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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

“Religião como verdade para muitos, falsidade para poucos e utilidade para todos”


Grande parte da humanidade acredita em algo maior que ela. Um ser criador. Originador mas que não tem origem, criador mas incriado, Pai, mas que nunca teve mãe Este é Deus. Não vou jamais desistir da hipótese de que Deus é uma criação nossa e que sua palavra sagrada não é, como dizem, algo que parta dele para nós, e sim, algo que parte de nós para ele. Uma carta de amor daquelas que os namorados escrevem, cheias de melosidade, afeto, desejo, isto é a Bíblia, um livro que vem respaldando a crença de muitos ao longo dos milênios. Mas, quando e por que ela surgiu?

A religião surgiu no mundo em razão das necessidades do homem. As primeiras crenças da humanidade estavam relacionadas, principalmente, à agricultura. O homem sentia a necessidade de prever quando choveria para que a produção dos alimentos fosse eficiente. Como resultado disso, o homem criou métodos para tentar prever o futuro, como a astrologia, a quiromancia e a necromancia, e também métodos para tentar modificar o futuro, como a magia, a bruxaria e os encantamentos.

A ideia de Deus esteve, inicialmente, associada aos fenômenos meteorológicos. Assim, surgiram também os conceitos de deuses específicos para determinadas situações vivenciadas pelo homem, como o deus da guerra, da caça e do amor. Assim, podemos entender que a criação da religião aconteceu pela necessidade do homem de compreender ou, pelo menos, tentar explicar alguns fenômenos misteriosos.

A partir do Cristianismo, o homem passou a acreditar na existência de um Deus semelhante à humanidade. Pela Bíblia, o homem foi feito a imagem e semelhança de Deus. Em seguida, na evolução do conceito de religião, o homem criou métodos para interagir com Deus, rezar e pedir bençãos e favores. Isso acontece tanto nas aldeias indígenas, quanto nas civilizações urbanas e contemporâneas.

Com o passar dos anos, a religião começou a se basear em orações e promessas, e a determinar intermediários entre Deus e as pessoas comuns, como os padres, pastores e pais de santo, por exemplo. Hoje, as religiões têm na figura do sacerdote o desafio de converter mais adeptos. Nesse contexto, a utilização de um antagonista de Deus, o chamado demônio, e de um lugar prometido em detrimento de um “inferno” de sofrimento eterno também serve para encaminhar os fiéis para o caminho da religião, pelo medo. Esta é a realidade para muitos.

Mas, para poucos, isso tudo não passa de uma grande mentira. Uma história inventada para explicar a origem das coisas, as causas que deram origem aos fenômenos que não entendemos ainda, apenas uma etiologia infantil.

Ateus normalmente escolhem não acreditar em Deus, é o que dizem os religiosos, pois pessoas que sofreram algum tipo de trauma e por terem fé suficiente ficaram com “raiva” de Deus e que muitos ateus foram molestados quando crianças, ou sofreram maus tratos, muito se sentem a margem da sociedade, sem estudo, sem amor, sem carinho, entregue ao alcoolismo e ao homossexualismo, ou seja, nas garras de satanás. Muitos deles vem de famílias desestruturadas, pobres e sem conhecimento de Jesus. Se um Ateu parar para pensar e colocar a cabeça no lugar um segundo, ele verá que não tem como ele sequer respirar sem Deus existir. Contudo, são pessoas que não tem censo de certo e errado e desafiam a Deus a todo momento.

Não poderiam estar mais errados!

Antes de tudo, ser Ateu não é uma opção e sim uma conclusão, uma constatação. Ao contrário do que muitos cristãos costumam afirmar, a gigantesca maioria dos Ateus chegou à conclusão de que “não existem deuses” sozinho, pensando com seus botões, sem que para isso fosse necessário um trauma nas suas vidas ou dificuldades de qualquer tipo. No geral, os Ateus são, em sua maioria, mais “estudados” que os teístas, porém como a quantidade de teístas no mundo é muito maior, as afirmações são contrárias.

Dificilmente você vê uma pessoa morrendo de fome e que diz “Deus não existe”, normalmente o que é observado é que quanto mais “ignorante” (ou sem instrução) a pessoa é, mais ela tem a tendência em acreditar em mitos e divindades sem provas.

Antes de serem Ateus, no geral, eles tiveram uma religião e aqui no Brasil a maioria esmagadora deles era cristão. Logo, a maioria conhece a bíblia, alguns conhecem muito bem, outros conhecem tão pouco quanto a maioria dos cristãos, muitos frequentaram igrejas durante anos a fio e chegaram a inevitável conclusão. Obviamente o ateu não entende de tudo, mas o que um Ateu normalmente entende é que nenhuma prova, amostra ou evidência da existência de algo sobrenatural foi mostrado a ninguém até o momento. Esta é a falsidade para poucos.

“Enquanto houverem pessoas dispostas a serem dominadas, haverá aqueles que as dominem”, e se partirmos de Maquiavel, perceberemos que nada mudou em seis séculos. O temor a Deus faz-se indispensável pois só assim submete-se quem deve ser dominado e como o mandamento divino é mais eficaz do que a lei humana, a prudência do governante faz-se necessária para que ele possa usar da religião para dar ânimo e dominar o exército, para ser atendido pela plebe.

Aqui reside uma exigência: para as repúblicas ou príncipes que desejam manter-se sem corrupção, devem zelar para que os cultos religiosos não sejam corrompidos. Caso os cultos se tornem corruptos, aí reside o indício da ruína do Estado. Como toda religião tem como fundamento alguma ordenação principal, o príncipe deve conhecê-la e conservá-la. Se assim o fizer, há de manter a religião e a sua república unida. Caso o príncipe acredite que a religião está inteiramente a seu serviço, há de destruir tanto a religião, quanto a crença que o povo tem nela e verá a ruína de seu próprio Estado pois “não pode haver maior indício da ruína de um estado do que o desprezo pelo culto divino” (MAQUIAVEL, 2007, p.52).

Nota-se, pois, que se a religião for corrompida, ela perde toda a sua força mobilizadora e, assim, tem-se como consequência a decadência do vivere civile (AMES, 2006.).

Maquiavel usa seu ato de conduzir o povo romano à obediência civil como exemplo da eficácia do bom uso da religião. Encontrou em Roma um povo indomado e desejou conduzi-los às “artes da paz”. Como alternativa à violência, usou a religião para domar e manter a cidade já que o poder de Deus é mais temido que o do homem. “Estas [“artes da paz”], na passagem da obra maquiaveliana citada acima, não consistem em outra coisa senão na religião, apresentada como instrumento capaz de subtrair sentimento da obrigação política do exclusivo domínio da força, e, por isso mesmo, definida ‘como elemento imprescindível para manter a vida civil’”

Cabe, então, explicitar os expedientes que fazem a religião se tornar um instrumento cuja produção é a de comportamentos individuais e coletivos úteis POLITICAMENTE. A simulação é um expediente ao qual se recorre quando a autoridade do príncipe não é suficiente para submeter os súditos. Tomemos o exemplo usado por Maquiavel da simulação feita por Numa que, ao perceber que sua autoridade não seria suficiente para fazer suas leis cumpridas, simulou familiaridade com uma Ninfa e agiu como se esta lhe desse conselhos para que ele transmitisse-os ao povo. A verdade da religião não é o mais importante, o que importa é que interpretação da vontade divina seja feita de forma a acarretar o êxito para os propósitos do príncipe, haja vista que estes sempre devem ter como fim o bem comum.

Traçando um paralelo entre o que Maquiavel escreveu e a realidade brasileira, constatamos que a dominação não cessou ao longo da história. Por exemplo, a controversa escolha do deputado federal Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara não é um fato isolado. Ela expõe a consolidação do poder político das religiões no Brasil, sobretudo da evangélica, que cada vez mais junta forças para impor sua agenda.

Os parlamentares ligados a instituições religiosas já representam um quinto do Congresso. Em 20 anos, o número de deputados federais e senadores evangélicos mais que triplicou (saltou de 23 em 1990 para 73 em 2010), perdendo hoje só para a bancada ruralista. Com isso, os embates com grupos de direitos civis, pró-liberalização do aborto e das drogas, de direitos humanos e de defesa da laicização do Estado se intensificaram.
Sob o pretexto de “proteger a família e a vida”, os parlamentares das bancadas católicas (22 congressistas) e evangélicas deixam as diferenças de lado e trabalham juntos para tentar conter o avanço de pautas como aborto, casamento homossexual e liberalização das drogas.
As alianças formadas pelas bancadas religiosas têm grande poder de ramificação. Como exemplo, a Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Preservação da Família, que une católicos, evangélicos e outros políticos de alguma forma ligados a esses preceitos, conta com 192 parlamentares (40% do Congresso). “Não são somente eles que são conservadores. Eles vocalizam boa parte do que a população brasileira pensa sobre aborto, direitos das mulheres e de homossexuais”, diz Christina Vital, professora de ciências sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF)..
Frank Usarski, professor de ciências da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), diz que, em comparação com a Alemanha, por exemplo, o pluralismo das forças religiosas é menor no Brasil, porém a influência da religião é maior. “O enraizamento das igrejas na consciência e na realidade social dos brasileiros é maior”, afirma.
Dessa forma, as religiões ameaçam o Estado laico brasileiro, como alerta o livro Religião e política: uma análise da atuação de parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e de LGBTs no Brasil. O estudo é de autoria dos pesquisadores Christina Vital e Paulo Victor Leite Lopes. Nele, os autores descrevem o avanço dos evangélicos na política na década de 1980. As igrejas passaram a reivindicar um lugar para si a fim de ampliarem a influência de suas tradições e valores.

O Brasil se tornou formalmente laico a partir da primeira Constituição Republicana, em 1891, mas a igreja Católica sempre fez esforço ao longo desse período para garantir presença no Estado público. Como exemplo, está a introdução na Constituição de 1934 da obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas brasileiras.  “No Brasil, há uma enorme presença do elemento religioso no espaço público”.
Lamentavelmente, enquanto a maioria não se interessa pela sua história religiosa, política, científica, geográfica etc, há uma minoria muitíssimo interessada em dominar por meio daquilo que a maioria acredita. Deus.


Edson Moura

quarta-feira, 13 de julho de 2016

CIENTISTAS CRISTÃOS EXISTEM? SE EXISTEM...E EXISTEM...SÃO CONFIÁVEIS?


Por Edson Moura 

Embora recentemente os criacionistas tenham tentado retratar a sua perspectiva como sendo puramente secular e científica (numa tentativa desesperada de legislar e introduzir em sala de aula), dentro de suas próprias fileiras eles sempre foram muito transparentes no que diz respeito à sua base religiosa (teísta) para sua "ciência", e nunca esconderam sua crença de que, em todos os lugares em que existem conflitos entre a ciência e a Bíblia, a ciência tem que ser rejeitada a Priori. Explico:

"Estudantes das ciências biológicas (e eles realmente existem Edu, neste ponto você está certo) que acreditam na Bíblia, ou numa teoria criacionista, possuem a priori um guia para suas interpretaçôes dos dados disponíveis, qual é este guia?: o registro da Criação Divina contido no livro do Gênesis" (Robert Kofahl e Kelly Segraves)

 " O estudante cristão das origens, aborda a evidência da GEOLOGIA e da PALEONTOLOGIA com o registro bíblico em mente, obviamente, interpretando esta essa evidência científica com os fatos divinamente revelados na Bíblia"  (Robert Kofahl e Kelly Segraves)

" A "ciência da criação" começa com pressuposições completamente bíblicas e interpreta os dados de toda a realidade, incluindo a ciência, dentro desse enquadramento" (Donald Chittick, recebeu um Ph.D. em Física Química da Universidade Estadual de Oregon em Corvallis, Oregon, e um Bachelor of Science pela Universidade de Willamette em Salem, Oregon. Seu currículo inclui o seguinte: 
Presidente da Divisão de Ciências Naturais da Universidade de Fox George em Oregon, professor adjunto da química na Institute for Creation Research , em Dallas, e Professor Associado de Química da Universidade de Puget Sound em Washington. Chittick é também um inventor ativo e recebeu várias patentes para combustíveis alternativos e "instrução programada", ou seja, homeschooling. Ele tem um membro da American Chemical Society , eo Creation Research Society )

" Se a Bíblia é a palavra de Deus (e ela é) e se Jesus Cristo e o Criador infalível e onisciente (e Ele é), então tem que se acreditar firmemente que o mundo, e todas as coisas nele, foram criadas em 6 dias naturais e que longas eras geológicas da história evolucionária realmente nunca ocorreram" (Henry Morris no livro, Criacionismo científico de 1974, página 251) Sobre este autor: Henry Madison Morris Ph.D (6 de outubro de 1918 — 25 de fevereiro de 2006) foi um líder cristão americano e um defensor do Criacionismo. É um dos fundadores da Creation Research Society e do Institute for Creation Research. É autor da famosa Bíblia The New Defender's Study Bible que trata das questões criticas da fé de um ponto de vista literal a partir do Criacionismo. Morris se graduou na Universidade Rice com um bacharelado em engenharia civil em 1939.Em 1961, Morris e John C. Whitcomb escreveram o livro "Genesis Flood", que advogava o Criacionismo e trata sobre o dilúvio universal bíblico e sua geologia. Nele, citou uma influência de George McCready Price, um professor Adventista do Sétimo Dia e defensor do Criacionismo no início do século 20. Em 1963, Morris e nove outros fundaram a Creation Research Society. Ele é considerado por muitos como "o pai da moderna ciência da criação "

"É porque a revelação bíblica é absolutamente autoritativa e clara, que os fatos científicos corretamente interpretados, darão o mesmo testemunho que os da Escritura."  (Henry Morris no livro, Criacionismo científico de 1974, página 15)
"É mais produtivo encarar a Bíblia LITERALMENTE e depois interpretar os fatos reais da ciência dentro do seu enquadramento de revelação." (Henry Morris no livro, Aguas problemáticas da Evolução 1974, página 184)
"Embora os criacionistas, na sua qualidade de cientistas, tenham que estudar tão objetivamente quanto possível os dados reais da geologia, na nossa qualidade de cristãos (pode-se ler...teístas) crentes na Bíblia também temos que insistir que esses dados sejam correlacionados dentro do enquadramento da revelação bíblica."  (Henry Morris noTrimestral da Sociedade de Pesquisa da Criação, 1974, página 173)

"Estamos COMPLETAMENTE limitados àquilo que Deus achou por bem dizer-nos, e esta informação é sua Palavra escrita. Este é nosso manual na Ciência da Criação." (Henry Morris em Morris, 1966, pagina 114)

" O cristão instruído sabe que as evidências para a completa inspiração das Escrituras têm MUITO MAIS PESO do que as evidências para qualquer FATO DA CIÊNCIA. Quando confrontado com o testemunho Bíblico consistente sobre um dilúvio Universal, o crente TEM QUE ACEITÁ-LO COMO SENDO  INQUESTIONAVELMENTE VERDADEIRO." John Whitcomb. Sobre o autor: Whitcomb era o filho de um oficial do exército. Ele viveu no norte da China entre as idades de 3 e 6, e mais tarde frequentou a Escola McCallie em Chattanooga, Tennessee . Ele estudou geologia histórica e paleontologia por um ano e formou-se em 1948 com honras na antiga e história europeia. Quem quiser saber mais sobre o autor, favor, procurem no Wikipedia

"A evidência final e CONCLUSIVA contra a Evolução é o fato de a Bíblia a negar. A Bíblia é a palavra de Deus. absolutamente inerrante e verbalmente inspirada." O tal do Morris de novo

"A única conclusão que concorda com a Bíblia é que Gênesis 1-11 é a verdade histórica real, independentemente de quaisquer problemas científicos ou CRONOLÓGICOS envolvidos." Mais uma vez o Morris, e não esqueçam que ele é cientista, Geólogo.

Duane Tolbert Gish (17 de fevereiro de 1921 - 5 de março de 2013[1] ) foi um bioquímico americano e um dos membros mais proeminentes e francos do movimento criacionista (na vertente "Criacionismo Biblicista").[2] Gish foi ex-vice-presidente do Institute for Creation Research (ICR, Instituto de Pesquisa da Criação) e autor de numerosas publicações sobre o tema ciência da criação. Livro deste autor: "Os fósseis dizem não"

"Depois de muitos anos de estudo intenso do problema das origens, tanto de um ponto de vista bíblico, como do ponto de vista científico, estou CONVENCIDO que os fatos da ciência declaram que a criação especial é a única explicação lógica para as origens, "no princípio Deus criou" O tal do Gish

Bom Edu, vou dar uma paradinha por aqui, e espero que você leia com atenção, reflita bem antes de querer usar "cientistas" que não são cientistas, ou mesmo os antigos cientistas que ao trabalheres determinado objeto, acabaram, mesmo sendo crentes, respondendo alguns questionamentos acerca da origem do universo, o que não passou de um acidente, ou seja, um efeito colateral de se pesquisar algo que poderá culminar numa resposta a qual nem estávamos procurando. Como disse, 'provar que Deus não existe não é uma necessidade da ciência verdadeira, mas sim uma consequência, assim como aconteceu com Roger Bacon (1214-1294) o precursor do método científico,  Robert Boyle, considerado o fundador da Química Moderna, Issac Newton (1642-1727) é um dos maiores gênios da História e um cristão amante da Palavra de Deus, John Flamsteed (1646-1719), criador do primeiro catálogo de estrelas moderno, e que era um cristão fervoroso, o pastor inglês Stephen Hales (1677-1761) foi o primeiro a levar os métodos da Física para a Biologia. Ele é considerado um dos maiores fisiologistas, químicos e inventores do mundo,  o pastor inglês John Mitchell (1724-1793) é considerado "O pai da Sismologia" e o primeiro a considerar a existência de buracos negros, isso cerca de 200 anos antes destes serem descobertos. Além de fazer medições sensíveis da atividade abaixo da superfície da Terra, ele organizou o primeiro experimento laboratorial para medir a força da gravidade.

Esqueci de mencionar o francês Georges Cuvier (1769-1832), fundador dos estudos da Paleontologia e Anatomia Comparativa, foi, por exemplo, o homem que primeiro dividiu os seres vivos em quatro categorias: vertebrados, moluscos, articulados e radiados. Luterano e cristão apaixonado pela Bíblia, ele realizou estudos que comprovaram que o Dilúvio Bíblico, dos dias de Noé, realmente aconteceu. Cuvier foi forte opositor do Darwinismo, ensinando que cada espécie havia sido especialmente criada por Deus e que cada órgão tinha um propósito exclusivo para aquela criatura. Creio que sem ele não teríamos chegado onde chegamos, mas é isso mesmo, um acidente agradável, assim como a descoberta da penicilina.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Oração de um ateu


Obrigado Senhor Deus, por estar sempre exatamente no lugar onde eu não estou. Obrigado por nunca ter atendido a nenhum de meus pedidos, certamente eles não me edificariam, afinal de contas eram pedidos absurdos como: ter uma família, ser feliz, não passar necessidades. Agradeço também por aquela vez em que pedi, aliás, implorei, para que meu pai não morresse daquela maneira tão triste.

Obrigado Senhor Deus, por ter colaborado de forma ímpar para que eu passasse em 5 concursos públicos, e só ter pedido para que eu fizesse a minha parte, que consistia apenas em estudar 10 horas por dia durante 1 ano inteiro e ter que largar o trabalho, negligenciar a família e os amigos. “Faça tua parte e eu te ajudarei”. Valeu mesmo!!

Obrigado Deus por ter enviado aqueles 2 ladrões que roubaram o Tablet que eu comprei por R$ 1.200,00, obviamente com sua ajuda, e também por ter permitido que ladrões entrassem na minha casa enquanto eu estava trabalhando e furtassem meu Notebook com 95% do livro que provavelmente já estaria publicado. O senhor sabia que não era a hora certa de eu ter essas coisas supérfluas que só me faziam estudar e apurar minha escrita. Tu sabes de tudo!

Sou-lhe eternamente grato por, em 2 meses, fazer com que um pico de energia queimasse a placa-mãe do meu PC 2 vezes me fazendo gastar mais R$ 900,00. Isso, é claro, hoje eu entendo, que era a sua maneira de me mostrar que devo ser humilde e pedir dinheiro emprestado para os amigos para efetivamente não parar de estudar. Só lembrando, ainda estou devendo ao amigo.

Agradeço também por colocar pessoas delicadas e compreensivas em meu caminho, que ao saberem que fui aprovado em tantos concursos, me lembrarem que foi graças ao senhor essas vitórias, até porque vem do senhor esta força de vontade de me manter com a cara nos livros durante 10, 12 horas ininterruptas. Ah, esqueci de mencionar que essas pessoas me chamaram de louco, ou que eu ficaria louco de tanto estudar. Dá um toque pra elas aí, que foi tudo propósito do senhor.

Aproveita Senhor, e diz pra elas que o normal é ficar sentado numa cadeira confortável de igreja, ouvindo um de seus ministros falar que tem “anjos sobrevoando neste lugar, em cima do povo e descendo do altar”, que o Diabo (com D maiúsculo mesmo, pois é nome próprio) está procurando a quem destruir, e que o sangue de seu filho Jesus tem um preço, mas pode ser pago com cartão de crédito, se for o caso. Não, isso não é loucura!

Agradeço por ter enviado tantos profetas para dizer que eu ficaria doido por ler a Bíblia tantas vezes (oito no total), que estudar tanto me deixaria doido, que ser ateu me deixaria doido. Enfim, pelo visto loucura é a tônica dos argumentos da maioria dos seus fiéis. Tem gente explodindo seus corpos e metralhando franceses em seu nome Deus. Avisa aí que entenderam errado! E sim, eles são os normais.

Nem sei como agradecer ao Senhor ao ver que minha dispensa só tem meio quilo de feijão e duas gelatinas. Minha conta de energia, internet, e pensão das crianças estão atrasadas e este semestre não vou à faculdade por não ter dinheiro pra rematrícula. Brigadão Mesmo!

Tudo isso pai, me fez ver o quão importante és pra mim. Vi também que a sua apatia é motivada. Vejo como o senhor interfere no mundo para salvar as crianças que morrem aos montes no chifre da África, no Sudão do Sul, no Oriente Médio, em Mariana, no Bataclan, nas torres gêmeas. Se o senhor não descruzou os braços para agir diante de tanta injustiça, há um propósito. Sei que escreves certo por linhas tortas, mas não esqueça que o povo não sabe ler direito, aliás, ler demais deixa doido.

Não vejo a hora de chegar aí em cima, pro dia do julgamento. Falando em julgamento pai, se Judas ainda não foi julgado, gostaria de defendê-lo no tribunal, até lá já serei advogado formado (graças a ti, lógico). Creio que ouve um equívoco e estão falando por aqui que Judas já está condenado, pois traiu seu filho com um beijo. Olha, analisando os fatos, segundo relatos Bíblicos, sabe aquele livro que fala do seu amor, então, o coitado do Judas não teve muita opção, uma vez que foi escolhido pelo Senhor para ser “vaso de desonra”, e além do mais o próprio Jesus disse pra ele fazer depressa o que tinha que fazer. Vele também que ele se arrependeu posteriormente e devolveu a grana da propina e até se matou. Bom, mas vamos esperar um pouco até eu chegar por aí.

Pra terminar Senhor, agradeço pelos nossos políticos aqui no Brasil, estão fazendo um trabalho excelente por aqui, quase tão bom quanto o dos ministros das inúmeras igrejas Tuas. Tá uma festa só.

Olha pai, se minha oração parece um pouco incrédula, é só impressão. Nem sei o que seria do mundo se o senhor não gerenciasse nossas vidas, não acabasse com mal, não curasse as dores de cabeça e de ouvido, mas se me permite dizer algo, acho que o senhor deveria também atuar em outras áreas, tipo Oncologia, Cardiologia e Psiquiatria, pois o que tá tendo de doido por aqui...não tá no gibi.

Agradeço senhor em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo. Mande um salve aí pros outros dois que tão meio sumidos. Fui!!

Edson Moura

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

"mea maxima culpa"

"Quando um cientista, ou um químico cria algo e este algo acaba gerando efeitos colaterais causando algum mal, esta pessoa é punida pela comunidade científica e mais ainda pela sociedade. Vê seu nome arrastado pela lama e dificilmente conseguirá acabar com o preconceito ali estabelecido. Pois bem, partindo desta lógica, esta aplicação deveria ser regra de vida para todos, ou seja, quem erra assume seus erros e a punição não deveria passar da pessoa do condenado.

 
Mas aí é que começa a discussão filosófica. E vocês entenderão depois de eu apresentar os fatos. Partindo do pressuposto religioso de que deus criou todos os homens e concomitantemente todas as coisas que existem fica impossível não fazer uma analogia. 

Está mais do que provado que o homem é um ser falível seja biologicamente ou moralmente. E quando paramos para pensar que um ser perfeito como deus deu origem a um ser imperfeito como o homem, como poderíamos jogar a culpa nos ombros da criatura? Ora, é sabido que se um sujeito cria um Pit Bull desde filhote e este se torna um cão agressivo e em determinado momento ataca alguém, esta pessoa responderá pelos crimes de lesão corporal cometidos pelo animal.

Então é correto afirmar que chegamos à conclusão de que as falhas do homem não são culpa sua e sim daquele que o criou cheio de defeitos. Este é o primeiro golpe que a divindade leva nesta luta no campo das conjecturas. Ele falhou! 

Mas há quem diga que ele se redimiu, enviando um salvador para a humanidade. Um ser que, este sim, seria perfeito, sem máculas, sem pecados, totalmente ético e moral, e este inocente será punido por todos os males que a humanidade causou. Novamente, nada mais repulsivo do que tentar consertar um erro com outro erro. Punir um inocente pelo erro de outrem. Isto sim nos afeta moralmente, ora, por sabermos que alguém já foi punido por um erro que cometemos e pelos erros que possivelmente cometeremos, creio eu, geraria uma deformação no caráter de qualquer pessoa minimamente inteligente.

E se este raciocínio dialético é de certa forma uma capacidade dada por este ser criador, novamente a criatura não poderia ser punida por pensar de forma tão distorcida, neste contexto fático, a culpa regressa a Deus, num ciclo vicioso interminável.

Então surge a pergunta: "Será mesmo que ter Fé, e atribuir nossos erros a outro, nos guarnecendo de uma graça advinda dos céus não seria uma fuga da responsabilidade de nosso atos?"

E outra pergunta tão importante quanto esta outra é: "Por que seria o ateu considerado uma escória na sociedade? Quando geralmente a única atitude que ele toma é assumir seus erros e arcar com a responsabilidade de suas ações, sem atribuir as vitórias a Deus e as derrotas ao diabo?"

Ser ateu, antes de mais nada, não tem nada a ver com a negação do Deus dos outros. Via de regra o ateu pouco se preocupa com o quê ou em quê os demais creem, ele simplesmente aceita que no processo evolutivo foi desprovido de algo que o permitiria encaixar-se no mundo ideal dos que acreditam. assumindo assim um fardo que terá que carregar até o fim de seus dias. é possível que neste processo ele sofra uma metamorfose e que passe a entender que mudar é preciso, e que por mais que não haja alguém o vigiando todo o tempo, alguns atos não devem ser praticados, pois feririam os outros, e ele teria que aceitar na hora que a punição viesse.

Ser ateu é ser responsável! Não só por si mesmo, mas também pelo outro, pelo mundo. Este mundo que segundo dizem os que creem, pertence ao maligno, o que na minha opinião já é por si só um contrassenso, uma vez que todos negam a este esperando por um outro melhor, descido dos céus, mas eu pergunto: "Alguém quer deixá-lo?" Óbvio que não. Todos querem ser curados de seus cânceres, inclusive pedindo a cura a Deus, para viver no mundo que pertence ao Diabo, rejeitando assim o convite natural de viver com o Pai que os criou. 

Difícil entender, quando nos dispomos a refletir sobre o tema,

Edson Moura

domingo, 17 de novembro de 2013

Fé re-condocionada


Por Edson Moura
Longe de mim querer elucidar as grandes questões existencialistas que povoa a mente de muitos de nós, mas pelo menos às minhas luto em encontrar respostas. Em algum comentário a um amigo em outro artigo, disse que ele não pensa o que acha que pensa, mas na verdade, todos nós acreditamos que estamos pensando o que queremos, o que não passa de auto engano.

Sempre fomos condicionados a ouvir o que os nosso cuidadores nos dizem, coisas do tipo, Não atravesse a rua sem olhar para os dois lados, não pule da beirada de um prédio, não enfie o dedo na tomada, não se aproxime de um cão que late ferozmente e tantas outras coisas. Tendemos a repassar esses cuidados a nossos descendentes. Com a religião não foi diferente.

Não acho ser tarefa fácil deixar de acreditar em algo que por tantos anos nos foi passado de geração a geração. Cremos mesmo quando não queremos crer. Evoluímos mas não deixamos de repetir aquilo que nos foi ensinado. Alguém disse uma vez: "De me uma criança e lhes devolverei um homem", isso não mudou. Boa parte de nossas crenças vem de berço. Da ingenuidade de nossos pais ao pedir que agradeçamos ao papai do céu pelo alimento, à desculpa que nos deram quando diziam que nosso cachorrinho morto ou nossa mãe falecida está morando no céu com Deus. Tudo fica firmemente arraigado na mente da criança. E depois que cresce, ela tenderá a ensinar os seus com as mesmas técnicas.

Nem toda evolução é boa. Temos o exemplo do vírus da gripe que não me deixa mentir (sozinho). Da maneira como venho criando meus filhos, é bem possível que meus bisnetos pensem bem diferente com respeito à religião. Crio-os como ateus, mostro-lhes que a religião foi importante, mas que nada é factual. Talvez seja um desserviço à sociedade (como muitos dizem), mas continuo agindo da maneira que considero achar mais saudável para suas mentes ainda em formação.

Outro amigo certa vez disse que todas as nossas conversas descambam para a religião, não poderia ser diferente, a religião está entronizada em nosso meio assim como a capacidade de se apaixonar e acreditar que aquela pessoa é a mais bela, e mais carinhosa e a mais perfeita entre todos as outras disponíveis. Toda crença é cega (crença religiosa), somos como insetos navegando sem bússola rumo à luz de uma vela. Esses insetos acreditam estarem fazendo a coisa certa, pois qualquer ponto luminoso fixo serve-lhes como farol, sejam a lua ou as estrelas, ou a chama de uma lamparina. Eles agem “errados e certos”, “certos mas errados”, pois seguem seus instintos mais primitivos, mas não calculam o efeito colateral, que é o suicídio acidental.

Com a religião é da mesma forma. Todos querem usar as narrativas religiosas como bússola para sua vidas, e não contam o efeito colateral que é a anulação de sua razão. Crer é algo perfeitamente natural e deriva da evolução, mas chega um tempo em que devemos questionar até mesmo aquilo que julgamos ser a verdade de nosso sábios pais, nosso pastores e nosso livros milenares.

Lutero disse algumas coisas que me deixam estarrecido, não só pela ousadia pretensiosa de sugeri-las, mas pela lógica racional com que desenvolveu tais pensamentos.

"A razão é o maior inimigo que a fé possui, ela nunca aparece para contribuir com as coisas espirituais, mas com frequência entra em confronto com a palavra divina, tratando com desdém tudo que emana de Deus" Lutero

"Quem quiser ser cristão, deve arrancar os olhos da razão" Lutero

" A razão deve ser destruída em todos os cristãos" Lutero

"Todos são pensamentos inteligentemente projetados para fazer com que os mais despreparados intelectualmente fossem os maiores propagadores da fé, e funcionou, e hoje é visto como motivo de orgulho, a fé ter sido mantida e disseminada por grupos de analfabetos." Edson Moura

domingo, 12 de maio de 2013

Outro Evangelho (uma história contada por dois jovens crentes que descobriram as boas novas da liberdade)


Quatro anos desde sua primeira publicação, o Blog "Outro Evangelho" é um exemplo daquilo que Heráclito falou: "O mesmo homem não pode banhar-se duas vezes no mesmo mar". O homem jamais será o mesmo, e o mar também não. Começamos tímidos, apenas com ideias novas acerca da Fé, de como se deveria crer. Dizíamos que "Crer é pensar", depois dissemos que "Se Deus existe, então existe uma maneira correta de servi-lo. Relativizamos a Bíblia, questionamos os métodos divinos, duvidamos dos milagres e por fim... deixamos de acreditar. Isto é mudança, isto é evolução. 

Ficamos algum tempo sem publicar, acreditando que os assuntos já se haviam esgotado. Pensamos já ter dito tudo. Chegamos a conclusão de que talvez tenhamos mudado a vida de muita gente. É certo que hoje o "Outro Evangelho" tem artigos para todos os gostos, para todas as crenças, e desejamos que cada um aproveite o que melhor lhe caber daquilo que publicamos ao logo desses anos. Acredito que nunca tiramos a Fé de ninguém. Concluirmos que, se alguém deixou de crer lendo o que escrevemos, foi opção dele jogar sua fé fora. Nós apenas mostramos o caminho, se apessoa desejar segui-lo, é de sua inteira responsabilidade a sua liberdade.

Obrigado a todos que nos acompanharam, e que nos ajudaram. Abaixo segue um pequeno artigo para reafirmar aquilo em que cremos agora, o que não impede que venhamos a mudar novamente. Filósofo cético, Edson Moura.

A religião nunca vai ser capaz de melhorar a humanidade, até porque religião é uma escravidão, uma gaiola, uma caverna, onde, quem está dentro, apenas consegue ter uma leve ideia do que é o mundo de liberdade. Pássaros em gaiolas, animais "encavernados", fiéis cegos, todos têm receio de bater asas e voar, pois o mundo, fora de sua zona de conforto, os mataria em pouco tempo.

A Religião persegue, tortura e queima quem discorda dela. Não me recordo, pelo muito que já li, de a Ciência e a Filosofia já terem matado alguém, por discordar delas, pelo contrário, apenas buscam descobrir as leis da natureza, e aceitam sugestões, para que novas ideias venham a se agregar às ideias antigas, ou repeli-las de uma vez por todas.

Muitos crentes me procuram, com certa ira ao saber do meu ateísmo, perguntando o que eu tenho a dizer das catástrofes, da violência no lar, das doenças sem cura, alegando ser este o cumprimentos de muitas das profecias bíblicas. Então lhes respondo com tom sarcástico (como sempre). "Se Cristo realmente disse “Eu não vim trazer a paz mas a espada”, esta é a única profecia do Novo Testamento que se cumpriu. Deus disse aos judeus que matassem todos os hereges, todos os que adorassem outro deus. Então ele enviou seu filho ao mundo para pregar uma nova religião. Se os judeus o mataram, eles não fizeram mais do que cumprir seu mandamento e Deus não pode se queixar".

Quanta idiotice e presunção, acreditar que um ser Eterno, Incriado, Todo Poderoso e Criador dos céus e da Terra e dos confins do Universo tenha a necessidade patológica de nosso louvor e adoração. Por que eu deveria permitir que o mesmo Deus que abandonou seu filho ensanguentado, açoitado, humilhado e pregado numa cruz, (Tendo o poder para salvá-lo, ou pelo menos, poupá-lo) me diga como cuidar do meu?

O Mundo felizmente está mudando exponencialmente sua convicções. À medida que as pessoas vão ficando mais inteligentes, mais inteligencia elas procuram, e vão se importando menos em dar ouvidos aos pastores e mais aos professores. Filósofo cético, Edson Moura

sábado, 10 de novembro de 2012

As analises e previsões de Freud sobre a religião (estaria ele certo?)




Por: Marcio Alves

Acabei de ler “O futuro de uma ilusão” de Freud, e, em cima deste texto, quero de forma bem resumida e objetiva, expor a opinião do pai da psicanálise, que foi sem duvida alguma, um dos maiores homens da historia da humanidade, sua analise e previsão sobre a religião especificamente, (pois o texto aborda outras questões igualmente relevante) como também, dar minha opinião sobre os seus apontamentos...estaria Freud totalmente certo?

Freud inicia esclarecendo que para ele, o processo civilizatório, que levou e elevou o homem de “animal” primitivo bárbaro, para o homem moderno, tal qual conhecemos hoje, foram; “(1) o conhecimento e a capacidade que o ser humano adquiriu com a finalidade de controlar as forças da natureza e extrair a riqueza desta para a satisfação das necessidade humanas. Por outro, inclui todos (2) os regulamentos necessários para ajustar as relações dos homens uns com os outros e, especialmente, a distribuição da riqueza disponível” (Freud)

Em todo esse processo de “humanização”, não foi somente o homem que se “humanizou” como sua vida em grupo, mas também, segundo Freud, as forças temíveis e desconhecidas da natureza, principalmente a morte, pelos nossos ancestrais, fazendo das mesmas, pais e deuses, criando crenças, que mais tarde se tornaram religiões. O que Freud quer dizer, segundo minha opinião, é que, todas as realizações de nossa civilização, incluindo aqui, principalmente todas as religiões e crenças, nasceram do impulso/instinto de autodefesa contra as forças opressivas e assustadoras da natureza.

Neste ponto, quero que você meu caro leitor pense comigo duas questões igualmente importantes:
O primeiro é que os deuses, como anjos, demônios e espíritos, tem características humanas, não seria isto uma das “provas” incontestáveis que, mais do que Deus dizer ao homem “faço-te a minha imagem e semelhança”, foi o homem quem criou os deuses e todos os espíritos a sua “imagem e semelhança”, contando (inventando) depois, que foram os deuses quem disseram isto, sendo perpetuada esta crença, de tal forma, que hoje, isto foi “escrito” em tabuas de mármore, e, é aceito sem nenhum questionamento pelos religiosos?

E, a segunda, e não menos importante, é a questão de que Freud deixa claro, de forma inequívoca no seu texto, que o medo e o desejo são os dois fatores primordiais que fizeram tantos os homens criarem as crenças nos deuses como protetores, e na vida depois da morte como recompensa e consolo, como também mais ainda a necessidade de acreditar nisto tudo, daí, a maioria dos religiosos quando são confrontados por questionamentos sobre sua religião e crença, terminarem o dialogo com a frase que virou jargão popular: “se você não acredita, eu creio, não importa o que você me diga, eu nunca vou deixar de crer, até porque, a crença me faz me sentir bem, e, isto é o que importa”.

Ora, se Freud estiver certo neste ponto, como “acho” que esta, se a crença nasceu e se mantém do medo do desconhecido que era até então as forças da natureza para nossos primitivos ancestrais, como ainda é a morte para muitos de nós, juntando se a isto, o desejo de acreditar nessas mesmas crenças para aplacar o medo, a angustia, o sentimento de desamparo que todos nós compartilhamos, de nossa real finitude e insignificância, o homem, só poderia mesmo crer, seguindo alguma religião, embora, estando este medo e desejo no inconsciente, é totalmente lógico e racional, até porque, a razão é serva dos nossos desejos, medos e vontades, como disse Schopenhauer.

Freud chega a afirmar que “(...) se voltarmos nossa atenção para a origem psíquica das idéias religiosas. Estas, proclamadas como ensinamentos, não constituem precipitados de experiência ou resultados finais de pensamento: são ilusões, realizações dos mais antigos, fortes e prementes desejos da humanidade. O segredo de sua força reside na força desses desejos. Como já sabemos, a impressão terrificante de desamparo na infância despertou a necessidade de proteção - de proteção através do amor -, a qual foi proporcionada pelo pai; o reconhecimento de que esse desamparo perdura através da vida tornou necessário aferrar-se à existência de um pai, dessa vez, porém, um pai mais poderoso. Assim o governo benevolente de uma Providência divina mitiga nosso temor dos perigos da vida” (Freud)

Por isso que “Ilógico”, “incoerente”e “loucura” mesmo é ir contra tudo isto, toda esta crença milenar, crida e sustentada pela maioria, contra nosso medo, desejo e desamparo mais intimo, não crendo em nenhum Deus, não seguindo nenhuma religião e crença, assumindo nossa mais pura condição humana de duvida, de incerteza, mas, de coragem de caminhar pela existência sem as muletas, manuais e mapas da religião.

Freud acreditava que mesmo a “deusa” e “toda poderosa” ciência não seria suficiente para acabar de vez com a religião, como se iludem muitos ateus militantes que desejam o fim da religião, porque psiquicamente, a ciência nunca poderá substituir a função e papel da religião no psiquismo humano, e, neste sentido novamente eu tenho que concorda com o mestre e pai da psicanálise, embora, através da ciência o homem moderno atual diferem e muito do antigo religioso, porque aprendeu com o avanço e disponibilidade do conhecimento, a ser mais criterioso e racional, mas, isto ainda, não determina o fim da religião, na verdade, eu já escrevi algumas vezes, que a religião nunca deixará de existir, por vários fatores expostos nesta postagem como em outras, e, tomará mesmo que nunca acabe, pois mesmo sendo ateu, como estudante de psicologia vejo significado e importância da religião para muitas pessoas, alem do fato de que o mundo seria sem graça e perderia o seu colorido se todo mundo se tornasse ateu, pois a pluralidade e diversidades de ideias e crenças tornam o mundo para o ser humano, “infinito” em suas possibilidades e escolhas, como são “infinitos” a subjetividade e particularidade de cada individuo.

E para terminar, esta postagem que já está ficando muito extensa, um pensamento de Freud que discordo, ou melhor dizendo...que não concordo inteiramente, e, isto não com o que ele irá dizer, mas sim com o que esta nas “entrelinhas”, pois ele afirmou que: “A religião, é claro, desempenhou grandes serviços para a civilização humana. Contribuiu muito para domar os instintos associais. Mas não o suficiente. Dominou a sociedade humana por muitos milhares de anos e teve tempo para demonstrar o que pode alcançar. Se houvesse conseguido tornar feliz a maioria da humanidade, confortá-la, reconciliá-la com a vida, e transformá-la em veículo de civilização, ninguém sonharia em alterar as condições existentes” e, mais: “Não, nossa ciência não é uma ilusão. Ilusão seria imaginar que aquilo que a ciência não nos pode dar, podemos conseguir em outro lugar” (Freud)

O que eu discordo não é com o que está escrito, mas antes com a possível ideia interpretativa, que para mim não passa de ilusão, fantasia e sonho, de que o homem é infeliz com a religião, mas de que possivelmente poderá ser feliz com a ciência, pois na verdade, nem religião e nem ciência consegue dar conta de todo este desamparo e finitude própria, inato do homem, que é apenas humano, e como humano, não passa de um ser frágil, carente, desamparado e infeliz, porém, a ciência e em alguns momentos a religião, podem colaborar em amenizar o sofrimento humano, mas nunca, em hipótese alguma, acabar de vez, pois uma vida sem sofrimento só “existe” mesmo no céu das fantasias mais desejantes e ilusórias das promessas existentes nas crenças religiosas...se assim fosse, bastaríamos então todos morrer para gozarmos deste paraíso, mas como no fundo no fundo ninguém acredita de verdade, ninguém quer morrer para “pagar pra ver”, deixemos então o “céu para os anjos” e aproveitemos nossa curta caminhada em vida na terra.


Texto baseado no “O futuro de uma ilusão” de Freud