Mostrando postagens com marcador poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poemas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de outubro de 2012

"Chore comigo"

Postado por Edson Moura

Chore comigo. Precisamos nos juntar e reverter o que disfarça os processos que conspiram contra a vida. Vivemos em um mundo alheio, frio, indiferente.  Para não ficarmos cara a cara com a morte lenta do planeta, das famílias, das pessoas, criamos palavras, conceitos e lógicas; meros anteparos para nosso desdém. Quando convém somos piedosos, outras vezes, inclementes. Mas, sempre em busca de justificativas.

Chore comigo. Fazemos tudo para impedir que alardeiem, em cima dos telhados, uma verdade cruel: somos fugitivos. Fugimos, sim, de admitir a nossa indiferença. Procuramos dar um ar de intelectualidade ao nosso distanciamento. Como somos rigorosos em nossas análises, desde que não precisemos sujar colarinhos bem engomados e punhos abotoados.  Discussões intermináveis camuflam nossa complacência. Raiva, muxoxo, zelo, zanga, tudo para preservar-nos nas zonas de conforto.

Chore comigo. Andam bombardeando as salas de diálogo. “Cala a boca que eu tenho a razão…”, é o que mais se ouve. Somos previsíveis em nossa intolerância; donos de uma razão vaidosa. E não conseguimos esconder os sintomas dessa tosca onipotência. Nosso monólogo é afetado, o discurso, rancoroso, e o ponto de vista, intolerante. Conversar virou um exercício penoso. Odiamos sem conhecer, desmerecemos sem ouvir. Cortamos, machucamos. E mal notamos a volta do bumerangue. Quantas feridas! Um mundo onde se retribui ódio com ódio, desprezo com desprezo, frieza com frieza, merece ser chamado de inferno.

Chore comigo. Até esgotarmos nosso paiol de autodefesa, nunca experimentaremos uma nesga de liberdade. Enquanto projetarmos no outro o motivo de nossa pequenez, precisaremos nos especializar em diminuir os demais. Icemos bandeiras brancas antes que se torne necessário contemplá-las a meio pau.

Chore comigo. Acolhamos amorosamente a falibilidade humana. Sejamos compreensivos com nossas inadequações. Lembremo-nos: cada um foi criado do pó. Baixemos a guarda. Deponhamos os escudos. Algumas de nossas feridas ainda não cicatrizaram. Celebremos as dores comuns de mãos dadas.

Chore comigo. Gritemos chega. Já não resta tempo para semear desesperança. Se não podemos conviver no mesmo espaço, cedamos. Quem dará um passo para trás? O outro merece respirar. Que nosso discurso se manifeste pelo entendimento que limpezas étnicas, propostas eugênicas e ambições totalitárias só produziram carnificinas. Assim como a humanidade acabou com a paralisia infantil, vamos acabar com valas comuns, salas de torturas, movimentos persecutórios. Homossexuais, ciganos, deficientes físicos, negros, pobres ou quaisquer outras minorias (pobres, minorias?) merecem viver com a mesma dignidade que todos.

Chore comigo. Parir outro mundo nunca será indolor. Não tenhamos nosso conforto por precioso. Encarnar a regra de ouro custa caro: “Faça com o outro o que você gostaria que fizessem com você”. Caminhar uma segunda milha ao lado de gente que discordamos requer grandeza. Querer salvar a vida do proscrito antes da sua exige verdadeiro amor. Transformar o substantivo abstrato amor no verbo transitivo amar diviniza.

“Bem aventurados os que choram, pois serão consolados” Mateus 5.4.

Fonte: Pastor Ricardo Gondim

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sorriso falso



Sorriso falso

Vá mentindo pra todo mundo
É fácil enganar os que te rodeiam
Abra um sorriso quando a dor massacrá-lo
Ou quando a saudade atormentar tua alma
Naqueles dias de um vazio sem fim


Gargalhe quando tudo findar
Quando do pouco que tinhas, nada mais restar
E Teus sonhos e objetivos evaporarem
Ria quando o teu sol perder a luz
E sentires uma cruz ferir teus ombros cansados

Abrace aquele que carrega um punhal
Beije no rosto dos que te desprezam
Sente-se á mesa do seu inimigo e com ele beba
Mantenha a farsa até que ele se afeiçoe a você
Sorria quando a vontade for de chorar


Sorria, vá mentindo que não sente dor
E ao notarem que você está sorrindo
Todos que não são atentos irão supor
Que você é a pessoa mais feliz do mundo
E você sorrirá, e o sorriso, este talvez, seja verdadeiro.

Edson Moura

domingo, 17 de junho de 2012

Não estava lá, mas posso imaginar




“Não estava lá, mas posso imaginar”

A imagem de crianças com suas canecas de ferro fundido nas mãos, implorando por um pouco de leite, ou migalhas de pão, não me saem da cabeça. São imagens forjadas por minha mente, eu sei, pois eu nunca presenciei tais fatos. Auschwitz-Birkenau, este é seu nome, e se, mesmo sem conhecê-la, consigo sentir o terror invadir-me ao simples som de seu nome, posso imaginar o terror que habitava os homens e mulheres que para lá foram levados.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ainda há tempo


Por Edson Moura


Algo ainda me diz que posso ter esperança
Que no fundo somos todos crianças
O Problema é que meus olhos de adulto não me deixam ver

As estórias contadas por meu velho pai
Vez ou outra minha memória me trai
Mesmo meu cérebro adulto não me deixa esquecer

Algo me anestesie minha mente racional
Que me traga de volta o sentimento passional
Reflito e acho que já não é possível

Minha vida está passando e eu aqui...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Invenções


O homem na busca pela comunicação inventou a escrita, entalhou em pedra, utilizou penas e finalmente veio a caneta esferográfica, e fazendo uso das vinte e três letras que também inventou, escreveu lindas histórias, deixou para sua descendência registros importantíssimos e o melhor...belos poemas.

O homem, este ser pensante, não se cansou de buscar soluções para as dificuldades, ele queria a paz, mesmo que esta fosse imposta de formas violentas, pesquisou, estudou e finalmente inventou a bomba atômica. E com aviões também inventados pelo homem, despejou sua carga letal sobre duas cidades, e assim, dizimou inocentes.

O homem ao tentar facilitar seu trabalho inventou a roda, a mãe de todas as invenções. E com essas mesmas rodas inventadas por ele, não hesitou em atropelar todo aquele que se colocou em seu caminho. Passou por cima daqueles que ousaram protestar contra as injustiças cometidas por tiranos.

O homem, apenas com três cores primárias inventou todas as outras, e com todas essas cores ele pintou belíssimos quadros, revelando assim o talento do homem para o belo. Mas com projéteis também criados pelo homem, ele manchou com o vermelho-sangue as páginas de sua história.

O homem acidentalmente descobriu a penicilina, revolucionando assim os tratamentos infecciosos, salvando milhares, aliás, milhões de vidas. O homem descobriu a cura para as doenças mais agressivas que já acometeram o humano. É penoso saber que estas mesmas doenças são mantidas vivas em laboratórios, apenas para, quando necessário ou conveniente, usá-las como armas de destruição em massa.

O espírito desbravador do homem o levou aos lugares mais longínquos. Descobriu continentes perdidos, desbravou terras inóspitas, habitou em lugares gélidos. Este mesmo espírito desbravador o fez destruir povos, massacrar civilizações inteiras, destruir costumes e impor suas crenças.

O homem aprendeu a manipular os elementos, todos os cento e dezesseis. Aprendeu antes disto a manipular o fogo. Usou a força da natureza a seu favor, construindo barragens e produzindo energia limpa. Com esse conhecimento ele inventou o Napalm, usou a pólvora não só para colorir o céu em épocas festivas, desenvolveu o C4 e tantas outras armas, possibilitando assim a destruição de seus iguais.

O homem inteligente inventou deuses. Matou por eles. Acabou também achando útil a criação de demônios. Semeou o terror entre os irmãos. Invenções tão importantes que hoje não consegue livrar-se delas. É considerado burro se apenas tentar destruir aquilo que por milênios fez parte de sua história.

Três cores e todas as demais. Vinte e três letras e todas as poesias do mundo. Dez números e todas as equações possíveis. Cento e dezesseis elementos químicos e todas as construções. O homem não para de descobrir, de inventar, de dar vida a idéias que jamais foram cogitadas. Ainda assim ele nos surpreenderá com uma nova invenção amanhã, algo que ninguém jamais pensou. O terror se apossa de mim ao imaginar o que ele poderá fazer com o que pode descobrir.

Assim é o homem. Um ser totalmente capaz de melhorar o mundo em que vive. Um animal agraciado pela natureza com a capacidade de criar. Mas com uma enorme inclinação para a autodestruição.

Edson Moura

sexta-feira, 18 de março de 2011

Infância e Juventude

Por Edson Moura

Amigos de infância são os melhores, pois a amizade não está vinculada a valores, mas sim, a afeição, e é por isso que duram para sempre. Mesmo depois de décadas separados, os amigos não deixam de pensar um no outro com saudades de quando eram apenas meninos ingênuos que fariam tudo para brincar um pouco mais.

Amor de juventude será sempre eterno, pois ao se entregarem, só visavam o prazer de estar sempre ao lado um do outro. A paixão que transformou o infante em jovem, nunca será esquecida, e mesmo que ambos cresçam e casem-se com outras pessoas, seus corações baterão forte novamente ao ver a pessoa que lhe mostrou o amor. Não adianta lutar, é bobagem tentar esquecer, é mentira dizer que não sente falta, é ilusão achar que se está feliz sem seu grande amor de juventude.

Assim também são os medos de infância.  Ele nos persegue até o fim da vida. Psicólogos até podem amenizar o problema, e dizerem que estão tratando, mas o que eles estão fazendo é apenas "ensinando" como conviver com os medos de menino. Alguns dizem estar bem, mas quando a luz se apaga e ele se vêem sozinhos no quarto escuro, a única ação que lhes vem à cabeça é esconderem-se embaixo do cobertor e encolher os pés para que a brisa fria da noite não o faça urinar nas calças ao entrar suavemente pela janela entreaberta.

O sonho da juventude pode se tornar seu maior pesadelo, pois enquanto você não alcançá-lo, não será plenamernte feliz, mas se depois de uma vida inteira lutando, você conseguir realizá-lo, tudo perderá o sentido, e o desejo que lhe impulsionava adiante na vida, será substituído pelo vazio de já possuir seu sonho. Uma das tragédias do homem é não alcançar seu sonho, pois lhe causa frustração. A outra tragédia é justamente alcançá-lo, pois lhe roubará a vontade de sonhar.

Somos seres que nos prendemos ao passado. Passado este que será sempre presente e nos conduzirá ao futuro. É na infância e juventude que descobrimos o prazer de ter um "melhor amigo", de amar uma garota e querer viver com ela para sempre, de descobrir que o futuro do mundo depende de você e não devemos deixar um mundo melhor para nossos filhos, mas sim filhos melhores para nosso mundo.

Que saudades que tenho da minha juventude. Que vontade de abraçar meu melhor amigo e dizer que o amo sem medo de ser considerado "bichinha". Como gostaria de ter vivido para sempre com meu primeiro amor, e poder rememorar com ela os tempos de escola, quando nós cabulávamos aula para namorar no jardim...quanta saudade.

Edson Moura