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segunda-feira, 3 de março de 2014

Minha vida minha existência meu sentido


Por: Marcio Alves
"...sei que mesmo que para alguns não tenha valor ou utilidade o que escrevo e digo, para outros é importante e é por esses que continuo no caminho de ajudar através dos meus textos..."
O sentido da existência só pode ser dado depois de ser vivido é assim que vivo e por assim viver é assim que penso, pois só sabemos que vivemos uma vida plena quando olhamos para o passado e somos gratos a ele por ter nos trazido até aqui e feito de nós sermos o que somos ao mesmo tempo em que olhando para o futuro desejando continuar sendo e tendo o que somos e o que vivemos.
"As circunstancias mudam, o tempo muda, os valores mudam"
A essência da minha vida é repensar tudo que leio, vejo, sinto, penso e vivo, compartilhando através da escrita, emprestando meus olhos e coração, para todas as pessoas que me leem e ouve. Minha historia é essa e meu destino é continuar essa historia – nas palavras de Nietzsche “torna-te quem tu és”.
"Hoje entendo que minha vida é incompleta sem o outro, que a essência é compartilhar com e para o outro minhas experiências e pensamentos"
Vivi minha vida inteira – e até recentemente há 3 anos atrás – na igreja, onde tudo em mim e em torno de mim girava em falar (pregar) aos crentes e a todos quantos tivessem disponíveis para ouvir a mensagem cristã através da minha voz, ou seja, o sentido da minha historia é repensar tudo para depois passar para as pessoas o que pensei, tanto em forma oral quanto escrita, tendo como maior proposito o provocar reflexões. O que significa dizer que hoje troquei a mensagem evangélica pela mensagem filosófica e psicológica, mas, no entanto, continuo falando e escrevendo para as pessoas.
"...quero voltar novamente a ver no rosto e no olhar das pessoas aquele mesmo brilho de sentido que elas manifestavam com minha oratória..."
Essa foi, e é, e desejo que continue sendo minha essência, meu sentido, meu caminho: antes usava a religião cristã, hoje uso a psicologia, antes escrevia no orkut, depois blog, agora no facebook, e no futuro desejo escrever livros e teses. Antes pregava na igreja, hoje falo para auditórios em apresentação de trabalhos acadêmicos, no futuro quero ser professor e palestrante.
"...ter consciência, aceitar e usar seu lado “negro”, “oculto” e “mal” ao seu favor é uma forma de se tornar um ser humano completo, sábio e maduro: negar é viver infantilizado, fraco e incompleto. É desconhecer a si mesmo, não se aceitar inteiramente, recusar não ser totalmente você mesmo. É viver as próprias margens da sua própria existência."
Perceba que na essência não mudei. Meu caminho é o mesmo só mudou meu jeito de caminhar e de ver a paisagem no percurso do caminho. Desejo ainda continuar uma vida que seja de doação para o outro, tenho prazer e sentido em me dar para outro. Claro que não me iludo, sei que no fundo, lá no meu inconsciente consciente tenho como pano de fundo o desejo narcisista de ser ouvido, de ser reconhecido, aplaudido, de ver que minha vida faz sentido para o outro, que é importante, que gera diferença que faz a diferença.
"O sentido da existência só pode ser dado depois de ser vivido..."
Mas penso que ter consciência, aceitar e usar seu lado “negro”, “oculto” e “mal” ao seu favor é uma forma de se tornar um ser humano completo, sábio e maduro: negar é viver infantilizado, fraco e incompleto. É desconhecer a si mesmo, não se aceitar inteiramente, recusar não ser totalmente você mesmo. É viver as próprias margens da sua própria existência.
"...só sabemos que vivemos uma vida plena quando olhamos para o passado e somos gratos a ele por ter nos trazido até aqui..."
Hoje entendo que minha vida é incompleta sem o outro, que a essência é compartilhar com e para o outro minhas experiências e pensamentos, sei que mesmo que para alguns não tenha valor ou utilidade o que escrevo e digo, para outros é importante e é por esses que continuo no caminho de ajudar através dos meus textos, frases, pensamentos, do meu compartilhar experiências, e futuramente, através do discurso quero voltar novamente a ver no rosto e no olhar das pessoas aquele mesmo brilho de sentido que elas manifestavam com minha oratória.
"...emprestando meus olhos e coração, para todas as pessoas que me leem e ouve..."
As circunstancias mudam, o tempo muda, os valores mudam, mas o caminho continua sendo o mesmo caminho, o mesmo processo de escrever minha historia, meu destino, minha vida e isso duplamente: tanto na vida como literalmente na escrita, pois afinal, todo escrito é autobiográfico, falamos mais de nós mesmos do que do outro embora seja para e por causa do outro.
 
"...hoje troquei a mensagem evangélica pela mensagem filosófica e psicológica..."
Para ler minhas frases no facebook acesse e add no link: https://www.facebook.com/marcio.alves.98837
 
 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Breve analise comportamental, psicológica e sociológica da religião: como se inicia a fé nas crenças das religiões?



Por: Marcio Alves

No processo, tanto psicológico como sociológico da fé do individuo nas crenças de qualquer religião, se inicia como primeiro passo rumo a solida e inamovível certeza do que se crê e no que se crê, com a incorporação através do hábito, costume, tradição e ritos, para só depois disso vir a fé em tais costumes que serão apreendidos ao longo do processo como divinos, embora seja os próprios humanos de uma determinada religião, que ensinarão humanamente com ensinos criados pelos próprios homens os iniciados na religião.

Depois disso vem a razão como cereja em cima do bolo, para justificar intelectualmente e significar as razões e motivos da crença, ou seja, ela vem apenas explicar e estruturar com argumentos racionais o porque e pra que das crenças. Eis então o triple da religião: hábito condicionado e aprendido, fé em tais hábitos e costumes como sendo divinos e sagrados, e finalmente a razão para argumentar através dos ensinamentos a fé nas crenças. Desse triple habito + fé + razão e que nasce o sujeito religioso dentro de uma religião.

Esse analise dos sujeitos religiosos é atemporal, porque não existe religião sem uma estrutura de costumes, tradições e ritos, como um templo para se reunir, com hierarquia de sacerdotes, com um conjunto de rituais que vai desde a simples leitura de um livro como tido como sagrado até orações, rezas e jejuns. Por isso me aponte uma religião que eu apontarei essa estrutura, sendo assim, hoje em dia está na moda a própria religião dizer que não é uma religião, como se o termo religião fosse de alguma forma tido como pejorativo, mas não adianta inventar ou tentar livrar a religião da “religião”, pois se tem todo um conjunto e estrutura de costumes religiosos já é em si uma religião.

Assim como john Wesley disse acertadamente que pregava a fé não porque tinha fé, mas para ter fé, da mesma forma, os indivíduos religiosos vão para a religião aprender primeiro os seus costumes e para com tempo, depois de habituados e condicionados aquela religião, desenvolverem uma mentalidade que eles chamam de “fé”, mas que na verdade é o nome dado para um pensamento que foi com o tempo e com a força do hábito desenvolvido.

Depois de toda essa estrutura sociológica e comportamental do religioso com sua religião, depois de desenvolvida também toda uma estrutura mental chamada “fé”, só ai que vem a razão para concluir toda essa estrutura, justificando, explicando, e criando assim um conjunto chamado de doutrinas, muito bem organizado e coerente dentro daquela visão religiosa.

Por isso que mesmo que venhamos refutar através da razão as razões da fé, ainda sim, permanece sua maior base, alicerce e força: o costume e tradição. Um hábito pode as vezes se torna a segunda natureza do individuo, daí ser quase humanamente impossível o sujeito nascido e criado, formado e desenvolvido dentro de uma religião, conseguir anos depois desabituar, pois é sempre muito mais fácil aprender um habito do que desfazer dele, deve ser por isso, segundo essa minha analise, que a religião hoje, mesmo após tanta divulgação e facilidade de acesso do conhecimento e evolução cientifica, ainda continua praticamente imbatível, e, segundo meus cálculos deve continuar, porque se toda nova geração que surgir for ensinada durante anos por seus pais a seguir uma religião, isto estará sendo perpetuada ao longo dos séculos, interminavelmente pelos filhos dos filhos dos filhos e assim por diante, por isso, daqui a mil anos, aposto que ainda existirá a religião com toda sua força e imponência.

Contra argumentos racionais se usa argumentos racionais, mas contra o hábito não há nada que possa fazer, pois o sujeito faz e participa de todo processo da religião como sendo uma coisa natural e automática, sendo assim, meus mais sinceros parabéns para os poucos que conseguiram quebrar e romper com todo esse habito da fé, pois como disse Nietzsche sobre a força do hábito que “Tudo o que é habitual tece à nossa volta uma rede de teias de aranha cada vez mais firme; e logo percebemos que os fios se tornaram cordas e que nós nos achamos no meio, como uma aranha que ali ficou presa e tem de se alimentar do próprio sangue. Eis por que o espírito livre odeia todos os hábitos e regras, tudo o que é duradouro e definitivo, eis por que sempre torna a romper, dolorosamente, a rede em torno de si; embora sofra, em conseqüência disso, feridas inúmeras, pequenas e grandes - pois esses fios ele tem que arrancar de si mesmo, de seu corpo, de sua alma (...)” (Nietzsche)

Se qualquer e todo hábito exerce muita força sobre nós, sobre nosso comportamento, sobre nossa mente, imagina o hábito religioso que eu considero o maior de todos, por justamente ser tido e crido como divino, sobrenatural, vindo de Deus, de sua vontade para nós, será muito mais ainda difícil de si desabituar, por isso, mesmo quando o sujeito religioso deixa sua religião, mesmo quando ele se torna ateu, ele sente falta do hábito que ele mantinha dentro da religião, ou como disse Nietzsche que “(...) ele tem que arrancar de si mesmo, de seu corpo, de sua alma (...)”

Por isso que todo processo de descrença e desreligiosidade causa dor, angustia e sofrimento infindáveis psíquicos e afetivos, pois com o tempo, o sujeito religioso não aprende a desenvolver somente uma fé, mas também um sentimento, um amor pelo hábito, pela crença, pelo grupo a qual pertence e principalmente pela ideia, imagem e representação de Deus.

domingo, 1 de julho de 2012

As imagens do humano em Deus




Por: Marcio Alves

 "O homem encontra e desenha o “in-desenhado” e “in-contravel” Ser em seu próprio e limitado ser existencial, com sua mentalização e sentimentalização de aperceber e apreender o divino em si, pois deus só pode ser deus de cada individuo, sendo um espelho a refletir a imagem do homem que diz servir-lo, mas que na verdade é servido para si mesmo, para as suas projeções auto projetadas da sua psique inconsciente"

O Ser supremo nomeado pelo humano de “Deus” do alto de sua infinita e desconhecida imagem é não tendo uma imagem limitada que possa descrever e enquadrar seu ser, pois todas as imagens criadas foram e serão “in-criadas” a partir dele mesmo, não sendo e não podendo ser exata, mas si sendo real nos corações de quem sente e fabrica, pois é na verdade a realidade singular do sujeito que vai de si para si mesmo, não sendo o absoluto, por isso é relativizada pelos homens, não para a gloria do Ser, mas para a própria gloria terrestre do humano.

"(...) projeta sua autoimagem dele e para ele, declarando e sistematizando o divino de sua percepção nele mesmo, sendo posto no pedestal da adoração, adorando o Ser de sua imaginação"

O homem encontra e desenha o “in-desenhado” e “in-contravel” Ser em seu próprio e limitado ser existencial, com sua mentalização e sentimentalização de aperceber e apreender o divino em si, pois deus só pode ser deus de cada individuo, sendo um espelho a refletir a imagem do homem que diz servir-lo, mas que na verdade é servido para si mesmo, para as suas projeções auto projetadas da sua psique inconsciente.

"A figura das imagens esculpidas da não realidade visível, pintadas e moldadas pelo caráter e temperamento do próprio homem, tem sua gênese da não descoberta empírica do grande assombro, sendo desenvolvida a prematura necessidade de necessitar verbalizar o inefável, com os mais variados sons antropológicos das sociedades"

Pensando ter finalmente encontrado o supremo Ser do universo, mas sem saber que não achou Ele, projeta sua autoimagem dele e para ele, declarando e sistematizando o divino de sua percepção nele mesmo, sendo posto no pedestal da adoração, adorando o Ser de sua imaginação, embora seja Ele (Deus) mesmo não outro, para o individuo que revela o seu desejo de procurar pela busca de encontrar no encontro que se dá consigo mesmo, sendo real e verdadeiro para milhões que experimenta a experiência deste encontro que nomeia-se Deus.

"Mas a grande ilusão é iludir-se a si mesmo dizendo que este desenho pintado, esta musica tocada, esta linguagem decifrada, este sons ouvidos, “sentido sentido”, da não materialização, visibilidade e compreensão do divino no humano em formas do saber pensado, construído, intuído, sentido e finalmente crido pelo seres humanos, ser o mesmo Ser, sendo que nunca foi e nunca será, pois se algum dia for, então mesmo assim pode concluir o saber que não passou de não saber"

Pois o Ser sabendo que não poderia ser exaurido pelo conhecer das percepções do pensamento e sentimento da averiguação minuciosa da criatura, deixa sua própria marca de pegadas sutis na areia da vida subjetivada pela nitidez da percepção humanista, para que mesmo através das autoimagens criadas, possa ser revelado que Ele é e que existe existindo em cada realidade existente na criatura viva.

A figura das imagens esculpidas da não realidade visível, pintadas e moldadas pelo caráter e temperamento do próprio homem, tem sua gênese da não descoberta empírica do grande assombro, sendo desenvolvida a prematura necessidade de necessitar verbalizar o inefável, com os mais variados sons antropológicos das sociedades.

"O homem revela quem é mostrando no que crer e quem é o que ele crer, pois a sua crença é uma revelação de si mesmo e não do supremo Ser (...)"

Mas a grande ilusão é iludir-se a si mesmo dizendo que este desenho pintado, esta musica tocada, esta linguagem decifrada, este sons ouvidos, “sentido sentido”, da não materialização, visibilidade e compreensão do divino no humano em formas do saber pensado, construído, intuído, sentido e finalmente crido pelo seres humanos, ser o mesmo Ser, sendo que nunca foi e nunca será, pois se algum dia for, então mesmo assim pode concluir o saber que não passou de não saber.

"Com este texto o que eu proponho hoje, não é a questão “Se Deus existi ou não”, mas que mesmo existindo, se partimos desta premissa, todos os Deuses de todas as religiões e crenças não passam de criações humanas, e, que “Deus mesmo” é totalmente desconhecido por nós, o que equivale a dizer “Deus não existe!”, ou seja, para o homem não há um Deus existindo fora dele, perdido em  algum lugar no universo, mas antes, dentro dele"

O supremo Ser não sofre influencia das influencias humanas, sejam negativas ou positivas, pois não é processado no seu desenvolvimento como se fora uma criatura, pois não é sendo o criador, vê em si mesmo e não no reflexo dos homens, ser suficientemente suficiente com Ele e para Ele.

O homem revela quem é mostrando no que crer e quem é o que ele crer, pois a sua crença é uma revelação de si mesmo e não do supremo Ser, pois não passa de sua auto imagem e descoberta, se modelando em sua crença, formando e definido quem realmente ele é no que pensa ser o grande Ser, mas não sendo para ser quem realmente é o seu oculto ser revelado nas inúmeras imagens da psique humana.



P.S.: Texto escrito por mim em 08/03/2010 quando estava no final do processo de descrença, nesta época a ultima das crenças que ainda restava em mim era a crença em “Um Ser Superior”.

Com este texto o que eu proponho hoje, não é a questão “Se Deus existi ou não”, mas que mesmo existindo, se partimos desta premissa, todos os Deuses de todas as religiões e crenças não passam de criações humanas, e, que “Deus mesmo” é totalmente desconhecido por nós, o que equivale a dizer “Deus não existe!”, ou seja, para o homem não há um Deus existindo fora dele, perdido em  algum lugar no universo, mas antes, dentro dele.





sábado, 23 de junho de 2012

A opinião sincera de um ex-crente e atual ateu sobre a bíblia “sagrada”




Por: Marcio Alves


Chegou a hora de dar o último, o principal, porém, delicadíssimo passo, rumo à desconstrução total dos dogmas pétreos do Cristianismo ortodoxo.
Eu quero declarar em alto e bom som, minha mais sincera e transparente aversão a palavra dita de Deus.

Palavra esta que se for “literalmente literalizada”, muitos dos seus episódios “ocorridos”, torna Deus em um grande Ser desprovido de inteligência e amor.
Pois se não, vejamos:

Conto da desobediência humana, (Adão e Eva) sendo uma alternativa dada por Deus? Se for escolha, logo se segue que não deveria isto, levar o Senhor a amaldiçoar o homem, aja visto, Ele próprio ter decidido dar livre arbítrio para o mesmo. Como pode ser livre, se foi, é, e será punido?

Outro episodio que para mim é muito mais uma fabula do que realidade, embora o evento em si, seja factual, pois é constatado pela ciência que realmente houve um dilúvio, porém, as inúmeras estórias que são em diversas culturas contadas e recontadas, não passam de fabulas, ou será que imaginamos uma real possibilidade do “perfeito deus” ter de fato se arrependido de criar o homem, e, depois que o destrói, volta a se arrepender de novo, só que desta vez, por haver destruído o homem?

E a dramática e desumana estória (com “e”, e não com “h”) de Deus pedindo para Abraão sacrificar o seu único filho Isaque, como se fosse um animal, por causa de um estúpido teste, para saber se no final das contas, ele amava mesmo ou não Deus?

Oras, se isto for lido literalmente, nós temos um problema grave, pois isto revelaria um deus sádico, cruel e desumano, ou então, um Ser desprovido de inteligência e conhecimento prévio do futuro, pois não sabia Ele que é justamente “onisciente”, que Abraão o amava de verdade?
Então porque Ele precisava testar este amor?

E o caso lamentável de orgulho e exibicionismo da mais pura vaidade divina, que por causa de uma acusação inverídica do diabo, o soberano, déspota e arrogante “Deus”, resolve apostar com a vida de Jó, como se fosse um brinquedinho divino, que no final de tudo ainda, depois de delegar ao diabo poder total sobre Jó, que foi brutalmente destruído, tudo que tinha, não somente os bens materiais, mas também todos os seus filhos, ficando numa doença miserável, encontra-se com o criador, e vai simplesmente desabafar com Ele, e é, por isto, injustamente e duramente acusado pelo mesmo soberano, de disputar com Ele, quando nada sabe e nada entende?
Mas como haveria de entender, se nada viu e soube, e nem ainda se quer ficou sabendo, nem foi muito menos avisado?

E as dezenas de relatos das guerras e destruição, cometidos pelos Israelitas em nome de Deus?
Como explicar os genocídios e infanticídios que foram todos causados, por uma “motivação divina”, em que o povo Israelita se achou no direito, pois eram os escolhidos, em nome de Yavé, exterminar todos os outros povos em seu redor?

Percebe-se que é esta literalidade, glorificada e defendida com unhas e dentes pelos “guardiões da reta doutrina”, que precisamos jogar na lata do lixo, se ainda desejamos ler a bíblia sem repulsa e indignação, apenas contemplando com os olhos da alma, as suas belas e significativas metáforas, mitos e fabulas.

Mas não! A bíblia é colocada no mais alto pedestal, onde é idolatrada pelos evangélicos, tida como sagrada e reverenciada, igual ou até mesmo mais, do que o próprio Cristo ou/e Deus, podendo ser questionado tudo, menos a tal da “inspiração” e “inerrância” divina dos textos canônicos, tido como literais, daí a expressão ser mesmo o fundamentalismo xiita e talibanês dos crentes.

Mas não para por ai o meu ódio em relação à pretensa “palavra de deus”, tida como verdade absoluta do Cristianismo. Pois também no novo testamento, encontro mandamentos que são contrários a vida, como por exemplo, a demonização do corpo em favor da exaltação da alma, sendo tudo aquilo advindo e para o corpo, estigmatizado e considerado pecado, mas aquilo que for para alma é santo e puro!

Um deus avesso a vida, a alegria, a diversão e o mais delicioso prazer, com a promessa fantasiosa e alienante, de uma vida melhor no além, para o descanso da alma, mas em compensação em oposição ao corpo, que na linguagem cristã, para nada presta.

Sendo a liberdade humana restringida e limitada pelos cabrestos auto-impostos pelas inúmeras regras e mandamentos, como se a vida se resumisse a um mero comprimento de normas cinzentas e anti-alegres, onde o gozar o prazer na carne é o maior pecado, mas se esquecem que o que temos neste mundo é justamente o nosso corpo, e é com ele que podemos contar e devemos valorizar cada momento de nossa efêmera vida, não abrindo mão de nossa atual existência, por uma recompensa futura no céu que talvez não exista, e que seja apenas uma manobra política do império romano, para anestesiar o povo oprimido de sua época.

Falar em império romano, não é muito estranho ser justamente isto, que Jesus nos evangelhos, vai mais apoiar e incentivar, um total abandono por vingança, e um amor e perdão incondicional dado por aqueles que nos oprimem e nos tiranizam, ser direcionado a um povo pobre, injustiçado e indefeso pelo poder político do império?

Lembrando que o novo testamento como conhecemos hoje, foi justamente juntado e acabado pelo imperador Constantino, que talvez, pode ter adulterado muitas coisas nos mesmos, tentando levar vantagem sobre a massa oprimida por ele.

Pois sem duvida alguma, de todos os ensinamentos dados por Jesus, o mais estranho é o de amar incondicionalmente os inimigos, tiranos e assassinos, pois mesmo que se consiga tal atitude desumana, as pessoas seriam anestesiadas e impedidas de lutar, se preciso for, com suas próprias vidas, em pró de uma vida mais justa, e contra a opressora tirania.

É muito argucioso e pura esperteza mesmo, se de fato Constantino inventou e colocou na boca de Jesus, o sermão da montanha, pois tal ensinamento é uma apologia total em favor dos oprimidos, fracos e marginalizados, oferecendo aos mesmos, uma anestesia paralisante de revolta contra suas situações, sendo os mesmos levados a entender que aquilo justamente é o passaporte seguro para uma vida feliz no paraíso, mas lembrando, não é para aqui, sendo somente quando morrer, ou seja, domestica e inibi qualquer vontade de lutar contra a opressão.

Em fim, eu odeio este lado nefasto da bíblia, porém as suas profundas, significativas e ricas metáforas, fábulas, poesias, símbolos e estórias, minha mais verdadeira devoção!

Texto escrito e postado originalmente, por mim, no blog: http://cpfg.blogspot.com.br/2010/05/abominacao-sagrada-da-biblia.html     em 25/03/2010 

Com o titulo: A abominação “sagrada” da bíblia

Postagem esta que alcançou a incrível marca de 496 comentários, sendo até hoje a postagem mais comentada de todos os tempos daquele blog! Vale apena acessar e ler os comentários feitos nesta postagem!

terça-feira, 24 de abril de 2012

“Questões acerca da morte” (parte 3)



Por Edson Moura

Na Idade Média, nossos antepassados, com suas limitações de conhecimento e ainda com suas superstições, esta por sua vez, empapada do Cristianismo cada vez mais fortalecido, começaram a se preocupar, não mais  com o destino coletivo das pessoas de sua religião, e sim com o destino de cada indivíduo em particular. Foi então que se estruturou a crença de “julgamento após a morte”, podendo o morto sofrer punições pelos pecados cometidos durante toda a vida.

Segundo a crença anterior, Jesus voltaria, conduziria os que creram até o Paraíso. Modificado então, para um “Dia do Juízo Final”, onde seriam separados os nos dos maus, cabendo aos maus a “Punição Eterna”. “Então dirá aos que estiverem à sua direita:  ‘vinde benditos d meu pai, receberdes por herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo...’ Em seguida, dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos...’ E estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Deus no banco dos réus: Culpado ou inocente?


Diante da miséria humana, da dor e sofrimento no mundo, as constantes tragédias, como também as catástrofes naturais, e o silencio absurdamente gritante de Deus, como sua ausência constante jamais interrompida, se Deus estivesse nos bancos dos réus, para ser julgado por toda humanidade, Deus seria declarado Culpado ou Inocente?

Vamos fazer o teste então, usando todos os recursos dos quais dispomos, como raciocínio lógico, senso de justiça e sentimentos, para julgar Deus do nosso ponto de vista, tentando assim, chegar a uma conclusão final sobre o veredito de Deus.

Eis algumas das acusações mais graves contra o “todo-poderoso”:
Seu silencio.
Sua ausência.
Dor, sofrimento e miséria humana.
Maldade humana. (Deus não poderia ter criado o homem com limites para se fazer o mal?)
Catástrofes naturais.
Acidentes e tragédias humanas.


Exercício de reflexão:
Deixar um bebê inocente e frágil, ser estuprado e brutalmente assassinado ou morrer por algum acidente, desnecessariamente, sendo que poderia ter sido facilmente salvo, é moralmente condenável, tanto racionalmente, como sentimentalmente?

Pense nisto; se fosse um homem que tivesse o poder de salvar esta criança, mas não o fizeste, sua omissão não seria tão culpada como se tivesse o matado?

Se você esta andando pela cidade, quando de repente se depara com uma criança indefesa e inocente parada no meio de uma avenida movimentada, se você pode salvar ela sem correr risco de atropelamento, mas não o faz, você se sentiria culpado?

Agora sim, depois de tanto pensar, aplique isto a Deus nas milhares de situações similares espalhada pelo mundo inteiro ao longo da historia humana, e sua constante ausência, ele é culpado ou inocente por não interferir?


Inocente por que Deus é:

1-Impotente.
Muitas vezes Deus quis impedir os vários sofrimentos desnecessários dos homens, mas com dor no “coração” e lágrimas nos “olhos”, simplesmente não pode fazer, pois é impotente diante da complexidade do sofrimento, injustiça e maldade humana.

Objeção: Se Deus foi capaz de criar tudo isto, como poderia ser impotente ao ponto, de não poder interferir no sofrimento humano?


2-Uma força consciente.
Deus apenas é uma energia ou força consciente, não tendo moral como os homens e nem muito menos sentimentos e emoções, portanto, não podemos condenar Ele, pois Ele está para além do bem do mal, do bom e mau, do justo e injusto de nossas atribuições e características humanas.

Objeção: Mas Deus continua possuindo o que torna Ele moralmente responsável que é sua consciência, então diante disto, Deus só não seria condenável se Ele fosse apenas uma energia sem consciência, mas ai não seria Deus, e sim o big-bang.


3-Nos deu liberdade por nos amar.
Deus é um ser altruísta e generoso que se esvaziou de Si mesmo, retirando sua presença do universo criado por Ele, justamente para que nós tivéssemos a maior de todas as dádivas que vieram com a vida; a liberdade.

Objeção: Ele podia ter criado um mundo melhor, com menos (ou nada) catástrofes naturais, fazendo da sensação da dor ser bem menos do que é, e pondo limites na maldade e crueldade humana.


4-Assim como nós não sabemos se Deus existe ou não, Deus também não sabe que nós existimos.
A teoria da evolução não estaria totalmente equivocada ao dizer que fomos evoluindo num processo de bilhões de anos, pois Deus ao criar o universo, sem se da conta, acabou por acidente nos criando, e por sermos tão minúsculos e insignificantes diante de um universo tão imenso (talvez infinito), e por ser Ele (Deus) tão grande de tamanho (talvez maior que o próprio universo, sendo o mesmo uma bolinha de gude nas mãos Dele), que Deus ainda não se deu conta de nossa existência, e, portanto de nossa dor e miséria.

Objeção: Culpado por sua incapacidade de nos perceber??


Culpado por que Deus é:

1-Nos abandonou a própria sorte.
Não esta nem ai para nós, simplesmente não liga para nosso sofrimento e dor, Ele fez com toda humanidade, o que uma mãe insana ou cruel faz com seu filho quando ele nasce: Simplesmente nos rejeitou, abandonando-nos, virando suas “costas” para nós, deixando-nos a própria sorte.

Objeção: Se Deus nos criou conscientemente, não há maior dignidade e bondade do que não interferir em nossa vida.


2-Um grande sádico.
Deus é mal e cruel, Ele nos criou com o propósito de se divertir com nossos sofrimentos, pois para vivermos, matamos, (vida se alimenta de outra vida) sabemos que a única certeza da vida é a morte, e isto trás angustia, o mundo é injusto, a vida é cega, os homens são maus.

Objeção: Deus infelizmente não poderia ter criado outro mundo melhor, apesar de ter problemas. (ou seriam defeitos de fabricação?)


Temos uma terceira via ainda, muito racional e lógica, mas como todas as hipóteses levantadas aqui também, têm objeção, que seria:

Deus não é nem culpado e nem inocente, Ele não existe, o que existe são os homens, e o Deus de suas imaginações e desejos.

Objeção:
Da onde surgiu o universo então? Problema maior é:
A matéria precedeu a consciência então? Podemos através dá consciência entender que uma consciência crie a matéria, mas não podemos se quer imaginar a matéria criando a consciência.

E ai, meu caro amigo leitor, conseguiu chegar a uma conclusão final? Qual das alternativas você escolhe? Deus, afinal de contas, partido sempre do ponto de vista humano – até porque, é o único ponto de vista que temos, pois não conhecemos e nem podemos imaginar-nos, olhando do ponto de vista de Deus – é culpado ou inocente?



Por Marcio Alves

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Jesus: De tão desumano, só poderia ser "Deus" mesmo!


Uma certa vez, vi uma cena em um filme que me deixou muito pensativo: Uma determinada quadrilha tinha capturado um homem, e ao invés de matá-lo, o chefe desta mesma quadrilha determinou que ele fosse torturado e morto lentamente durante um mês, para isso, eles tiveram de fazer varias e varias vezes transfusões de sangue, para que mantivessem vivo aquele homem, de tal maneira que viesse suportar a tortura e não morrer antes do tempo determinado.

Quero que pense comigo agora por um instante: Que “Deus” seria mais cruel, um que matasse milhões de pessoas, porém, com a morte tudo acabaria ali mesmo, ou, um que criasse um "inferno" e que mandasse pessoas para queimarem por toda eternidade?

Não seria a tortura pior do que a própria morte? Ou ato de matar mais misericordioso do que a tortura??

Pois é assim o "Deus" hebreu do velho testamento, matou milhares, não, matou na verdade milhões de pessoas, porém, não condenava ninguém para o inferno, mas já no novo testamento, Jesus aparece e diz varias vezes que se alguém não o obedecer, seria lançado no inferno, onde haveria choro e ranger de dentes.

Inclusive, você sabia que foi feito uma pesquisa onde um estudioso constatou que o Deus do antigo testamento, matou mais pessoas do que o próprio diabo?
Pois é, seria o "Deus judaico-cristão" é um diabo encarnado em poder?.....Quem crê nesse "Deus", tem mais que ir para a igreja e viver uma vida de "santidade", para não correr o risco de ir parar no inferno mesmo.

Mas, Jesus consegue ser mais desumano do que o próprio "Deus" dos hebreus, na verdade, ele é bem mais cruel e vingativo, pois já pensou, os ímpios que não se arrependerem serão condenados por toda eternidade a um castigo eterno! Você tem noção disto? Eternidade não é por um tempo determinado e depois acaba, não! Eternidade não tem fim, sofrimento após sofrimento, para todo sempre, "amém"!

Sinceramente, eu acho que "Deus" gosta mais dos animais do que dos seres humanos, pois ao animal é dito que ele não tem uma "alma" como nós, que, portanto, com a morte deles tudo se acaba, mas a nós nos foi dado uma "alma imortal", e com ela a sentença de nunca morrermos, pior, se não nos arrependermos de nossos pecados vamos ficar para sempre sendo torturados no inferno.

Alias, que Jesus e o "Deus" bárbaro do velho testamento fiquem com seu "céu" pra lá, pois eu prefiro mesmo é ir para o "inferno", ao menos eu não vou precisar ficar de eternidade a eternidade como zumbi sendo obrigado a adorar e cantar músicas intermináveis para um Ser totalmente egoísta e vaidoso, que sofre da síndrome de rejeição, e nem muito menos ficar longe da minha família também, pois sinceramente, como eu poderia ficar bem em um céu adorando o cara que mandou meu filho, por exemplo, para o "inferno"?

É Jesus, bem que você disse que você não veio trazer paz para a terra, mas antes espada, causando divisões entre as famílias, pois já imaginou, o egoísmo e falta de amor maior do que a dos crentes? Chegarem a dizer que se a família não for, porém eles vão, pois a salvação é individual....só um "Deus" tão desumano para provocar isso nas pessoas!


Por: Marcio Alves

Observação 1: Eu apenas falei do "inferno" de Jesus, pois seu fosse falar de todas as passagens e palavras ditas por Jesus em que ele foi tão desumano, (como aquela vez em que ele negou curar a filha de uma Cananéia, e se depois da mulher ter se arrastado e implorado, foi que ele resolveu fazer o “milagre”. Não é a toa que os crentes para receberem algo de "Deus", precisam fazer tantas campanhas, se humilharem tanto, é que o "Deus" deles é Jesus e seu pai é Jeova, o "Deus" bárbaro) não caberia em apenas uma postagem, teria que dedicar varias postagens.

Observação 2: Eu estou partido da própria crença fundamentalista de que todas as palavras escritas na bíblia são literais e verdadeiras.

Observação 3: Como pude ser crente durante 20 anos da minha vida!!!

sábado, 28 de agosto de 2010

Meu caminhar existente no filosofar da vida e pela vida


Meu existente existe na trilha da filosofia investigativa e questionadora, na medida em que vou me aventurando e me lançando a caminhar pelos caminhos escuros das incertezas sem meu pé de apoio e apoio para os meus pés, sem os mapas ilusórios do cotidiano, sem os dogmatismos dominadores dos diferentes, e por isso, estou como vou aberto e neutro ao pluralismo existente do mundo da filosofia, sem me deixar acorrentar não vendo os pontos positivos, como negativos de todas vertentes filosóficas.

Faço filosofia com o intuito de correr risco, não por mero diletantismo ou prazer, pois prazer por prazer existem tantos prazeres mais fáceis, rápidos e mais prazerosos do que simplesmente viver pensando e pensando no viver, sendo que muitas vezes o que a filosofia trará para o individuo e seu mundo subjetivo é uma problematização da vida, pois ela mesma não se presta a ser e dar soluções fáceis a problemas muito difíceis da existência humana, como se fora uma auto-ajuda barata e mercadológica.

Penso eu que o ser humano é uma coisa para qual não existe uma solução, por mais que existam milhares de soluções práticas inventadas, e estas por sua vez estejam circulando no mercado, isto só corroborar para mostrar ainda mais o tamanho da problemática humana.

Não faço uma dissociação entre filosofar e viver, como se viver fosse uma, e pensar fosse outro, mas as duas coisas estão para mim, ligadas, inseparáveis, pois onde começa uma, termina a outro, e onde termina uma, se inicia a outra.

Subjugo tudo ao campo do racional, trocando meus óculos herdados do meio em que vivo que já estavam embaçados e com pouca visão pelos quais via o mundo, as pessoas e a mim mesmo, agora, ao invés de ver como o senso comum me ensinou, vêem meus olhos com os óculos da filosofia, se tendo muito mais uma visão mais ampliada e estendida submetendo todos os valores, idéias, utopias e praticas ao escrutínio da razão.

Como tudo esta ligado ao comando do pensar, logo se não penso para praticar uma determinada ação é, ou por que outros estão pensando por mim, sendo eu uma marionete do sistema, ou por que sou louco mesmo, pois só louco age sem fazer uso da racionalidade.
O problema da sociedade é que existem muitos indivíduos que praticam ações cegas, embasadas numa repetição de ver o outro fazendo e sem pensar no porque esta fazendo, se vê não se vendo fazendo igual.

Minha filosofia de vida é totalmente imanente, como o conhecimento do além vida é incognoscível, portanto apenas existente no mundo etéreo das idéias, e eu sou eu existente na existência do mundo imanente, com um corpo e não como anjos com corpos espirituais, tenho meu pensamento desenvolvido a partir do meu corpo e mundo físico onde vivo e sei que vivo.

Vivo minha vida vivida pela própria vida existente em si, e não por um idealismo de como devo viver a vida.

Na pós modernidade, trocaram se os valores do mundo da alma pelo mundo do corpo, só que ainda permanecem os valores idealistas, de como deve ser, ter e viver, pois a sociedade vive pensando em alcançar um tipo de corpo ou vida padronizado e cultuado pela nossa cultura como ideal.

É a vida tal como me apresenta agora é a que eu vivo e não uma abstração de idéia sobre a vida.

Abraço tanto a dor como prazer, alegria como tristeza, vida como morte, pois é disto que a vida é feita, portanto, enquanto não aceitar está realidade, viveremos sonhando com uma vida não sofrida e melhor, porém inexistente, pois a existência por si só já é carregado e marcado pelo sofrer como pelo prazer de existir.

Por: Marcio Alves

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Meu crer na descrença e minha descrença no crer



Não busco mais um ser fora de mim, que habita em luz imarcescível, onde olho nenhum conseguiu vê, pensamento imaginar, coração sentir, mãos a palpar, intuição perceber, se quer experimentar.
Mas também não sou contra as pessoas que vivem dizendo que sente, pensam, vê e até que escutam sua voz, afinal fantasma não existe, mas é uma coisa que muita gente jura ter visto.

Não vivo no extremo da convicção religiosa que afirma existir deus, mas também não me encontro no pólo da negação ateia de dizer que ele não existe.
Se por um lado é fantasia acreditar que um ser do nada surgiu para então do nada criar tudo, por outro, é mágica a idéia de que do nada tudo se fez sozinho através de uma explosão.

Creio e tenho fé na duvida, mas duvido da certeza da fé.
Creio no não saber, tenho como resposta a não resposta, minha convicção é a não convicção, meu caminhar é pelas sombras escuras do mistério da vida, navegando pelo oceano das incertezas, trilhando o caminho espinhoso e pedregoso da existência.

Minha sina é não poder saber, se quer ter certeza do que acontecerá após a morte.
Mas ao mesmo tempo em que a morte é um enigma não desvendado por nós, apenas crido e esperado por uns, negado por outros, é por mim anulado tanto a certeza que diz para mim o que será, quando a negação que diz que nada depois existirá.

Tenhamos calma, não precisamos nos desesperar, cada coisa ao seu próprio tempo, um dia iremos morrer e ai, ou saberemos por continuar tendo consciência, ou saber por justamente não saber por não termos mais consciência, justamente por não mais continuarmos existindo.

Vivo uma vida de anulação de deus, não afirmando sua existência, como também não afirmando sua negação, mas antes, não pensando mais sobre ele, se quer vivendo preocupado ou tendo uma obrigação moral para com ele.
Acho até ser mesmo de sua vontade, se é que ele tem vontade, e ainda mais se é que ele é ele, pois não quis se revelar, mostrar sua cara, manifestar sua presença, fazer ouvir sua voz, compreendida sua existência.

Só sei que quando me dei conta do “meu crer na descrença e minha descrença no crer”, me tornei livre para pensar sem os cabrestos obscurecidos da religião. Agora nunca mais serei um escravo tendo um senhor e mestre para comandar minha vida, eu sou meu próprio deus, como meu próprio demônio, onde posso criar como também destruir minha vida. Meu destino, minha sorte, como meu trilhar pelos caminhos da vida, são totalmente de minha escolha e decisão. Assim sendo, fantasmas, deuses e demônios representam apenas mitos criados pela fértil imaginação humana.

A única coisa que agora espero mesmo, desejando ardentemente é demorar em descobrir isto tudo, pois isto significará que vivi bastante....deus, anjos, demônios, vida após a morte, podem esperar mais um pouco, agora o que eu quero é somente viver esta vida sem me preocupar com o que será depois dela, pois pode ser que nunca venha descobrir.



Por: Marcio Alves

sábado, 7 de agosto de 2010

Jonh, o cristão (precisamos da religião?) parte final



Finalmente! Jonh se libertara dos processos neuróticos do fanatismo ilusório cristão!
Agora já adulto, com sua mente muito mais aberta, depois de tanto olhar para a vida e refletir, tendo literalmente quebrado sua cabeça, morreram em seu coração, como que apagaram de sua mente os muitos conceitos evangélicos.

Agora não mais precisava dos narcóticos delirantes evangélicos que muito mais anestesiavam os seus problemas na vida, do que propriamente os solucionavam.
Tivera fibra e coragem para de peito aberto encarar as vicissitudes da vida com suas tragédias e contingências, ao mesmo tempo em que abraçava a beleza e feiúra da vida.

Não tinha mais seu pé de apoio na religião, nem jogava para as costas largas de deus seu infortúnio como também não mais nutria expectativas deixando nas mãos de Deus o que ele mesmo tinha que ter coragem para enfrentar e realizar.

Deixou de dar dízimos e ofertas nas igrejas para enriquecer pastores inescrupulosos, que ajudava muito mais a levantar e sustentar impérios do que propriamente proclamar o evangelho, para dar nos orfanatos e asilos que careciam de ajuda.
Nunca mais se sentiu culpado por manter relações sexuais com a sua namorada.

Se antes ele não participava de festas de aniversários e casamentos, agora ele procurava ansiosamente para festejar a vida que deve ser valorizada e vivida e não postergada por causa de uma crença sem provas de uma vida alem morte, pelo simples fato de não trocar algo que já tem por um que nem sabe sem vem mesmo, ou então, mesmo que exista, não se sente condenado a não poder participar, pois entendia que a raça humana estava toda em pé de igualdade diante de Deus, habitando no ser humano tanto luz como trevas, sendo assim, ou Deus se fosse salvar, salvava todo mundo ou não salvava ninguém.

Porém Jonh entrou num caminho perigoso sem moderação e controle, começou a usar e abusar radicalmente de tudo antes que ele não podia e, portanto se reprimia, até os seus desejos mais intensos e violentos.
Não sabendo que estava sendo mais uma vez influenciado negativamente pela religião, só que agora ao contrario, pois tudo que era proibido antes, agora era experimentado por ele sem equilíbrio.
A religião fez mal a ele duas vezes: na primeira o proibindo, na segunda por ter proibido demais agora ele extravasava os seus instintos sem limites.

Jonh não respeitava mais nenhuma religião, nem as leis civis do estado, não ouvindo os conselhos de sua própria mãe que já estava idosa, desprezando a ajuda de seus amigos, e por não acreditar mais que existia céu e inferno, nem muito menos Deus, Jonh anulava riscando por completo a moral e a ética de sua vida, como também, o único pensamento que tinha era o de apenas aproveitar, vivendo o máximo dos prazeres da vida.

Era todo dia, indo a boates, bebendo até passar mal, saindo com todo tipo de prostitutas, não se protegendo, tinha suas relações sexuais sem camisinhas, e até mesmo, mergulhava no mundo da droga, experimentando tudo que lhe era oferecido, cocaína, maconha e até craque, se tornando um dependente químico, começou a roubar, e finalmente, até mesmo a matar as pessoas por causa de algum dinheiro.

Tendo experimentado de tudo, aproveitando a vida da sua maneira, caiu no tédio de ter os seus desejos satisfeitos, e como não tinha a religião para buscar mais sentido existencial, ele não agüentou o vazio na alma, e resolveu acabar com sua vida.

Foi no dia 23 de março, de 2007, aos 30 anos, que Jonh viera a se suicidar.
Pegando sua arma 357 Magnum prateada que tantas vidas tirou, abrindo sua boca, a colocou dentro, engatilhou, e sem hesitar, puxou o gatilho da Magnum e.......

Este foi o fim trágico de Jonh, que teve sua vida inteira vivida na religião evangélica, sendo que era a mesma que dava sabor, cor, cheiro e vida a sua vida.
Quando os seus olhos se abriram para a realidade da vida, perdeu os encantos e ilusões da religião, não encontrando mais sentido em nada neste mundo, e não agüentando o peso esmagador de viver, tirou sua própria vida.

Fim


Por Marcio Alves