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domingo, 21 de julho de 2013

Escrito por mim em 07/02/2010 e só postado hoje


Crença da alma



 

Por: Marcio Alves

Paul Tilich já dizia que Deus está para além de Deus, ou seja, qualquer construção teológica de deus, não passará disto, de uma teologia idealizada, pensada e crida, mas não será Deus mesmo.

Acredito que o grande erro não esta propriamente nas ideias que desenvolvemos sobre Deus, mas sim, na arrogância de se achar que a nossa teologia é a única verdade sobre Deus, fazendo dos conceitos sobre Deus um ídolo que não é, e nem pode ser Deus mesmo, pois Deus não cabe, e, extrapola os limites de toda e qualquer teologia.

As ideias sobre Deus não muda quem de fato Deus é, e, continuará sendo, pois sempre foi quem de fato Ele é não deixando de ser, mas as ideias que temos sobre Deus, nos muda, e, por isso devemos nos preocupar, pois como bem disse Angelus Silesius: “O olho pelo qual Deus me vê é o mesmo olho através do qual eu vejo Deus”.

Então eu chego a triste, mas verdadeira constatação de que: Nada revelou ou poderá revelar o Ser de Deus completamente, pois mesmo as pretensas revelações bíblicas, não passaram de revelações humanas de suas experiências vividas com o deus de suas psiques.

Resta-nos fazer o nosso caminho, construindo a parti das nossas experiências com o divino, a nossa compreensão, sem ter a pretensão de que nossa “verdade” tenha que ser “verdade” para o outro, pois assim como nós, cada um terá a sua própria experiência com o divino.

Sendo Deus de fato, e, só podendo ser, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o Deus de Marcio, Eduardo, Esdras e Wagner, pois cada ser singular terá a sua singularidade de experiência e dentro disto e a parti disto, construirá sua própria percepção de Deus, não tendo e não sendo a inútil pretensão de Ser o Deus mesmo.

Escrito por mim em 07/02/2010 e só postado hoje

domingo, 20 de janeiro de 2013

Breve analise comportamental, psicológica e sociológica da religião: como se inicia a fé nas crenças das religiões?



Por: Marcio Alves

No processo, tanto psicológico como sociológico da fé do individuo nas crenças de qualquer religião, se inicia como primeiro passo rumo a solida e inamovível certeza do que se crê e no que se crê, com a incorporação através do hábito, costume, tradição e ritos, para só depois disso vir a fé em tais costumes que serão apreendidos ao longo do processo como divinos, embora seja os próprios humanos de uma determinada religião, que ensinarão humanamente com ensinos criados pelos próprios homens os iniciados na religião.

Depois disso vem a razão como cereja em cima do bolo, para justificar intelectualmente e significar as razões e motivos da crença, ou seja, ela vem apenas explicar e estruturar com argumentos racionais o porque e pra que das crenças. Eis então o triple da religião: hábito condicionado e aprendido, fé em tais hábitos e costumes como sendo divinos e sagrados, e finalmente a razão para argumentar através dos ensinamentos a fé nas crenças. Desse triple habito + fé + razão e que nasce o sujeito religioso dentro de uma religião.

Esse analise dos sujeitos religiosos é atemporal, porque não existe religião sem uma estrutura de costumes, tradições e ritos, como um templo para se reunir, com hierarquia de sacerdotes, com um conjunto de rituais que vai desde a simples leitura de um livro como tido como sagrado até orações, rezas e jejuns. Por isso me aponte uma religião que eu apontarei essa estrutura, sendo assim, hoje em dia está na moda a própria religião dizer que não é uma religião, como se o termo religião fosse de alguma forma tido como pejorativo, mas não adianta inventar ou tentar livrar a religião da “religião”, pois se tem todo um conjunto e estrutura de costumes religiosos já é em si uma religião.

Assim como john Wesley disse acertadamente que pregava a fé não porque tinha fé, mas para ter fé, da mesma forma, os indivíduos religiosos vão para a religião aprender primeiro os seus costumes e para com tempo, depois de habituados e condicionados aquela religião, desenvolverem uma mentalidade que eles chamam de “fé”, mas que na verdade é o nome dado para um pensamento que foi com o tempo e com a força do hábito desenvolvido.

Depois de toda essa estrutura sociológica e comportamental do religioso com sua religião, depois de desenvolvida também toda uma estrutura mental chamada “fé”, só ai que vem a razão para concluir toda essa estrutura, justificando, explicando, e criando assim um conjunto chamado de doutrinas, muito bem organizado e coerente dentro daquela visão religiosa.

Por isso que mesmo que venhamos refutar através da razão as razões da fé, ainda sim, permanece sua maior base, alicerce e força: o costume e tradição. Um hábito pode as vezes se torna a segunda natureza do individuo, daí ser quase humanamente impossível o sujeito nascido e criado, formado e desenvolvido dentro de uma religião, conseguir anos depois desabituar, pois é sempre muito mais fácil aprender um habito do que desfazer dele, deve ser por isso, segundo essa minha analise, que a religião hoje, mesmo após tanta divulgação e facilidade de acesso do conhecimento e evolução cientifica, ainda continua praticamente imbatível, e, segundo meus cálculos deve continuar, porque se toda nova geração que surgir for ensinada durante anos por seus pais a seguir uma religião, isto estará sendo perpetuada ao longo dos séculos, interminavelmente pelos filhos dos filhos dos filhos e assim por diante, por isso, daqui a mil anos, aposto que ainda existirá a religião com toda sua força e imponência.

Contra argumentos racionais se usa argumentos racionais, mas contra o hábito não há nada que possa fazer, pois o sujeito faz e participa de todo processo da religião como sendo uma coisa natural e automática, sendo assim, meus mais sinceros parabéns para os poucos que conseguiram quebrar e romper com todo esse habito da fé, pois como disse Nietzsche sobre a força do hábito que “Tudo o que é habitual tece à nossa volta uma rede de teias de aranha cada vez mais firme; e logo percebemos que os fios se tornaram cordas e que nós nos achamos no meio, como uma aranha que ali ficou presa e tem de se alimentar do próprio sangue. Eis por que o espírito livre odeia todos os hábitos e regras, tudo o que é duradouro e definitivo, eis por que sempre torna a romper, dolorosamente, a rede em torno de si; embora sofra, em conseqüência disso, feridas inúmeras, pequenas e grandes - pois esses fios ele tem que arrancar de si mesmo, de seu corpo, de sua alma (...)” (Nietzsche)

Se qualquer e todo hábito exerce muita força sobre nós, sobre nosso comportamento, sobre nossa mente, imagina o hábito religioso que eu considero o maior de todos, por justamente ser tido e crido como divino, sobrenatural, vindo de Deus, de sua vontade para nós, será muito mais ainda difícil de si desabituar, por isso, mesmo quando o sujeito religioso deixa sua religião, mesmo quando ele se torna ateu, ele sente falta do hábito que ele mantinha dentro da religião, ou como disse Nietzsche que “(...) ele tem que arrancar de si mesmo, de seu corpo, de sua alma (...)”

Por isso que todo processo de descrença e desreligiosidade causa dor, angustia e sofrimento infindáveis psíquicos e afetivos, pois com o tempo, o sujeito religioso não aprende a desenvolver somente uma fé, mas também um sentimento, um amor pelo hábito, pela crença, pelo grupo a qual pertence e principalmente pela ideia, imagem e representação de Deus.

domingo, 29 de julho de 2012

A existência de Deus pode ser mais assustadora do que a sua inexistência




Por: Marcio Alves

Um Deus mal e perverso no controle absoluto do universo, jogando com nossas vidas, brincando e se divertindo com nosso destino, sem alguém superior a Ele para prestar conta do que faz conosco, rindo de nossas desgraças, provocando diversos tipos de catástrofes no mundo, não se importando com ninguém, atraído por sórdidas maldades, quem já imaginou um Deus assim? Ou, quanto um Deus assim pode ser temido?

Sempre quando se imagina um Deus, ou quando a religião cria, sistematizando uma crença em Deus, ela parte dos anseios mais profundos do porão do inconsciente humano, sendo assim, por mais que Deus seja punitivo com os outros que não compartilham da mesma crença e religião, com elas (seguidoras daquela religião), Deus sempre será aquele pai presente, que cuida, ama e preservar os seus filhos, mesmo quando os castiga, faz isto porque ama e se importa com eles. Nesta crença esta embutida, algumas vezes de maneira imperceptível, o “medo de Deus” que toda religião se utiliza para manter seus seguidores fieis. (No cristianismo é o inferno, no espiritismo é o carma, no budismo o samsara e assim por diante)

Esta crença propriamente dizendo é o lado mais infantilizado de todas as religiões, porque em meio a bilhões de seres humanos, com um universo “infinito” para controlar, Deus se importaria logo com este planeta tão pequeno e com seres humanos tão insignificantes (comparados a toda grandeza do universo)?

Pior do que a sua não existência (ateísmo) ou abandono total do nosso planeta (deismo) é a possibilidade de um Deus perverso, déspota, arrogante e malvado no controle do universo. Imagina se no final de tudo – de uma vida de sofrimento, porque o sofrimento esta ligado a existência, todo mundo sofre de alguma maneira e nível – após a morte, existir vida, e nós tivermos que pagar por toda eternidade, prestando conta (cristianismo) diante de um Ser maléfico, que criou uma camará de tortura com “fogo e enxofre” para atormentar nossa vida, e, isto sem fim?

Ou seja, a ideia da existência de Deus é mais apavorante do que a sua inexistência, porque se Ele não existe, não há o que temer, nem em vida e nem depois da morte, mas, e se Ele existir de verdade, quem é capaz de saber como Ele é, e, o que fará conosco?
E, todas as pistas no mundo indica que se há um Deus quem criou tudo, Ele deve ser muito perverso, porque criou um mundo de sofrimento, seres humanos sádicos, uma natureza muito violenta, ou seja, se Ele fosse realmente bondoso, porque não criou um mundo com menos sofrimento?

A questão do sofrimento que eu coloco aqui, e, que sempre foi uma “pedra” no “sapato” do teísmo (crença em Deus) não é o sofrimento moral, causado por outros seres humanos, ainda que Ele pudesse ter feito um ser humano com uma natureza melhor, mas antes, o sofrimento existencial, com milhares de doenças...imagina uma criança encefálica, (apenas um exemplo, para não citar todos) como pode um Deus bom e justo, permitir tamanha crueldade, ainda mais com um ser que não foi capaz de fazer nem bondade e nem maldade ainda?

Sem falar na natureza tão violenta e cruel, por que desde que o mundo é mundo, sempre houve catástrofes, a diferença é que não tinha tantos seres humanos vivendo de modo aglomerado, pois imagina um terremoto na cidade de São Paulo hoje, por exemplo, que catástrofe seria? Diferente se fosse um lugar deserto, há milhares de anos atrás, totalmente desabitado por pessoas...junta se a isto, o fato de termos acesso a todo tipo de informação mundial, isto significa, que temos mais informações hoje do que antes, o que dá a impressão de que o “mundo esta realmente acabando” – a questão principal aqui é: ou Deus existe e é mal, porque criou de propósito um mundo hostil ao ser humano, e aí meu amigo, se existir um Deus assim nós estamos literalmente “fudidos”, ou Deus não existe e a natureza é “cega” e podemos viver e morrer em paz, porque quando “acabar”, para nós realmente “acabou”, de qualquer jeito estamos todos nós (raça humana) no mesmo barco em meio ao mesmo oceano, a diferença é como enxergarmos e/ou como queremos enxergar este oceano....

Como a ciência em questão de Deus não pode provar que Ele existe ou não existe, cabe a você meu caro leitor decidir; acreditar em Deus de maneira religiosa, pessoal (teísmo) e viver a vida “pisando” em ovos, não sendo e não assumindo os riscos de uma vida sem Deus, com liberdade de ser e fazer o que se deseja, até porque na crença Deus é aquele eterno estraga prazer que sempre esta com o seu olhar onipresente de quem não se pode fugir, ou acreditar como os filósofos que Deus é impessoal, (deismo) que não interfere em nossas vidas, e/ou ainda como os ateus (ateísmo) que simplesmente ignoram não acreditando em deus ou deuses, e continuar vivendo a vida totalmente voltada para o “aqui e agora”, sem o peso de ter que prestar contas a Deus, mas apenas a sua consciência?