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segunda-feira, 3 de março de 2014

Minha vida minha existência meu sentido


Por: Marcio Alves
"...sei que mesmo que para alguns não tenha valor ou utilidade o que escrevo e digo, para outros é importante e é por esses que continuo no caminho de ajudar através dos meus textos..."
O sentido da existência só pode ser dado depois de ser vivido é assim que vivo e por assim viver é assim que penso, pois só sabemos que vivemos uma vida plena quando olhamos para o passado e somos gratos a ele por ter nos trazido até aqui e feito de nós sermos o que somos ao mesmo tempo em que olhando para o futuro desejando continuar sendo e tendo o que somos e o que vivemos.
"As circunstancias mudam, o tempo muda, os valores mudam"
A essência da minha vida é repensar tudo que leio, vejo, sinto, penso e vivo, compartilhando através da escrita, emprestando meus olhos e coração, para todas as pessoas que me leem e ouve. Minha historia é essa e meu destino é continuar essa historia – nas palavras de Nietzsche “torna-te quem tu és”.
"Hoje entendo que minha vida é incompleta sem o outro, que a essência é compartilhar com e para o outro minhas experiências e pensamentos"
Vivi minha vida inteira – e até recentemente há 3 anos atrás – na igreja, onde tudo em mim e em torno de mim girava em falar (pregar) aos crentes e a todos quantos tivessem disponíveis para ouvir a mensagem cristã através da minha voz, ou seja, o sentido da minha historia é repensar tudo para depois passar para as pessoas o que pensei, tanto em forma oral quanto escrita, tendo como maior proposito o provocar reflexões. O que significa dizer que hoje troquei a mensagem evangélica pela mensagem filosófica e psicológica, mas, no entanto, continuo falando e escrevendo para as pessoas.
"...quero voltar novamente a ver no rosto e no olhar das pessoas aquele mesmo brilho de sentido que elas manifestavam com minha oratória..."
Essa foi, e é, e desejo que continue sendo minha essência, meu sentido, meu caminho: antes usava a religião cristã, hoje uso a psicologia, antes escrevia no orkut, depois blog, agora no facebook, e no futuro desejo escrever livros e teses. Antes pregava na igreja, hoje falo para auditórios em apresentação de trabalhos acadêmicos, no futuro quero ser professor e palestrante.
"...ter consciência, aceitar e usar seu lado “negro”, “oculto” e “mal” ao seu favor é uma forma de se tornar um ser humano completo, sábio e maduro: negar é viver infantilizado, fraco e incompleto. É desconhecer a si mesmo, não se aceitar inteiramente, recusar não ser totalmente você mesmo. É viver as próprias margens da sua própria existência."
Perceba que na essência não mudei. Meu caminho é o mesmo só mudou meu jeito de caminhar e de ver a paisagem no percurso do caminho. Desejo ainda continuar uma vida que seja de doação para o outro, tenho prazer e sentido em me dar para outro. Claro que não me iludo, sei que no fundo, lá no meu inconsciente consciente tenho como pano de fundo o desejo narcisista de ser ouvido, de ser reconhecido, aplaudido, de ver que minha vida faz sentido para o outro, que é importante, que gera diferença que faz a diferença.
"O sentido da existência só pode ser dado depois de ser vivido..."
Mas penso que ter consciência, aceitar e usar seu lado “negro”, “oculto” e “mal” ao seu favor é uma forma de se tornar um ser humano completo, sábio e maduro: negar é viver infantilizado, fraco e incompleto. É desconhecer a si mesmo, não se aceitar inteiramente, recusar não ser totalmente você mesmo. É viver as próprias margens da sua própria existência.
"...só sabemos que vivemos uma vida plena quando olhamos para o passado e somos gratos a ele por ter nos trazido até aqui..."
Hoje entendo que minha vida é incompleta sem o outro, que a essência é compartilhar com e para o outro minhas experiências e pensamentos, sei que mesmo que para alguns não tenha valor ou utilidade o que escrevo e digo, para outros é importante e é por esses que continuo no caminho de ajudar através dos meus textos, frases, pensamentos, do meu compartilhar experiências, e futuramente, através do discurso quero voltar novamente a ver no rosto e no olhar das pessoas aquele mesmo brilho de sentido que elas manifestavam com minha oratória.
"...emprestando meus olhos e coração, para todas as pessoas que me leem e ouve..."
As circunstancias mudam, o tempo muda, os valores mudam, mas o caminho continua sendo o mesmo caminho, o mesmo processo de escrever minha historia, meu destino, minha vida e isso duplamente: tanto na vida como literalmente na escrita, pois afinal, todo escrito é autobiográfico, falamos mais de nós mesmos do que do outro embora seja para e por causa do outro.
 
"...hoje troquei a mensagem evangélica pela mensagem filosófica e psicológica..."
Para ler minhas frases no facebook acesse e add no link: https://www.facebook.com/marcio.alves.98837
 
 

sábado, 3 de novembro de 2012

"Dietrich Bonhoeffer" Um exemplo de Pastor Evangélico


Na Galeria dos mártires do século XX da Abadia de Westminster: Madre Elisabeth da Rússia, o Rev. Martin Luther King, o Arcebispo Óscar Romero e o Pastor Dietrich Bonhoeffer.

Nascido em Breslau, 4 de fevereiro de 1906 – Morto em Berlim, 9 de abril de 1945, pelo Nazismo, Bonhoeffer foi um teólogo, pastor luterano, membro da resistência alemã anti-nazista e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazista.

Bonhoeffer envolveu-se na trama da Abwehr para assassinar Hitler. Em março de 1943 foi preso e acabou sendo enforcado, pouco tempo antes do próprio Hitler cometer suicídio.

Nascido em Breslau em 4 de Fevereiro 1906, filho de um psiquiatra de classe média alta. Quando jovem decidiu-se seguir a carreira pastoral na Igreja Luterana, doutorou-se em teologia na Universidade de Berlim e fez um ano de estudos no Union Theological Seminary em Nova York. Retornou a Alemanha em 1931.

Bonhoeffer foi um dos mentores e signatários da Declaração de Bremen, quando em 1934 diversos pastores luteranos e reformados, formaram a Bekennende Kirche, Igreja Confessante, rejeitando desafiadoramente o nazismo:

“Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado, é o nosso único Salvador.”

Obviamente o movimento foi posto em ilegalidade e em Abril de 1943 foi preso por ajudar judeus a fugirem para a Suíça. Levado de uma prisão para outra, em 9 de Abril de 1945, três semanas antes que as tropas aliadas libertassem o campo, foi enforcado, junto com seu irmão Klaus, e cunhados Hans von Dohnanyi e Rüdiger Schleicher.

Sua obra mais famosa, escrita no período de ascensão do nazismo foi "Discipulado" (Nachfolge) na qual desenvolve a polêmica acerca da teologia da graça, fundamento da obra de Lutero. O livro opõe-se a ênfase dada à "justificação pela graça sem obras da lei", afirmando que:

"A graça barata é inimiga mortal de nossa Igreja. A nossa luta trava-se hoje em torno da graça preciosa que é um tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende tudo que tem (...) o chamado de Jesus Cristo, ao ouvir do qual o discípulo larga suas redes e segue (...) o dom pelo qual se tem que orar, a porta a qual se tem que bater."

Destas linhas já se denota o profundo "fazer teológico poético" que tanto caracteriza a obra de Bonhoeffer.

Quando já estava sendo perseguido pelo nazismo, Bonhoeffer escreveu um tratado considerado por muitos uma das maiores obras primas do protestantismo, que denominou simplesmente "Ética". É nesta obra que ele justifica, em parte, seu engajamento na resistência alemã anti-nazista e seu envolvimento na luta contra Adolf Hitler, dizendo que:

“É melhor fazer um mal do que ser mau.”

Suas cartas da prisão são um exemplo de martírio e também um tesouro para a Teologia Cristã do século XX.

No dia 4 de fevereiro de 1906 nascia o pastor e teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer. Pendurar este homem numa forca como inimigo pessoal do Führer foi um dos últimos atos de Hitler, pouco antes de ele mesmo acabar com a sua miserável vida. Mais que o espião ousado e o integrante de um grupo que planejou eliminar o ditador alemão, Bonhoeffer entrou para a história como um ser humano de extraordinária reflexão e fé, mesmo diante da iminência da morte, em 4 de abril de 1945, no campo de concentração de Flossenbürg.

A sua angústia enquanto esperava pelo fim iminente foi traduzida em poesia e lirismo fascinantes. Esta canção, "Von guten Mächten wunderbar geborgen", é o melhor exemplo do que eu digo. Ouça, atentamente, o texto de Bonhoeffer no original. Para os que não entendem de alemão, abaixo uma tentativa de tradução:

    Carta de Bonhoeffer à sua esposa
 
Von guten Mächten wunderbar geborgen Songtext:
Von guten Mächten treu und still umgeben,
behütet und getröstet wunderbar,
so will ich diese Tage mit euch leben,
und mit euch gehen in ein neues Jahr.

Ref:

Von guten Mächten wunderbar geborgen
erwarten wir getrost, was kommen mag.
Gott ist mit uns am Abend und am Morgen
und ganz gewiss an jedem neuen Tag.

Noch will das Alte unsre Herzen quälen,
noch drückt uns böser Tage schwere Last.
Ach, Herr, gib unsern aufgescheuchten Seelen
das Heil, für das Du uns beweitet hast.

Ref:

Und reichst Du uns den schweren Kelch, den bittern
des Leids, gefüllt bis an den höchsten Rand,
so nehmen wir ihn dankbar ohne Zittern
aus Deiner guten und geliebten Hand.

Ref.

Doch willst Du uns noch einmal Freude schenken
an dieser Welt und ihrer Sonne Glanz,
dann wolln wir des Vergangenen gedenken,
und dann gehört Dir unser Leben ganz.

Ref.

Lass warm und still die Kerze heute flammen,
die Du in unsre Dunkelheit gebracht,
führ, wenn es sein kann, wieder uns zusammen.
Wir wissen es, Dein Licht scheint in der Nacht.

Ref.

Wenn sich die Stille nun tief um uns breitet,
so lass uns hören jenen vollen Klang
der Welt, die unsichtbar sich um uns weitet,
all Deiner Kinder hohen Lobgesang.


Tradução


Maravilhosamente protegidos por bons poderes,
consolados, aguardamos o que vier:
Deus está conosco à noite e pela manhã
e com certeza a cada novo dia.

Quando o silêncio se espalhar profundamente ao nosso redor,
permite que possamos ouvir aquele som repleto
do mundo, que de modo invisível se espraia em torno de nós,
do canto de louvor de todos os teus filhos.

E ao nos estenderes o pesado e amargo cálice,
cheio de sofrimento até sua mais alta borda,
nós o tomaremos, agradecidos e sem tremor,
de tua bondosa e amada mão.

Mas, se mais uma vez nos queres presentear alegria
neste mundo e em seu Sol brilhante,
queremos relembrar o que passou
e entregar-te toda a nossa vida.

Cercado de bons poderes em fieldade e quietude,
protegidos e maravilhosamente consolados,
assim quero viver estes dias com vocês
e caminhar com vocês na direção de um novo tempo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A beleza do ateísmo




Por: Marcio Alves

Hoje mais maduro e experiente do que ontem, não nego a importância do significado e simbolismo da religião apesar de ser ateu, não considero a religião como absolutamente indispensável e negativa para humanidade, porem, considero o ateísmo muito mais belo do que qualquer crença existente em Deus ou Deuses.



A beleza do ateísmo reside justamente no fato de não haver Deus, de não haver um criador, que, por qualquer motivo ou propósito, tenha criado um boneco para um fim determinado ou para sua gloria narcísica, mas que o homem existe e está absurdamente lançado na existência sem qualquer destino traçado, que ele è senhor de sua própria historia, ainda que limitado pelas condições e restrições sociais e culturais.



Fico maravilhado com a ideia do ateísmo não porque seja mais verdadeira ou real do que os pressupostos religiosos ou filosóficos, sejam eles quais forem, mas porque a imagem do homem totalmente perdido, abandonado, desamparado, numa absurda solidão cósmica è sensacional, absurdamente linda, embora seja muito desesperadora.



Claro que seria muito mais fácil, como se tem sido, acreditar na existência de algum ser superior que por alguma razão tenha criado a gente, mas, o ateísmo com sua visão assustadora e vazia de que estamos sòs no universo, dignifica o homem, pois o homem não é um boneco fabricado pelas indústrias celestiais cujo dono é o todo poderoso, mas um ser incriado que sempre existiu e foi evoluído através dos tempos, ou que surgiu através de uma milagrosa existência cega e aleatória, como um acidente da matéria.



Seja qual for a visão ateia, ela confere um sentido ultimo e supremo para o homem, o sentido, de que tudo que somos é o que temos sido, e a vida começa e acaba quando a vida começa e acaba, despertando um valor absurdo para a vida, pois tudo se resume aqui e agora, tendo se um breve momento, uma breve respiração, que se esvai como areia pelos dedos.



Se existe Deus e se a vida fosse para sempre eterna, do que valeria viver esta vida? Porque se importa com cada segundo do nosso tempo que se esvai, se ao morrermos vamos viver para sempre, e, num lugar infinitamente melhor? Porque lutar e insistir tanto em viver, se a morte seria a solução para todo sofrimento humano, nos recompensando com uma vida gloriosa e majestosa do outro lado da vida?



Sinto que toda humanidade, seja ateu ou religioso, esta no mesmo barco á afundar no oceano do vazio, do medo, da solidão, do desamparo cósmico, e, mais, sinto como uma sensação visceral e forte, de que no fundo, no fundo, todos nós sabemos desta solidão, de que o universo é indiferente á nós, de que com a morte vem também nosso fim, só não queremos aceitar, lutando em sempre acreditar muito mais desejando do que realmente sabendo, de que tudo se resume a esta nossa efêmera e insignificante vida, talvez por isso, tudo em nós clama respirando o contrário; de que somos filhos amados de Deus, e, de que ao morrermos, iremos para o paraíso encontrar todas as pessoas que amamos, e que iremos viver felizes para sempre....nada mais absurdo, mas, com toda certeza, desejo legitimo de nós mortais.



Por isso, ninguém é cem por cento ateu e/ou religioso, mas dentro de cada um de nós, existe um ateu e um religioso, e, religioso no sentido de que, se não tem duvida de que Deus não exista, pelos menos, no mínimo desejar inconscientemente que ao fecharmos os olhos, alguém esteja do outro lado nos esperando de braços abertos.



Impressionante a ideia do ateísmo, mas, com toda certeza, mas impressionante ainda somos nós em agonia desesperadora buscar, desejar ou esperar que exista algo ou alguém para alem desta vida....é a vida clamando por vida, negando a não existência, com toda sua força e vigor, queiramos aceitar isto ou não, até porque, como já dizia o mestre Schoppenhauer que a vida é uma vontade cega de sempre querer mais, e mais da vida, pois no final de tudo, somos humanos finitos e amedrontados com o nosso fim, mas desejosos sempre com mais e mais da vida.


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Deus não existe!



Por Edson Moura

Primeiramente, quero deixar claro que o texto abaixo exposto, reflete o pensamento de apenas um dos autores deste blog, portanto não deve ser associado à pessoa do Marcio Alves e sim, apenas ao Edson Moura.

Procure entender o pensamento de um existencialista ateu. Ele tenta dizer que Deus não existe e que existe apenas um ser cuja existência precede a essência, a saber...o homem. Como diria Dostoievsk: “Se Deus não existisse tudo seria permitido”. O homem “abandonado” e “sozinho” no mundo, sem um criador no qual possa se amparar é o seu próprio criador.

O homem é o que é. Ele se constrói a partir do nada e por isso vive de angústias, de náuseas, como diria Sartre. “Tentando ser”, o homem depara-se com o desejo de ser Deus e com a angústia de jamais poder sê-lo. A idéia de Deus para o homem é de onipotência e onisciência, e o desejo de sê-lo representa ser e compreender tudo, não sofrer limites e condicionamentos, realizar-se em todos os sentidos possíveis.

Mas Deus não resolve nada. Esta é a base de todo ateísmo sartreano. Ele julgava que Deus não ajudava ou colaborava com as realizações ou problemas humanos, porque toda e qualquer experiência que o homem realiza, seja ela boa ou má, quer o leve ao prazer...à angústia ou até mesmo à náusea, é de sua inteira responsabilidade. O homem é só e, como tal, é responsável por tudo o que fizer, pois o nada de onde vem o persegue por toda a “eternidade”.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Pecaminosa Doutrina da Honra Humana

Por: Edson Moura

A Paz do Senhor à todos, antes de começarem a ler, eu gostaria de deixar claro que este texto não é em sua totalidade de minha autoria. Já disseram que: "A originalidade está em ocultar bem as suas fontes" mas eu jamais aceitaria receber méritos, nem por obras que fiz, muito menos por obras que não fiz. Também é verdade que eu já não me lembro de onde tirei este texto, então vamos à ele:

Quão diferente é a teologia dos nossos dias! Hoje, o foco dos livros e pregações (se é que podem ser assim chamadas) é a importância do homem, e a necessidade primordial deste ter os seus desejos satisfeitos. Não, infelizmente não estou falando do que é ensinado em faculdades e escolas anticristãs, mas sim daquilo que é apresentado em inúmeras igrejas ditas cristãs.

“Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou”. (João 5:23)

Em João capítulo 5, de onde retiramos o versículo citado, lemos, entre outras coisas, sobre o acréscimo da fúria dos judeus contra Jesus, por este reivindicar ser Deus. Não obstante isso, Cristo continua afirmando tal fato, tanto explícita como implicitamente. No v. 23, ao dizer que todos os homens devem honrar ao Filho, podemos perceber o seguinte argumento:

1. O Filho deve ser honrado assim como o Pai é honrado.
2. O Pai é honrado como Deus.
3. Logo, o Filho deve ser honrado como Deus.

Adorar qualquer criatura é idolatria. Sendo assim, Cristo não é uma criatura, mas sim o Criador (cf. Jo. 1:3). Não bastasse a inferência que poderíamos extrair daqui, ou seja, que não devemos adorar e honrar ninguém além de Deus, por toda a Escritura constatamos esse tema apresentado sem ambigüidade: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt. 4:10).

Contrariamente à teologia de Cristo, hoje se prega a adoração de homens, e não do Criador. Líderes de comunidades são tidos como intocáveis, inerrantes e infalíveis. A doutrina da infalibilidade papal tem as suas versões no meio evangélico, o qual, a despeito do nome, não possui nada de Evangelho. Pessoas que não conhecem nem mesmo as doutrinas básicas do Cristianismo de forma correta, recebem obediência irrestrita e imediata por partes de milhares de fiéis cegos.

O culto da maioria das igrejas, hoje, é totalmente antropocêntrico, voltado inteira e exclusivamente para o homem: sua importância, necessidades, gostos, caprichos, etc. Não bastasse isso, os miseráveis propagadores dessa heresia colocam até mesmo Deus na fileira dos ludibriados. A platéia[fiéis] é instada a crer na seguinte blasfêmia: “Deus vai te honrar”, “Deus vai honrar o teu nome”, “Deus vai honrar a tua fé”, e coisas semelhantes. Ora, mesmo uma leitura superficial da Bíblia demonstrará a irracionalidade de tais afirmações.

Antes de continuarmos, é bom lembrar que a Bíblia de fato diz que Deus honra ao homem, mas não no sentido pretendido por pentecostais e neo-pentecostais. Devemos considerar o contexto das declarações bem como o propósito das mesmas, pois ler que Deus fez de Saulo de Tarso um apóstolo, não significa que Deus fará o mesmo com todo cristão. Além disso, em muitos casos a promessa de honra cumprir-se-á apenas no futuro, significando a nossa recompensa (imerecida e unicamente por causa dos méritos de Cristo) na vida porvir.
Como exemplo dos erros de interpretação, vou citar algo que ouvi recentemente: que Deus honra o nome daqueles que o honram, supostamente com base em 1 Samuel 2:30.

O versículo diz o seguinte:

“Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém agora diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados.”

A estultícia daqueles que tentam usar o texto acima como base para as suas divagações é manifesta pelo seguinte:

1) O motivo da queixa por parte do Senhor, contra Eli: No versículo anterior (v. 29) lemos: “Por que… honras a teus filhos mais do que a mim…”. O motivo da queixa é justamente o deslocamento do alvo devido da honra prestada por nós, ou seja, desde o começo o texto milita exatamente contra o que alguns querem defender.

2) A honra prometida e privada: Deus “tinha falado… que a…casa [de Eli] e a casa…[do] pai [dele]… andariam diante de mim [Deus] perpetuamente”. Mas Deus diz em seguida que não faria mais isso. Por quê? Pois Deus honra somente aqueles que o honram! Ora, está mais do que claro que a honra prometida é andar diante de Deus, na sua presença. E considerando que a salvação é obra exclusiva de Deus, e que somos totalmente incapazes de agradá-lo à parte da mediação de Cristo, podemos com certeza dizer que Deus nos dá a honra de sermos chamados filhos de Deus, e partícipes da sua grande salvação. Resumindo, honra aqui é simplesmente um sinônimo para salvação e as bênçãos que seguem a mesma, e não fama, notoriedade, riqueza, reconhecimento diante dos homens ou qualquer outra aspiração carnal.

Mas a afirmação mencionada outrora não é refutada apenas mediante uma análise do texto bíblico citado como suposto fundamento, mas também quando analisamos as vidas dos homens de Deus registradas na Bíblia, inclusive a do próprio Cristo. Vejamos a “honra” que alguns receberam:

… experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados… errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. (Hebreus 11:36-38)

E que diremos de Cristo? Ele foi desprezado, rejeitado pelos homens, foi oprimido e afligido (Isaías 53), não tinha onde reclinar a cabeça (Lucas 9:58), padeceu de muitas coisas, foi rejeitado pelos líderes religiosos (Lc. 9:22) e entregue nas mãos de homens perversos (Lucas 24:7). Que honra Cristo, que nunca pecou, que era o próprio Filho de Deus, experimentou durante a sua vida terrena? Nenhuma! É muita petulância dizer que Deus concede a miseráveis pecadores aquilo que ele negou ao seu amado Filho, em quem ele se compraz (Mt. 3:17, 12:18, 17:5).

E por falar em honra, Deus tem uma advertência para aqueles que ensinam e acreditam em heresias, inclusive as mencionadas neste artigo:


Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. (Marcos 7:6, 7)

Se Cristo disse que os judeus da sua época o honravam em vão, visto que ensinavam mandamentos (preceitos, como diz Mt. 15:9) de homens, que não eram essencialmente malignos,[7] o que diremos daqueles que deturpam e distorcem o que a Bíblia diz? Deixemos que outros respondam:


Pedro diz que eles trazem sobre si mesmos repentina destruição (2Pe. 2:1);
Judas diz que o juízo lhes aguarda (Jd. 1:4);
Paulo diz que eles não herdarão o reino de Deus (Gl. 5:20).

Que Deus continue nos abençoando, AMÊM

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Cristãos Orgulhosos















Por: Edson Moura


Infelizmente hoje, muito do quê nós podemos colher no meio evangélico, é uma safra de Cristãos Orgulhosos. O orgulho nos torna egocêntricos, e nos faz pensar que temos “direito” a tudo aquilo que, vemos; tocamos; desejamos ou imaginamos.

Em muitas igrejas evangélicas, é pregado atualmente um evangelho (que certamente não é o evangelho de Jesus Cristo) que desperta no cristão um apetite ganancioso por coisas muito superiores àquelas que ele realmente necessita.

Hoje não se fala muito em humilhação diante de Deus, muito pelo contrário! Fala-se muito de: dupla honra; chuva de bênçãos; abertura de comportas no céu; restituições miraculosas; unções extravagantes e uma infinidade de promessas, que são extraídas das Escrituras Sagradas, mas muitas vezes, fora do seu contexto.

Como pode um cristão, pedir a Deus uma casa melhor, quando seus irmãos muita vezes não têm nem onde morar, e tudo que querem é um teto para cobrir sua cabeças?!
Como pode um cristão, pedir a Deus que multiplique 100 vezes mais aquilo que tem, quando seus irmãos em Cristo, se vêem voltando pra casa mais um dia, sem oder levar o pão para seus filhos?!

Irmãos! Precisamos rever nossos conceitos.
Deus existe! Creia nisso! E se Ele existe, existe também uma forma correta de viver.
“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4-17)
Sabemos qual é o nosso dever como cristãos...cumpramos então! E lembrem-se: “Humilhai-vos diante da potente mão de Deus, para que a seu tempo nos exalte, lançando sobre Ele toda vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós” (1Pedro 5-6)

Que Deus continue nos abençoando AMÉM

domingo, 31 de maio de 2009

Teologia da Prosperidade















 Por: Edson Moura

Há até pelo menos duas décadas, a pregação evangélica, principalmente pentecostal, enfatizava que os cristãos não deveriam se apegar às riquezas materiais, aos interesses terrenos e que os problemas da vida, como enfermidades, perseguições, falta de dinheiro, eram provações divinas.Hoje, como assevera o texto abaixo citado do sociólogo Ricardo Mariano, isto mudou. Idéias e valores seculares, travestidos de doutrinas aparentemente bíblicas, têm invadido com extraordinário sucesso muitas igrejas evangélicas. Agora, ter um encontro com Cristo constitui quase o mesmo que ganhar na loteria. O que importa é ficar "de bem com a vida".

A pregação escatológica, em moda há poucos anos, perdeu terreno. O paraíso agora está mais para o shopping center mais próximo. "A despeito de serem majoritariamente pobres, os pentecostais nunca fizeram elogios nem atribuíram significado redentor à pobreza. Não a reconheciam como uma virtude cristã. Antes, ansiavam superá-la no paraíso, já que viam este mundo como um vale de tormentos e sofrimentos. Também não se consideravam, pelo simples fato de serem pobres, necessariamente herdeiros preferenciais do Reino dos Céus. Por outro lado, não associavam a posse de bens terrenos à detenção de maior espiritualidade. Na realidade, resignados no ascético "caminho estreito", sempre desvalorizaram, ao menos na retórica, a busca de riquezas e alegrias deste mundo.

A Teologia da Prosperidade subverte radicalmente isto, prometendo prosperidade, redenção da pobreza nesta vida. Ademais, na Teologia da Prosperidade a pobreza significa falta de fé, algo que desqualifica qualquer postulante à salvação. Segundo os pregadores da Teologia da Prosperidade, Jesus veio ao mundo pregar o Evangelho aos pobres justamente para que eles deixassem de ser pobres.

O Brasil, com cerca de 25 milhões de crentes, é a maior nação evangélica da América Latina. Nada menos que 15% de sua população já é evangélica. Seu crescimento nas duas últimas duas décadas se acelerou muito, ameaçando a, até recentemente, inabalável hegemonia católica. Esta verdadeira conversão em massa tem sido realizada sobretudo pelas igrejas pentecostais. Entre elas destaca-se a Igreja Universal do Reino de Deus, multinacional da fé que mais cresce no Brasil, Renascer, Casa da Benção, Comunhão Plena, entre outras .Estas igrejas tem em média, cinco cultos diários cujos temas preferidos são: dinheiro, demônios e enfermidades. Nelas, podemos freqüentemente observar práticas pagãs, bastante comuns no catolicismo popular e mesmo na umbanda, como distribuição de "fitinha da prosperidade", "sal grosso", sabonete, espada, chaves, rosas, lenços, rituais de descarrego com "arruda" para dar sorte, água benta, óleo ungido etc. Tais práticas, em sua maioria, têm por finalidade arrancar dinheiro dos fiéis ou potenciais conversos acometidos pelo desemprego, por doenças, pela desintegração familiar, por vícios de alcoolismo, de drogas e até mesmo pelo diabo.

Diante de tais práticas pagãs e doutrinas heréticas, o cristão genuíno preocupado com a Verdade, não pode se omitir. Para o bem do Evangelho e para que a Verdade triunfe, somos obrigados a refutar o que há de herético nesses movimentos. continua...

Que Deus nos perdoe !