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domingo, 29 de julho de 2012

A existência de Deus pode ser mais assustadora do que a sua inexistência




Por: Marcio Alves

Um Deus mal e perverso no controle absoluto do universo, jogando com nossas vidas, brincando e se divertindo com nosso destino, sem alguém superior a Ele para prestar conta do que faz conosco, rindo de nossas desgraças, provocando diversos tipos de catástrofes no mundo, não se importando com ninguém, atraído por sórdidas maldades, quem já imaginou um Deus assim? Ou, quanto um Deus assim pode ser temido?

Sempre quando se imagina um Deus, ou quando a religião cria, sistematizando uma crença em Deus, ela parte dos anseios mais profundos do porão do inconsciente humano, sendo assim, por mais que Deus seja punitivo com os outros que não compartilham da mesma crença e religião, com elas (seguidoras daquela religião), Deus sempre será aquele pai presente, que cuida, ama e preservar os seus filhos, mesmo quando os castiga, faz isto porque ama e se importa com eles. Nesta crença esta embutida, algumas vezes de maneira imperceptível, o “medo de Deus” que toda religião se utiliza para manter seus seguidores fieis. (No cristianismo é o inferno, no espiritismo é o carma, no budismo o samsara e assim por diante)

Esta crença propriamente dizendo é o lado mais infantilizado de todas as religiões, porque em meio a bilhões de seres humanos, com um universo “infinito” para controlar, Deus se importaria logo com este planeta tão pequeno e com seres humanos tão insignificantes (comparados a toda grandeza do universo)?

Pior do que a sua não existência (ateísmo) ou abandono total do nosso planeta (deismo) é a possibilidade de um Deus perverso, déspota, arrogante e malvado no controle do universo. Imagina se no final de tudo – de uma vida de sofrimento, porque o sofrimento esta ligado a existência, todo mundo sofre de alguma maneira e nível – após a morte, existir vida, e nós tivermos que pagar por toda eternidade, prestando conta (cristianismo) diante de um Ser maléfico, que criou uma camará de tortura com “fogo e enxofre” para atormentar nossa vida, e, isto sem fim?

Ou seja, a ideia da existência de Deus é mais apavorante do que a sua inexistência, porque se Ele não existe, não há o que temer, nem em vida e nem depois da morte, mas, e se Ele existir de verdade, quem é capaz de saber como Ele é, e, o que fará conosco?
E, todas as pistas no mundo indica que se há um Deus quem criou tudo, Ele deve ser muito perverso, porque criou um mundo de sofrimento, seres humanos sádicos, uma natureza muito violenta, ou seja, se Ele fosse realmente bondoso, porque não criou um mundo com menos sofrimento?

A questão do sofrimento que eu coloco aqui, e, que sempre foi uma “pedra” no “sapato” do teísmo (crença em Deus) não é o sofrimento moral, causado por outros seres humanos, ainda que Ele pudesse ter feito um ser humano com uma natureza melhor, mas antes, o sofrimento existencial, com milhares de doenças...imagina uma criança encefálica, (apenas um exemplo, para não citar todos) como pode um Deus bom e justo, permitir tamanha crueldade, ainda mais com um ser que não foi capaz de fazer nem bondade e nem maldade ainda?

Sem falar na natureza tão violenta e cruel, por que desde que o mundo é mundo, sempre houve catástrofes, a diferença é que não tinha tantos seres humanos vivendo de modo aglomerado, pois imagina um terremoto na cidade de São Paulo hoje, por exemplo, que catástrofe seria? Diferente se fosse um lugar deserto, há milhares de anos atrás, totalmente desabitado por pessoas...junta se a isto, o fato de termos acesso a todo tipo de informação mundial, isto significa, que temos mais informações hoje do que antes, o que dá a impressão de que o “mundo esta realmente acabando” – a questão principal aqui é: ou Deus existe e é mal, porque criou de propósito um mundo hostil ao ser humano, e aí meu amigo, se existir um Deus assim nós estamos literalmente “fudidos”, ou Deus não existe e a natureza é “cega” e podemos viver e morrer em paz, porque quando “acabar”, para nós realmente “acabou”, de qualquer jeito estamos todos nós (raça humana) no mesmo barco em meio ao mesmo oceano, a diferença é como enxergarmos e/ou como queremos enxergar este oceano....

Como a ciência em questão de Deus não pode provar que Ele existe ou não existe, cabe a você meu caro leitor decidir; acreditar em Deus de maneira religiosa, pessoal (teísmo) e viver a vida “pisando” em ovos, não sendo e não assumindo os riscos de uma vida sem Deus, com liberdade de ser e fazer o que se deseja, até porque na crença Deus é aquele eterno estraga prazer que sempre esta com o seu olhar onipresente de quem não se pode fugir, ou acreditar como os filósofos que Deus é impessoal, (deismo) que não interfere em nossas vidas, e/ou ainda como os ateus (ateísmo) que simplesmente ignoram não acreditando em deus ou deuses, e continuar vivendo a vida totalmente voltada para o “aqui e agora”, sem o peso de ter que prestar contas a Deus, mas apenas a sua consciência?

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Falsos Profetas (parte 2)





Depois de ouvir falar com seus pacientes de supostas curas pela fé, um médico de Minnesota chamado William Nolen passou um ano e meio tentando analisar os casos mais assombrosos. Havia alguma prova médica de que a enfermidade estivesse realmente presente antes da “cura”? E se existisse, tinha desaparecido realmente depois da cura? Ou era só o que diziam o milagreiro ou o paciente? Descobriu muitos casos de fraude, incluindo a primeira revelação de “cirurgia psíquica” da América. Mas não encontrou nenhum exemplo de cura de nenhuma enfermidade orgânica séria (não psicogênica). Não havia casos de cura, por exemplo, de cálculos biliares ou artrite reumatoide, muito menos de câncer ou enfermidades cardiovasculares. Quando se rompe o baço de um menino, apontava Nolen, a recuperação é completa se o submetermos a uma simples cirurgia. Mas, se levarmos o menino a um pastor milagreiro, ele morrerá em um dia. A conclusão do Dr. Nolen é a seguinte:

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pastafarianismo


Por Edson Moura

Muitos de vocês que lêem este artigo, podem nem fazer idéia do que significa o termo Pastafariano, por isso, pretendo com estas poucas linhas, trazer uma explicação sintetizada do que é esta nova modalidade de fé, a qual tornei-me seguidor fiel. Embora esta religião tenha atrelada às suas origens notório teor satírico, ela constitui-se em uma religião plenamente válida, equiparável a qualquer outra, sendo e devendo ser reconhecida e tratada com tal.

Encontram-se nela as mesmas características marcantes e determinantes de qualquer outra religião: um conjunto estruturado de crenças, ritos, tomo sagrado, milhares de seguidores ao redor do globo, etc.. Nestes termos, não deve perante a lei (pelo menos em estados laicos) sofrer nenhuma discriminação, gozando inclusive da isenção de impostos relativos imposto predial associado aos seus templos de reuniões, igual faz-se às demais, aqui no Brasil.

Se a natureza ou razão de ser das crenças de cada religião forem usadas para caracterizá-la ou descaracterizá-la como "válida" ou não, ter-se-á que pesar qualquer outra religião sobre as mesmas regras (à luz da ciência?), e praticamente todas perderão tal status frente às leis vigentes, pois suas crenças são em tudo igualmente fundadas: em pura fé. Para maiores detalhes, consulte: http://www.venganza.org/about/

Flying Spaghetti Monsterism, também conhecida como Pastafarianismo ou FSM, que nada mais é do que um trocadilho com a palavra pasta (macarrão em inglês e italiano) e Rastafáris, é uma religião com origem satírica fundada por Bobby Henderson em 2005 para protestar contra a decisão do sistema educacional do Kansas nos Estados Unidos, de requerer o ensino do “criacionismo” ou como conhecemos hoje também, “design inteligente” como alternativa ao “evolucionismo biológico”. Em uma carta aberta enviada ao conselho de educação, Henderson diz acreditar em um Criador sobrenatural chamado Monstro de Espaguete Voador (Flying Spaghetti Monster), formado por espaguete e almôndegas, e pede que o “Pastafarianismo” seja ensinado em aulas de ciências.

A finalidade desta carta, é primeiro, mostrar que todos os argumentos do conselho de educação, para a inclusão do criacionismo ou design inteligente nas escolas, também servem para a inclusão do ensino do Pastafarianismo. E em segundo lugar, mostrar que todos os argumentos do conselho de educação, para a não inclusão do Pastafarianismo nas escolas, também servem para a não inclusão do ensino do criacionismo ou design inteligente. E assim mostrar que ambos não devem ser apresentados em aulas de ciências.

O que concordo plenamente, uma vez que aulas de religião foram abolidas, exatamente por existirem pais que não concordam que ensinem a seus filhos que o ser humano foi criado por uma força inteligente e transcendental, tipo Deus, ou E.T’s. Devido à sua popularidade e exposição midiática, a Flying Spaghetti Monster é freqüentemente usada por ateus, agnósticos, deístas e outros, como uma versão moderna do Bule de chá de Russell (Bule celestial).

O Bule de Chá de Russell, às vezes chamado de Bule Celestial, assim como o monstro de espaguete, é uma analogia criada pelo filósofo Bertrand Russell que tem por finalidade mostrar que a dificuldade de desmentir uma hipótese não torna esta verdadeira, e que não compete a quem duvida desmenti-la, mas quem acredita nela é que deve provar sua veracidade. Num artigo chamado "Existe um Deus?",Russell escreveu o seguinte:

"Muitos indivíduos ortodoxos dão a entender que é papel dos céticos refutar os dogmas apresentados (em vez dos dogmáticos terem de prová-los). Essa ideia, obviamente, é um erro. De minha parte, poderia sugerir que entre a Terra e Marte existe um pote de chá de porcelana girando em torno do Sol em uma órbita elíptica, e ninguém seria capaz de refutar minha asserção, tendo em vista que teria o cuidado de acrescentar que o pote de chá é pequeno demais para ser observado mesmo pelos nossos telescópios mais poderosos.

Mas se afirmasse que, devido à minha asserção não poder ser refutada, seria uma presunção intolerável da razão humana duvidar dela, com razão pensariam que estou falando uma tolice. Entretanto, se a existência de tal pote de chá fosse afirmada em livros antigos, ensinada como a verdade sagrada todo domingo e incutida nas mentes das crianças na escola, a hesitação de crer em sua existência seria sinal de excentricidade e levaria o cético às atenções de um psiquiatra, numa época esclarecida, ou às atenções de um inquisidor, numa época passada."

Crenças do pastafarianisno:

Muitas das crenças propostas por Henderson foram intencionalmente escolhidas para parodiar argumentos comumente usados pelos defensores do design inteligente.

Um invisível e indetectável Monstro do Espaguete Voador teria criado o universo, começando com uma montanha, árvores e um anão.

Aquecimento global, terremotos, furacões e outros desastres naturais são uma consequência direta do declínio no número de piratas desde o século XIX.

Todas as evidências a favor da evolução foram intencionalmente plantadas pelo Monstro de Espaguete Voador. O "FSM" testa a fé dos Pastafarianos fazendo as coisas parecerem mais velhas do que elas realmente são. "Ele conta que aproximadamente 75% do Carbono-14 decaiu por emissão de elétrons para Nitrogênio-14, e infere que este artefato tem aproximadamente 10.000 anos de idade, pois a meia-vida do Carbono-14 é de 5.730 anos. Mas o que nossos cientistas não percebem é que toda vez que eles fazem uma medição, o Monstro de Espaguete Voador estará lá mudando os resultados com seu Apêndice Macarrônico. Nós temos vários textos que descrevem detalhadamente como isso é possível e as razões por que Ele faz isso. Obviamente, ele é invisível e pode passar através de matéria ordinária com facilidade."

Os fósseis dos dinossauros foram escondidos sob a terra com o único intuito de enganar a humanidade.

O Pastafariano acredita num paraíso que inclui cerveja em abundância e muitas mulheres fazendo striptease.

O Pastafariano também acredita num inferno, onde a cerveja é sem álcool e ainda por cima quente e as strippers têm doenças sexualmente transmissíveis

"RAmén" é a conclusão oficial para rezas, certas seções do Evangelho do Monstro do Espaguete Voador, etc. e é uma combinação do termo hebreu "Amém" (também usado no cristianismo) e Ramen, um tipo de macarrão japonês (Lámen).

Carta Aberta ao Conselho de Educação do Kansas:

A Carta Aberta ao Conselho de Educação do Kansas é representativa para os reivindicações e as ideias de Bobby Henderson e dos oponentes ao design inteligente:

Estou escrevendo a vocês com muita preocupação, depois de ter lido suas audiências para decidir se a alternativa Teoria do Design Inteligente deveria ser ensinada juntamente com a Teoria da Evolução. Eu acho que todos podemos concordar que é importante para os estudantes escutarem múltiplos pontos de vista para que assim possam escolher por eles mesmos a teoria que faz mais sentido para eles. Estou preocupado, contudo, que os estudantes somente ouçam uma Teoria do Design Inteligente.

Lembremo-nos que existem múltiplas teorias do Design Inteligente. Eu e muitos outros ao redor do mundo temos a forte crença de que o universo foi criado por um Monstro de Espaguete Voador. Foi Ele quem criou tudo o que vemos e tudo o que sentimos. Nós acreditamos fortemente que toda a incontroversa evidência científica do mundo que aponta em direção a um processo evolucionário não é nada além de uma tremenda coincidência, organizada por Ele.

E é por essa razão que estou lhes escrevendo hoje, para formalmente requerer que essa teoria alternativa seja ensinada nas suas escolas, juntamente com as outras duas teorias. De fato, eu irei tão longe e direi que, se vocês não concordarem em fazer isso, seremos forçados a processá-los com uma ação legal. Tenho certeza que vocês percebem de onde estamos vindo. Se a Teoria do Design Inteligente não é baseada na fé, mas ao invés disso sendo uma outra teoria científica, assim como alegam, então vocês também devem permitir que nossa teoria seja ensinada, pois também é baseada na ciência, e não na fé.

Alguns acham isso difícil de acreditar, então talvez seja proveitoso contar-lhes um pouco mais sobre nossas crenças. Nós temos evidência de que o Monstro de Espaguete Voador criou o universo. Nenhum de nós, claro, estava lá para ver isso, mas temos relatos escritos sobre isso. Nós temos vários extensos volumes explicando todos os detalhes do Seu poder. Também, vocês devem estar surpresos de ouvir que existem 10 milhões de nós, e aumentando. Nós temos a tendência de sermos muito secretos, pois muitas pessoas afirmam que nossas crenças não são substancialmente baseadas por evidência observável. O que essas pessoas não entendem é que Ele construiu o mundo para que pensássemos que a Terra é mais velha do que realmente é.

Por exemplo, um cientista pode executar um processo de datação por carbono em um artefato. Ele encontra que aproximadamente 75% do Carbono-14 decaiu por emissão de elétrons para Nitrogênio-14, e infere que este artefato tem aproximadamente 10 000 anos de idade, pois a meia-vida do Carbono-14 é de 5730 anos. Mas o que nossos cientistas não percebem é que toda vez que eles fazem uma medição, o Monstro de Espaguete Voador estará lá mudando os resultados com seu Apêndice Macarrônico. Nós temos vários textos que descrevem detalhadamente como isso é possível e as razões por que Ele faz isso. Obviamente, Ele é invisível e pode passar através de matéria ordinária com facilidade.

Tenho certeza que agora vocês entendem o quão importante é que os seus estudantes sejam ensinados sobre esta teoria alternativa. É absolutamente imperativo que eles percebam que evidência observável está no julgamento de um Monstro de Espaguete Voador. Além do mais, é desrespeitoso ensinar nossas crenças sem vestir a Sua roupa escolhida, que claramente é uma completa vestimenta pirata. Não posso medir suficientemente a importância disso, e infelizmente não posso descrever em detalhes o motivo de isso precisar ser feito, pois temo que esta carta já esteja ficando muito longa. A explicação resumida é que Ele fica com raiva se não fizermos assim.

Vocês devem estar interessados em saber que o aquecimento global, terremotos, furacões e outros desastres naturais são um efeito direto da diminuição do número de piratas desde o século XIX. Para o seu interesse, incluí um gráfico do número aproximado de piratas versus a média de temperatura global nos últimos 200 anos. Como vocês podem ver, existe uma significativa relação estatística inversa entre piratas e temperatura global.

Em conclusão, obrigado por terem tomado o tempo para ouvir nossas visões e crenças. Eu espero que tenha sido capaz de expor a importância de ensinar essa teoria aos nossos estudantes. Nós iremos, com certeza, ser capazes de treinar os professores nessa teoria alternativa. Estou ansiosamente aguardando sua resposta, e espero sinceramente que nenhuma ação legal tenha que ser tomada. Acho que todos podemos olhar para a frente para o tempo em que a essas teorias sejam dadas tempo igual na sala de aulas de ciências, em todo o país, e eventualmente no mundo. Uma terça parte para Design Inteligente, uma terça parte para Pastafarianismo (ou Monstroísmo Espaguético Voador), e uma terça parte para conjectura lógica baseada em incontroversa evidência observável.

Sinceramente, Bobby Henderson, cidadão preocupado.

                                              Fiel Pastafariano em oração 

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Você escolheu a religião que acha que escolheu ou foi a religião quem te escolheu?


Somos irremediavelmente produtos do meio. Assim tal meio social tal qual individuo. Neste estreito sentido, ninguém é uma ilha. Vamos sendo na medida em que já somos, influenciados num determinismo sócio-cultural-geográfico-génetico.

Você acha que pensa o que pensa ser o que pensa? Pense duas vezes e depois responda, pois a primeira resposta sempre será aquela que você herdou do meio social em que vive.

Você acha errado um homem já adulto ter relações sexuais com uma adolescente de 13 anos? Agora pense de novo, e me diga, porque então em algumas culturas não é considerado crime? (Não estou aqui nem defendendo e nem sendo contra, apenas levanto a pergunta como exemplo de que o que pensamos ter tudo haver com o meio social pelo qual nos relacionamos)

Ou por exemplo, o canibalismo praticado em algumas culturas....se você tivesse nascido num destes contextos, onde o canibalismo fosse “natural”, será que acharia errado e absurdo como pensa atualmente?

Na questão da crença religiosa, você meu caro leitor cristão, o que acha dos hindus que prestam cultos e adoram vacas e ratos como animais sagrados?
Ridículo não é mesmo?

Mas o que você acha que os hindus pensam de você, que adora um homem chamado Cristo que foi crucificado e morto numa cruz como deus, pelo qual você celebra em sua homenagem uma ceia, onde o pão simboliza o seu corpo, e o vinho o seu sangue?
Eles também diriam que é ridícula a sua crença.

Mas o mais importante na questão da religião é que as pessoas acreditam no que o meio a sua volta acredita, ou seja, se você tivesse nascido em um pais onde o hinduísmo prevalecesse, certamente a esta hora você estaria de joelhos adorando vacas e ratos como animais sagrados!

Sendo assim, todos os nossos valores, crenças, morais, atitudes, pensamentos e até vontades não passam de uma roupagem social imposta e colocada em todos nós....não escolhemos quase nada, na verdade nós é quem somos escolhidos pelas escolhas, ou como diria no entender de Nietzsche, todos nós ao nascermos somos camelos, onde toda bagagem social e psicologia será colocada em nossas costas.

Mas fica ai uma pergunta: A grande questão não é se nascemos ou não já escolhidos pelas escolhas, (pois este debate já esta mais do que claramente vencido pelo determinismo, onde o maior e simples exemplo é que para começar, não escolhemos nascer, simplesmente nascemos e ponto!), mas se temos que continuar sendo escolhido por elas. Sendo o primeiro passo o questionar e confrontar tudo que absolvemos nesta longa estrada da modelagem social, o qual, tínhamos como verdades até então, absolutas e inquestionáveis.

A grande questão é: podemos mudar....ainda há tempo para se mudar, ou então, no mínimo, escolher continuar sendo escolhido pelas escolhas.
Porque a reflexão comprometedora é aquela pela qual corremos risco, pois colocamos em xeque tudo que aprendemos com o meio social, e isto gera angustias e conflitos infindáveis.

Tem que se ter muita coragem para se pensar que o “certo” pode ser na verdade o “errado” e que o “errado” pode ser o “certo”.

Para isto se faz necessário criarmos uma consciência por trás da própria consciência, que consiga analisar e pensar todos nossos pensamentos, ao ponto de criticá-los e, se for o caso, mantê-los, pois entre o pensar e o fazer, existe um abismo de diferença, onde o primeiro passo é questionar os próprios questionamentos, pensar os próprios pensamentos, para no final, conseguirmos enxergar e diferenciar o que em nós é maquiagem é o que é natural, sendo que mais tarde, o social se tornará em nós uma segunda pele!

Por: Marcio Alves

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Deus no banco dos réus: Culpado ou inocente?


Diante da miséria humana, da dor e sofrimento no mundo, as constantes tragédias, como também as catástrofes naturais, e o silencio absurdamente gritante de Deus, como sua ausência constante jamais interrompida, se Deus estivesse nos bancos dos réus, para ser julgado por toda humanidade, Deus seria declarado Culpado ou Inocente?

Vamos fazer o teste então, usando todos os recursos dos quais dispomos, como raciocínio lógico, senso de justiça e sentimentos, para julgar Deus do nosso ponto de vista, tentando assim, chegar a uma conclusão final sobre o veredito de Deus.

Eis algumas das acusações mais graves contra o “todo-poderoso”:
Seu silencio.
Sua ausência.
Dor, sofrimento e miséria humana.
Maldade humana. (Deus não poderia ter criado o homem com limites para se fazer o mal?)
Catástrofes naturais.
Acidentes e tragédias humanas.


Exercício de reflexão:
Deixar um bebê inocente e frágil, ser estuprado e brutalmente assassinado ou morrer por algum acidente, desnecessariamente, sendo que poderia ter sido facilmente salvo, é moralmente condenável, tanto racionalmente, como sentimentalmente?

Pense nisto; se fosse um homem que tivesse o poder de salvar esta criança, mas não o fizeste, sua omissão não seria tão culpada como se tivesse o matado?

Se você esta andando pela cidade, quando de repente se depara com uma criança indefesa e inocente parada no meio de uma avenida movimentada, se você pode salvar ela sem correr risco de atropelamento, mas não o faz, você se sentiria culpado?

Agora sim, depois de tanto pensar, aplique isto a Deus nas milhares de situações similares espalhada pelo mundo inteiro ao longo da historia humana, e sua constante ausência, ele é culpado ou inocente por não interferir?


Inocente por que Deus é:

1-Impotente.
Muitas vezes Deus quis impedir os vários sofrimentos desnecessários dos homens, mas com dor no “coração” e lágrimas nos “olhos”, simplesmente não pode fazer, pois é impotente diante da complexidade do sofrimento, injustiça e maldade humana.

Objeção: Se Deus foi capaz de criar tudo isto, como poderia ser impotente ao ponto, de não poder interferir no sofrimento humano?


2-Uma força consciente.
Deus apenas é uma energia ou força consciente, não tendo moral como os homens e nem muito menos sentimentos e emoções, portanto, não podemos condenar Ele, pois Ele está para além do bem do mal, do bom e mau, do justo e injusto de nossas atribuições e características humanas.

Objeção: Mas Deus continua possuindo o que torna Ele moralmente responsável que é sua consciência, então diante disto, Deus só não seria condenável se Ele fosse apenas uma energia sem consciência, mas ai não seria Deus, e sim o big-bang.


3-Nos deu liberdade por nos amar.
Deus é um ser altruísta e generoso que se esvaziou de Si mesmo, retirando sua presença do universo criado por Ele, justamente para que nós tivéssemos a maior de todas as dádivas que vieram com a vida; a liberdade.

Objeção: Ele podia ter criado um mundo melhor, com menos (ou nada) catástrofes naturais, fazendo da sensação da dor ser bem menos do que é, e pondo limites na maldade e crueldade humana.


4-Assim como nós não sabemos se Deus existe ou não, Deus também não sabe que nós existimos.
A teoria da evolução não estaria totalmente equivocada ao dizer que fomos evoluindo num processo de bilhões de anos, pois Deus ao criar o universo, sem se da conta, acabou por acidente nos criando, e por sermos tão minúsculos e insignificantes diante de um universo tão imenso (talvez infinito), e por ser Ele (Deus) tão grande de tamanho (talvez maior que o próprio universo, sendo o mesmo uma bolinha de gude nas mãos Dele), que Deus ainda não se deu conta de nossa existência, e, portanto de nossa dor e miséria.

Objeção: Culpado por sua incapacidade de nos perceber??


Culpado por que Deus é:

1-Nos abandonou a própria sorte.
Não esta nem ai para nós, simplesmente não liga para nosso sofrimento e dor, Ele fez com toda humanidade, o que uma mãe insana ou cruel faz com seu filho quando ele nasce: Simplesmente nos rejeitou, abandonando-nos, virando suas “costas” para nós, deixando-nos a própria sorte.

Objeção: Se Deus nos criou conscientemente, não há maior dignidade e bondade do que não interferir em nossa vida.


2-Um grande sádico.
Deus é mal e cruel, Ele nos criou com o propósito de se divertir com nossos sofrimentos, pois para vivermos, matamos, (vida se alimenta de outra vida) sabemos que a única certeza da vida é a morte, e isto trás angustia, o mundo é injusto, a vida é cega, os homens são maus.

Objeção: Deus infelizmente não poderia ter criado outro mundo melhor, apesar de ter problemas. (ou seriam defeitos de fabricação?)


Temos uma terceira via ainda, muito racional e lógica, mas como todas as hipóteses levantadas aqui também, têm objeção, que seria:

Deus não é nem culpado e nem inocente, Ele não existe, o que existe são os homens, e o Deus de suas imaginações e desejos.

Objeção:
Da onde surgiu o universo então? Problema maior é:
A matéria precedeu a consciência então? Podemos através dá consciência entender que uma consciência crie a matéria, mas não podemos se quer imaginar a matéria criando a consciência.

E ai, meu caro amigo leitor, conseguiu chegar a uma conclusão final? Qual das alternativas você escolhe? Deus, afinal de contas, partido sempre do ponto de vista humano – até porque, é o único ponto de vista que temos, pois não conhecemos e nem podemos imaginar-nos, olhando do ponto de vista de Deus – é culpado ou inocente?



Por Marcio Alves

domingo, 14 de novembro de 2010

O processo de “des-religiosamento”!

O processo da descrença ou do dês-religiosamento, ocorre em todo homem ou mulher, que um dia resolve se arriscar corajosamente a olhar por cima da cerca religiosa que a prende e impede de saber que o seu quintal não é o único a ter grama verde, que existem outros mundos além do seu.

Porém, este processo não acontece da noite para o dia, mas pelo contrario, são anos de um processo lento e até muitas vezes demorado, de desconstrução daquilo que um dia se acreditou como verdade única e absoluta.

E, esse mesmo processo de dês-religiosamento, passa por 5 fases distintas e ordenadas, porém interligadas, onde o sujeito religioso mesmo se vendo como um mesmo ser, só que vivendo de maneiras diferentes em diferentes realidades.

São elas:

1- Confrontação (ou questionamento)

Esta primeira fase é a mais importante, pois será a mola propulsora que realizará concretamente o processo de dês-religiosamento, pois sempre o aprender e decorar idéias serão muito mais fácies do que propriamente se desfazer dessas mesmas idéias.

Ele passa a ver que a realidade vivida por ele é diferente da crida através de sua crença, onde não mais aceita explicações infantis e ilusórios dos porquês de tantas contradições entre sua crença e o mundo onde ele vive, sente, respira e vê.

Além do mais, só percebe o quanto sua crença é boba e infantil quando olha para a crença do outro religioso, que assim como ele, pensa que a única verdadeira e a sua, e que as demais são todas enganosas e falsas.

Mais isto não ocorre por acaso, nem cai do céu, ou simplesmente o sujeito dormiu crente e acordou no outro dia cético, mas antes, se dá no individuo que sente que as verdades de sua crença são muito pequenas e insatisfatórias para o tamanho de sua mente questionadora e pensante, e para um universo infinito de possibilidades lógicas e argumentativas.

2- Negação (ou fuga)

É o estagio onde a pessoa mais sofre, onde ela literalmente agoniza, porém, isto também dependerá e muito do grau de devoção que ela se entregou a religião e seus mecanismos, e de sua estrutura emocional, psíquica, social e biológica.

Nessa fase também é onde o sujeito religioso mais se vê confuso, ora desacreditando na sua crença, ora reafirmando a mesma, mas sempre desejando em seu coração que ela seja verdade ou que o conhecimento para qual a sua mente despertou, tivesse continuado adormecido.

Essa fase é a mais decisiva de todas, onde a pessoa escolhe continuar mantendo os passos firmes, rumo ao total dês-religiosamento, ou, simplesmente fecha seus olhas para a realidade negando tudo que ouviu, viu e pensou até aquele momento, se lançando no abismo escuro da fé.

3- Revolta (ou depressão)

Esta fase só pode realmente passar por ela que já viveu e ultrapassou as primeiras fases básicas do processo de dês-religiosamento.

O sujeito antes religioso, já nesta fase não acredita mais em nada ou quase nada de sua antes fé e religiosidade, passando agora a viver uma vida muito perigosa, pois poderá se entregar da mesma forma que outrora tinha se entregado para a religião, só que agora, para os vícios deste mundo.

Portanto, é a face que se tem que tomar maior cuidado, pois a pessoa pode acabar se autodestruindo e até mesmo prejudicando as outras pessoas que nada tiveram haver com sua então crida e fanática vida de religiosa.

Mas também é a fase de maior tristeza, podendo se chegar até na depressão, pois passará a descrer que sua vida tinha um propósito já determinado por Deus, entrando no vazio da existência, onde se entregará aos vícios que o desejo de preencher o vazio e a falta de sentido deixado pela religião lhe trouxe.

4- Conformismo (ou aceitação)

É a fase que o sujeito cansado de brigar contra Deus e o mundo, religião e fé, chegará, pois não verá outra alternativa se não aceitar o fato de que as crenças são invenções humanas, onde até Deus é uma possibilidade e não uma certeza como antes suponha e cria.


5- Maturidade (ou responsabilidade)

É a última fase, que o tempo para se chegar dependerá do tempo de digestão de cada sujeito religioso.

Passará a viver a vida pelo fato de viver, já que aqui venho, sem pedir ou escolher para nascer, tentará viver a sua vida da melhor maneira possível, tentando também fazer da vida das pessoas que amam, uma vida igualmente boa.

Só pode chegar nesta fase quem já passou pela crise existencial religiosa, pois esta, não é somente uma crise como todos os seres humanos passam, mas uma crise que somente o religioso de verdade, aquele que se entregou de corpo e alma para a religião, experimenta e vive.

Portanto, só poderá dizer “Deus não existe” ou “toda religião é ilusão e infantilidade” quem uma vez já disse “Deus existe” e “minha religião é única e verdadeira”!

Por: Marcio Alves


Observação: Texto escrito e embasado não em livros produzidos por pensadores de escrivaninhas, mas baseado na própria experiência do autor e da observação cuidadosa e analítica que ele teve sobre outras pessoas e até amigos, igualmente religiosas que passaram pelas mesmas fases, diferenciando apenas, na reação de cada um.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A fé como remédio para o desamparo


Nosso nascimento é constituído de uma ruptura bruta, onde a criança outrora se encontrava no aconchego, segurança e conforto que era o útero da mãe.
Quando ocorre isto, nasce a primeira marcante experiência do desamparo que irá nos acompanhar para o resto de nossas vidas, como condição inexorável de nossa 'condição humana.



"O problema dessa ilusão criada pelo religioso é que o remédio pode viciar a pessoa, deixando-a dependente e debilitada, portanto, quem prega Deus para as pessoas, prega a morte do Ser humano".



Devido principalmente a isto é que o ser humano religioso irá projetar em Deus, seu amor e desejo.

Amor, pois o imaginará como um pai super protetor, que cuida dele, ora livrando do mal, ora abençoando com bens materiais, e desta maneira, se sentido novamente confortável e seguro, só que desta vez, no colo de Deus.
Mesmo que as circunstancias sejam as mais adversas possíveis, pois criará mecanismos de defesas para sua fé.



"E também irá projetar seu desejo em Deus, pois o maior desejo humano é ser desejado pelo outro. Diante disto, se Deus existe na cabeça do religioso, logo seu maior desejo será ser desejado pelo maior Ser do universo".


Se o sujeito não foi impedido por "Deus" de passar por uma situação contraria em sua vida, aprenderá a justificar seu infortúnio, mas jamais questionará a sua fé na projeção que ele mesmo colocou em Deus.

Poderá dar muitas desculpas, entre elas “porque Deus sabe o que faz, e nós que não sabemos o porquê dele fazer”, ou “Ele está provando a minha fé”, ou ainda “É que faltou mais fé em mim para Deus operar”, ou mais ainda “É que ainda não chegou o tempo de Deus na minha vida”.



"Se o sujeito não foi impedido por Deus de passar por uma situação contrária em sua vida, aprenderá a justificar seu infortúnio, mas jamais questionará a sua fé na projeção que ele mesmo colocou em Deus".


E também irá projetar seu desejo em Deus, pois o maior desejo humano é ser desejado pelo outro.
Diante disto, se Deus existe na cabeça do religioso, logo seu maior desejo será ser desejado pelo maior Ser do universo.
Tendo mais uma vez, alivio e conforto, como um remédio sobre a dor do desamparo.

O problema dessa ilusão criada pelo religioso é que o remédio pode viciar a pessoa, deixando-a dependente e debilitada, portanto, quem prega Deus para as pessoas, prega a morte do ser humano.



"....o Ser humano religioso irá projetar em Deus, seu amor e desejo".



Quando digo morte do ser humano, eu quero dizer morte de sua potencialidade e capacidade...Quando a sua fé em Deus o torna cômodo com a situação adversa em sua vida, pois sempre jogará para as costas largas de Deus, a responsabilidade de resolver seus problemas, anulando assim, toda potencialidade e capacidade humana.

O homem não precisa de Deus, muito menos do Deus de sua imaginação.

O que ele precisa é em si mesmo de encontrar fazendo seu próprio sentido na vida, de peito aberto e com coragem existencial enfrentando a dor do desamparo, pois se não, sempre se tornará refém da religião que manipula as pessoas, justamente em nome do Deus coletivo imaginario.


Por: Marcio Alves

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Meu crer na descrença e minha descrença no crer



Não busco mais um ser fora de mim, que habita em luz imarcescível, onde olho nenhum conseguiu vê, pensamento imaginar, coração sentir, mãos a palpar, intuição perceber, se quer experimentar.
Mas também não sou contra as pessoas que vivem dizendo que sente, pensam, vê e até que escutam sua voz, afinal fantasma não existe, mas é uma coisa que muita gente jura ter visto.

Não vivo no extremo da convicção religiosa que afirma existir deus, mas também não me encontro no pólo da negação ateia de dizer que ele não existe.
Se por um lado é fantasia acreditar que um ser do nada surgiu para então do nada criar tudo, por outro, é mágica a idéia de que do nada tudo se fez sozinho através de uma explosão.

Creio e tenho fé na duvida, mas duvido da certeza da fé.
Creio no não saber, tenho como resposta a não resposta, minha convicção é a não convicção, meu caminhar é pelas sombras escuras do mistério da vida, navegando pelo oceano das incertezas, trilhando o caminho espinhoso e pedregoso da existência.

Minha sina é não poder saber, se quer ter certeza do que acontecerá após a morte.
Mas ao mesmo tempo em que a morte é um enigma não desvendado por nós, apenas crido e esperado por uns, negado por outros, é por mim anulado tanto a certeza que diz para mim o que será, quando a negação que diz que nada depois existirá.

Tenhamos calma, não precisamos nos desesperar, cada coisa ao seu próprio tempo, um dia iremos morrer e ai, ou saberemos por continuar tendo consciência, ou saber por justamente não saber por não termos mais consciência, justamente por não mais continuarmos existindo.

Vivo uma vida de anulação de deus, não afirmando sua existência, como também não afirmando sua negação, mas antes, não pensando mais sobre ele, se quer vivendo preocupado ou tendo uma obrigação moral para com ele.
Acho até ser mesmo de sua vontade, se é que ele tem vontade, e ainda mais se é que ele é ele, pois não quis se revelar, mostrar sua cara, manifestar sua presença, fazer ouvir sua voz, compreendida sua existência.

Só sei que quando me dei conta do “meu crer na descrença e minha descrença no crer”, me tornei livre para pensar sem os cabrestos obscurecidos da religião. Agora nunca mais serei um escravo tendo um senhor e mestre para comandar minha vida, eu sou meu próprio deus, como meu próprio demônio, onde posso criar como também destruir minha vida. Meu destino, minha sorte, como meu trilhar pelos caminhos da vida, são totalmente de minha escolha e decisão. Assim sendo, fantasmas, deuses e demônios representam apenas mitos criados pela fértil imaginação humana.

A única coisa que agora espero mesmo, desejando ardentemente é demorar em descobrir isto tudo, pois isto significará que vivi bastante....deus, anjos, demônios, vida após a morte, podem esperar mais um pouco, agora o que eu quero é somente viver esta vida sem me preocupar com o que será depois dela, pois pode ser que nunca venha descobrir.



Por: Marcio Alves

sábado, 7 de agosto de 2010

Jonh, o cristão (precisamos da religião?) parte final



Finalmente! Jonh se libertara dos processos neuróticos do fanatismo ilusório cristão!
Agora já adulto, com sua mente muito mais aberta, depois de tanto olhar para a vida e refletir, tendo literalmente quebrado sua cabeça, morreram em seu coração, como que apagaram de sua mente os muitos conceitos evangélicos.

Agora não mais precisava dos narcóticos delirantes evangélicos que muito mais anestesiavam os seus problemas na vida, do que propriamente os solucionavam.
Tivera fibra e coragem para de peito aberto encarar as vicissitudes da vida com suas tragédias e contingências, ao mesmo tempo em que abraçava a beleza e feiúra da vida.

Não tinha mais seu pé de apoio na religião, nem jogava para as costas largas de deus seu infortúnio como também não mais nutria expectativas deixando nas mãos de Deus o que ele mesmo tinha que ter coragem para enfrentar e realizar.

Deixou de dar dízimos e ofertas nas igrejas para enriquecer pastores inescrupulosos, que ajudava muito mais a levantar e sustentar impérios do que propriamente proclamar o evangelho, para dar nos orfanatos e asilos que careciam de ajuda.
Nunca mais se sentiu culpado por manter relações sexuais com a sua namorada.

Se antes ele não participava de festas de aniversários e casamentos, agora ele procurava ansiosamente para festejar a vida que deve ser valorizada e vivida e não postergada por causa de uma crença sem provas de uma vida alem morte, pelo simples fato de não trocar algo que já tem por um que nem sabe sem vem mesmo, ou então, mesmo que exista, não se sente condenado a não poder participar, pois entendia que a raça humana estava toda em pé de igualdade diante de Deus, habitando no ser humano tanto luz como trevas, sendo assim, ou Deus se fosse salvar, salvava todo mundo ou não salvava ninguém.

Porém Jonh entrou num caminho perigoso sem moderação e controle, começou a usar e abusar radicalmente de tudo antes que ele não podia e, portanto se reprimia, até os seus desejos mais intensos e violentos.
Não sabendo que estava sendo mais uma vez influenciado negativamente pela religião, só que agora ao contrario, pois tudo que era proibido antes, agora era experimentado por ele sem equilíbrio.
A religião fez mal a ele duas vezes: na primeira o proibindo, na segunda por ter proibido demais agora ele extravasava os seus instintos sem limites.

Jonh não respeitava mais nenhuma religião, nem as leis civis do estado, não ouvindo os conselhos de sua própria mãe que já estava idosa, desprezando a ajuda de seus amigos, e por não acreditar mais que existia céu e inferno, nem muito menos Deus, Jonh anulava riscando por completo a moral e a ética de sua vida, como também, o único pensamento que tinha era o de apenas aproveitar, vivendo o máximo dos prazeres da vida.

Era todo dia, indo a boates, bebendo até passar mal, saindo com todo tipo de prostitutas, não se protegendo, tinha suas relações sexuais sem camisinhas, e até mesmo, mergulhava no mundo da droga, experimentando tudo que lhe era oferecido, cocaína, maconha e até craque, se tornando um dependente químico, começou a roubar, e finalmente, até mesmo a matar as pessoas por causa de algum dinheiro.

Tendo experimentado de tudo, aproveitando a vida da sua maneira, caiu no tédio de ter os seus desejos satisfeitos, e como não tinha a religião para buscar mais sentido existencial, ele não agüentou o vazio na alma, e resolveu acabar com sua vida.

Foi no dia 23 de março, de 2007, aos 30 anos, que Jonh viera a se suicidar.
Pegando sua arma 357 Magnum prateada que tantas vidas tirou, abrindo sua boca, a colocou dentro, engatilhou, e sem hesitar, puxou o gatilho da Magnum e.......

Este foi o fim trágico de Jonh, que teve sua vida inteira vivida na religião evangélica, sendo que era a mesma que dava sabor, cor, cheiro e vida a sua vida.
Quando os seus olhos se abriram para a realidade da vida, perdeu os encantos e ilusões da religião, não encontrando mais sentido em nada neste mundo, e não agüentando o peso esmagador de viver, tirou sua própria vida.

Fim


Por Marcio Alves

sábado, 31 de julho de 2010

Jonh, o cristão (racional ou incrédulo?) parte 2


Com o passar do tempo, quanto mais Jonh mergulhava de cabeça, corpo e alma nas doutrinas bíblicas, mais ele ia absorvendo e decorando tais ensinamentos que eram anunciados através das pregações como também dos louvores, assim como dos testemunhos dos fieis.
Mas em um fatídico dia, Jonh teria uma experiência que mudaria sua vida religiosa e maneira de conceber o mundo para sempre, nunca mais voltando a ser o mesmo e velho Jonh de antes.

Sua irmã que era crente fiel e muito temente a deus chamada de Cristina, a qual por toda vida sempre serviu a deus com maior dedicação e empenho, de tal forma que era tida como a crente mais fervorosa de toda igreja, foi juntamente com sua filha de 6 anos numa viagem missionária para um outro estado, para evangelizar pregando a palavra tida como de Deus, tivera sua única filha estuprada e brutalmente assassinada nesta mesma viagem.

Aquilo foi como um balde de água gelado jogado em cima de uma grande fogueira que era a fé de Jonh em Deus.
Não encontrou explicação plausível do porque de Deus ter permitido tamanha barbárie sem que tivesse impedido tal ocorrido.
Justamente ele que cansara de ouvir testemunhos de milagres, não vira isto acontecer, justamente na hora em que mais precisava.

Embora muitos crentes quiseram e tentaram dar explicações ao ocorrido dizendo que “deus tinha um propósito no estupro e morte da sua sobrinha” ou “foi o diabo que para desanimar ela de fazer a obra de deus, usou um vaso seu para estuprar e matar aquela criança” ou ainda “deus sabe o que faz, nós é que não sabemos” ou até mesmo que “há mistérios que só serão revelados no grande e ultimo dia” não satisfaziam e curavam sua ferida, muito pelo contrário, aumentava mais e mais seu rancor contra deus.

Passando algumas semanas, ele observou ainda o ocorrido do tsunami asiático que matou 280.000 pessoas, dentre elas muitas crianças inocentes.
E a cada acidente, tragédia, morte, estupro e doenças, ele se perguntava a onde estava o deus dos milagres que os crentes tanto propagandeavam que operava sinais medíocres como livrar um crente de assalto, abrir porta de emprego para outro, curar dor de cabeça, nariz e até cotovelo, mas não ajudava socorrendo bilhões que estavam a mercê das agruras da vida.

Através disto, ruíram suas certezas inabaláveis da fé cristã, abriram-se as portas da duvida e ele começou a raciocinar, questionando tudo que outrora foi ensinado para ele como verdades inspiradas por Deus.

Ele observou através das lentes do mundo que toda religião dizia dela mesma ser salvadora e a única verdade.
Entendeu que ele acreditava no acreditava muito mais por ter herdado da tradição de seus pais que por sua vez herdaram da cultura social do país em que eles moravam do que ser um pensamento pensado por ele mesmo.
Constatou que toda religião era manipulativa se promovendo através do castigo do inferno para aqueles que não crêem, como um céu esplendoroso para aqueles que fossem seus adeptos fieis.

A cada questionamento mais e mais sua fé ruía diante da duvida, e ele pouco a pouco ia perdendo seu chão existencial, sua segurança e comodidade nas crenças para dar lugar a um vazio de incertezas e medo.
Mas ele compreendia que aquele era um caminho sem volta em que os seus olhos tinham sido abertos, não por palavras ou livros que lera, mas antes pela própria vida com suas contingências.


Continua..........................................


Por Marcio Alves

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Jonh, o cristão (convertido ou alienado?) parte 1


Jonh nascera num lar de tradição e crença evangélica, desde muito cedo aprendera os ensinamentos herdados de seus pais, que por serem crentes eram bem rigorosos na doutrinação de seu filho mais novo Jonh.

Jonh crescera nutrindo uma imagem negativa de Deus por causa da religião de seus pais, que colocavam medo nele dizendo: “Filho cuidado por onde você anda, o que você vê, o que você fala, e o que você faz, pois o papai do céu esta olhando para você, e ele esta em todo lugar que você vai, te vigiando 24 horas por dia”.

Na transição da fase da adolescência para a da juventude, Jonh resolvera se converter de vez aos preceitos evangélicos, assumindo o compromisso de servir ao Deus dos cristãos.
Passou a ler a bíblia muito mais dedicadamente, deixando de lado suas revistas outroramente prediletas da Marvel e Capcom, não faltava estando presente em todos os cultos diários, mesmo quando era para ir a uma festa de aniversario ou casamento, se consagrava diariamente na oração e jejum, e tentava não cometer os pecados tidos como abominação, pois tinha medo de que o Deus que seus pais lhe ensinaram, viesse puni-lo, já nesta vida, como também futuramente condenando- ao fogo eterno do inferno.

Mas Jonh por se achar um escolhido de Deus, via a si mesmo como a “ultima coca-cola no deserto”, sempre esperando que Deus viesse resolver os seus problemas. Nunca saia de casa para qualquer lugar, sem antes fazer uma oração pedindo a Deus proteção e livramento. Até mesmo para tomar decisões ele precisava orar pedindo uma direção e decisão de Deus.

Vivia uma vida muita ascética e rigorosa, assim como os seus pais, se abstendo dos prazeres mundanos da carne, pois entendera que aquilo era que agradava a Deus e que o conduziria para morar num céu eterno de gloria, de tal maneira que chegava a ser irresponsável e negligente com a sua vida presente, porque a final de contas – pensava ele – “se nesta vida aqui vou viver no máximo mais ou menos 70 e/ou 80 anos, e depois que eu morrer me espera ou um céu maravilhoso ou um inferno horroroso, sendo ambos eternos, então logo, meu principal objetivo é viver aqui da melhor maneira possível usando como uma ponte para me levar para o melhor lugar de todos”.

Era este tipo de pensamento e perspectiva que o consolava e mantinha a chama da inveja sob controle, de ver seus amigos ímpios curtindo a vida pra valer nas farras, e ele lá, de terno e gravata debaixo de um sol escaldante, todo suado, indo com a bíblia debaixo dos braços para o culto, mortificando os seus desejos mais íntimos e fortes, pois dizia para si mesmo: “Jonh, você é que um cara esperto, eles são bobos, pois você esta sacrificando sua vida aqui, para morar no céu de ruas de ouro e cristal, numa mansão celestial, enquanto eles, que estão aproveitando o máximo esta vida, caminham de passos largos para o inferno”.

Mesmo assim, Jonh que tentava a todo custo mentindo e enganando a si mesmo, seguir no seu objetivo máximo de ir para o céu quando morresse, lá no fundo do seu coração e inconsciente, ele desejava nem que fosse por um minuto apenas, se lambuzar na lama do pecado com os porcos, que ele julgava serem os seus amigos ímpios. Não obstante a tudo isto, ele chegou na sua vida juvenil a transgredir um dos maiores e principais mandamentos evangélicos, a saber; o de ter tido relação sexual com sua vizinha.

Apesar de ter tido um prazer indizível, não foi, contudo total, pois ele se sentiu culpado na hora e pior ainda depois do ato sexual, pois em todo momento da relação, aquela velha frase de seus pais assaltavam seu pensamento, de que o grande e poderoso olho divino estava contemplando tudo que ele fazia de errado.
Tanto isto é verdade, que seu primeiro sentimento após a relação sexual, foi de sentir nojo de si mesmo, se vendo como podre.

Pobre mesmo foi da moça que se sentiu a pior das mulheres por ver que ao invés de prazer tinha dado para Jonh um sentimento horrível, e sem entender nada ela se vestiu rapidamente e foi correndo embora chorando traumatizada por ser tão rui na cama.


Continua..................................


Por Marcio Alves

domingo, 4 de julho de 2010

Corrompendo a "fé" através da religião


Fé nasce do e com o individuo que mais tarde será sendo o que é na influenciação externalizada de seu nascimento e amadurecimento, internalizando as “verdades” objetivas lançada-as no “ar” pelos vastos e radiantes pensamentos religiosos por homens com um forte poder de irresistível e intocável oratória e eloqüência, que persuade mais por sua fala e convicções, tendo um imenso e sedutor carisma, que são capazes de arrastarem multidões de incautos e ignorantes, que se tornaram poderosos conhecedores, mas ainda sim, reféns dos multi-sistemas das mais variadas religiões e suas incontáveis interpretações de cada vertente.

Porém mais tarde na caminhada religiosa do sujeito religioso, não será possível separar distinguindo a fé nata das milhares e milenares crenças das tradições aprendidas, pois estarão de tal forma interligadas e vivenciadas, que não se poderão saber onde começa um, e termina outro, pois uma vai construindo a outra, se incorporando e encorpando na codificação e sistematização da fé na crença do que crer, sendo a fé do mesmo não carecendo mais de constatações e explicações, muito menos ainda de provas, pois se é, na interiorização, sendo apenas difundida o que já esta petrificado dentro do individuo.

Ao passar dos anos, quanto mais o tempo passa, com o sujeito dentro, envolto e absorvendo os conteúdos da mesma, mais difícil será para ele criticar analisando, se quer ainda questionar as pretensas verdades ensinadas e contidas como absolutas, pois entregou e mergulhou de tal maneira a sua vida para aquela tradição de fé, que o sentido último de sua vida é a sua própria fé naquela crença, que de tanto ele crer já se tornou e transformou ele mesmo em sua própria fé, preferindo a morte do que o abandono da mesma, pois ele é o que a fé diz e fez ele ser.

Corrompe-se um ser não pela fé do próprio apesar de usar a mesma, mas pelas pressões e influencias que são exercidas e impostas sobre ele, acorrentando os seus pensamentos que antes eram seus, mas que agora não passam de meros reflexos do espelho grupal dos que estão a sua volta, quer sejam por promessas fantasiosas tanto como melhor sorte nesta terra do que os demais que assim não crêem, como também por ameaça de inúmeros supostos castigos e punições divinas, sendo o carro chefe da benção o céu, já o do castigo, o fogo eterno do inferno.

Mesmo que as inúmeras religiões consigam influenciar as pessoas positivamente, ainda sim será má, pois não será o natural do sujeito, mas antes meros esforços empreendedores onde se gasta energia física e mental para anular a sua essência, quer seja para realizar atos bons, ou para impedir ações ruins, que no final, não conseguirão sustentar, pois elas não passam de atitudes superficiais forjadas pela manipulação, que não deixa de ser, mesmo sendo boa ou rui, pois não faz parte da integridade e composição do sujeito que assim procede.

O natural da fé surge no individuo cansado de todas as roupagens religiosas, que irrompe com todas as tradições, sendo agora muito mais uma questão de sua própria analise e pensamento de sua fé, mesmo que seja esta nua de quaisquer doutrinas e certezas dos inúmeros seguimentos religiosos professos, pois não mais tem ele um seguimento a defender, estando aberto e exposto a universalidade e pluralidade de religiões no mundo existentes, sendo a sua nada mais do que a mais simples e pequena, porém a imprescindível certeza do saber do grande Assombro, e mais nada, sendo tudo e em todas as religiões postas em cheque, pois o seu crê superou o conflito religioso de procurar a verdade, pois sente que não há mais uma verdade, mas todas não passam de meras experiências subjetivas, portanto, uma única fé que esta embasada no Ser que é, não precisando mais da intermediação da religião e nem de seus muitos códigos.

Escrito por Marcio Alves

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Por que Deus nos criou?


Estamos ao mesmo tempo em que somos deste mundo, nascemos mesmo sem perguntar-nos se queríamos vir a existir. Fato este é que gostando ou não gostando, por alguma razão, vontade, decreto ou até mesmo acidente cósmico, passamos a existência.

Partindo da premissa que fomos criados por Deus, porque ou para quê fomos criados?

Pior do que a não resposta, só mesmo as convictas respostas carregadas com ares de absoluta segurança, de quem nunca teve, mas fala parecendo que chegou a ter, a oportunidade de estar cara a cara com o criador para ter afinal de contas, tanta certeza assim.

Muitas são as respostas, porém pouco ou nenhuma são os inequívocos, e ao que tudo sugere, vamos ter que ficar mesmo satisfeitos em não ter respostas e pararmos de questionar, deixar pra lá, ou então, passaremos as especulações.

Escolhendo a segunda opção, para um exercício de pura reflexão, passemos então a considerar as possíveis respostas que se não atendem satisfatoriamente resolvendo à problemática, todavia nos faz pensar.

Longe de exaurir a questão com todas as respostas prontas, quero expor alguns grandes pensamentos, e a partir daí, incentivar os leitores a ponderarem sobre a questão e desenvolverem suas próprias conclusões.

A primeira e mais forte, mais comumente aceita pelos religiosos é que deus nos criou para sua gloria.
É como se deus estivesse cansando de ser que ele é, e não ter ninguém para aplaudi-lo e reverenciar, e então motivado por pura soberba narcisista cria toda criação para adorar eternamente a ele.

Mas isto faria deus ser menor do que ele é, pois tem necessidade de ser adorado, não bastando em si mesmo, o que me deixaria frustrado, pois fui criado para ser um ser eterno que bajulasse eternamente deus.

Ou será que ele nos criou mesmo por puro prazer e diversão cósmica?
Onde não passamos de fantoches em suas mãos toda-poderosa?
Onde ele micro como macro gerencia as nossas vidas, determinando todas as nossas ações?
Nós divertimos a ele com nossas desgraças, sofrimentos, dor e angustias?
Então na verdade não passamos de meros brinquedinhos divinos?

Isto seria pior do que a primeira opção, pois não passo de bonequinho nas mãos de deus.
Onde vivo uma ilusão, pensando que as escolhas que fiz ou farei, foram todas minhas decisões, o que na verdade não passou de um jogo de videogame divino.

Mas existe a possibilidade de deus ter nos criado, dado corda no mundo, tal como um relojoeiro que dá corda em seu relógio, e depois disto deixou a todos nós aqui com plena liberdade, não interferindo em nada do que acontece no mundo, sendo apenas nós e mais nada.

Mas se assim for, deus seria um “ser” que nada tem de sentimentos, mas apenas uma consciência universal não tendo qualquer moral ou vontade, o que nos deixaria meio que em pânicos, pois afinal das contas somos apenas nós.

Mas o que dizer da possibilidade dele ser uma força cósmica, o qual os cientistas ou ateus que não crêem num deus pessoal, atribuem o nascimento do universo a um big-bang, mas isto talvez aumentasse nossa angustia, pois seriamos então um acaso cósmico, nascidos sem quaisquer propósitos divinos.

Mas uma explicação que começa a ganhar força entre os pensadores modernos é a chamada teologia do processo, o qual diz que deus nos criou para relacionamento.

Então logo a nossa existência estaria fundamentada no amor dele por todos nós, sendo nós o seu parceiro na construção de um mundo melhor.
Admito que isto dignifique o homem, colocando ele ao lado de deus, sendo o mesmo sujeito na e da historia.

Mas o que sei mesmo é que nada sei e que provavelmente nunca saberei, restando-me apenas e tão somente viver a vida, independentemente de ser mesmo vontade ou ter alguma razão divina, pois se o grande Ser nos criou mesmo, ou não deve ter propósito algum, ou então não achou que fosse necessário nós sabermos, então sendo assim, vivemos também a vida sem nos preocupar com ele, pois teve – se é que teve mesmo – a honradez de nos dar plena liberdade sem interferir na mesma, sendo o que a teologia chama de deus abscôndito.


Marcio Alves

domingo, 23 de maio de 2010

Utopia “religiosa”


Ontem sonhei um sonho onde vivia em um mundo onde as religiões não existiam mais, devido ter sido extintas, pois em cada alma humana havia a consciência e responsabilidade individual e coletiva de que para viver melhor uma vida qualitativa não precisavam recorrer às fantasiosas e falsas promessas de um futuro melhor e nem muito menos serem manipulados por quaisquer poderes autoritários, pois em cada ser havia o comprometimento de transformar o mundo em um melhor lugar, fazer já de algo existente um paraíso ao invés de esperar por um que nunca vinha, onde era muito mais uma questão de fé do que factual.

Contemplava no meu sonho que as pessoas já não mais oravam neuroticamente e nem esperavam anestesiadamente por intervenções divinas em seus problemas cotidianos e existenciais, mas antes, arregaçavam as mangas e iam para luta da sobrevivência e vivencia numa melhor situação. Os seres humanos fardos de promessas ilusórias de um outro lugar, melhoravam a cada dia mais o nosso tão sofrido planeta terra, respeitando muito mais e lutando pela preservação do sistema ecológico, pois se concentravam apenas aqui, em trabalhar pelo que já tinha nas mãos, valorizando o presente ao invés de simplesmente esperar e jogar para um futuro paradisíaco.

Neste meu sonho, as pessoas não mais ajudavam o próximo esperando receber alguma recompensa, ou para ter que agradar a Deus, antes fazia de bom coração pelo próximo, sendo sua motivação e seu próprio fim o próximo, que estava necessitado, pois tinham uma consciência coletiva e uma solidariedade ligada a toda raça humana, de ver no outro a sua própria face, onde o sofrimento de um era também o sofrimento do outro.

Não havia mais templos luxuosos e nem sequer salões religiosos, pois todos entendiam que ao invés de sustentar impérios religiosos, investiam o dinheiro em pessoas e em projetos comunitários, em construções de asilos, creches para crianças, aumentaram e muito, a quantidade de hospitais públicos, todo dinheiro que era dado para a igreja para sustentar pastores ricos e para abrirem muitas igrejas e pagarem altíssimos programas televisivos, com a desculpa de propagar o reino de deus, que na verdade não passava de justificativa para difundir o próprio império humano, agora era revertido para causas muito mais nobres de ajuda ao necessitado.

Chorei quando vi Deus lá no céu com um sorriso largo estampando no rosto, com lagrimas correndo pela sua face, de olhar para terra e contemplar um mundo onde havia cessado até mesmo as guerras, não mais existia violências e crimes, onde todas as cadeias tinham sido destruídas, para dar lugar a todo tipo de edifício de ajuda humanitária, onde todos os homens, mulheres, crianças e idosos, davam as mãos e batalhavam incessantemente e arduamente em reverter o caos da terra, é tudo isto, sem precisar ou mesmo pedir ajuda para o grande Ser, pois finalmente tinha entendido que tudo que acontecia no mundo é de total responsabilidade humana e não de Deus, portanto, não havia mais nenhuma religião, ou até mesmo qualquer facção fosse política ou social, pois todos eram um, ligados na universalidade do amor e solidariedade.

Agora a única crença que restava para a humanidade era a fé no Assombro e na vida, pois todos unanimemente entenderam que não precisam de qualquer religião, pois o que mais importava para elevação e construção humana era o amor uns pelos outros e a certeza que Deus agora não precisava mais ficar vigiando tal como um pai a tomar conta de seu filho que ainda é um bebe indefeso, pois a raça humana tinham juntos, chegado a idade da razão e plena expansão da consciência.

Por: Marcio Alves