência estão certos ao dizerem que o fim está próximo, com suas profecias escatológicas eles predizem algo que no fundo não sabem como se dará, mas sabem que acontecerá. Chegará e não tardará o dia em que eles terão que escolher entre caminhar entre corpos em putrefação ou cometer um suicídio altruísta, dando a chance dos mais novos viverem. É isso, ou uma esterilização em massa dos povos mais pobres, da escória que contamina o mundo se reproduzindo como um vírus replicante até que seu número destrua o hospedeiro, e o hospedeiro desta vez não é um organismo vivo, mas sim, a própria Terra.

A crença na criação já é obsoleta, a Seleção Natural é coisa do passado, o que vejo agora é a Seleção Artificial. O homem já manipula seu código genético, já elimina doenças hereditárias, já desenvolve seres mais fortes e que viverão muito mais do que eu imaginei para eles. A criatura se rebelou mais uma vez contra seu criador, não aceitando o maior presente que lhes dei, a saber, a finitude. Quando não mais morrerem, eu me tornarei obsoleto também. Desnecessário. E por fim, jamais acreditarão que eu os criei. E tudo parecerá como um castigo. Sua extinção será desencadeada justamente no momento em que pensarem que não mais precisam de mim. Um final poético até.

Para um Ser perfeito como eu, nada se encaixaria melhor nesta tragédia que criei, do que a morte para todos que não creram em mim. Se algum dia, uma nova raça vier a povoar a pequena esfera azul, e encontrar o livro onde sábios homens falaram de mim, é bem possível que eu mesmo seja ressuscitado e volte a habitar o coração dos povos, e volte a ser o maior e mais poderoso Ser de todo o universo. E serei lembrado eternamente como o “Deus que aniquilou toda a humanidade pecadora”. E nunca saberão, na limitação de seus intelectos, se eu fiz tudo isso, ou se fizeram a si mesmos.

Ass, Deus

Uma analogia a teoria Malthuziana da explosão demográfica

sábado, 27 de julho de 2013

“Verdades que não ouso dizer”



                                            

“Verdades que não ouso dizer”


Joana, uma mulher linda, corpo perfeito, olhos penetrantes e sensuais. Há quem diga que ela preenchia todos os quesitos exigidos por Noreda. Casaram-se viveram com intensidade este casamento por 18 anos. Noreda era feliz, e Joana dizia que o amava praticamente todos os dias. Mas, um dia qualquer, que posteriormente seria chamado de “fatídico dia”, Joana estava cozinhando quando algo aconteceu, e chamas foram vistas por Noreda, que estava na sala lendo uma revista qualquer.
Correu até o cômodo e presenciou sua esposa totalmente em chamas da cintura para cima. Em desespero abraçou-se a ela e conseguiu extinguir as chamas que já haviam feito um grande estrago em seu belo rosto e seios. Noreda também sofreu queimaduras nos braços e rosto, mas não tão severas quanto às de Joana.
Cinco meses em coma em um hospital, entre melhoras e pioras, e todos os dias Noreda esteve ali, ao lado de sua esposa, segurando em sua mão, dizendo coisas bonitas, e às vezes eróticas em seu ouvido, pois sabia que ela podia ouvir, e que gostava daquilo. Certo dia, já exausto de ficar o tempo todo sentado em uma cadeira ao lado da mulher, Noreda resolveu deitar-se num dos quartos ao lado do de Joana, mas, antes de sair, pediu à enfermeira que estava de plantão, que o chama-se caso Joana acordasse.
Por volta de 6 da manhã Joana acorda, e como sempre foi muito vaidosa, pediu imediatamente um espelho para verificar o estado de seu rosto. Ficou horrorizada com o que viu. O fogo destruiu todo seu couro cabeludo, deformou sua face, seus lábios foram submetidos a várias cirurgias, mas, ainda assim, estava horrível. Um de seus seios precisou ser tirado, e uma grande cicatriz tomou o lugar do que antes era o mais importante dos adereços femininos. Chorando dizia que estava acabada, que ninguém mais olharia pra ela sem sentir nojo ou pena, e que até seu marido já a havia abandonado. A enfermeira interveio dizendo que não, que seu marido estava no quarto ao lado, e que foi a única vez que ele dormiu longe dela desde que o acidente a deixou em coma.
Joana saiu pelos corredores, e a cada pessoa que encontrava, notava a expressão de pavor que faziam ao vê-la, sentiu-se um lixo. Ao entrar no quarto onde Noreda repousava, o viu de óculos escuros e com uma cicatriz também no rosto. Ela chamou seu nome e Noreda acordou, e tateando chegou até a esposa, e a abraçou, e falou que a amava, e que estava feliz por ela ter acordado.
Mas Joana perguntou o porquê dos óculos escuros. Então Noreda respondeu que ao tentar apagar o fogo, seus olhos foram queimados e ficara totalmente cego. Noreda disse que Deus faz as coisas certas à sua maneira, e que havia um propósito para que ele tivesse ficado cego. Joana sabia exatamente qual era este propósito.
Foram para casa e viveram felizes por mais vinte anos. Ele dizia que ela era linda, ela ria dizendo que ele era cego e, portanto não tinha como saber. Faziam amor quase todos os dias, e tudo corria muito bem. Até que Noreda descobriu que havia desenvolvido um câncer no pulmão, lhe restando apenas dois meses de vida. Passado este período, Noreda então morreu.
Noreda era doador um universal de órgãos. Depois de alguns meses, uma mulher toca a companhia na casa de Joana. A mulher se apresenta como Sofia e diz que veio apenas para agradecer a família do doador que proporcionou ao seu filho uma nova vida. Joana se emocionou ao saber que uma parte de seu esposo ainda vivia em outra pessoa. Tomaram um café, contaram algumas histórias engraçadas sobre como o Noreda gostava de manipular as pessoas, e se dizia um mestre na arte da mentira. Ele sempre dizia que algumas mentiras nos mantém amigos, e outras mentiras podem deixar as pessoas mais felizes.
Ao se despedirem, Joana, curiosa perguntou:
Qual foi o órgão que seu filhinho recebeu?
A mulher, com lágrimas nos olhos, respondeu:
As córneas! E meu filho hoje só pode ver o mundo graças ao seu marido. Muito obrigada.
Moral da história, para quem não entendeu. Às vezes, precisamos fingir que não ouvimos para não nos metermos em confusões e discussões desnecessárias. Já outras vezes, precisamos nos fingir de cegos, para vivermos felizes com uma pessoa que não suportaria que víssemos as coisas feias que carregam por dentro... ou por fora. Nessas horas o amor fala muito mais alto.


Edson Moura.


sábado, 13 de outubro de 2012

O dia em que os deuses se tornaram humanos!




Escrito por Marcio Alves

Há milhares de anos atrás, muito depois da criação humana, os deuses poderosos e imortais, fardos de suas eternidades, de suas previsíveis vidas, de seu gozo eterno, intocáveis, debruçados nas janelas do céu, viam os humanos viverem suas vidas finitas, imprevisíveis, frágeis e tão belas de trágicas, que alguns deuses começaram a se questionar quem realmente tinha uma vida preciosa; eles que nunca se surpreendiam, que não passavam por dificuldade, que nunca morriam, ou, os humanos que viviam cada dia como se fosse o ultimo, pois a qualquer momento podiam morrer.

Estes pensamentos em comparar suas vidas eternas com as vidas dos mortais, começou a causar inveja em muitos dos deuses, que já estavam cansados de serem deuses, de serem imortais, de todo dia ser o mesmo dia e isto infinitamente, sem poderem nunca vir deixar de existir.

A vida humana então passou a ser desejada pela maioria dos deuses, embora ainda não houvesse ninguém que tivesse a coragem de abrir mão de sua posição onipotente e onisciente para se tornar humano, pois todos eles sabiam que este era um caminho sem volta; uma vez humano, humano até morrer, pois esta era a sentença dos deuses para os humanos ‘’do pó viestes e ao pó retornarás’’, portanto, uma vez que algum deus resolvesse abrir mão de sua condição imortal, não podiam nunca mais voltar a ser deus, e, estaria condenado depois da morte a não existência pra sempre.

Até que um dia que sempre era igual para os deuses, um deles, tomou a decisão que todos queriam, mas não tinham coragem, se colocou de pé no limbo e disse em alto e bom som: ‘’Serei o primeiro a abrir mão da eternidade, pois não suporto mais ser eterno, esta vida sem fim, sem emoção, sem desafio, não tem a menor graça e valor, eles, os humanos, e que vivem de verdade, pois suas vidas são efêmeras, e por serem efêmeras são preciosas cada minuto de sua frágeis existências” e completou “serei um deles a partir de agora”.

A partir daquele momento ouve silencio no limbo e caiu uma profunda admiração nos deuses por aquele deus que agora passara a ser um humano, e, ele foi chamado na terra de Moises líder do povo judeu, homem extraordinário.
E assim, deus após deus, foi, um a um abrindo mão de sua posição para se tornar um humano, fantástico, mas ainda sim, apenas humano, demasiado humano.

Alguns se tornaram lideres bons como Gandhi, outros ainda, se tornaram lideres maléficos, que conseguiram arrastar uma multidão de seguidores para o mal como Hitler, mas, todos, sem exceção entraram para a historia da humanidade, para a seleta galeria de heróis, lideres, esportistas, humanistas e gênios da espécie humana, galeria esta da qual o mundo nunca se esquecerá, e, de que, tiveram seus nomes escritos em tabuas de mármores, os quais o vento e o tempo nunca conseguirá apagar, mesmo que suas vidas tenham chegado ao fim.

Até hoje, dizem, que vez por outra, um deus deixa de ser deus para estar entre nós como apenas humano, e, estes são facilmente reconhecidos, pois são extraordinários entre nós....desconfio que Nietzsche, Jesus, Ainstein, Freud, Nilton, até mesmo Pelé, Ayrton Sena e outros grandes da historia da humanidade eram deuses que se tornaram humanos, mas que só não sabe ou não souberam disto, porque o pacto que eles, deuses, fizeram, foi que ao se tornar humanos, eles não se lembrassem que um dia foram deuses.

Agora, resta saber se ainda há deuses, ou se todos já se tornaram humanos, ou se ainda há algum, qual será o próximo extraordinário ser humano que ele se transformara e surgirá na humanidade para entrar na galeria dos grandes que fizeram historia e mudaram os rumos da humanidade.

domingo, 17 de junho de 2012

Não estava lá, mas posso imaginar




“Não estava lá, mas posso imaginar”

A imagem de crianças com suas canecas de ferro fundido nas mãos, implorando por um pouco de leite, ou migalhas de pão, não me saem da cabeça. São imagens forjadas por minha mente, eu sei, pois eu nunca presenciei tais fatos. Auschwitz-Birkenau, este é seu nome, e se, mesmo sem conhecê-la, consigo sentir o terror invadir-me ao simples som de seu nome, posso imaginar o terror que habitava os homens e mulheres que para lá foram levados.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A extinção do homem


As mulheres, todas elas, já deveriam estar cientes, já que parece que algumas ainda não perceberam que o homem é um ser que está beirando a extinção. Algumas delas, sortudas (ou não) adquirem um exemplar em alguma oficina mecânica, igreja, ou indústria, com muita dificuldade, pois sabemos que existem imitações bem ordinárias. É de extrema necessidade que criem um movimento que hasteiem em mastros bem altos, cuecas, camisetas de Educação Física e canecas de cerveja, em defesa dos últimos espécimes. Reservas ambientais deveriam ser criadas para que este magnífico animal possa se recuperar.

Homem não gosta de aliança, casamento, imposto de renda, mas vai tolerando todos eles, afinal de contas, é uma maneira de obter sexo, um lugarzinho ara dormir, comer e beber água. Mas com o tempo isso acaba lhe saindo tão caro, que ele acaba parando de comer direito, e de fazer sexo (pelo menos dentro de sua “jaula”). Casamento, família, sogra, estas coisas foram feitas para mulher... estão extinguindo os homens.

Não mande, nunca, em hipótese alguma, flores para um homem. Homem mesmo, os de verdade, são aqueles que vêm as flores apenas como uma variedade de alface. Mande uma caixa de cerveja pilsen, eles preferem. Homem não come brócolis, aliás, ele nem sabe o que é isso. Come carne vermelha, de preferência mal passada.

Algumas pessoas falam mal, dizem que homens são grossos, que arrota, solta peidos altissonantes, mas essas coisas quem diz são as pessoas que não conhecem ou não gostam de homens, ou gente que tem inveja... tem muito invejoso por aí. O homem não arrota alto por falta de educação, arrota porque tem opinião.

Nunca dê carinho a um homem, ele vai pensar que você está doente. Coloque uma lingerie bem sensual e incline-se entre ele e a TV no intervalo do futebol, (atenção! Apenas no intervalo, senão vai irritá-lo) isso é o mais próximo de carinho que ele vai entender. Para um homem, a mulher é um ser estranho... maluco, cuja melhor parte é a bunda. Não pense, nem um minuto de sua vida, que um homem entende você. Se ele entendê-la, certamente não é homem. Homem entende de bombas de gasolina, futebol, taxa de juros e é claro... de bunda.

Quer agradá-lo convidando-o para ir ao cinema? Esqueça. Se quiser mesmo agradá-lo, basta não incomodá-lo. Já estará agradando-o muito, acredite. Uma dica de homem. Faça o seguinte: diga a ele que nunca vai querer se casar, que tem horror a filhos, que nunca menstrua porque fez aquele tratamento da Ana Paula Arósio, que não gosta de shopping, que jamais vai querer um cartão de crédito, pois você acabaria comprando o que não precisa, com um dinheiro que você não tem, diga que não tem mãe, que sua família mora na África, que você quer sexo sem compromisso, que você ganha seu próprio dinheiro.

Se ele acreditar em tudo isso, certamente vai querer casar com você. Mas atenção, não case! Ele vai saber que foi uma armadilha. Mas pensando bem, se ele for homem mesmo, homem de fato, é burro demais para estas coisas. São facilmente abatidos. Tanto é verdade que estão em extinção.

Pelo menos uma vez por semana, coloque uma cerveja na frente de seu homem para saber se ele está bem de saúde. Desinteresse pode ser sinal de doença, sei lá, talvez uma infecção. Não diga nunca, nunca mesmo, que seu irmão virá lhe visitar. Homem não gosta de mulher que tem irmão. Faça o seguinte> diga que uma pessoa que deve uma grana a você está vindo lhe trazer o cheque. Ele vai até abrir a porta para ele e ficará por perto.

Quer sensibilidade? Cultive violetas, rosas, orquídeas... orquídeas cor-de-rosa. Quer amor? Crie um cachorro ou um gato, aliás, gato não, homens não gostam muito de gatos. Quer poesia? Leia Fernando Pessoa, Drummond de Andrade, Neruda. Quer conversar? MSN é uma ótima escolha. Está se sentindo sozinha? Convide uma amiga para tomar um chá. Quer falar sobre aspectos ginecológicos? Ginecologista, é óbvio. Se não está mais agüentando certas coisas e precisa desabafar, procure um padre.

Mas se, de fato, você insiste em intimidades, se realmente quer se expressar com seu homem, se você é mesmo teimosa (e mulher é!), fale que não precisa trocar o carro, que este está ótimo. Diga que não é preciso pintar o muro, afinal, muro não se pinta. Diga que sua família vai se mudar da África para a Sibéria, ou que o time dele contratou um zagueiro da seleção.

Homem é fanfarrão, mentiroso (ôh se é!), mas sempre de um modo viril. Minta pra ele. Diga que ele é um espetáculo na cama, que você nunca conheceu ninguém igual. Ele vai acreditar. Diga que é desnecessário ele fazer musculação, afinal, se ele ficar mais gostoso do que já é você não responde por si se uma piranha na rua mexer com ele. Acredite, é impossível um homem não acreditar em um elogio, a não ser quando a questão envolva dinheiro.

Homem é um bicho pouco inteligente, mas que acha que é inteligente. Alguns pensam que sabem tudo, tem um modo empinado de ver o mundo, e se possuem dinheiro e trabalho, usam isso como argumento. São geralmente os mais burros, mas não discuta isso com eles, pois não entenderão. Homem quando não entende briga. Quando entende briga. E quando briga acha que está certo, sei lá, deve ser genético.

Lembre-se: Quem se destaca é o homem. Quem tem sempre razão é ele. Quem é homem é ele. Você é só uma mulher. Fique sempre um passo atrás. Mesmo que já saiba as respostas, pergunte sempre a ele. Não chore, “pelamordedeus”! Geneticamente um homem não tem como lidar com o choro de uma mulher, ele pensa que é dor, não sabe distinguir.

Edson Moura

Adaptação de um artigo de Lucio Parckter (Filósofo Clinico)



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Quem será o pior: O diabo criado por Deus ou o Deus criador do diabo?


Meu Deus! Mas que calor infernal é este? Eu já não estou mais agüentando. Se ao menos pudesse pelo menos uma vez, por alguns segundos, sentir o refrescar da água geladinha em meu corpo. Beber um gole de água gelado? É o meu maior sonho e desejo.

Quanto tempo será que faz desde que eu cheguei aqui? Mil? Dez mil? Ou cem mil anos? Não sei, nunca saberei, mas o que importa mesmo saber sobre o tempo, pois o que é a contagem dos anos, meses e dias, horas e segundos, comparados com a eternidade?
Nossa! Só de pensar me dá uma angustia sem fim.

O pior de tudo é que aqui não tem pessoas normais para conversar, mas apenas os piores assassinos e estupradores de toda humanidade.
Mas acho que pior do que estas companhias é mesmo a total solidão eterna, mas confesso que até agora eu não consegui conversar com alguns deles, pois eu sinto o calor dos seus ódios, vejo terror e sangue em seus olhos.

Mas o que adiantaria conversar, se eu sinto uma dor ininterrupta, um calor imenso me queimar? Demônios por toda parte se revezam com seus tormentos, não me deixam em paz.
Os gritos, gemidos e choros não param por aqui, todos nós que fomos lançados pelo soberano neste inferno, não suportamos de tanto sofrimento, pois aqui “o fogo nunca apaga e o bicho nunca morre”.

Por falar em Deus, tenho ódio e medo dele, pois me lembro que quando sofri parada cardiorrespiratória e morri, fui levado até o trono Dele, contemplei sua face de ira, e minha culpa foi de não ter aceitado Jesus como salvador, não ter virado crente e passado a ser membro de uma igreja, não ter abraçado a “reta doutrina” com seus dogmas.

Então perguntei a Ele, se era justo eu ser lançado no fogo do inferno com os maiores monstros da humanidade, sendo que fui uma pessoa até boa em vida, ajudei meu próximo na medida do possível, claro, cometi alguns erros, mas até ai, tudo bem, porque quem é que não erra, não é mesmo?

Mas ele me disse que tinha que ser assim, porque afinal das contas, eu não tinha me tornado crente e aceito Jesus.
Então eu perguntei atônito para Ele que a questão toda não era os crimes cometidos, ou as justiças praticadas, mas sim, apenas aceitar ou não Jesus, e Ele balançou afirmativamente a cabeça.

Mas eu ainda repliquei dizendo que se Jesus era mesmo o único caminho para ser salvo, porque o onisciente, aquele que sabe de todas as coisas não resolveu mandar ele em pleno século da alta tecnologia, pois assim todas as televisões do mundo e demais veículos de informação, noticiariam a vinda de Jesus, e conseqüentemente mais pessoas saberiam, e não teriam assim bilhões sem ao menos ouvir o nome dele.

Ou então, não enviasse, pois se assim fosse, ninguém precisaria ter que saber sobre ele e nem muito menos acreditar nele, conseqüentemente ninguém seria culpado.

Mas Ele nada me respondeu.
Então eu continue dizendo uma ultima coisa:
“Se você realmente nós ama, porque então criou o inferno? Se você nos condenasse a alguns anos no mesmo, talvez se relativizasse a condenação, sendo mais justo ao determinar que a vida de cada um fosse o que determinaria sua própria quantidade de anos no inferno, mas não, decidiu que seria por toda eternidade.... onde estas sua justiça?”

Então sem mais nenhuma palavra, bateu o martelo condenando-me ao inferno por toda eternidade.
E agora, resta-me o desespero eterno, como também a sede por justiça, mas afinal, que sou eu mesmo para discutir se Ele é o todo-poderoso?

Quando de repente.....

Tocou o despertador e eu acordei encharcado de suor, com a bíblia aberta em cima de mim, justamente na pagina que falava do juízo final. Então sem hesitar, peguei o livro rasguei todo e jogue no lixo, e decidi que dali em diante, eu não leria mais aquelas porcarias, e passaria a ler muito mais poesias, poemas, romances e literaturas, pois minha alma rejeitou completamente o Deus juiz cristão.


Por Marcio Alves

domingo, 31 de outubro de 2010

"A vingança" parte II




...e num momento de estúpida lucidez...puxei o gatilho.

 Puxei o gatilho e fiquei ali parado ouvindo o estampido do tiro ecoar pela manhã que parecia me recriminar pela minha atitude. Enquanto a fumaça da pólvora se dissipava e misturava-se com a neblina eu observava trêmulo, o corpo do homem caído ao chão. Minhas mãos sentiam o calor gerado pelo disparo, e aos poucos o cano da arma ia esfriando, enquanto eu tomava consciência do meu ato.

O Sol agora brilhava com mais intensidade, como se as ondas de calor que ele projetasse em minha direção fossem uma forma de me dizer se eu realmente estava satisfeito com meu trabalho. Uma lágrima correu pelo meu rosto, e a certeza de que aquele crápula que ficou estendido ao chão nunca mais cometeria adultério, me perseguiu pela mata enquanto eu corria em direção ao meu carro.

O sangue que escorrera de seu nariz já estava seco agora. Aos poucos ele recobrou a consciência e levantou-se meio atordoado, sem entender muito bem o que estava acontecendo. Fez uma rápida verificação para ver se encontrava o buraco causado pelo projétil... mas não encontrou nada. Foi então que olhou para uma árvore à sua frente e viu a marca da bala. 

Ele não atirou em mim! Ele não atirou em mim! Meu Deus, mesmo vendo o ódio estampado em seu rosto, e tendo a chance de acabar com a minha vida sem que ninguém soubesse, ele não atirou em mim! Por quê?

Eu chego em casa e desabo em minha cama. Uma história passa por minha cabeça enquanto eu tento pegar no sono. Fiz bem meu trabalho. Com certeza ele aprendeu a lição. Isto ficou claro ao ver como ele mijou nas calças enquanto eu apontava o revólver bem no meio de seus olhos. O susto foi tanto que ele até desmaiou... eu ri neste momento.

Ninguém tem o direito de tirar uma vida, isso eu aprendi como o meu mestre. O amor incondicional, a longanimidade, a mansidão, a temperança do Galileu nunca saíram de meu coração. Embora eu não acredite em muitas das estórias que me contaram sobre aquele “profeta”, eu jamais poderia negar que tudo que ele fez e a forma como lidou com a vida...e com a própria morte, são um exemplo para as gerações que virão.

Tenho certeza que aquele homem vai pensar mil vezes agora, antes de dar um passo errado. O bilhete que deixei em seu bolso contém as ordens para o próximo passo da minha vingança. Ele terá que cumprir tudo que eu deixei escrito. A primeira coisa a fazer é abdicar do cargo de pastor depois de uma confissão pública de seus atos. Em seguida terá que pedir perdão aos membros de sua igreja por tê-los enganado por tanto tempo. 

Eu deixo bem claro que estarei vigiando-o, e se ele não completar sua missão... não terei tanta piedade da próxima vez que nos encontrarmos pela madrugada. Finalmente o sono que há muito tempo havia rompido relações comigo, chegou... vou descansar um pouco agora,deitar minha cabeça no travesseiro, sem remorso, sem culpa, sem arrependimento afinal de contas...

A noite foi de matar!

Edson Moura