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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Jesus Cristo: Reverencia de um ateu pelo maior homem da historia humana!




Por: Marcio Alves

Naqueles e por aqueles dias, emergindo em um contexto sócio-cultural do imperialismo do autoritarismo e poderio bélico romano, brota uma figura inusitada, frágil, pobre e desprezível, com sua mensagem as avessas do ideal político-econômico, contrariando a lógica e caminhando rumo a desconstrução do senso de que o mundo é dos fortes e dos espertos, que não tem vez para os excluídos e execráveis, marginalizando duas vezes o indefeso: uma por sua circunstancial e envolvente situação, e outra por discriminação social de sua contraditoriedade existencial que na luta pela sobrevivência é deixada como escoria do mundo.

Mas pelo carpinteiro que em seu peito explodia a implosão de uma revolução, virou a mesa, mudou o jogo, inverteu a ordem da fila, dizendo serem os últimos justamente os primeiros, proclamando a chegada de um novo reino, que não era deste mundo, mas paradoxalmente pousava nos corações dos filhos dos mortais, na enunciação da chegada do reino que estava próxima, não dizendo no sentido geográfico ou temporal, mas antes que estava acessível à acessibilidade e sensibilidade dos mais injustiçados justos, no ser que não escolhe a sina, mas é escolhido pelas fatalidades desta vida pela sorte ou azar do jogo da vida, que premia uns, para deixar a própria sorte outros.

Acolhe os abandonados e feridos, confrontando os poderosos, nem mesmo os que se auto-intitulavam serem os escolhidos de Javé, defende a vida diante de uma religião que é contraria a mesma, muda a estrutural e monopolizante concepção de Deus que era o reflexo dos déspotas, reis e dominadores daquele mundo, colocando em si e de si a nova reformulação da identidade de Deus, chamando o de Pai de todos e sobre todos, incluindo os excluídos, não mais como propriedade peculiar e exclusiva de um povo, ou uma facção religiosa, antes abrange todos os seres, fazendo o eco de sua voz soar nos ouvidos surdos dos que não mais tinha esperanças, para bater a estaca do chamado universal aos miseráveis, doentes e promíscuos, de que seu reino está perto de todos e é para todos, onde não há melhor e nem pior, sendo assim, um reino de amor e de justiça.

Leva até as últimas conseqüências, tendo e vendo na própria sina do destino fatal de ter ousado se levantar e protestar contra os poderosos a favor do povo pobre e massacrado, a cruz como apogeu e momento histórico, de gritar através muito mais de sua morte do que em vida, fazer impactar corações não somente naquele tempo para aquela sociedade, mas para o mundo, numa mensagem atemporal e acima de tudo, manchada e glorificada com seu próprio sangue, não mais e apenas escrito em papel, mas imortalmente na alma de todo mortal, sabendo que para todo sempre, sua morte não seria vã, mas antes o divisor de águas para um mundo mais justo, com pessoas mais amáveis e mostrando em e com seu próprio corpo o maior preço já pago em amor a humanidade.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Meus “pecados” de ateu




Por: Marcio Alves

Sim! Confesso! Sou um ateu-pecador, não sou digno dos grandes nomes do ateísmo como Nietzsche, Max, Freud e Sartre. Justamente o contrário! Não mereço o rotulo de ateu, pois nem de longe represento com entusiasmo o ateísmo militante. Hoje, consciente e mais maduro de minha condição de “miserável” ateu, sei que não posso mais levantar a bandeira tremula do ateísmo, e, propagar com vigor arrogante, aos quatro cantos da terra, batendo orgulhosamente no peito, que sou um autentico e genuíno ateu.

Meus pecados de ateu são mais altos que os prédios arreia-céus de São Paulo, mais profundos que o pular de paraquedas de um avião, e mais sujos que o rio tiete. No entanto, estou satisfeito por ser um ateu diferente, ou até mesmo considerado um ateu falsificado, ou incompleto, pois abomino a ideia de qualquer perfeição, e, não quero ser exemplo pra ninguém, nem mesmo para os ateus, não quero ter que carregar este fardo pesado de ter que parecer perfeito, por ser considerado modelo.

Quero continuar assim, sendo eu mesmo, com minhas imperfeições e escolhas, de poder transitar o pensamento entre uma corrente e outra. Não saí da gaiola da religião evangélica, para ficar preso em outra, agora do ateísmo, pois para mim, mas vale a liberdade de poder escolher e voltar atrás nas escolhas, do que me petrificar congelado em uma só posição de pensamento e visão de mundo.

Sim! Continuo ateu, mas carrego dentro de mim, fagulhas de um passado glorioso, embora algumas vezes, sujo pela lama das neuroses e crendices religiosas.
Por não negar o meu passado igrejeiro, de onde nasci e vivi até a 2 anos atrás, confesso meu pecado de as vezes me pegar ouvindo um hino cristão. E não porque alguém colocou e acabei tendo de escutar forçado, mas, de propósito, por vontade, de digitar no Google um cantor (a), por exemplo, “Cassiane”, ou grupo musical como o “Voz da verdade” evangélico, para me delicia dos louvores cristãos, com suas letras belíssimas, com sua melodia suave, que faz estremecer meu coração, que faz a velha criança que ainda habita em mim, se emocionar e lembrar de muitas experiências evangélicas inesquecíveis, de amigos evangélicos que marcaram minha vida, de situações e momentos lindos vividos dentro da religião evangélica.

Não, não e não! Não deixei de ser ateu, como também me nego a jogar “fora da bacia à água suja com o neném”, reconheço que a religião muitas vezes produz neuroses, esquizofrenias – o problema não é o cara falar que conversa com Deus, até ai, normal, mas o problema começa quando ele afirma, sem duvida, que Deus fala com ele – opressão, medo, alienação, ópio e outros males, mas também é geradora de sentido e significado humano.

Ah se fosse somente este pecado, talvez eu fosse absorvido pelo julgamento ateu, mas não, e, como já que estou sendo sincero em abertamente falar o que sinto e penso independentemente de ser ou não coerente com o pensamento –  pois mais vale ser coerente com a vida vivida do que pensada, e, a vida esta para além de qualquer caixa conceitual, seja religioso ou ateu, ou qualquer tipo de pensamento, sempre a vida vem primeiro, sempre a vida é que determina o pensamento e não o pensamento determina a vida – “adoro”, isto mesmo que você leu, eu “adoro” o livro bíblico do Eclesiastes, para mim um dos livros mais existencialistas que alguém já escreveu...como me delicio em suas verdades existenciais, em seus conselhos humanistas, em seu foco nesta vida e nos prazeres, porque tudo que importa na vida são os prazeres, tudo que fazemos é para de alguma maneira alcançar o prazer. Que belas são as suas palavras conscientes e maduras de que:

“Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.
Este é o mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol; a todos sucede o mesmo; e que também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade, e que há desvarios no seu coração enquanto vivem, e depois se vão aos mortos.
Ora, para aquele que está entre os vivos há esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto).
Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento.
Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.
Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras” (Eclesiastes 9:2-7)

Este é o maior conselho que um livro já deu para a humanidade, independente do sujeito ser religioso ou ateu, místico ou cético, agnóstico ou sem religião, pois o viver o dia que se chama hoje é verdadeiramente um presente, seja dado por deus (religioso) ou pela natureza (ateu), o importante é que existimos, e se existimos, devemos fazer valer a pena nossa caminhada existencial pela terra.

E por ultimo, o maior pecado de todos: minha paixão e reverencia por Jesus Cristo...isto mesmo que você “ouviu”...repito mais uma vez em alto e bom som: minha paixão e reverencia por Jesus, tenho grande admiração por ele, independentemente de ele ser ou não um personagem histórico criado a partir da mistura de alguns mitos, ou de realmente ter existido e vivido nesta terra, ele é o cara, e para mim, esta entre os maiores homens que esta terra já conheceu ou ouviu falar um dia.

Foi através de Jesus que eu me tornei evangélico, e foi através dele que entrei no processo de descrença, por anular o deus sanguinário e bárbaro do velho testamento, e ficar com a imagem de um deus pai amoroso construída em Jesus, me tornando um cristão humanista, depois cristão deísta, e finalmente cristão ateu, até chegar no somente ateu que simpatiza e admira Jesus.
Perdoem-me os ateus, mas tem muita coisa bonita nas religiões – como feia também, mas toda a vida é como uma moeda que tem os seus dois lados, ficando ao nosso critério escolher qual lado da moeda que vamos valorizar e priorizar.

Aos evangélicos meu mais sincero tributo por suas belas musica, e toda expressão humana que preenche a vida com significado, e, aos ateus, minhas sinceras “desculpas” pelas minhas fraquezas e pecados cometidos, mas esta é minha historia, minha vida, sendo que a religião foi tudo para mim um dia, e não são 2 anos de descrenças que vão anular excluindo este meu passado que me levou a ser que sou hoje.

Se pudesse voltar atrás no tempo e escolher, escolheria viver tudo que vivi, pois hoje mais do que nunca, eu posso dizer que vivi, experimentei e não apenas estudei a religião como o ateísmo, por isso, sou mais forte, e tenho autoridade para transitar entre estes dois mundos distintos mas que no final se completam, pois são humano; o mundo do misticismo, da religiosidade, e o mundo do ceticismo, do ateísmo, tudo isto me completaram, e me fizeram ser o que fui, o que sou e o que ainda serei.

sábado, 10 de novembro de 2012

As analises e previsões de Freud sobre a religião (estaria ele certo?)




Por: Marcio Alves

Acabei de ler “O futuro de uma ilusão” de Freud, e, em cima deste texto, quero de forma bem resumida e objetiva, expor a opinião do pai da psicanálise, que foi sem duvida alguma, um dos maiores homens da historia da humanidade, sua analise e previsão sobre a religião especificamente, (pois o texto aborda outras questões igualmente relevante) como também, dar minha opinião sobre os seus apontamentos...estaria Freud totalmente certo?

Freud inicia esclarecendo que para ele, o processo civilizatório, que levou e elevou o homem de “animal” primitivo bárbaro, para o homem moderno, tal qual conhecemos hoje, foram; “(1) o conhecimento e a capacidade que o ser humano adquiriu com a finalidade de controlar as forças da natureza e extrair a riqueza desta para a satisfação das necessidade humanas. Por outro, inclui todos (2) os regulamentos necessários para ajustar as relações dos homens uns com os outros e, especialmente, a distribuição da riqueza disponível” (Freud)

Em todo esse processo de “humanização”, não foi somente o homem que se “humanizou” como sua vida em grupo, mas também, segundo Freud, as forças temíveis e desconhecidas da natureza, principalmente a morte, pelos nossos ancestrais, fazendo das mesmas, pais e deuses, criando crenças, que mais tarde se tornaram religiões. O que Freud quer dizer, segundo minha opinião, é que, todas as realizações de nossa civilização, incluindo aqui, principalmente todas as religiões e crenças, nasceram do impulso/instinto de autodefesa contra as forças opressivas e assustadoras da natureza.

Neste ponto, quero que você meu caro leitor pense comigo duas questões igualmente importantes:
O primeiro é que os deuses, como anjos, demônios e espíritos, tem características humanas, não seria isto uma das “provas” incontestáveis que, mais do que Deus dizer ao homem “faço-te a minha imagem e semelhança”, foi o homem quem criou os deuses e todos os espíritos a sua “imagem e semelhança”, contando (inventando) depois, que foram os deuses quem disseram isto, sendo perpetuada esta crença, de tal forma, que hoje, isto foi “escrito” em tabuas de mármore, e, é aceito sem nenhum questionamento pelos religiosos?

E, a segunda, e não menos importante, é a questão de que Freud deixa claro, de forma inequívoca no seu texto, que o medo e o desejo são os dois fatores primordiais que fizeram tantos os homens criarem as crenças nos deuses como protetores, e na vida depois da morte como recompensa e consolo, como também mais ainda a necessidade de acreditar nisto tudo, daí, a maioria dos religiosos quando são confrontados por questionamentos sobre sua religião e crença, terminarem o dialogo com a frase que virou jargão popular: “se você não acredita, eu creio, não importa o que você me diga, eu nunca vou deixar de crer, até porque, a crença me faz me sentir bem, e, isto é o que importa”.

Ora, se Freud estiver certo neste ponto, como “acho” que esta, se a crença nasceu e se mantém do medo do desconhecido que era até então as forças da natureza para nossos primitivos ancestrais, como ainda é a morte para muitos de nós, juntando se a isto, o desejo de acreditar nessas mesmas crenças para aplacar o medo, a angustia, o sentimento de desamparo que todos nós compartilhamos, de nossa real finitude e insignificância, o homem, só poderia mesmo crer, seguindo alguma religião, embora, estando este medo e desejo no inconsciente, é totalmente lógico e racional, até porque, a razão é serva dos nossos desejos, medos e vontades, como disse Schopenhauer.

Freud chega a afirmar que “(...) se voltarmos nossa atenção para a origem psíquica das idéias religiosas. Estas, proclamadas como ensinamentos, não constituem precipitados de experiência ou resultados finais de pensamento: são ilusões, realizações dos mais antigos, fortes e prementes desejos da humanidade. O segredo de sua força reside na força desses desejos. Como já sabemos, a impressão terrificante de desamparo na infância despertou a necessidade de proteção - de proteção através do amor -, a qual foi proporcionada pelo pai; o reconhecimento de que esse desamparo perdura através da vida tornou necessário aferrar-se à existência de um pai, dessa vez, porém, um pai mais poderoso. Assim o governo benevolente de uma Providência divina mitiga nosso temor dos perigos da vida” (Freud)

Por isso que “Ilógico”, “incoerente”e “loucura” mesmo é ir contra tudo isto, toda esta crença milenar, crida e sustentada pela maioria, contra nosso medo, desejo e desamparo mais intimo, não crendo em nenhum Deus, não seguindo nenhuma religião e crença, assumindo nossa mais pura condição humana de duvida, de incerteza, mas, de coragem de caminhar pela existência sem as muletas, manuais e mapas da religião.

Freud acreditava que mesmo a “deusa” e “toda poderosa” ciência não seria suficiente para acabar de vez com a religião, como se iludem muitos ateus militantes que desejam o fim da religião, porque psiquicamente, a ciência nunca poderá substituir a função e papel da religião no psiquismo humano, e, neste sentido novamente eu tenho que concorda com o mestre e pai da psicanálise, embora, através da ciência o homem moderno atual diferem e muito do antigo religioso, porque aprendeu com o avanço e disponibilidade do conhecimento, a ser mais criterioso e racional, mas, isto ainda, não determina o fim da religião, na verdade, eu já escrevi algumas vezes, que a religião nunca deixará de existir, por vários fatores expostos nesta postagem como em outras, e, tomará mesmo que nunca acabe, pois mesmo sendo ateu, como estudante de psicologia vejo significado e importância da religião para muitas pessoas, alem do fato de que o mundo seria sem graça e perderia o seu colorido se todo mundo se tornasse ateu, pois a pluralidade e diversidades de ideias e crenças tornam o mundo para o ser humano, “infinito” em suas possibilidades e escolhas, como são “infinitos” a subjetividade e particularidade de cada individuo.

E para terminar, esta postagem que já está ficando muito extensa, um pensamento de Freud que discordo, ou melhor dizendo...que não concordo inteiramente, e, isto não com o que ele irá dizer, mas sim com o que esta nas “entrelinhas”, pois ele afirmou que: “A religião, é claro, desempenhou grandes serviços para a civilização humana. Contribuiu muito para domar os instintos associais. Mas não o suficiente. Dominou a sociedade humana por muitos milhares de anos e teve tempo para demonstrar o que pode alcançar. Se houvesse conseguido tornar feliz a maioria da humanidade, confortá-la, reconciliá-la com a vida, e transformá-la em veículo de civilização, ninguém sonharia em alterar as condições existentes” e, mais: “Não, nossa ciência não é uma ilusão. Ilusão seria imaginar que aquilo que a ciência não nos pode dar, podemos conseguir em outro lugar” (Freud)

O que eu discordo não é com o que está escrito, mas antes com a possível ideia interpretativa, que para mim não passa de ilusão, fantasia e sonho, de que o homem é infeliz com a religião, mas de que possivelmente poderá ser feliz com a ciência, pois na verdade, nem religião e nem ciência consegue dar conta de todo este desamparo e finitude própria, inato do homem, que é apenas humano, e como humano, não passa de um ser frágil, carente, desamparado e infeliz, porém, a ciência e em alguns momentos a religião, podem colaborar em amenizar o sofrimento humano, mas nunca, em hipótese alguma, acabar de vez, pois uma vida sem sofrimento só “existe” mesmo no céu das fantasias mais desejantes e ilusórias das promessas existentes nas crenças religiosas...se assim fosse, bastaríamos então todos morrer para gozarmos deste paraíso, mas como no fundo no fundo ninguém acredita de verdade, ninguém quer morrer para “pagar pra ver”, deixemos então o “céu para os anjos” e aproveitemos nossa curta caminhada em vida na terra.


Texto baseado no “O futuro de uma ilusão” de Freud

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Criação? Seleção Natural? Seleção Artificial. (Parte 1)



Por Edson Moura

No princípio tudo era trevas, e sentado em sua poltrona branca um ser absurdamente poderoso imaginava uma maneira de criar um mundo. Um poeta daquelas surrealistas que não se deixava prender por ideias racionais, tudo era possível, desde que se permitissem imaginar o inimaginável. Assim era ele. Só sabia de uma coisa: “Tudo deveria culminar num ser que pensasse sua existência. Mas como?

Diante de uma panela ele elaborou em escala reduzida, seu projeto. Chamaria aquela maquete de “Caldo Primordial”. Lançaria ali uma semente, e desta única, pequena e frágil semente um dia surgiria sua obra prima. Tudo se daria por meio de uma luta feroz, uma batalha épica onde apenas os mais fortes sobreviveriam, e quanto mais acirrada fosse a luta entre as espécies originadas a partir do caldo primordial, mais rápida seria a evolução de novas espécies. E nesse contexto sobreviveriam apenas os que melhor se adaptassem. Todos os outros pereceriam. Mas ainda assim demoraria... e como demoraria.

Estava resolvido! Diante da panela onde já continha o caldo o ser poderoso colocou todos os tipos de sais de amônia e de fósforo, luz, calor, eletricidade etc.. Dentro desta panela ocorreria uma reação química  que daria origem a uma proteína que, por sua vez, seria capaz de sofre alterações mais complexas. Ou seja: Uma matéria inorgânica, passaria a ser orgânica, se aplicasse ali o fator tempo. E tempo, acreditem, era o que o ser mais tinha. Eu já disse que o ser em questão era eterno? Agora só faltava lançar o “líquido” no planetinha que ainda não era azul...mas ficaria, dentro de dois ou três bilhões de anos.

Todos os seres deste pequeno planeta, pensava ele, seriam compostos das mesmas substâncias. Seriam a partir de determinado momento, seres com vida, e vida para mim nada mais é do que uma “coisa” que consegue se alimentar do meio em que está (chamarei de metabolismo), e também precisa ter a capacidade de se reproduzir de forma autônoma, ou seja, sem a minha interferência.

Então vejamos: Já tenho o caldo, e os ácidos necessários, só falta o toque final, o sistema solar. O Planetinha de que falei ainda a pouco, por enquanto está muito quente, não passa de uma massa em formato quase esférico e incandescente, vou esperar que ele esfrie e forme uma crosta, e pelos meus cálculos vai demorar aproximadamente três bilhões de anos, tudo bem, estou sem um pingo de pressa. Mas um detalhe importante eu não posso esquecer: Não pode ter oxigênio no planeta. O oxigênio livre só poderá aparecer depois que alguns dos seres saiam do caldo e comecem a realizar um processo que, por enquanto darei o nome de “fotossíntese”. Segundo consta em minhas anotações, o oxigênio é muito reativo, e se quero dar origem a uma primeira molécula menos complexa, preciso esperar que ela se torne mais complexa para que não seja destruída antes de formar.

Outro detalhe importante: Se não pode haver oxigênio, também não existirá aquela camada protetora, deixe-me ver... chamarei de camada de ozônio,  e justamente a radiação que chegará até o planetinha, vinda daquela estrela que deixei próxima dele (Sol), é que acionará o gatilho para o surgimento da primeira molécula, fácil assim. Deixe-me anotar para não esquecer: “Tópico  5 do manual da criação. Radiação cósmica será a única energia capaz de fazer as diferentes substâncias químicas da Terra se combinarem para formar uma “macromolécula”.

Então vou recapitular: Dentro do Caldo Primordial que eu criei, e mantive aquecido, em determinado momento uma macromolécula extremamente complexa, que terá a “estranha” capacidade de se reproduzir sozinha, dará início à “Longa Evolução” (chamarei assim). Este será o primeiro material genético, a primeira molécula de DNA, a primeira célula viva. Ela vai se subdividir, mas desde o começo ocorrerão mutações. Muito tempo depois os organismos monocelulares se combinarão para formar organismos pluricelulares. Logo depois ocorrerá a fotossíntese nas plantas, (Não liguem, já estou dando nome às coisas mesmo. Depois, de alguma forma, e totalmente por acaso, os seres que eu dei origem, darão esses mesmos nomes às coisas) e em seguida o planetinha ganhará uma atmosfera que conterá, agora sim, o oxigênio, pois o oxigênio será o responsável pelo surgimento dos animais que respirarão o ar, (gostei disso...respirarão o ar. Soa tão místico, não é? rsss) e também esta atmosfera terá sua função, que será proteger o planeta dos raios radioativos do Sol, que nesse contexto,não serão benéficos.

A mesma centelha que um dia foi tão importante para o surgimento da primeira célula, também será nociva ara todas as formas de vida. Muuuuito legal esta parte! Tudo ocorrerá como o planejado por mim. Mas em momento algum eu interferirei nesse processo. Creio eu que, de tão absurdamente bem bolado este meu invento, eles demorarão quatro bilhões de anos para terem uma pequena noção das dimensões de meu poder. Alguns atribuirão a mim, logo de cara, tudo o que existe. Não estarão errados, mas estarão milhões de anos longe de estarem completamente certos. Não deixarei vestígios, não deixarei pistas. Permitirei que eles adquiram uma mente fantasticamente sagaz, estupidamente inteligente, mas mesmo o “homem” mais inteligente, não difere do cupim mais inteligente, se comparado a mim, eu serei o mistério que os rondará por centenas de milhares de anos. Eu serei a criatura criadora de tudo e de todos, mas não do jeito que eles imaginam.

Muitos se levantarão (Serão chamados ateus) contra o nome que invariavelmente me darão (Deus), mas de qualquer forma, quando o mais sábio de todos perceber que a vida humana, que a origem das espécies se deu por meio de uma batalha pela sobrevivência, e que o mais forte permaneceu, terá que ser honesto o suficiente para reconhecer que alguém precisaria ter dado inicio a tudo. Alguns refletirão a chegarão a seguinte conclusão:

"De que vale o eterno criar, se a criação em nada terminar? Se perderão num imenso nada e, mesmo depois de ficarem famosos por suas teorias, cairão num mar de esquecimento, pois entenderão que não passam de “produtos de suas épocas”, saberão que não são eternos como eu."

Ass. Deus

Uma analogia á teoria darwiniana sobre a origem das espécies.

Leia a segunda parte em: Criação? Seleção Natural? Seleção Artificial  (Parte 2)

sábado, 23 de junho de 2012

A opinião sincera de um ex-crente e atual ateu sobre a bíblia “sagrada”




Por: Marcio Alves


Chegou a hora de dar o último, o principal, porém, delicadíssimo passo, rumo à desconstrução total dos dogmas pétreos do Cristianismo ortodoxo.
Eu quero declarar em alto e bom som, minha mais sincera e transparente aversão a palavra dita de Deus.

Palavra esta que se for “literalmente literalizada”, muitos dos seus episódios “ocorridos”, torna Deus em um grande Ser desprovido de inteligência e amor.
Pois se não, vejamos:

Conto da desobediência humana, (Adão e Eva) sendo uma alternativa dada por Deus? Se for escolha, logo se segue que não deveria isto, levar o Senhor a amaldiçoar o homem, aja visto, Ele próprio ter decidido dar livre arbítrio para o mesmo. Como pode ser livre, se foi, é, e será punido?

Outro episodio que para mim é muito mais uma fabula do que realidade, embora o evento em si, seja factual, pois é constatado pela ciência que realmente houve um dilúvio, porém, as inúmeras estórias que são em diversas culturas contadas e recontadas, não passam de fabulas, ou será que imaginamos uma real possibilidade do “perfeito deus” ter de fato se arrependido de criar o homem, e, depois que o destrói, volta a se arrepender de novo, só que desta vez, por haver destruído o homem?

E a dramática e desumana estória (com “e”, e não com “h”) de Deus pedindo para Abraão sacrificar o seu único filho Isaque, como se fosse um animal, por causa de um estúpido teste, para saber se no final das contas, ele amava mesmo ou não Deus?

Oras, se isto for lido literalmente, nós temos um problema grave, pois isto revelaria um deus sádico, cruel e desumano, ou então, um Ser desprovido de inteligência e conhecimento prévio do futuro, pois não sabia Ele que é justamente “onisciente”, que Abraão o amava de verdade?
Então porque Ele precisava testar este amor?

E o caso lamentável de orgulho e exibicionismo da mais pura vaidade divina, que por causa de uma acusação inverídica do diabo, o soberano, déspota e arrogante “Deus”, resolve apostar com a vida de Jó, como se fosse um brinquedinho divino, que no final de tudo ainda, depois de delegar ao diabo poder total sobre Jó, que foi brutalmente destruído, tudo que tinha, não somente os bens materiais, mas também todos os seus filhos, ficando numa doença miserável, encontra-se com o criador, e vai simplesmente desabafar com Ele, e é, por isto, injustamente e duramente acusado pelo mesmo soberano, de disputar com Ele, quando nada sabe e nada entende?
Mas como haveria de entender, se nada viu e soube, e nem ainda se quer ficou sabendo, nem foi muito menos avisado?

E as dezenas de relatos das guerras e destruição, cometidos pelos Israelitas em nome de Deus?
Como explicar os genocídios e infanticídios que foram todos causados, por uma “motivação divina”, em que o povo Israelita se achou no direito, pois eram os escolhidos, em nome de Yavé, exterminar todos os outros povos em seu redor?

Percebe-se que é esta literalidade, glorificada e defendida com unhas e dentes pelos “guardiões da reta doutrina”, que precisamos jogar na lata do lixo, se ainda desejamos ler a bíblia sem repulsa e indignação, apenas contemplando com os olhos da alma, as suas belas e significativas metáforas, mitos e fabulas.

Mas não! A bíblia é colocada no mais alto pedestal, onde é idolatrada pelos evangélicos, tida como sagrada e reverenciada, igual ou até mesmo mais, do que o próprio Cristo ou/e Deus, podendo ser questionado tudo, menos a tal da “inspiração” e “inerrância” divina dos textos canônicos, tido como literais, daí a expressão ser mesmo o fundamentalismo xiita e talibanês dos crentes.

Mas não para por ai o meu ódio em relação à pretensa “palavra de deus”, tida como verdade absoluta do Cristianismo. Pois também no novo testamento, encontro mandamentos que são contrários a vida, como por exemplo, a demonização do corpo em favor da exaltação da alma, sendo tudo aquilo advindo e para o corpo, estigmatizado e considerado pecado, mas aquilo que for para alma é santo e puro!

Um deus avesso a vida, a alegria, a diversão e o mais delicioso prazer, com a promessa fantasiosa e alienante, de uma vida melhor no além, para o descanso da alma, mas em compensação em oposição ao corpo, que na linguagem cristã, para nada presta.

Sendo a liberdade humana restringida e limitada pelos cabrestos auto-impostos pelas inúmeras regras e mandamentos, como se a vida se resumisse a um mero comprimento de normas cinzentas e anti-alegres, onde o gozar o prazer na carne é o maior pecado, mas se esquecem que o que temos neste mundo é justamente o nosso corpo, e é com ele que podemos contar e devemos valorizar cada momento de nossa efêmera vida, não abrindo mão de nossa atual existência, por uma recompensa futura no céu que talvez não exista, e que seja apenas uma manobra política do império romano, para anestesiar o povo oprimido de sua época.

Falar em império romano, não é muito estranho ser justamente isto, que Jesus nos evangelhos, vai mais apoiar e incentivar, um total abandono por vingança, e um amor e perdão incondicional dado por aqueles que nos oprimem e nos tiranizam, ser direcionado a um povo pobre, injustiçado e indefeso pelo poder político do império?

Lembrando que o novo testamento como conhecemos hoje, foi justamente juntado e acabado pelo imperador Constantino, que talvez, pode ter adulterado muitas coisas nos mesmos, tentando levar vantagem sobre a massa oprimida por ele.

Pois sem duvida alguma, de todos os ensinamentos dados por Jesus, o mais estranho é o de amar incondicionalmente os inimigos, tiranos e assassinos, pois mesmo que se consiga tal atitude desumana, as pessoas seriam anestesiadas e impedidas de lutar, se preciso for, com suas próprias vidas, em pró de uma vida mais justa, e contra a opressora tirania.

É muito argucioso e pura esperteza mesmo, se de fato Constantino inventou e colocou na boca de Jesus, o sermão da montanha, pois tal ensinamento é uma apologia total em favor dos oprimidos, fracos e marginalizados, oferecendo aos mesmos, uma anestesia paralisante de revolta contra suas situações, sendo os mesmos levados a entender que aquilo justamente é o passaporte seguro para uma vida feliz no paraíso, mas lembrando, não é para aqui, sendo somente quando morrer, ou seja, domestica e inibi qualquer vontade de lutar contra a opressão.

Em fim, eu odeio este lado nefasto da bíblia, porém as suas profundas, significativas e ricas metáforas, fábulas, poesias, símbolos e estórias, minha mais verdadeira devoção!

Texto escrito e postado originalmente, por mim, no blog: http://cpfg.blogspot.com.br/2010/05/abominacao-sagrada-da-biblia.html     em 25/03/2010 

Com o titulo: A abominação “sagrada” da bíblia

Postagem esta que alcançou a incrível marca de 496 comentários, sendo até hoje a postagem mais comentada de todos os tempos daquele blog! Vale apena acessar e ler os comentários feitos nesta postagem!

domingo, 17 de junho de 2012

Filosofia suja e empoeirada na existência



 Por: Marcio Alves

Começo este meu texto com uma pergunta que será decisiva para compreensão e sustentação do mesmo, responda com sinceridade meu caro leitor, qual a pergunta mais importante para você: a) “Deus existe?” ou b) “Como tratar da doença do meu filho (por exemplo)?”

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O ateísmo nunca irá conseguir acabar com a religião!




Por Marcio Alves

Meus caros amigos “ateus-atoa”, “ateus-militantes”, “ateus-perdidos “, “ateus-agnósticos” e até “ateus-enrustidos” – o que tem de gente que no fundo é ateu, mas não sai do armário, não é brincadeira não! Sem contar os que são, mas não sabe ainda que são, ou não querem reconhecer isto –  vocês devem encarar a dura e “triste” (para os ateus) realidade de que a religião nunca irá acabar. (Porque será que a grande maioria dos ateus deseja ardentemente que os religiosos se tornem também ateus? Será que Freud explica? Risos)

Levanto, a partir de agora, nove (9) razões porque a religião nunca vai acabar: