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sábado, 13 de outubro de 2012

A divina revelação do Inferno (Mary K. Baxter)

Resumo do Livro:

 I - Introdução

Uma caudalosa enxurrada de testemunhos de pessoas que supostamente estiveram no céu ou no inferno tem proliferado no meio dos cristãos evangélicos. São relatos surpreendentes, porém extremamente sensacionalistas e repletos de aberrações teológicas. Revelam ser, na verdade,  produto de uma mente brilhante, capaz de produzir filmes como Guerra nas Estrelas, E.T. e tantos outros, arrancando até mesmo aplausos do gênio da ficção científica hollywoodiana, Steven Spielberg.

A Divina Revelação do Inferno foi publicada originalmente em inglês com o título: A Divine Revelation of Hell, em 1993, nos Estados Unidos. A autora, Mary Baxter, é ministra da Igreja Nacional de Deus, em Washington, EUA. Nasceu em Chattanooga, Tennessee, EUA. Segundo relata, começou a ter "visões" de Deus na década de 60, em Michigan; mas foi em 1976, que Jesus teria aparecido para ela, na forma humana, em sonhos, visões e revelações, durante quarenta noites, e mandou-a transmitir as profundezas, degradações e tormentos das almas perdidas no inferno (pp. 183, 184). 

II - Recomendações

Entre as pessoas citadas, que indicam o referido livro, encontra-se a Sra. Marilyn Hickey, que num de seus livros ensina ter Noé, sob o efeito da embriaguez,  praticado atos homossexuais com seu neto Canaã, além de dizer que o homem possui a natureza de Deus, tornando-se participante de “todos os seus atributos” [i] . Percebe-se, pois, que a insensatez acompanha não apenas a obra indicada, mas também quem a indicou.

Outro nome de peso é o de David (Paul) Yonggi Cho, que declarou [ii]: "Eu li este livro, tremendo no meu coração. Eu realmente creio que Rev. Baxter teve um verdadeiro encontro com a realidade do inferno na sua experiência da revelação de Jesus Cristo nosso Senhor" (quarta capa). Apesar de ser notável no meio evangélico, o Sr. Cho pode cometer erros (ele não é infalível!); aliás, não seria a primeira vez que ele ensina algo inconsistente (teologicamente falando). Em uma de suas obras, Cho diz que pediu a Deus três coisas: uma escrivaninha, uma cadeira e uma bicicleta; contudo, Deus disse que não poderia atendê-lo pela seguinte razão: Cho não especificou o que queria. Deus lhe teria dito: "Será que você não sabe que há dezenas de tipos de escrivaninhas, cadeiras e bicicletas? Mas você simplesmente pediu-me uma escrivaninha, uma cadeira e uma bicicleta. Não pediu uma escrivaninha específica, nem uma cadeira nem uma bicicleta específicas". [iii] Sem perceber, o Sr. Cho atentou contra a onisciência de Deus que, segundo o próprio Jesus, sabe de tudo  que necessitamos, antes mesmo de pedir (Mateus 6:25-32).

Assim, devemos analisar as declarações da Sra. Baxter à luz da Bíblia, e não nos fiarmos em declarações de pessoas que, assim como nós, estão propensas a análises errôneas, não importa quão afamada seja tal pessoa no círculo cristão (Atos 17:10, 11).

III - Contradições
  
O caráter contraditório de algumas declarações desqualificam a "revelação" da Sra. Baxter. Por exemplo: na p. 16 encontramos a suposta declaração de Jesus para ela: “Minha filha, levarei você até o inferno (...). Quero que escreva um livro e conte todas as coisas que vou revelar a você” (grifo acrescentado). Desobedecendo à ordem de Jesus, porém, ela comenta na p. 20: “Algumas coisas, por serem horríveis demais, não consegui passar para o papel” (grifo acrescentado). Ora, por mais que a mensagem a ser transmitida fosse dura, os profetas de Deus declaravam o que ele ordenava, independentemente do que sentiam a esse respeito; tal foi o caso de Jonas, Jeremias, Oséias e outros. A Sra. Baxter revela não possuir características próprias de um profeta de Deus. Para terminar o festival de contradições, diz: "Como obreira de Deus, submeti-me ao comando de Nosso Senhor Jesus Cristo e registrei fervorosamente as coisas que me foram mostradas e reveladas por Ele" (p. 181) — grifo acrescentado.

IV - O Inferno

A Sra. Baxter relata sua "visita" ao inferno nos seguintes termos: "Jesus veio a mim em 1976 (...). Jesus levou-me ao inferno por um período de 40 dias [iv] . (...) No mesmo momento, minha alma foi retirada do meu corpo. Saí com Jesus do meu quarto em direção ao céu. (...) Meu corpo permanecia na cama, enquanto o meu espírito ia com Jesus através do telhado da casa. (...) Depois, começamos a subir cada vez mais e eu já podia ver a Terra embaixo. Saindo dela, de vários pontos, haviam tubos girando em direção a um ponto central, indo e vindo. Eles se moviam como gigantes, continuamente e envolviam a Terra toda. (...) "São os portões do inferno" (pp. 11, 16-18).
A imaginação da Sra. Baxter é fertilíssima. Ela retrata o inferno como se fora um corpo humano. O livro tem alguns capítulos interessantes, como, por exemplo: A perna esquerda do inferno (02), A perna direita do inferno (03), O ventre do inferno (07), O coração do inferno (10), O braço direito do inferno (13), O braço esquerdo do inferno (14), As mandíbulas do inferno (19) etc. Relata a Sra. Baxter (aparentemente citando as palavras de Jesus): "O inferno tem a forma de um corpo (semelhante à forma humana) deitado no centro da Terra. Ele tem a forma de um corpo humano - grande e com muitos compartimentos cheios de tormentos (...). O corpo está deitado de costas, com os braços e as pernas estendidas para fora" (pp. 31, 32, 52, 53). Nada há na Escrituras (nem mesmo na literatura apócrifa) que apóie essa versão da Sra. Baxter.

V - Curiosidades Infernais

O inferno da Sra. Baxter é sui generis. Nada há igual. Numa realidade totalmente espiritual, a Sra. Baxter usa e abusa de seu profuso talento artístico. Veja o que ela "viu" no inferno:
·      Ratos e serpentes (p. 53). Como foram parar ali?

·      Uma alma — com coração e sangue — dentro de um caixão (p. 57). De que era feito esse caixão, só a Sra. Baxter sabe.

·      Uma mulher presa numa cela, cujas paredes eram de "barro" e a porta de "um metal escuro com barras e uma fechadura", e sentada numa "cadeira de balanço, balançando e chorando copiosamente" (p. 70). Pelo que parece, o inferno anda contratando pedreiro, ferreiro e carpinteiro.

·      Há uma cena curiosa: Satanás está despachando com um grupo de mulheres, instruindo-as para enganar a muitas pessoas. De repente, "uma estante alta foi trazida para perto de Satanás e lá havia muitos papéis. Ele pegou alguns e começou a ler para as mulheres" (p. 63). De que eram feitos aqueles papéis que não queimavam nas profundezas ardentes do inferno da Sra. Baxter?

VI - Aberrações doutrinárias

Doutrinariamente, Baxter se revela herege ao ensinar um conceito errôneo sobre a Trindade. Ela afirma ouvir de Deus, o Pai, o seguinte: "O Pai, o Filho e o Espírito Santo são uma única pessoa" (p. 158) - grifo acrescentado. Essa heresia, que não faz distinção entre as "pessoas" da Trindade, chama-se patripassionismo (ou modalismo, também conhecida como sabelianismo). Para os patripassianos, foi o próprio Pai que assumiu a natureza humana, sofreu, morreu e ressuscitou. Diziam que a expressão "Filho" refere-se à carne de Jesus (= natureza humana), e que "Pai" é o elemento divino unido à carne (= Deus) [v] . Hoje, muitas seitas ensinam tal heresia, como por exemplo o Tabernáculo da Fé, Igreja Pentecostal Unida do Brasil, Igreja Voz da Verdade, Testemunhas de Ierrochua etc. 

No inferno da Sra. Baxter, Satanás jamais sofre; ao contrário, ele conta com um "Centro de Divertimento" (p. 80), onde ele e seus demônios deleitam-se com a desgraça alheia (p. 82). O apóstolo João, porém, diz que Satanás, ao invés de ter um "centro de divertimento", será atormentado pelos séculos dos séculos (Apocalipse 20:10).

VII - Torturada no Inferno

Ao visitar o "coração" do inferno (capítulo 10), juntamente com Jesus, ele a abandonou, entregando-a aos demônios. Ela conta que sofreu tormentos, foi aprisionada, ajoelhou-se diante de Satã. Diz Baxter: "espíritos na forma de morcegos me mordiam por toda parte" (p. 90). Ao indagar de Jesus a razão desse incidente, a resposta foi: "Minha filha, o inferno é real. Mas você jamais poderia ter certeza até que experimentasse por si mesma. Agora você sabe da verdade e o que é estar perdido para sempre lá. Você poderá relatar para os outros a sua experiência, sem sentir nenhuma dúvida" (p. 92). O "Jesus" que conduziu a Sra. Baxter ao inferno não era o Jesus da Bíblia (II Coríntios 11: 4). O que a Sra. Baxter conheceu não se deu por satisfeito e, após essa experiência traumática, enviou-a mais uma vez para os tormentos infernais, desta vez às mandíbulas do inferno (capítulo 20). Depois de entrar em colapso, ela declarou que queria "estar bem longe – longe de Jesus, da minha família e de qualquer pessoa" (p. 92). Certamente que o Jesus dos Evangelhos não submeteria nenhum de seus "irmãos" a horrendas atrocidades, como se ele fosse um carrasco nazista.

VIII - Sábios conselhos

Não há muito que aproveitar d' A divina revelação do inferno. A Sra. Baxter deveria levar a sério o que seu "Jesus" lhe disse: "Mantenham-se afastados dos falsos profetas que falam em Meu nome e espalham doutrinas falsas. Despertem! Despertem!" (p. 114). Para concluir, o "Jesus" da Sra. Baxter revelou medíocre conhecimento sobre o inferno, mas, em contrapartida, estava certo quando disse: "Minha filha, algumas pessoas ao lerem o livro que você vai escrever, acharão que tudo isso é uma obra de ficção" (p. 129). Dito e feito!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Carta aos Romanos (Karl Barth)


Resenha do Livro:

Um clássico da teologia do século 20, este comentário de Barth da Carta aos Romanos é leitura indispensável para quem quer entender os rumos da teologia contemporânea. 

Muito Mais que um comentário da epístola paulina, de enorme importância para estudiosos do Novo Testamento, trata-se de um tratado teológico que ficou conhecido como responsável pelo golpe fatal contra o liberalismo neokantiano do Século19. 

Karl Barth tem sido avaliado por muito como o maior teólogo do século 20. Considerando-se um pensador cristão reformado e ortodoxo (daí o epíteto neo-ortodoxo que Barth não apreciava), Barth combateu as diferentes formas de liberalismo teológico, de Schleiermacher a Bultmann. 

Mesmo assim é considerado por muitos críticos conservadores como criptoliberal e um pensador heterodoxo. O exame das fontes primárias por cada estudioso parece ser o melhor caminho para entender melhor este controvertido autor. E nada melhor que começar pelo primeiro livro de destaque de Barth: Carta aos Romanos. 

Esta edição do texto completo da obra traduzido diretamente do original alemão com comentários pelo tradutor Lindolfo K.Anders, um dos maiores estudiosos do pensamento de Karl Barth no Brasil.

O Segredo (Rhonda Byrne)

Resumo do Livro:

Atenção, isto é apenas um resumo do livro, o que não quer dizer que eu coadune com as ideias manifestadas no mesmo (Edson Moura)

 O SEGREDO revela incríveis estórias e testemunhos da vida real, de pessoas comuns que mudaram suas vidas de modo profundo. Aplicando "O SEGREDO" eles apresentam exemplos de como erradicar doenças, adquirir riquezas volumosas, superar obstáculos e alcançar o que muitos poderiam julgar ser impossível de ser alcançado.

 HÁ SEGREDO para tudo - para a alegria ilimitada, saúde,dinheiro, relações, amor juventude: tudo que você já quis algum dia. Espero que ao ler este resumo, você possa usá-lo como um grande poder motivacional para destravar o seu potencial individual que sempre esteve inexplorado.

"O SEGREDO É A RESPOSTA PARA TUDO O QUE FOI, TUDO O QUE É E TUDO O QUE ALGUM DIA SERÁ".    (Ralph Waldo Emerson - 1803-1882)
 Tudo que vem até você é atraído por você mesmo. É atraído até você pelas imagens que você mantém em sua mente. È o que você está pensando. Tudo que passa na sua mente é atraído até você. Os babilônios sempre souberam disso. São grupos privilegiados de pessoas. Porque você acha que 1% da população mundial ganha cerca de 96% do dinheiro que é gerado em todo o planeta? Você acha que isso é um acidente? Isso não é um acidente! È planejado dessa forma. Eles sabem de algo, entendem algo. Eles entendem O SEGREDO. E nesse exato momento, você está sendo apresentado ao SEGREDO.

 O modo mais simples, a meu ver, de SE encarar a LEI DA ATRAÇÃO é imaginar a si mesmo como imã. Um imã atrai outro imã.

 A LEI DA ATRAÇÃO. Nela você se torna aquilo no qual mais pensa, mas também atrai aquilo no qual mais pensa.

 Pensamentos emitem um sinal magnético que atrai um sinal semelhante de volta para você. Muitas pessoas pensam naquilo que elas NÂO querem e se perguntam porque essas coisas aparecem repentinamente na vida delas.

 ALEI DA ATRAÇÃO não quer saber se você busca algo que seja bom ou ruim ou se você quer ou não quer determinada coisa. Ela simplesmente responde aos seus pensamentos. Se você fica olhando para um monte de dívidas e se sentindo mal a respeito, este é o sinal  que você está enviando para o universo. "Eu me sinto muito mal por conta desses monte de dívidas que eu tenho". Você está afirmando isso para você mesmo. Você sente essa situação ruim profundamente em todos os níveis do seu ser. Assim, você terá mais duvidas ainda.

 Quando você olha para algo que você quer e diz SIM para esse algo, você está ativando o pensamento e a lei da atração responde a esse pensamento e lhe traz coisas que combinem  com esse algo. Quando você olha para algo que você não quer e diz NÃO para esse algo, você, na verdade, não afasta esse algo. Você está ativando o pensamento relacionado ao que você não quer e a lei da atração trata de trazer mais desse algo para você.Este é um universo que se baseia em atração. TUDO está relacionado  à atração.

A LEI DA ATRAÇÃO TRABALHA O TEMPO TODO, QUER VOCÊ ACREDITE NELA, ENTENDA-A OU NÃO.

A LEI DA ATRAÇÃO DIZ: nós lhe daremos o que quer que você diga e no que quer que você se encontre. Então se você reclamar de quão é a situação, criará mais dessa mesma situação.
 A vida pode ser absolutamente fenomenal. Deverá ser e será, assim que você passar a usar o segredo.

"SUBA O PRIMEIRO DEGRAU COM FÉ. VOCÊ NÃO PRECISA VER A ESCADARIA INTEIRA. APENAS DÊ O PRIMEIRO PASSO" Martin Luther king - 1929-1968

"TUDO QUE NÓS SOMOS É RESULTADO DAQUILO QUE PENSAMOS NO PASSADO". Siddhartha Gautama Buda

"A IMAGINÇÃO É TUDO, É A PRÉVIA DAS ATRAÇÕES FUTURAS". Albert Einstein - 1879-1955
"TUDO QUE A MENTE DO HOMEM PODE CONCEBER ELA PODE ALCANÇAR".  W.Clement Stone - 1902-2002

"QUER VOCÊ PENSE QUE PODE OU QUE NÃO PODE, VOCÊ ESTÁ CERTO".   Henry Ford - 1863-1947

Há apenas um riacho de bem-estar e alegria que corre. È o riacho da energia positiva pura. E o universo, tudo que nos conhecemos, está provido abundantemente com essa energia. Esse é o mundo que se baseia no bem estar. E quando você permite que esse riacho corra em sua totalidade, sente-se muito bem. E quando você não permite que esse riacho corra, sente-se mal. È o seu riacho de bem estar ou bondade que você está permitindo ou negando. Nossas emoções magníficas nos informam como está o balanço entre "permissão” e "negação".

O LIVRO:
Título original: The Secret/ by Rhonda Byrne
No Brasil O Segredo
Páginas: 196
Ano: 2006



sábado, 23 de junho de 2012

A opinião sincera de um ex-crente e atual ateu sobre a bíblia “sagrada”




Por: Marcio Alves


Chegou a hora de dar o último, o principal, porém, delicadíssimo passo, rumo à desconstrução total dos dogmas pétreos do Cristianismo ortodoxo.
Eu quero declarar em alto e bom som, minha mais sincera e transparente aversão a palavra dita de Deus.

Palavra esta que se for “literalmente literalizada”, muitos dos seus episódios “ocorridos”, torna Deus em um grande Ser desprovido de inteligência e amor.
Pois se não, vejamos:

Conto da desobediência humana, (Adão e Eva) sendo uma alternativa dada por Deus? Se for escolha, logo se segue que não deveria isto, levar o Senhor a amaldiçoar o homem, aja visto, Ele próprio ter decidido dar livre arbítrio para o mesmo. Como pode ser livre, se foi, é, e será punido?

Outro episodio que para mim é muito mais uma fabula do que realidade, embora o evento em si, seja factual, pois é constatado pela ciência que realmente houve um dilúvio, porém, as inúmeras estórias que são em diversas culturas contadas e recontadas, não passam de fabulas, ou será que imaginamos uma real possibilidade do “perfeito deus” ter de fato se arrependido de criar o homem, e, depois que o destrói, volta a se arrepender de novo, só que desta vez, por haver destruído o homem?

E a dramática e desumana estória (com “e”, e não com “h”) de Deus pedindo para Abraão sacrificar o seu único filho Isaque, como se fosse um animal, por causa de um estúpido teste, para saber se no final das contas, ele amava mesmo ou não Deus?

Oras, se isto for lido literalmente, nós temos um problema grave, pois isto revelaria um deus sádico, cruel e desumano, ou então, um Ser desprovido de inteligência e conhecimento prévio do futuro, pois não sabia Ele que é justamente “onisciente”, que Abraão o amava de verdade?
Então porque Ele precisava testar este amor?

E o caso lamentável de orgulho e exibicionismo da mais pura vaidade divina, que por causa de uma acusação inverídica do diabo, o soberano, déspota e arrogante “Deus”, resolve apostar com a vida de Jó, como se fosse um brinquedinho divino, que no final de tudo ainda, depois de delegar ao diabo poder total sobre Jó, que foi brutalmente destruído, tudo que tinha, não somente os bens materiais, mas também todos os seus filhos, ficando numa doença miserável, encontra-se com o criador, e vai simplesmente desabafar com Ele, e é, por isto, injustamente e duramente acusado pelo mesmo soberano, de disputar com Ele, quando nada sabe e nada entende?
Mas como haveria de entender, se nada viu e soube, e nem ainda se quer ficou sabendo, nem foi muito menos avisado?

E as dezenas de relatos das guerras e destruição, cometidos pelos Israelitas em nome de Deus?
Como explicar os genocídios e infanticídios que foram todos causados, por uma “motivação divina”, em que o povo Israelita se achou no direito, pois eram os escolhidos, em nome de Yavé, exterminar todos os outros povos em seu redor?

Percebe-se que é esta literalidade, glorificada e defendida com unhas e dentes pelos “guardiões da reta doutrina”, que precisamos jogar na lata do lixo, se ainda desejamos ler a bíblia sem repulsa e indignação, apenas contemplando com os olhos da alma, as suas belas e significativas metáforas, mitos e fabulas.

Mas não! A bíblia é colocada no mais alto pedestal, onde é idolatrada pelos evangélicos, tida como sagrada e reverenciada, igual ou até mesmo mais, do que o próprio Cristo ou/e Deus, podendo ser questionado tudo, menos a tal da “inspiração” e “inerrância” divina dos textos canônicos, tido como literais, daí a expressão ser mesmo o fundamentalismo xiita e talibanês dos crentes.

Mas não para por ai o meu ódio em relação à pretensa “palavra de deus”, tida como verdade absoluta do Cristianismo. Pois também no novo testamento, encontro mandamentos que são contrários a vida, como por exemplo, a demonização do corpo em favor da exaltação da alma, sendo tudo aquilo advindo e para o corpo, estigmatizado e considerado pecado, mas aquilo que for para alma é santo e puro!

Um deus avesso a vida, a alegria, a diversão e o mais delicioso prazer, com a promessa fantasiosa e alienante, de uma vida melhor no além, para o descanso da alma, mas em compensação em oposição ao corpo, que na linguagem cristã, para nada presta.

Sendo a liberdade humana restringida e limitada pelos cabrestos auto-impostos pelas inúmeras regras e mandamentos, como se a vida se resumisse a um mero comprimento de normas cinzentas e anti-alegres, onde o gozar o prazer na carne é o maior pecado, mas se esquecem que o que temos neste mundo é justamente o nosso corpo, e é com ele que podemos contar e devemos valorizar cada momento de nossa efêmera vida, não abrindo mão de nossa atual existência, por uma recompensa futura no céu que talvez não exista, e que seja apenas uma manobra política do império romano, para anestesiar o povo oprimido de sua época.

Falar em império romano, não é muito estranho ser justamente isto, que Jesus nos evangelhos, vai mais apoiar e incentivar, um total abandono por vingança, e um amor e perdão incondicional dado por aqueles que nos oprimem e nos tiranizam, ser direcionado a um povo pobre, injustiçado e indefeso pelo poder político do império?

Lembrando que o novo testamento como conhecemos hoje, foi justamente juntado e acabado pelo imperador Constantino, que talvez, pode ter adulterado muitas coisas nos mesmos, tentando levar vantagem sobre a massa oprimida por ele.

Pois sem duvida alguma, de todos os ensinamentos dados por Jesus, o mais estranho é o de amar incondicionalmente os inimigos, tiranos e assassinos, pois mesmo que se consiga tal atitude desumana, as pessoas seriam anestesiadas e impedidas de lutar, se preciso for, com suas próprias vidas, em pró de uma vida mais justa, e contra a opressora tirania.

É muito argucioso e pura esperteza mesmo, se de fato Constantino inventou e colocou na boca de Jesus, o sermão da montanha, pois tal ensinamento é uma apologia total em favor dos oprimidos, fracos e marginalizados, oferecendo aos mesmos, uma anestesia paralisante de revolta contra suas situações, sendo os mesmos levados a entender que aquilo justamente é o passaporte seguro para uma vida feliz no paraíso, mas lembrando, não é para aqui, sendo somente quando morrer, ou seja, domestica e inibi qualquer vontade de lutar contra a opressão.

Em fim, eu odeio este lado nefasto da bíblia, porém as suas profundas, significativas e ricas metáforas, fábulas, poesias, símbolos e estórias, minha mais verdadeira devoção!

Texto escrito e postado originalmente, por mim, no blog: http://cpfg.blogspot.com.br/2010/05/abominacao-sagrada-da-biblia.html     em 25/03/2010 

Com o titulo: A abominação “sagrada” da bíblia

Postagem esta que alcançou a incrível marca de 496 comentários, sendo até hoje a postagem mais comentada de todos os tempos daquele blog! Vale apena acessar e ler os comentários feitos nesta postagem!

domingo, 17 de junho de 2012

Filosofia suja e empoeirada na existência



 Por: Marcio Alves

Começo este meu texto com uma pergunta que será decisiva para compreensão e sustentação do mesmo, responda com sinceridade meu caro leitor, qual a pergunta mais importante para você: a) “Deus existe?” ou b) “Como tratar da doença do meu filho (por exemplo)?”

domingo, 9 de janeiro de 2011

Meu nome era Judas - C. K. Stead

Resumo do Livro:

O escritor C.K. Stead propõe uma polêmica alternativa ao Novo Testamento ao contar a história de Jesus pelo ponto de vista de Judas Iscariotes. Nesta versão não há traição, não há beijo, não há divindade, não há milagres, não há suicídio. A história de Judas é a de um homem que ousou ir contra a tradição de sua família para abraçar a causa que lhe parecia verdadeira. 

Depois, testemunha do suplício de Jesus, ele sente perder a esperança quando ouve seu desabafo na cruz; 'Senhor Deus do Céu, por que me abandonaste?'. Décadas mais tarde, tendo renunciado a seu nome, a seu povo e a sua fé, Judas acompanha as notícias sobre a nova religião cristã que então desponta, cujos seguidores insistem em chamá-lo de traidor.

Christian Karlson Stead, Onz , CBE (nasceu 17 out 1932) é uma Nova Zelândia escritor cuja obra inclui romances, poesia, contos e críticas literárias.

Um dos romances de Karl Stead , Smith's Dream, forneceu a base para o filme Sleeping Dogs , estrelado por Sam Neill , o que se tornou o primeiro novo filme Zelândia lançado nos Estados Unidos e. Mansfield: A Novel foi um dos finalistas para 2005 Tasmânia Pacífico Fiction Prize recebeu elogios em 2005 Commonwealth Writers Prize para o Sudeste da Ásia e Pacífico sul.

CK Stead nasceu em Auckland . Para a maior parte de sua carreira foi professor de Inglês na Universidade de Auckland , aposentando-se em 1986 para escrever em tempo integral. Ele recebeu um CBE em 1985 e foi admitido na mais alta honraria da Nova Zelândia pode oferecer, a Ordem da Nova Zelândia em 2007.

Obras do autor:

Se a vontade é livre: Poemas 1954-1962
A Nova Poética (1964)
Smith's Dream (1971)
Cruzando o Bar (1972)
Quesada: Poemas 1972-1974 (1975) 
Andando Westward (1979)
Cinco para o Symbol (1981)
Geografias (1982)
No caso de vidro: Ensaios sobre Literatura da Nova Zelândia (1982)
Paris: Um poema (1984)
Poemas de uma década (1983)
Todos os visitantes em terra (1984)
A Morte do Corpo (1986)
Pound, Yeats, Eliot e do Movimento Modernista (1986)
Between (1988) Entre (1988)
Respondendo ao Idioma: Ensaios sobre escritores modernos (1989)
Vozes (1990)
O Fim do Século no Fim do Mundo (1992)
O Whakapapa Canto (1994)
Villa Vittoria (1997)
 Palha em ouro: Novo e poemas selecionados (1997)
O Blonde Blind com velas em seu cabelo (1998)
Falar sobre O'Dwyer (1999)
A Coisa Certa (2000)
O Escritor no Trabalho: Ensaios (2000)
A História Secreta do Modernismo (2001)
Kin do Lugar: Ensaios sobre os escritores da Nova Zelândia, 20 (2002)
Mansfield: um romance (2004)
Meu nome era Judas (2006)
O Rio Preto (2007)

Autor: C. K. Stead
Editora: A R X
Categoria: Cristianismo
Ano Edição: 2007
ISBN:9788575812686
Nº da Páginas:239
Tipo de capa: Brochura

sábado, 8 de janeiro de 2011

Bíblia Apologética de Estudo - (versão Almeida revista e Corrigida)

Bíblia Apologética de Estudo Nova Edição Ampliada 
Editora ICP / Editora Geográfica

A Bíblia Apologética Nova Edição Ampliada do ICP usa como base a tradução de João Ferreira de Almeida, edição Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original, publicado pela SBTB Sociedade Bíblica Trinitariana Brasileira, a mais usada no Brasil, por mais de 60% dos evangélicos. Papel e recouro importados de primeira linha, a exemplo das melhores Bíblias de estudos do Brasil, a diferença de ser a única sobre o tema!!!

Trazemos nessa 2ª edição o dobro notas de rodapé de páginas, com estudo sobre religiões, seitas e heresias, respondendo as objeções de cada uma delas, e assim facilitando o seu diálogo com os adeptos de seitas e religiões não cristas.

O Apêndice da 2ª edição contém quase o triplo do conteúdo da primeira edição, com a atualização dos dados já publicados, novos mapas, tabelas e gráficos sobre assuntos teológicos, etc, além de Concordância Bíblica!

· Ícones simbolizando cada grupo religioso.

· O dobro das notas da primeira edição, com temas inéditos e atualizados. Totalizando 1.580 notas apologéticas e teológicas com foco em três abordagens:

· Refutação de seitas, heresias e religiões não cristas. Em todos os versículos que são utilizados distorcidamente por um grupo, reproduzimos uma síntese do que eles dizem e apresentamos uma refutação prática e objetiva.

· Respostas as aparentes contradições bíblicas. Aqueles textos bíblicos que (aparentemente) estão em choque com outras passagens, e por essa razão os céticos desacreditam a Bíblia, apresentamos uma explicação lógica, de fundo histórico e teológico.

· Comentários apologéticos. Nos versículos que servem de base para afirmação das doutrinas cristãs, fazemos um comentário enfatizando-as.


Introduções dos Livros

· Texto explicativo sobre o aspecto apologético de cada livro da Bíblia.

 Apêndice

· Concordância Bíblica.

· Novo apêndice atualizado e ampliado. Totalizando quase 200% do conteúdo apresentado na 1ª edição. Veja relação abaixo:

· Prefácio - Apresentação usual do projeto aos leitores.

· Como usar - Orientações aos irmãos de como explorar o máximo os recursos disponibilizados, bem como o significado de siglas, ícones etc.

· Apócrifos - Comentário colocado entre o AT e NT, explicando sobre esses livros que estão ausentes na Bíblia protestante.

· Índice remissivo - Recurso sistemático organizado por temas, possibilitando o leitor encontrar todas as notas referentes ao assunto do seu interesse;

· Glossário - Significado dos termos e expressões apologéticas e religiosas utilizadas nas notas e apêndice;

· Vocabulário grego - Dado à relevância da Septuaginta, julgamos ser importante compartilhar algumas noções sobre ela e um pequeno vocabulário bíblico da língua para qual a versão original hebraica fora traduzida;

· Como identificar uma seita - Regras básicas e práticas de como um cristão pode identificar um grupo sectário ou com desvios doutrinários referente à ortodoxia cristã;

· Hermenêutica - Comentário sobre as regras de interpretação de textos;

· Histórico das religiões - Esboço da história de todas as religiões mundiais e das seitas. Inclui ainda um apêndice histórico sobre praticamente todas as seitas brasileiras;

· A salvação em várias religiões - Esboço do entendimento que cada religião e as principais seitas possuem da salvação humana;

· Credos - Reprodução de todas confissões cristãs primitivas, incluindo o pouco conhecido "Credo primitivo";

· Diferença entre seitas e a Igreja - Gráfico sobre as diferenças entre a igreja cristã bíblica e os grupos sectários sobre aspectos sociológicos, teológicos, etc.

· Confronto doutrinário - Gráfico apontando o que algumas seitas pensam sobre pontos crucias bíblicos;

· 95 teses de Lutero - Reprodução na íntegra das famosas teses do reformador Lutero;

· Supremacia do Novo Testamento - Comentário sobre a inerrância e confiabilidade histórica e documental do NT frente a outras obras seculares históricas;

· Cronologia das principais confissões de fé protestantes - Planilha com as datas, nomes e um pequeno comentário das históricas confissões doutrinárias cristãs;

· Quadro resumido dos concílios trinitários e cristológicos - Planilha simplificada apontando: Local, Data, Assunto em discussão e o Resultado do fórum doutrinário;

· Bibliografia - Lista ampliada de todas as obras heterodoxas utilizadas nos comentários e ainda das principais obras ortodoxas cristãs utilizadas nos estudos;

· Mapas - Mapas das religiões e gráficos atualizadas incluindo alguns inéditos sobre a realidade brasileira.


Páginas: 1665

Formato: 17,5 x 24,5 cm.

Bíblia de estudo Aplicação Pessoal - (Versão Almeida Revista e Corrigida 2001)

Prefácio à segunda edição:

não há maior privilégio nem alegria do que estudar a Palavra de Deus. Quando nos damos conta de que Deus nos amou o bastante para não apenas enviar seu Filho como sacrifício expiatório pelos nossos pecados, mas também se importou tanto conosco, que nos revelou suas verdades para desafiar e orientar nossa vida, ficamos pasmos de ver como merecemos pouco diante do muito que ele fez por nós!

Há somente um conjunto de verdades absolutas neste mundo, e não é a matemática nem a ciência (pois nem todas as leis da física valem para um quasar ou para um buraco negro), mas apenas a Palavra de Deus. Nela se encontram de fato os princípios eternos que foram estabelecidos com o propósito de nos conduzir ao longo desta vida.

Portanto, estudar a Palavra de Deus com a máxima atenção é tanto um privilégio quanto uma responsabilidade. Como cristão, deixar de estudar a revelação inspirada equivale a recusar conhecer as leis do país em que vivemos e, assim, infringi-las de modo impune. É um ato que fatalmente trará consequências catastróficas, pois significa que não damos importância para as regras às quais prometemos obedecer por sermos cidadãos do nosso país — seja o Brasil, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, ou o céu (cf. Fp 3.21).

O propósito deste livro é proporcionar um panorama abrangente dos princípios hermenêuticos que regem a leitura de qualquer livro, mas em particular se destina ao estudo e à compreensão da Bíblia, a Palavra de Deus. Gosto de usar uma metáfora culinária: quero ensinar meus alunos a prepararem uma refeição de alta qualidade com a Palavra, de modo que possam fornecer alimento sólido para as pessoas que estiverem sob seus cuidados (cf. Hb 5.14). 

De uma coisa tenho certeza: os cristãos querem se alimentar, e meu alvo é capacitar pastores e professores nas igrejas, para que saibam descobrir essas verdades bíblicas preciosas e transformá-las em sermões e estudos bíblicos para o rebanho que Deus lhes confiou. Fiquei agradavelmente surpreso e gratifi cado diante da maneira como o Senhor usou a primeira edição deste livro nos últimos quinze anos. Chegou a hora de atualizá-lo a espiral Hermenêutica e acrescentar material que surgiu durante esse intervalo de tempo. Não há estudante que não fique admirado ao ver a quantidade de coisas impressas a cada ano. 

Estamos vivendo na época da maior explosão de conhecimentos de toda a história. Qualquer pessoa que tenha um computador sabe disso. Nossos conhecimentos nas áreas bíblica e teológica praticamente dobraram ou até triplicaram nas últimas décadas. Nunca foram publicados tantos comentários, dicionários, enciclopédias e artigos como nos últimos anos. Só para atualizar este livro, para que refletisse os últimos quinze anos (1991-2006) de estudos acadêmicos, tive de acrescentar mais de trezentos títulos à bibliografia.

Informo agora o que foi acrescentado a esta nova edição. Primeiro, há dois capítulos completamente novos que trazem informações que precisavam fazer parte do livro: (1) “A interpretação da Lei” (Cap. 6) mostra como interpretar as passagens da Torá do Pentateuco, incluindo os códigos legais, as regras acerca de coisas e pessoas puras e impuras, e o sistema sacrificial. (2) “O Antigo Testamento no Novo Testamento” (Cap. 14) procura auxiliar o estudioso que se dedica a entender os vários
contextos e aplicações das passagens do Antigo Testamento citadas pelos escritores do Novo. 

Isso inclui o uso que fazem de paradigmas, como os que podemos encontrar na Septuaginta, nos Targuns, nos Midrash e nos textos de Qumran. O capítulo mapeia técnicas como tipologia, alegoria e novos sentidos, apresentando um método para entender como os autores do Novo Testamento usavam a Antiga Aliança, e fornece exemplos extraídos das principais evidências, tais como Mateus, João, Atos, Paulo, Hebreus e Apocalipse.

Em segundo lugar, acrescentei novas seções dentro de capítulos que já existiam: Incluí na introdução duas subdivisões intituladas “A interpretação e o problema da distância” e “O papel do leitor na interpretação”. Incluí no capítulo dois (“Gramática”) informações importantes na seção “Análise gramatical do texto” e uma conclusão, além de uma nova seção sobre a teoria do aspecto. 

Acrescentei ao capítulo quatro (“Sintaxe”) uma seção sobre “Análise do discurso e linguística do texto” e um “Excurso sobre o debate acerca da linguagem inclusiva”. No capítulo cinco (“Contextos históricos e culturais”), atualizei quase todas as seções, incluindo dados importantes mais recentes. 

Acrescentei ao capítulo sete (“Narrativa”) uma subdivisão intitulada “Interpretando a narrativa bíblica”, sobre as críticas da fonte, da forma e da redação. 

Ao capítulo oito (“Poesia”) incorporei a subdivisão “A estrutura dos salmos”. 

Acrescentei ao capítulo nove (“Sabedoria”) informações fundamentais sobre a interpretação do Eclesiastes. 

Ao capítulo dez (“Profecia”) adicionei dados importantes sobre o desenvolvimento da tradição profética, além de breves seções sobre o “lamento profético” e a leitura canônica ou sincrônica.

Incorporei ao capítulo onze (“Apocalíptica”) dados sobre a “Recriação do cosmos”, a cosmovisão do livro de Apocalipse e a interpretação de símbolos. Incluí no capítulo doze (“Parábola”) informações essenciais sobre a “História da interpretação”.

Ao capítulo quinze (“Teologia bíblica”) acrescentei muita coisa à introdução sobre o desenvolvimento histórico da teologia bíblica, além de uma seção sobre o “Método narrativo”. 

Adicionei ao capítulo dezesseis (“Teologia sistemática”) seções importantes sobre “A virada pós-moderna” e “Método teológico”. Incluí no capítulo dezessete (“Homilética I: contextualização”) uma subdivisão intitulada “Desenvolvendo uma cultura eclesiástica transformada”. Ao capítulo dezoito
(“Homilética II: o sermão”) incorporei uma subdivisão chamada “Uma teologia bíblica da pregação”.

Por fim, ao longo de todo o livro atualizei e refiz seções sob a perspectiva de novos dados e descobertas nos diferentes campos de conhecimento. Por exemplo, não acrescentei novas seções a nenhum dos dois apêndices sobre questões filosóficas em torno do pensamento de que é possível descobrir o significado original de um texto, mas incorporei uma boa quantidade de dados extraídos de autores como Anthony Thiselton, Kevin Vanhoozer e Nicholas Wolterstorff.  

O volume de informações surgidas nessa área nos últimos quinze anos é de tirar o fôlego! Como consequência dessas revisões, atualizações e acréscimos, espero que a segunda edição se revele um importante passo na tarefa da hermenêutica e venha a servir à igreja com mais fidelidade do que a primeira edição.

Grant Osborne
19 de junho de 2006

Publicação: CPAD

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Um ateu garante: Deus Existe - Antony Flew

Antony Flew, um dos mais conceituados filósofos da contemporaneidade, autor de trinta obras filosóficas e defensor do ateísmo durante cinqüenta anos, se dispõe a mostrar de forma clara e objetiva, provas consideradas incontestáveis para a defesa do teísmo em seu mais recente livro: “Um ateu garante: Deus existe“.

Apesar de o título soar um pouco clichê e contraditório para alguns, o conteúdo é de grande riqueza, o qual abrange argumentos de Filosofia, Física, Biologia e outras áreas da ciência. Ainda ateu, Flew ressuscitou o teísmo racional; com a necessidade de defesa, filósofos cristãos ressuscitaram uma área da religião que há tempos não tinha nenhum progresso: a filosofia.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira, intitulada “Minha negação do divino”, o autor revela em três capítulos sua caminhada desde a infância até sua escolha pelo ateísmo; sua criação em um colégio metodista; a influência do pai também pastor e sua posterior escolha pelo ateísmo. É sincero ao tomar a postura de que nunca teve uma única experiência considerada sobrenatural e nenhum interesse por religião: “Ir à capela ou à igreja, recitar orações e praticar outros atos religiosos eram, para mim, quase apenas deveres cansativos“O livro também explicita que o problema do mal visto através do resultado da Segunda Guerra Mundial teve papel importante em suas escolhas.

Quando entra na faculdade em Oxford, Flew tem o privilégio de participar do Socratic Club, clube presidido por C.S Lewis, o “mais eficiente defensor do cristianismo da segunda metade do século XX", segundo o filósofo. A partir do contato com esse grupo e principalmente com o argumento socrático máximo do clube (“Devemos seguir o argumento até onde ele nos levar"), Flew começa a questionar argumentos, até então estáticos, de filósofos como Locke, Hume, Kant e Russell. Avança, assim, na discussão da filosofia em um contexto geral e mais a frente nos argumentos ateus. Seus livros abordavam a questão do teísmo com grande abrangência; os argumentos não eram únicos, se utilizava do problema do mal, do determinismo, do ônus da prova da existência ou não de uma entidade superior, da causa inicial, de uma inteligência superior e vários outros argumentos históricos e científicos.

Já na segunda parte, denominada “Minha descoberta do divino”, as idéias, antes utilizadas para o ateísmo de forma até então irrefutável para alguns, são esmiuçadas de maneira racional no sentido real da palavra. A proposição de que somente com a razão é possível aprender sobre a existência e a natureza de Deus é retomada, nas palavras do próprio autor: “Eu também não alego ter tido qualquer experiência pessoal a respeito de Deus nem do que pode ser descrito como sobrenatural ou miraculoso. Resumindo, minha descoberta do Divino tem sido uma peregrinação da razão, não da fé".

O uso de argumentos científicos é abundante para a prova de que há uma inteligência superior. A Cosmologia e a Física são duas áreas bastante abordadas nesse ponto, pois expõem a origem do Universo e remontam aos mais variados argumentos da existência de um ser criativo superior, considerado divino. Richard Dawkins, atualmente conhecido pelo best-seller Deus, um delírio, é duramente criticado pelo uso parcial dos argumentos da Biologia. O problema filosófico da definição do nada (nihil), abordado por Niestchze, também encontra contestação ao longo dos últimos capítulos o qual leva em consideração também a teleologia.

Por fim, dois apêndices enriquecem mais ainda o conteúdo do livro: o apêndice A é uma crítica ao chamado “novo ateísmo”, escrita por Roy Abraham Varghese e que também leva a autoria do prefácio. A abordagem é baseada em cinco pontos pelos quais o novo ateísmo não consegue explicar, são eles: a racionalidade, a vida, a consciência, o pensamento e o ser; já o apêndice B aborda o aspecto cristão do livro, é um diálogo travado entre Antony Flew e N.T. Wright, uma das maiores autoridades no estudo do Novo Testamento. Questionamentos sobre a existência de Cristo e sua ressurreição são bem respondidas e levam a uma curiosidade maior para o estudo da história de Cristo.

Um ateu garante: Deus existe, é um livro que aborda, não de forma aprofundada, o que seria impossível, ou seja, vários aspectos da antiga discussão entre teístas e ateístas, colocando novos rumos nos argumentos e propondo novos caminhos e maneiras de pensar.

Sobre o autor: 
Antony Flew, filho de um ministro metodista, nasceu em Londres, Inglaterra. Foi educado na St. Faith's Scholl, Cambridge e depois na Kingswood School, em Bath. Durante a Segunda Guerra Mundial, estudou a língua japonesa na Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres e serviu como oficial da inteligência da Real Força Aérea.

Após a guerra, Flew graduou-se em Literae Humaniores (o estudo dos Clássicos) na St John's College, de Oxford, como aluno de Gilbert Ryle. Ambos estiveram entre os filósofos de Oxford que foram intensamente criticados por Ernest Gellner em seu livro "Words and Things" (1959). Em 1954, Flew começou a chamar a atenção para sua carreira ao debater com Michael Dummett sobre causalidade retroativa.

Flew foi palestrante de Filosofia em Oxford de 1949 a 1950, e após esse tempo, por quatro anos na Universidade de Aberdeen. Foi também professor de Filosofia na Universidade de Keele por vinte anos. Entre 1973 e 1983 ele deu aulas de Filosofia na Universidade de Reading Depois de aposentar-se, Flew assumiu durante alguns anos um posto em período parcial na Universidade York, de Toronto.

Em 1975, Flew desenvolveu em seu livro "Thinking About Thinkin" a falácia do Nenhum escocês verdadeiro.

Do Ateísmo ao Deísmo:
Ateísta militante

Ainda estudante, Flew frequentou com razoável regularidade os encontros semanais no Clube Socrático de C. S. Lewis. Embora considerasse Lewis um "homem eminentemente razoável" e "de longe o mais poderoso apologista cristão dos sessenta anos seguintes à fundação daquele clube", Flew não chegou a se impressionar com o argumento da moralidade de Lewis, descrito no livro Cristianismo Puro e Simples.

Flew também criticou diversos outros argumentos filosóficos sobre a existência de Deus. Ele concluiu que o argumento ontológico em particular falha por se basear na premissa de que o conceito de Ser pode ser derivado do conceito de Bondade. Apenas as formas científicas do argumento teleológico impressionavam Flew de forma decisiva.

Mudança de opinião:
 Em diversas ocasiões, a partir de 2001, começaram a circular rumores sobre um abandono do ateísmo por parte de Flew, que publicamente se manifestou para negá-los. Em 2003, Flew chegou a assinar o Manifesto Humanista III.

Entretanto, em dezembro de 2004, Flew, em uma entrevista oferecida a Gary Habermas, seu amigo e oponente filosófico, admitiu reconhecer evidências em favor da existência de Deus. Esta entrevista foi publicada no periódico "Philosophia Christi", da Universidade Biola com o título Atheist Becomes Theist - Exclusive Interview with Former Atheist Antony Flew (Ateísta torna-se Teísta – Entrevista Exclusiva com ex-ateu Antony Flew).

Flew concordou com esse título. De acordo com a introdução, Flew havia em janeiro de 2004, pouco tempo antes da entrevista, declarado a Habermas que ele havia adotado uma postura deísta. Mais tarde, o texto foi revisto pelos dois participantes ao longo dos meses precedentes à publicação da entrevista. No artigo, Flew afirma que certas considerações filosóficas e científicas o levaram a repensar seu trabalho de toda uma vida em apoio ao ateísmo em favor de um tipo de deísmo, similiar ao defendido por Thomas Jefferson: "Por um lado a razão, principalmente na forma de argumentos pró-design nos assegura que há um Deus, por outro, não há espaço seja para alguma revelação sobrenatural, seja para alguma transação entre tal Deus e seres humanos individuais".

A concepção de Deus adotada por Flew, conforme explicada na entrevista, é limitada à ideia de Deus como causa primeira. Ele rejeita a idéia de um pós-vida, ou de Deus como origem do bem e da ressurreição de Jesus como um fato histórico, embora tenha permitido em seu último livro a adição de um breve capítulo argumentando em favor da ressurreição de Cristo.

Críticas à mudança de Antony Flew não tardaram a aparecer, como a do jornalista Mark Oppenheimer, que valeu-se da idade do filósofo, então com 84 anos, para sugerir que Flew estivesse sofrendo de algum tipo de leve de demência.

Em 2007, Flew lançou um livro intitulado "There's a God" (Existe um Deus), tendo o escritor Roy Varghese como co-autor. Logo após o lançamento, o jornal The New York Times publicou um artigo reportando que Varghese teria sido quase que inteiramente responsável pela redação do livro e que Flew sofria um acentuado estado de declínio mental, tendo grande dificuldade em recordar figuras chave, idéias e eventos relacionados ao tema do livro. [“Isso é na verdade coisa do Roy [Varghese]”, disse Flew ao jornalista Mark Oppenheimer do New York Times. “Ele mostrou para mim e eu disse tudo bem. Estou muito velho para esse tipo de trabalho!”.]


O artigo provocou exclamações públicas em que Varghese foi acusado de manipulador[Varghese justificou suas ações, apoiado pelo editor, que divulgou um texto assinado por Flew, onde este reiterava a sua autoria das idéias constantes no livro, respondendo que em função de sua idade já avançada (84 anos na ocasião), o papel de um colaborador na redação do texto, não era apenas justificável como também necessário. Flew insistia ainda que a possibilidade ser manipulado por alguém devido a sua idade era totalmente equivocada.

Em God and Philosophy (1966) e The Presumption of Atheism (1984), Flew conquistou sua fama argumentando que alguém deveria pressupor o ateísmo até que alguma evidência de Deus aflorasse. Ele ainda sustenta esta abordagem evidencialista embora, nos anos recentes tenha admitido que essas evidências de fato existem. Em dezembro de 2004 ele declarou em uma entrevista: "Eu considero um Deus muito diferente do Deus dos cristãos e muito distante do Deus do Islamismo, porque ambos são retratados como déspotas orientais, Saddam Husseins cósmicos".