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domingo, 3 de novembro de 2013

Quero comprar um amigo


Quero comprar um amigo
Não importa o preço, eu pago
Quero comprar um amigo
Se for para sempre não acharei caro.

Me vende um amigo seu?
Vejo que você tem vários.
Me vende um amigo seu?
Amigos já estão raros.

Pode ser um fingido
Que me engane quando me abraça
Pode ser um fingido
Que contente iludido me faça.

Mas me venda um amigo solteiro
Que não me troque por uma mulher
Só quero daqueles livres
Que me visite quando quiser.

Não sei se terei dinheiro
Mas tudo que tenho darei
E quando me perguntarem
Comprei-o é o que direi.

Fiquei pobre e miserável
Vivendo como um mendigo
E ao meu lado quando olharem
Sempre o verão comigo...

Quero comprar um amigo.

Edson Moura

domingo, 7 de julho de 2013

Amigo



Grandes amigos, ou melhor, um grande amigo, só se consegue com muito trabalho e compreensão. Cultivei muitos amigos nesses meus 34 anos. Alguns já me abandonaram, outros às vezes lembram-se do bom Edson, e mesmo que por poucos minutos (ao telefone), se permitem ouvir a minha voz. Se acreditasse em Deus, acho que me sentiria como Ele às vezes: esquecido, solitário e triste em seu formoso céu, cabisbaixo em seu grande trono branco, com seus anjos que o adoram, mas não suprimem a necessidade dos verdadeiros amigos, nós.

Os livros têm sido para mim um refúgio, onde projeto toda amizade que tenho para oferecer, aos personagens das histórias, aos escritores que, quero acreditar, escreveram para mim aquelas linhas. Viajo em meio as letras que vão formando palavras e frases ricas, elas falam comigo, e por mais tempo que meus amigos (ao telefone).

A dureza que muitos acreditam me circunda, não passa de fachada, por dentro, o coração, que insisto em dizer ser apenas um músculo com uma função específica, clama pela voz, ombro, ou simples presença de um bom amigo. É fácil enganar as pessoas, é simples camuflar uma saudade, o difícil mesmo é enganar a nós mesmos. E sozinho, em minha grande casa, agora sem o barulho dos filhos, sem a implicância da mulher em busca de atenção, eu vejo que um amigo tem muito mais valor que o amor de muitas mulheres.

Por mais que conheça a nossa amada língua portuguesa, estou aqui, sentado em frente um computador, buscando no teclado letras soltas que formem uma palavra que caiba na minha definição do que é um amigo verdadeiro. E mesmo juntando todos esses símbolos mágicos, não há palavras suficientes para representar a grandeza de um amigo. O amigo é um porto seguro para a alma (se é que tenho alma), um pedaço solto de nós que sempre nos acompanha, mesmo que ele esteja a milhares de quilômetros de distância.

Olhando para o tempo de uma grande amizade, nem me importo com o fato de tanto tempo já ter se passado em minha vida. Gostaria que tivesse sido mais, que pudesse ter dito na horas certas que amava, ou até mesmo que estava errado, evitando assim, que um elo se enfraquecesse em nossa amizade. O tempo passou, a distância cumpriu sua função, de fazer qualquer saudade passar, ou pelo menos diminuir, de fazer a dor cessar e o coração se fechar para uma nova experiência. Um bom amigo conhece todas as nossas dores, todos os nossos sofrimentos por amor, todas as nossas mancadas ao longo da estrada, mas um grande amigo, este não só conhece, mas também esteve lá, e as viveu conosco. Sorriu e chorou, e nos disse que iria passar.

Resolvi caminhar sozinho, por falta de um amigo. Certamente irei caminhar mais rápido e mais consciente, só não tenho a certeza se chegarei mais longe, ou se chegarei a algum lugar, sem um amigo para pegar em minha mão, ou apenas aquecer meu coração com sua presença.

Agora entendo (e como demorei) porque foi "amigo" a palavra usada por Jesus Cristo para classificar os que o seguiam e os que viriam a segui-lo. Mas novamente me sinto como Deus, que na hora de maior dor e sofrimento, não encontrou um amigo aos pés de sua cruz, que o olhasse nos olhos e dissesse: "Mano, não posso tirá-lo daí...mas estou aqui com você!" Filósofo cético, Edson Moura

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sorriso falso



Sorriso falso

Vá mentindo pra todo mundo
É fácil enganar os que te rodeiam
Abra um sorriso quando a dor massacrá-lo
Ou quando a saudade atormentar tua alma
Naqueles dias de um vazio sem fim


Gargalhe quando tudo findar
Quando do pouco que tinhas, nada mais restar
E Teus sonhos e objetivos evaporarem
Ria quando o teu sol perder a luz
E sentires uma cruz ferir teus ombros cansados

Abrace aquele que carrega um punhal
Beije no rosto dos que te desprezam
Sente-se á mesa do seu inimigo e com ele beba
Mantenha a farsa até que ele se afeiçoe a você
Sorria quando a vontade for de chorar


Sorria, vá mentindo que não sente dor
E ao notarem que você está sorrindo
Todos que não são atentos irão supor
Que você é a pessoa mais feliz do mundo
E você sorrirá, e o sorriso, este talvez, seja verdadeiro.

Edson Moura

sábado, 26 de março de 2011

Aprendendo a viver enquanto se vive


Por: Marcio Alves

Se eu pudesse voltar novamente a viver a minha efêmera e insignificante vida, arriscaria mais, permitir-me-ia até errar mais, sem neuroses e sem culpas, sem os fantasmas da perfeição, tendo como regra de culpa, a culpa por não ter vivido mais intensamente. Teria a simples, sabia e humilde consciência do que o que faço aqui nesta vida, aqui se esvai e termina, não se tendo mais nada para levar daqui, portanto, viver o aqui como única e singular realidade vivida e pensada de que tudo que realmente importa é o aqui, e que o lá e depois não passa de uma ilusão fantasiada da não aceitação de que somos finitos.

Se eu pudesse voltar novamente a viver a minha vida, não tentaria ser tão perfeito, pois perfeição só existe nos sonhos mais delirantes, lembrar-me-ia que sou humano, portanto sujeito aos erros e defeitos. Lembraria que as nossas escolhas nunca são erradas nelas mesmas, pois são escolhas, mas sempre são analisadas do ponto de vista do resultado final, que na verdade não poder ser minuciosamente determinado, pois a vida com suas contingências esta para além de ser controlada.

Se eu pudesse voltar novamente a viver a minha vida, não a levaria tão a sério, abriria mão de tentar resolver os problemas impossíveis de serem resolvidos, aceitaria minha impotência diante das circunstâncias da vida, não me obrigaria sempre aos deveres antes dos prazeres. Buscaria os objetivos da vida não pela posse de alcançá-los e deter-los, mas pelo prazer, sentido e significado do percurso que eles nos oferecem enquanto se caminha atrás deles.

Se eu pudesse voltar novamente a viver a minha vida, viajaria muito mais, contemplaria muito mais vezes o sol se por, olharia inebriado as estrelas da imensidão do céu azul, entraria e nadaria no mar a noite, deixaria os pingos da chuva me molharem sem buscar proteção, leria mais avidamente poemas, poesias e romances, ficaria horas e horas papeando com os amigos, sem se preocupar se a conversa esta sendo produtiva, pois o que importa mesmo é o estar com os amigos. Correria com os pés descalços pela praia em suas douradas areias. Brincaria com as crianças, aprenderia aos pés dos mais idosos, amaria mais uma vez minha amada com amores eternos.

Se eu pudesse voltar novamente a viver a minha vida, teria problemas reais, ao invés de problemas imaginários, não tentaria antecipar os percalços da vida, nem muito menos prever dores e sofrimentos, não iria mais sofrer antecipadamente com problemas que talvez nem viessem acontecer, seria mais irresponsável, não tentaria inutilmente controlar o tempo todo, minha vida.

Se eu pudesse voltar novamente a viver a minha vida, aproveitaria cada face da vida, sem tentar ser o que ainda não sou e negando o que já sou e fui sendo pelas trilhas da existência, cobraria menos de mim, seria criança quando criança, seria jovem quando jovem, e adulto quando for realmente um adulto, andaria horas e horas de bicicleta com meus amigos, jogaria bola com a molecada, tomaria sorvete até sentir dor de barriga, não limitaria a vida a ser simplesmente uma mera produção mecânica, fria e calculista em busca de resultados, faria coisas insignificantes, tentaria focalizar mais os pequenos momentos da vida do que os grandes, pois a vida é feita muito mais dos pequenos, e são estes que se tornam grandes devido o valor que damos a eles.

Se eu pudesse voltar novamente a viver a minha vida, viveria de tal modo que não viesse nunca me arrepender de não ter vivido, mas como não posso voltar o relógio do passado, me resta então aproveitar os anos que ainda tenho pela frente, que se não forem tragados pela morte prematura, serão com toda certeza pela velhice. Vou a partir de agora mesmo, viver os momentos que ainda me restam, de tal maneira que se depois da morte eu pudesse escolher em voltar ou não a viver a mesma vida, em todos os seus detalhes, com toda sua dor e prazer, alegria e tristeza, optaria sem pestanejar em viver.

Pois só assim, terei a plena consciência de que não fui simplesmente, em todo momento, vivido pela vida, mas antes também, a vivi!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Minha escolha


Não me tirem as lembranças, pois elas são o combustível que faz meu coração bater. Não me tirem a dor, pois ela é o parâmetro para que eu possa avaliar minha saúde. Não me tirem a tristeza, pois somente com ela eu consigo lembrar-me de como fui feliz. Não me tirem a escuridão, porque aos poucos meus olhos desprezarão a luz.

Não me tirem a fome, para que eu não reclame do pouco que ainda tenho. Não me tirem a pobreza, pois certamente eu desprezaria o miserável. Não me façam elogios, para que o orgulho não me domine. Não deixem de me abraçar, para que a frieza não tome o lugar do calor humano.

Não me falem sempre a verdade, porque algumas mentiras nos mantêm amigos. Não me mostrem tudo, para que eu não perca a vontade de descobrir coisas novas. Não me tirem a insônia, porque dormindo eu não vejo a vida passar. Não afastem a morte de mim, porque o temer a ela sutenta minha vida.

Não furtem meus livros, porque às vezes eles são meus únicos companheiros. Não esqueçam de mim, para que, uma vez morto, eu não deixe de existir. Não me amem demais, para que a insegurança não atormente tua alma. Não me amem de menos, para que eu não sinta-me tão rejeitado.

Não tirem meus filhos, porque eu os amo múitíssimo. Não se apeguem demais às pessoas, para que quando elas se forem, você também não se vá. Não deixem-me envelhecer além do necessário, para que eu não sinta-me um total inútil. Não mantenham-me vivo, se acaso tornar-me um peso em suas vidas.

E não sintam-se culpados por coisa alguma, porque todas essas escolhas foram minhas...não suas.

Edson Moura

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Carta de amor para minha amada


Por: Marcio Alves

Meu amor, contigo tenho a cada dia descoberto que o paraíso existe e é real...nele tenho vivido dias dourados, momentos especiais, entre um olhar e o outro, um beijo de amor, um sentimento mágico a permear todo meu coração, dos quais não me esquecerei jamais.

Uma troca de sorriso, um toque simples, um gesto de carinho...nosso amor é vivido e expressado nas pequenas coisas da vida cotidiana.

Quando a morte chegar para me levar, irei triste, porém satisfeito.....triste, por talvez nunca mais ver de novo seu sorriso, beijar a sua boca, tocar em sua pele macia e cheirosa, lhe abraçar e ser abraçado. Porém irei satisfeito, pois a vida que já estou vivendo é a melhor que eu vivo ou poderia viver, pois meu maior tesouro desta vida é você, minha amada!

Tire minha vida e tirarão minha vida, agora, tirei-me você e tirarão minha razão de ser, ter, sentir, pensar e viver.

Toda vez que eu penso em você, me remeto ao passado, presente e futuro.......passado, por lembrar de nossos primeiros encontros, onde tudo foi mágico e maravilhoso.

Lembro-me de nossos passeios pela praia deserta, debaixo de um lindo céu azul e estrelar, onde as ondas molhavam e tocavam em nossos pés.

No presente, porque vivo com e por você, me deliciando de cada bom momento que estamos a passar juntos, onde até as dificuldades conseguimos superar juntos.

E no futuro, pois não me vejo sem você, e não vejo você sem mim.
Cada plano meu, cada desejo, vontade e pensamento, vejo você e eu, e não apenas eu.

Não sei quanto tempo nossas vidas irão durar nesta terra de incertezas, neste chão molhado pelas gotas da imprevisibilidade, mas sei de uma coisa:

Que aonde, como e quando eu estiver, quero sempre estar juntinho a você..........te amo meu amor!

Por: Marcio Alves

Observação 1: Este texto é uma singela homenagem para minha amada esposa, que fez aniversário dia 4 deste mês.

Observação 2: Foto da postagem acima da minha amada esposa.

sábado, 4 de dezembro de 2010

“Deus não ouve Rap”



Deus, olhai o meu povo...da periferia
É tanta gente triste nessa cidade,
É tanta desigualdade...desse outro lado da cidade,
Mas eu tenho fé, eu tenho fé eu acredito em Deus
Olhai por esses filhos teus.

Senhor!...Oh pai senhor, olhai o meu povo sofrido...da periferia
Ah!olhando pro meu povo vejo a tristeza
Estampada em cada rosto que perdeu a beleza
A vida é embaçada pra quem está no veneno
Uma mãe vendo os seus filhos com fome...sofrendo.

Os mais ricos do mundo só fazem investimentos,
Diversão pra “boyzinhos”, pra coisa ruim e armamentos
Quanto ao meu povo investimento é zero
 O dia-a-dia não é fácil, o dia-a-dia não é belo.

Vários moleques na rua, sem endereço, drogado
Mendigo, gente sofredora, também largado
Se arrastando e com vontade de viver
Muita gente dá de frente, finge que não vê.

De que adianta vida boa e ter tudo da hora
Se o povo está no veneno, meu Deus e agora?
Eu peço ao senhor que de paz e alegria
Cuide de nós... O povo da periferia.
Deus! Olhai o meu povo...da periferia.

Ah! O povo é mal cuidado, ignorado, esquecido
Os ricos querem mais é ver meu povo fodido
Exploram nossa vida, roubam nosso dinheiro
Eu vejo o povo no veneno, entrando em desespero.

Irmão na ira, sem paz espiritual, se armando
Roubando, se arriscando, porque tá precisando
Apanhando na vida, passando fome, que injustiça
E quando roda, toma coro todo dia da policia.

E a cada dia o crime vai crescendo,
Essa vida deixa o povo revoltado e violento
A pobreza...a miséria, todo dia cresce
Que porra é essa? Meu povo não merece

Um dia, quem só fode a gente, vai se foder
Eles obrigam o meu povo a não ter paz para viver
Que Deus proteja os irmãos que agora estão na correria
Que deus proteja o povo da periferia.
Deus! Olhai o meu povo...da periferia.

Este é um rap escrito por Ndee Naldinho, e retrata uma realidade ainda existente na periferia de muitas cidades onde as favelas enfeitam a selva de pedra. Há  nove anos ouvi esta música pela primeira vez, e hoje, quando o ano de 2010 já está terminando, vejo que nada mudou.

Será que a força da palavra deste “Raper” não é tão forte assim? Será que o povo merece a vida que leva, por ser tão estúpido, e não perceber que o poder emana das massas? Será que a miséria é um mal necessário para se manter o equilíbrio social?
Não...não! A verdade é que Deus é um sádico e adora observar o povo se fodendo.

Desista Naldinho! Deus não houve Rap!

Edson Moura

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Para quem sonha com estrelas


Noite nublada, manhã sem sol, luar sem lua, estrelas sem brilho, caminhantes de um destino a cumprir, a floresta adentro caminha assombra com suas escuridões.
Pergunte as trevas – diz a noite – , vemos sem olhar o escuro com seu claro apagar, de nostalgias e de esperanças nos blindar.

Amanhã será passado, mas hoje em estático estado de vislumbre sonhando acordado com as estrelas cadentes da vida, com seus cometas contingenciais, esperando a próxima desventura planetária do sub-mundo encantado da magia vestindo sua nudez com as roupas da primavera.

Conquistar não sendo conquistado pelo brilho estrelar, se pondo acima das nuvens, mas abaixo das estrelas, ao mesmo tempo em que vive morre-se também de esperança na espera do futuro amanhecer do dia em que se chamará hoje, porém flutuando no mar azul, com suas tormentadoras tempestades das crises que balançam nosso barco, jogando para lá e para cá.

Vemos o fim do começo do caminho ainda por trilhar, mas sempre a titubear entre ilusão e lucidez, pescando os peixes da alegria, ouvindo os pássaros cantar, e os ventos a nos contar como será nosso passado sem o futuro.

Mais uma vez lá vem ela com seu sorriso encantador, com seu choro desesperador, com sua voz altiva, blindando-nos com sua beleza encantadora e irresistível que fez com que deixemos nossos pesadelos nela...Oh morte porque demorais tanto assim para vir até nós?

Mas hoje não quero morrer sem ver o luar impregnado de fantasia e mistério, com fascínio vou dormir sobre os mais altos rochedos, esperando o voar das águias, as gotas das chuvas caindo sobre as nuvens, o fogo consumindo de desejo a água...Mas que mundo – diz Raimundo – , mas que homens – responde o mundo.

As estrelas não foram feitas apenas para se admirar, mas antes para se vencer, escalando os mais altos montes, descendo os mais fundos abismos, voando sobre os ventos, não deixando de se rezar pelas crianças que choram, ouvindo sempre os conselhos sábios das florestas.

Mas como está quente hoje – diz as flores – sedentas de justiças para com o mar que está revolto, mas que ainda não perdeu sua pureza, mesmo com ondas que vem e que vão, sem perspectiva de mudança.
O marinheiro que está deitado olhando para o céu e vendo de olhos fechado, escutando com sua respiração, sentindo com sua alma o vento calmo a assoprar e espelhar as nuvens.

O sol finalmente acordou para brilhar e assim, lá se foi às estrelas, que no próximo entardecer voltará para novamente ser sonhada pelos homens, procurada pela lua, vestida pela noite, despertada pelo vento, morta pela escuridão, mas acessa pelo fogo dos apaixonados.


Por: Marcio Alves


sexta-feira, 12 de março de 2010

A obra prima de Deus



Por: Marcio Alves

Sentado em um grande e cristalino trono estava Ele, o Numinoso e Assombroso Ser, profundamente absorto em seus inesgotáveis e incomensuráveis pensamentos.
Sendo enaltecido por miríades de miríades de constelações angelicais.
Tendo ao mesmo tempo, de guerreiros poderosos como querubins aos mais formidáveis seres incandescentes serafins.

Um profundo olhar introspectivo, em direção ao vazio se perdia na contemplação inimaginável daquilo que viria a completar a totalização da sua obra criadora.
Na boca uma secura indesejada, o coração a pulsar mais forte e acelerado, observava todo o resplendor e fulgor da gloria celestial, não satisfeito ainda, via a imensidão e magnitude do universo estrelar.

Até que, de repente se levantou do seu grande trono rodeado pelas hostes angelicais, O Temido Assombro, e deu um grito: Eu já sei o que farei para aperfeiçoar a minha obra que dará sentido e plenitude a toda a minha criação.
Os anjos que cantavam, pararam, os guerreiros que treinavam ficaram quietos, os serafins resplandecentes ficaram no ar suspenso pairando em cima do grande trono, e todas as constelações das miríades celestiais fizeram um profundo silencio, contemplando atônitos ao mesmo tempo em que se auto-interrogavam: Mas o que será que o inefável Ser pensa em fazer de tão extraordinário que completará a sua obra já magnífica, que O deixou tão eufórico?

As hostes celestiais tinham razão de ficarem atônitos com a reação abissal do Supremo Ser, pois o que teria de tão formidável em sua mais nova criação, que o levou a ficar daquele jeito, visto que eles tinham contemplado com grande admiração, outras criações, como sol, lua, terra e mar, e todo vasto universo, mas em nenhum momento o admirável Ser tinha esboçado tão profunda e alarmante reação, porque desta vez se mostrava tão realizado?

Então Ele interrompe o silencio celestial, mandando trazer em sua presença, uma carruagem de fogo. Logo que ela chega, Ele adentra, e manda que o ser resplandecente como a luz do sol, O leve em direção a terra.
Então o ser em mais alta velocidade percorre todo o universo na velocidade da luz, para chegar o mais rápido possível no lugar desejado pelo Supremo Ser.

Chegando a terra o carro de fogo para, e o Supremo Ser desse, enquanto todo o céu celestial contemplava imóvel e sem piscar um sequer momento, o que desta vez o grande escultor criaria de tão esplêndido. Fez se então, meia hora de singulares silêncios.
Então Ele para, senta no chão, cruza as pernas, pega um pouco de um barro molhado pelo mar, e começa a trabalhar na sua que será a maior obra de toda a sua criação, aquele que veria a dar sentido a todo existência de suas mãos.

Isto deixava os anjos perplexos, pois até aquele momento, o criador somente falara, dava uma ordem e tudo o que não era, vinha a ser, mas desta vez era escandalosamente diferente, ali estava Ele sentando, sujando as suas potentes mãos em um barro, com suas vestes sagradas encharcadas de lama, sentido a beira mar a brisa leve do vento a soprar em seu rosto.

Até que Ele suspira fundo, enche o pulmão de ar e dá um grito entalado na garganta há eternidade de eternidade: Está consumado!

Ele se levanta e ajoelha, pega o seu boneco de barro que tinha feito com as próprias mãos, e ainda não satisfeito, começa soprar em sua boca fagulhas do seu próprio Ser, o boneco que era de barro, agora se tornara um ser de carne e ossos, tendo em seu peito a explosão das fagulhas do divino, desperto olha para os olhos do imenso e transbordante Ser e chama-O de Pai.

Então o mais inesperado e impensado viria acontecer, o grande Ser que de eternidade a eternidade não esboçara sentimento, começa a chorar um compulsivo choro de profunda alegria e de alto-realização, e diz para todo o universo escutar: Este frágil ser que fiz por último será a coroa de toda a minha criação, pois ele será um pouco menor do que Eu!

Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.