domingo, 29 de abril de 2012
Falsos Profetas (parte 5)
domingo, 4 de setembro de 2011
A importância do outro (humano) e a “des-importância” do Outro (Deus)
Por: Marcio Alves
Deus não existe! Qual o sentido de viver a vida, se Deus não existe? Vale apena continuar vivo então? Porque os ateus não se matam de uma vez, se não existe vida após a morte?
A primeira idéia que nos vem à cabeça, diante de tal pergunta é que a vida não tem mais sentido e graça para quem não acredita mais em Deus...será?
Deus não existe, mas a menina que o jovem esta de olho há um bom tempo existe...o filho do ex-religioso continua a existir mesmo sem Deus....os amigos do tempo das baladas, dos botecos da vida, dos jogos de futebol, das aventuras, e todas essas coisas aparentemente sem importância também existem, sem contar nos escritores de livros que nos levam a viver aventuras fantásticas, pelo mundo da imaginação. E os atores, atrizes e diretores de filmes e novelas prediletos nossos? Os cantores, bandas e compositores que fazem nossa alegria e nos dão prazer com suas canções?
Todos eles sem exceção existiram ou existem e fazem a diferença em nossa vida.
Por isso que Deus mesmo não existindo, nossa vida não deixa de existir, ela continua e o tempo não para, nem as coisas de que mais gostamos de fazer perdem o seu significado, mas justamente ao contrário!
A vida passa a ter mais sabor, sentido e valor, pois passamos a enxerga-lá como única e muito breve – e realmente é!
Por isso que a resposta a pergunta: “Porque os ateus não se matam de uma vez, se não existe vida após a morte?” traz em si mesmo a resposta: justamente por não ter vida após a morte, a vida tem maior valor para nós, pois ela é única e tem prazo de validade!
Agora que tal revertermos a pergunta, e direcionarmos para o crente da seguinte forma: Porque você crente, vive esta vida aqui tão apegado a ela, se existe a eternidade pela frente?
Mas não para por ai, porque o outro passa a ter mais importância e referencia em nossa vida quando não mais cremos em Deus.
Pois imagine a mulher crente tendo que deixar o seu marido ateu em casa ou no bar com os seus amigos e “amigas” para ir á igreja se santificar e buscar a Deus.
Agora pense nesta mesma mulher deixando de acreditar em Deus, e vivendo sua vida para si mesmo e seu esposo...ela irá passar mais tempo com ele, indo inclusive para o bar ou festas com ele, e o esposo incrédulo não precisará mais ter a atenção de sua mulher divida com o todo-poderoso – que se diga de passagem é uma competição injusta dado o “peso” de Deus para quem acredita e vive para ele!
Talvez você meu caro leitor religioso, não parou para pensar na fundamental importância do outro em sua vida, porque se seu amigão é Deus, o dono do universo, que te ama com um amor desumano (“que nem um ser humano é capaz de amar com tal intensidade”) e te protege e ajuda, para que então você iria ficar tão dependente de seus amiguinhos humanos?
É por isso que a primeira coisa que o crente faz quando se converte para “Deus” é abandonar os seus velhos amigos “mundanos”, “filhos da ira e do diabo”, os “perdidos e incrédulos”, “ímpios e perversos”, pois afinal, luz não combina com as trevas, e nem inferno com o céu, não é verdade, meu amigo crente e servo do altíssimo? (que no fundo enxerga todos os não cristãos – e ai não importa se o cara é ateu ou de outra religião – como inimigo a ser ganho do reino das trevas para o reino dos céus)
Mas repare também, que a primeira coisa que o crente faz quando desvia do caminho do senhor, é procurar os velhos amigos e reviver com eles tudo que a religião o privou....não é irônico que os “filhos das trevas” voltam a ser importante para os crentes desviados?
É que indiscutivelmente precisamos da relação eu-tu e tu-eu, pois neste sentido ninguém é uma ilha, tanto é verdade isto, que ninguém ama a si mesmo a tal ponto de ser auto-suficiente de não precisar do outro, pois todas as nossas fantasias e desejos têm sempre o outro como participante, ou você meu caro crente “fiel” e temente a Deus, vai dizer que quando se masturba, se masturba pensando só em si mesmo ou na placa de um carro? (ah na verdade você vai me dizer que não se masturba, pois masturbação é pecado, e como você orou e jejuou muito a Deus, ele tirou de você o desejo humanamente humano de transar, não é verdade?)
Deus não existe! Mas o mundo existe! A vida existe! O prazer existe! O sentido e o significado existem! E o mais importante: você existe! Pelo menos por enquanto, até quando em você houver respiração.....então faça valer a pena, deixando de ser escravo e mande Deus, crença, religião para o “diabo que os carregue”! (Risos não..gargalhadas hahahaha)
P.S: Este meu texto foi inspirado em algumas frases também de minha autoria no facebook no link: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002460045319
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Você escolheu a religião que acha que escolheu ou foi a religião quem te escolheu?

Você acha que pensa o que pensa ser o que pensa? Pense duas vezes e depois responda, pois a primeira resposta sempre será aquela que você herdou do meio social em que vive.
Você acha errado um homem já adulto ter relações sexuais com uma adolescente de 13 anos? Agora pense de novo, e me diga, porque então em algumas culturas não é considerado crime? (Não estou aqui nem defendendo e nem sendo contra, apenas levanto a pergunta como exemplo de que o que pensamos ter tudo haver com o meio social pelo qual nos relacionamos)
Ou por exemplo, o canibalismo praticado em algumas culturas....se você tivesse nascido num destes contextos, onde o canibalismo fosse “natural”, será que acharia errado e absurdo como pensa atualmente?
Na questão da crença religiosa, você meu caro leitor cristão, o que acha dos hindus que prestam cultos e adoram vacas e ratos como animais sagrados?
Ridículo não é mesmo?
Mas o que você acha que os hindus pensam de você, que adora um homem chamado Cristo que foi crucificado e morto numa cruz como deus, pelo qual você celebra em sua homenagem uma ceia, onde o pão simboliza o seu corpo, e o vinho o seu sangue?
Eles também diriam que é ridícula a sua crença.
Mas o mais importante na questão da religião é que as pessoas acreditam no que o meio a sua volta acredita, ou seja, se você tivesse nascido em um pais onde o hinduísmo prevalecesse, certamente a esta hora você estaria de joelhos adorando vacas e ratos como animais sagrados!
Sendo assim, todos os nossos valores, crenças, morais, atitudes, pensamentos e até vontades não passam de uma roupagem social imposta e colocada em todos nós....não escolhemos quase nada, na verdade nós é quem somos escolhidos pelas escolhas, ou como diria no entender de Nietzsche, todos nós ao nascermos somos camelos, onde toda bagagem social e psicologia será colocada em nossas costas.
Mas fica ai uma pergunta: A grande questão não é se nascemos ou não já escolhidos pelas escolhas, (pois este debate já esta mais do que claramente vencido pelo determinismo, onde o maior e simples exemplo é que para começar, não escolhemos nascer, simplesmente nascemos e ponto!), mas se temos que continuar sendo escolhido por elas. Sendo o primeiro passo o questionar e confrontar tudo que absolvemos nesta longa estrada da modelagem social, o qual, tínhamos como verdades até então, absolutas e inquestionáveis.
A grande questão é: podemos mudar....ainda há tempo para se mudar, ou então, no mínimo, escolher continuar sendo escolhido pelas escolhas.
Porque a reflexão comprometedora é aquela pela qual corremos risco, pois colocamos em xeque tudo que aprendemos com o meio social, e isto gera angustias e conflitos infindáveis.
Tem que se ter muita coragem para se pensar que o “certo” pode ser na verdade o “errado” e que o “errado” pode ser o “certo”.
Para isto se faz necessário criarmos uma consciência por trás da própria consciência, que consiga analisar e pensar todos nossos pensamentos, ao ponto de criticá-los e, se for o caso, mantê-los, pois entre o pensar e o fazer, existe um abismo de diferença, onde o primeiro passo é questionar os próprios questionamentos, pensar os próprios pensamentos, para no final, conseguirmos enxergar e diferenciar o que em nós é maquiagem é o que é natural, sendo que mais tarde, o social se tornará em nós uma segunda pele!
Por: Marcio Alves
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Quem será o pior: O diabo criado por Deus ou o Deus criador do diabo?

Quanto tempo será que faz desde que eu cheguei aqui? Mil? Dez mil? Ou cem mil anos? Não sei, nunca saberei, mas o que importa mesmo saber sobre o tempo, pois o que é a contagem dos anos, meses e dias, horas e segundos, comparados com a eternidade?
Nossa! Só de pensar me dá uma angustia sem fim.
O pior de tudo é que aqui não tem pessoas normais para conversar, mas apenas os piores assassinos e estupradores de toda humanidade.
Mas acho que pior do que estas companhias é mesmo a total solidão eterna, mas confesso que até agora eu não consegui conversar com alguns deles, pois eu sinto o calor dos seus ódios, vejo terror e sangue em seus olhos.
Mas o que adiantaria conversar, se eu sinto uma dor ininterrupta, um calor imenso me queimar? Demônios por toda parte se revezam com seus tormentos, não me deixam em paz.
Os gritos, gemidos e choros não param por aqui, todos nós que fomos lançados pelo soberano neste inferno, não suportamos de tanto sofrimento, pois aqui “o fogo nunca apaga e o bicho nunca morre”.
Por falar em Deus, tenho ódio e medo dele, pois me lembro que quando sofri parada cardiorrespiratória e morri, fui levado até o trono Dele, contemplei sua face de ira, e minha culpa foi de não ter aceitado Jesus como salvador, não ter virado crente e passado a ser membro de uma igreja, não ter abraçado a “reta doutrina” com seus dogmas.
Então perguntei a Ele, se era justo eu ser lançado no fogo do inferno com os maiores monstros da humanidade, sendo que fui uma pessoa até boa em vida, ajudei meu próximo na medida do possível, claro, cometi alguns erros, mas até ai, tudo bem, porque quem é que não erra, não é mesmo?
Mas ele me disse que tinha que ser assim, porque afinal das contas, eu não tinha me tornado crente e aceito Jesus.
Então eu perguntei atônito para Ele que a questão toda não era os crimes cometidos, ou as justiças praticadas, mas sim, apenas aceitar ou não Jesus, e Ele balançou afirmativamente a cabeça.
Mas eu ainda repliquei dizendo que se Jesus era mesmo o único caminho para ser salvo, porque o onisciente, aquele que sabe de todas as coisas não resolveu mandar ele em pleno século da alta tecnologia, pois assim todas as televisões do mundo e demais veículos de informação, noticiariam a vinda de Jesus, e conseqüentemente mais pessoas saberiam, e não teriam assim bilhões sem ao menos ouvir o nome dele.
Ou então, não enviasse, pois se assim fosse, ninguém precisaria ter que saber sobre ele e nem muito menos acreditar nele, conseqüentemente ninguém seria culpado.
Mas Ele nada me respondeu.
Então eu continue dizendo uma ultima coisa:
“Se você realmente nós ama, porque então criou o inferno? Se você nos condenasse a alguns anos no mesmo, talvez se relativizasse a condenação, sendo mais justo ao determinar que a vida de cada um fosse o que determinaria sua própria quantidade de anos no inferno, mas não, decidiu que seria por toda eternidade.... onde estas sua justiça?”
Então sem mais nenhuma palavra, bateu o martelo condenando-me ao inferno por toda eternidade.
E agora, resta-me o desespero eterno, como também a sede por justiça, mas afinal, que sou eu mesmo para discutir se Ele é o todo-poderoso?
Quando de repente.....
Tocou o despertador e eu acordei encharcado de suor, com a bíblia aberta em cima de mim, justamente na pagina que falava do juízo final. Então sem hesitar, peguei o livro rasguei todo e jogue no lixo, e decidi que dali em diante, eu não leria mais aquelas porcarias, e passaria a ler muito mais poesias, poemas, romances e literaturas, pois minha alma rejeitou completamente o Deus juiz cristão.
Por Marcio Alves
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Não quero ser salvo por Deus de mim mesmo!

O senso comum dos evangélicos é que todos estão irremediavelmente perdidos, são podres, horríveis, malignos e por isso estão amaldiçoados por Deus.
Por isso que durante muito tempo – antes da falaciosa doutrina da prosperidade entrar em ação no cenário Brasileiro – as pregações giravam entorno do arrependimento, que devíamos mudar de vida, sermos transformados em uma nova criatura, que éramos por natureza inimigos de Deus, condenados à ira futura divina.
E pior, me ensinaram (ainda ensinam) que eu era o meu pior inimigo, que deveria lutar contra mim mesmo, contra os meus ímpios e impuros desejos, que eu era malvado, não havia bem nenhum em mim, e por isso passei a me odiar, até senti nojo de mim mesmo.
Então a lógica religiosa se repetia e se perpetuava a cada culto, a cada pregação:
“Você precisa se arrepender de seus pecados, para que possa ser salvo por Deus de você mesmo”.
Então me vi, cada vez em pior situação e me odiando cada dia mais, porque por mais que eu lutasse, não conseguia vencer a mim mesmo, pois os desejos eram avassaladores, e minhas imperfeições não mudaram, não acabaram quando eu levantei a mão e aceitei a Jesus como salvador, não me transformei em um santo, pelo contrario, me tornei hipócrita, projetava em mim, uma imagem que não era minha, mas tinha que ser assim, pois é assim que os evangélicos se mostram e querem ser vistos.
A verdade era que eu não conseguia, por mais que tentasse alcançar o padrão moral de uma divindade perfeita e exigente, me sentia sempre devedor, culpado por não conseguir ser o que o deus evangélico queria que eu fosse.
Hoje já deixei de acreditar que precise ser salvo por Deus de mim mesmo, que tenha que me arrepender dos meus erros para escapar do inferno.
Não! Não preciso arrepender-me, pois os meus erros faziam e fazem parte do processo de viver, como posso aprender, se eu nunca errar? Como posso arrepender-me desses erros, que me ensinaram a viver?
Os erros cometidos por mim, não são crimes bárbaros, não sou nenhum criminoso, sou apenas um humano com imperfeições.
Hoje salvação para mim é justamente quando eu reconheço-me, consigo me ver no espelho como eu sou realmente, e aprendo a viver com o meu interior.
Ter um encontro com Deus é ter um encontro consigo mesmo.
Olho para dentro de mim e vejo forças poderosas da maldade e da bondade que habitam em mim, não sou totalmente bom, como não sou totalmente malvado.
Sou um humano que a cada dia tenta viver a vida, caminhando entre esses dois pólos.
Até os meus pecados – como dizem os religiosos – foram importantes e decisivos na construção da minha historia.
Hoje aprendi a não mais me odiar, me abominar, nem mesmo quando erro, sei das minhas imperfeições, tenho que andar em cima da corda bamba da vida, e errar faz parte do processo de viver. Inclusive, mesmo até os piores erros, nos dão forças de continuar a viver, pois nos empurra para frente, nos dando coragem para nos encarar, levando nos a nos conhecer melhor, fazendo com que, aprendamos a administrar os nossos defeitos, procurando ser mais virtuosos.
Inclusive, não há virtude em se fazer o bem, esperando receber recompensas.
Até mesmo a recompensa dos céus e seus respectivos galardões.
Como não há dignidade em não fazer o mal, por causa da sua conseqüência, como medo de ir para o inferno, ou, medo da punição e constrangimento de ser pego em flagrante, que poderá nos causar tais atitudes.
Façamos o bem e deixemos de praticar o mal, por que há virtude intrínseca na bondade, e maldade intrínseca no mal, e não porque o grande olho divino esta nos vigiando, para pesar a sua potente mão, nos perseguindo com maldições.
Alias, o maior beneficio em se praticar o bem é que esse bem nos coloca mais perto de outro bem, e, a maior tragédia de se fazer o mal é que nos coloca mais perto de outro mal.
Exemplificando essa minha tese:
A atitude de você trair uma pessoa te colocará mais perto de outra maldade, o da mentira, que por conseqüência te colocará perto da falsidade.
A atitude de você praticar um ato bondoso te colocará mais perto, deixando a porta aberta para outra atitude bondosa.
É como efeito dominó, ou as ondulações no rio quando jogamos pedras.
Toda atitude tem desdobramentos para nós e para os outros.
Dentro de cada ser humano, há luzes e trevas, verdades e mentiras, ninguém é totalmente herói, como ninguém é totalmente vilão.
Há bondade no mais vil dos homens, como maldade no mais santo dos homens.
Ninguém é totalmente demônio, como não é totalmente anjo.
Essa idéia miserável e desgraçada que por causa da mordidinha de Adão na “maça”, a raça esta totalmente em trevas, corrompida e degenerada, que não há bondade no ser humano, que todos são filhos do diabo, que estão debaixo de maldição e ira de Deus, é retrógada, injusta e narcotizante do ser.
Todo ser humano possui a imago dei, e deve ser visto de modo digno e respeitável.
O que resta nós fazermos então?
Admitirmos nossas virtudes e defeitos, sabermos conviver com nossas limitações e capacidades, e, principalmente, trabalharmos e potencializarmos o nosso lado de luz, para que o das trevas não venha sobrepor e prevalecer.
Mas jamais isto tem haver com Deus, não é da responsabilidade de Deus salvar o homem de si mesmo, transformando-o em um outro ser totalmente diferente do que era. Mas antes, é nossa a responsabilidade de a cada dia vivermos com maior dignidade, consciência e acima de tudo, valorizando a vida, pois pecado é tudo que é contra a vida!
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Sexo não é pecado, pecado é não fazer sexo!

Dizem que o sexo é do demônio, mais que demônio mais inteligente e gentil, nos deu um dos maiores prazeres da vida. Deve ser por isso que o voto de castidade foi imposto aos religiosos. Sexo só se for para procriação e sem prazer viu! Senão vai para o inferno, dizem os religiosos.
Só uma pergunta: No inferno vai ter sexo? Pois se tiver eu quero ir para lá! Oh! Que inferno infernal mais gostoso deve ser este!
Dizem também que quem faz sexo antes do casamento, comete fornicação e os fornicadores não entraram no reino dos céus.
Se assim for, eu é que não quero ir, pois um lugar que para você poder entrar tem que primeiro se abster do prazer, deve ser sem graça e um desprazer.
Dizem ainda que Deus abomina o sexo antes do casamento, que está nos vigiando com o seu grande olho, e que ninguém escapa, porque para onde se vai, Deus está lá, pois é onipresente.
Se Deus for assim, deve-ser então um grande "estraga prazeres" mesmo, pois proibir aquilo que Ele mesmo colocou em nós, só pode ser por pura maldade.
Dizem que Deus só permitiu depois de estar casado, mas Ele se esqueceu que muitos só podem se casar, depois de muito tempo, e é no tempo da juventude que se tem os hormônios a flor da pele.
Jovens explodindo por dentro, cheio de desejos libidinosos, como um vulcão que esta prestes a entrar em erupção.
E o pior é que não pode nem se masturbar!
Dizem que Deus tem uma “estratégia” para aliviar esse sofrimento – pois o desejo sexual é tão intenso que chega a causar dor de tanta tensão e, é incontrolável, levando o jovem a pensar nisso a todo o momento – utilizando o sono, ele concede ao jovem fiel, que não se masturbou ou transou, sonhar com lindas e sensuais mulheres, fazendo amor com elas, ai eles acordam todo melado, sentido que foi real com o desejo mais aflorado, e o gostinho de quero mais.
Pergunto: Masturbar-se é pecado? Pois assim afirmam os beatos, porque ninguém se masturba pensando em placa de caminhão, mas na sua vizinha que é muito gostosa. Então quer dizer que se masturbar se valendo da imagem sensual e fantasiosa de uma mulher não pode, mas agora ter sonhos sexuais com essas mesmas imagens de mulheres sensuais pode, e foi Deus quem concedeu, mas proibiu a masturbação?
A não, assim não dá, não pode fazer sexo quando se é jovem, na melhor e mais intensa idade para sexo, só pode fazer depois que se casar, e ainda não poder se masturbar?!
Prefiro não ir para o céu, prefiro não ser religioso, prefiro não servir a Deus dentro desta concepção.
Alias! Que Deus mais sem graça este, o da religião cristã, tanto católica quando evangélica pintam!
Pois para você conhecer uma pessoa, basta saber o que ela pensa sobre Deus e religião, pois Deus é o retrato de cada pessoa.
Eu fico pensando que esse Deus dos cristãos, é um Deus "sadomasoquista", pois cria uma coisa para depois proibí – la.
É um Deus castrador de prazeres.
E os seus seguidores, são muito estranhos, pois vive uma vida de hipocrisia, diante dos outros falam mal, dizem que não pode, mas quando ninguém vê, o jovenzinho se masturba pensando na jovem sua irmã de igreja e companheira de conjunto de jovens.
São tão estranhos, que só prometem a Deus coisas horríveis como se Deus tivesse prazer no nosso desprazer.
Fazem votos de castidades, prometem não se masturbarem, tentando se abster da pornografia, mas no seu interior vivem com lascívia, com os mais fortes e profundos e proibidos desejos. Proibidos para ele, e para o deus da sua imaginação.
Pergunto-me: Por que não fazem promessas de fazerem muito sexo com quem se ama? Se dar prazer, isto deve honrar muito mais a Deus, pois estamos tendo prazer com aquilo que fomos feito para ser.
Pecado de verdade é não se respeitar, e desrespeitar o outro, fazendo sexo com um e outro, numa espécie de bestialização, sem sentimentos e valor pelo outro, vendo como um simples objeto sexual descartável.
Pecado é ferir o outro, usando-o como objeto sexual, sem se importar com os sentimentos do parceiro.
Pecado é se reprimir, mentir para si, odiar a si quando se é o que se é, e, o que não dá para não ser, deixando de ser, pois somos o que fomos feitos para ser, seres sexuais desejantes.
Mas sexo com quem se ama, independente de se estar casado, separado ou solteiro, é uma das grandes expressões da vida.
Sexo é vida, fazendo sexo estamos valorizando e desfrutando da vida que Deus nos deu.
Sexo não é pecado, pecado é não fazer sexo!
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Desabafo de um jovem evangélico

Recebi o e-mail abaixo de um jovem e com a sua devida autorização, estou publicando o mesmo.
Para não o expor, omitir alguns dados pessoais seus.
Trata-se de um e-mail, onde o mesmo desabafa comigo e expõe algumas da suas angustias.
Desabafo de um jovem evangélico:
Olá meu amado irmão, gostaria sim de sua ajuda, pq eu já estava começando a me desanimar deste deus que fatalmente e pregado nos dias atuais. Esse "deus" de barganha, "deus" vingativo, rancoroso, que abençoa somente o seu "povo eleito" deixando de lado grande parte da humanidade.
O meu pastor quando não concordamos com ele, parece que ficamos meio de lado, ele é extremamente possessivo que quer tomar a frente de tudo, e tudo tem que ser da maneira dele, e o pior e que sempre pagamos por suas escolhas! São tantas coisas Marcio que me perco em meio os pensamente enquanto escrevo este e-mail!
São tantas indignações que às vezes acabo pensando que "eu" estou completamente errado, porque quase ninguém compartilha de meus pensamentos, aí quando procuro no Google , "não acredito em milagres", ou outras frases, encontro o seu blog, recheado de idéias que muito se assemelha às minhas, fico muito feliz porque em seus posts percebo o quanto ama a Deus, e o quanto combate esses evangelhos vazios que hoje são pregados e a maneira em que se é levado esse povo . Que muito querem agradar a Deus, mas são mal influenciados!
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Minha resposta:
Meu amigo e irmão Bruno, peço-lhe primeiramente desculpas pela demora em responder o seu e-mail.
Estive muito atarefado por esses dias. (Muito trabalho lá na empresa e respondendo outros e-mails)
Bruno, percebo que você entendeu perfeitamente o que há anos estamos (Eu e o Edson) tentando ensinar para as pessoas.
Muitas das quais não entendem – ou pior, não querem entender – pois, aceitando essas nossas ideias, as tirariam das suas pretensas zonas de conforto eclesiásticas.
É lamentável ver que, a maioria dos evangélicos preferem ficar no “mundo da lua” do que viver na realidade.
Como diria o poeta: “A vida é nua e crua”.
Esquecem que o evangelho e a Fé em Deus não nos colocam vendas nos olhos, levando-nos a fugir da realidade.
Não! Não aceito que a mensagem do evangelho seja reduzida a narcóticos que servem para anestesiar as pessoas, tirando-as da realidade da vida, provocando alucinações.
O evangelho são princípios e valores que nos ajudam a enfrentar a vida com dignidade e coragem existencial.
Meu querido Bruno, analisando o seu problema, ele muito se assemelha ao que já passei.
Pois eu era diácono e professor da escola dominical da Igreja xxxxxx, ministério do xxxxxxx.
Não sei de qual igreja você é, mas conheço muitas, pois ao longo da minha caminhada cristã – uns 15 anos, para ser mais especifico – conheci diversas igrejas, e acredite, as xxxxxxxx são uma das mais equilibradas.
Mas, no entanto, percebo a influência e penetração da teologia da prosperidade também na igreja xxxxxxxxxx.
Os obreiros da minha ex-igreja pregavam muita vitória, milagres e bênçãos materiais.
Até os louvores, eram com temas de vitórias e milagres.
A oração girava entorno de petições de bênçãos materiais.
Estava farto, não agüentava mais ouvir promessas de bênçãos.
Saía do culto pior do que quando entrava.
Até que resolvi ir na contramão, pregava mensagens parecidas com as postagens que escrevo no blog.
Na verdade, a idéia de escrever no blog, saiu do pensamento de pregar o contrário do que ensinava a igreja, que eu não concordava.
Até que um dia, a direção começou a “dês-pregar” o que eu falava.
Percebendo o clima tenso e chato que se criara – pois a direção da igreja não queria tirar-me, pois eu estava lá uns 10 anos, foi quando decidi sair da minha ex-denominação e partir para outra.
Hoje estou em uma igreja que considero uma outra espiritualidade, uma alternativa para sair desses legalismos, paranóias e manipulações.
Mas em relação a você meu amigo Bruno, acredito que você tenha três alternativas (com suas respectivas implicações):
1-Alternativa:
Ficar e tentar mudar a situação – foi o que tentei fazer por dois anos, mas sem sucesso.
2-Alternativa:
Ficar em silêncio aceitando a situação – atitude que não recomendo, pois como você conseguirá adorar a Deus estando desse jeito?
3-Alternativa:
Procurar outra igreja – atitude que é a mais recomendável, pois como diz o ditado popular: “Os incomodados é quem se mudem”.
Enfim, a decisão é toda sua, o que posso fazer por você, é apenas apontar as possibilidades e conseqüências das decisões.
Fico no aguardo para quaisquer dúvidas ou conselhos.
No demais, um abraço.
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
O Reino dos Excluídos

Por: Marcio Alves
Durante muito tempo, interpretei o sermão da montanha, mais precisamente, as bem-aventuranças como virtudes para se alcançar nesta vida.
Lia com as lentes que me eram dadas, pelos doutores da teologia.
Encarava as beatitudes – assim também chamadas – como regras, preceitos, normas e comportamentos descritos para qualquer cristão que quisesse, entrar no Reino dos céus.
Como por exemplo, o celebre John stott que disse:
“As bem-aventuranças descrevem o caráter equilibrado e diversificado do povo cristão...”
“....As bem-aventuranças são especificações dadas pelo próprio Cristo quanto ao que cada cristão deveria ser.”
Martyn Lloyd Jones interpretando “os pobres de espírito” das bem-aventuranças diz:
“Necessariamente, essa (pobre de espírito) é a primeira das bem-aventuranças devido à excelente razão que ninguém pode entrar no reino de Deus a menos que seja possuidor desta qualidade.”
Enfim, centenas de outras interpretações do cristianismo histórico, seguem a mesma linha de coerência.
Ou seja, não há duvidas sobre as bem-aventuranças, é algo homogêneo e unânime na cristandade.
Só tem um problema, é que eu decidi não mais ler as escrituras com as lentes que me são dadas.
Mas sim, pensar livremente.
Hoje, já não mais concordo com essas interpretações históricas – digo isto, com muito respeito aos grandes vultos do cristianismo, que prestaram o grande favor ao Reino de Deus.
Eis algumas razões:
1- Contexto gramatical.
Quem disse que o sermão da montanha começa no capítulo cinco de Mateus?
A bíblia originalmente, não possui divisões de capítulos e versículos.
Foi o Prof. Stephen Langton que, no ano de 1227 dC a dividiu em capítulos, para facilitar a sua leitura e localização.
Já os versículos, foram organizados, no ano de 1551 dc, pelo Sr. Robert Stephanus
Fazendo uma acurada e minuciosa investigação, o texto do sermão da montanha, não começa no capítulo cinco, mas provavelmente no capitulo quatro e versículo vinte e três, que diz:
“E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.
E a sua fama correu por toda a Síria, e traziam-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos, e ele os curava.
E seguia-o uma grande multidão da Galiléia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judéia, e de além do Jordão.” (Mt 4 v 23 – 25)
2- Contexto Histórico.
Dizem os historiadores que, na época de Jesus, o povo pobre era massacrado e oprimido pelo império Romano.
As pessoas as quais, Jesus se dirige, são indefesos, injustiçados e perseguidos.
Portanto, ouso re-interpretar o sermão da montanha, dizendo:
Pobres de espírito:
Não são – como gostaríamos que fossem – nós, humildes espirituais.
Mas sim, pessoas desprovidas de inteligência, pobres materiais que vivem mendigando para sobreviver.
Os que choram:
Não são aqueles sensíveis espirituais, dependentes de Deus, mas antes, os oprimidos que choram pelas injustiças e dramas humanos.
Os mansos:
Não são os que têm o temperamento controlado pelo Espírito Santo, mas antes, os dominados pelos sistemas de poder, que são esmagados. Que não conseguem reagir, não tem forças para lutar e reverter a situação.
Os que têm fome e sede de Justiça:
Não somos nós, pessoas boas que sofrem – ou pelo menos tenta sofrer – a dor do outro, mas antes, os que sofreram injustiças nesta vida. Por exemplo, a mãe que perdeu seu filho, o desgraçado na África, que não tem o que comer em um mundo de Bilionários, os doentes terminais que mal são atendidos nos hospitais.
Misericordiosos:
São pessoas que ajudam as outras naquilo que ela mesma perdeu (sofreu).
São pessoas miseráveis que tem um coração (daí a expressão, “miseri” + “cordia”) generoso para com os desgraçados.
Limpos de coração:
Não são pessoas santas, seguindo um padrão de perfeição moral que é ditado em formas de regras pela igreja.
Mas antes, as pessoas ingênuas, bobas e simples que, muitas vezes são facilmente enganadas e passadas para trás.
Pacificadores:
São os que desejam a paz, odeia as brigas e guerras.
Os que sofrem perseguições:
Enfim, o sofrer perseguição, resume bem as bem aventuranças.
Pensem comigo.........Quem são os pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, misericordiosos, limpos de coração, pacificadores, os que sofrem perseguições, descritos por Jesus?
Quem no mundo que vivemos, sofre mais o drama humano?
A grande boa nova deste texto é que:
“Essas descrições da bem aventurança, não são de virtudes que devemos almejar ou alcançar, mas de pessoas que foram esmagadas pela vida.
Essas pessoas não são do Reino de Deus por serem assim, mas apesar de serem assim.
Ninguém precisa desejar sofrer, como se houvesse virtude no sofrimento, mas apesar de sofrerem são amadas por Deus e bem vindas no seu Reino.”
Por isso é que Jesus disse:
“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça” (Mt 6 v 33)
Buscar o Reino, não é programações da igreja:
Evangelizar (leia-se, fazer proselitismo), dar dízimos e ofertas, participar de campanhas, trabalhar na “obra”, ter cargos ministeriais – ou seja, ativismo religioso, não é a essência do Reino.
Mas pasmem – os evangélicos mais conservadores – o Reino de Deus é feito por, de e para as pessoas.
Buscar o Reino é ajudar o oprimido e necessitado.
Que tem que ser acompanhado por justiça.
Pois não há paz, sem justiça.
Justiça!
Essa é a prioridade do Reino de Deus.
Aliás, não somente o Reino de Deus é um reino de pessoas, mas o próprio Rei deste Reino é visto nas pessoas pobres e oprimidas.
“E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mt 25 v 40)
Pois a religião de Jesus, não é confessional – como bem expressou o Gresder: “Não são palavras mágicas na hora de morrer, não são senhas bíblicas e evangélicas que a pessoa fala com a boca.” – mas de praticidade:
Religião dos evangélicos (confessional):
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus” (Mt 7 v 21)
Religião de Jesus (prática):
“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica” (Mt 7 v 24)
“Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.” (Mt 7 v 12)
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
domingo, 25 de outubro de 2009
Não creio em "milagres"!

Por: Marcio Alves
No inicio e durante muito tempo, na minha caminhada cristã, acreditei que por ser “filho” de Deus, tinha uma super proteção divina.
Não saía de casa, para qualquer lugar, sem antes, fazer uma oração a Deus, pedindo por uma proteção.
Inclusive, faço uma confissão: Na minha adolescência, ávido para “curtir” nas baladas da vida, perdi o interesse religioso, não tinha mais vontade nenhuma de ir á igreja.
Comecei achar os cultos, muito chato, mas, não tinha coragem, aliás, para ser mais exato, tinha medo, de sair da igreja. Acreditava que, saindo da igreja, perderia a proteção divina, ou pior, seria alvo do “castigo divino”.
Deixaria de ter bênçãos, para ganhar maldições.
Resultado; passei daquele amor entusiasmado e esfuziante a Deus, para servi-lo por medo e interesse.
Lembro-me bem, daquele dia, quando decídi sair da igreja, para andar com meus amigos do “mundo”. Com medo de Deus, gerado pela religiosidade evangélica, continuei orando a Deus por proteção.
Hoje, vejo como era engraçado. Saindo para farrear, beber e zuar, mas, o tempo todo, na minha mente, persistia a neurose evangélica; “Cuidado menino por onde andas e o que fazes, Deus esta vendo tudo e vai te castigar”. Lembro-me que, não poucas vezes, orei de dentro da balada: “Oh Deus, estou zuando um pouco aqui, mas não me deixe sofrer nenhum acidente. Proteja e livra-me de quaisquer imprevistos”.
Hoje, mais maduro e consciente, tenho poucas certezas, algumas percepções e muitas dúvidas. Neste texto, passo a escrever essas percepções e dúvidas, deixando de lado as certezas. Pois acredito, que a Fé anda de mãos dadas com a dúvida. Como disse um poeta; “Na casa das certezas, não há espaço para a Fé”. Não vejo Deus, e é por isso que tenho Fé Nele. Se visse, não precisaria de Fé.
Eis algumas das percepções ao longo da minha trajetória na Fé:
A maioria dos evangélicos serve a Deus por interesse.
Como moedas de troca, barganham com Deus.
As orações na maioria das vezes, não passam de pedidos com promessas e/ou sacrifícios com petições, do tipo:“Deus, se o Senhor me der isso, eu vou à igreja”. “Deus, estou ofertando na sua casa, me de aquela benção”. Por isso é que existem essas campanhas de oração e de jejum infindáveis.
“Para arrancar de Deus uma benção”. “Tomar posse da vitória”.Daí o jargão religioso: “A oração da fé move o braço de Deus”.
Se na era medieval, também chamada era das trevas, a igreja manipulava através do medo, hoje ela manipula através de promessas de bênçãos.
Eu tenho pena das pessoas que vão à igreja e acreditam (como eu já acreditei) que por orarem vão conseguir antecipar os percalços da vida e controlar o futuro. Inclusive, a vida só tem graça, porque não sabemos o que há de nos sobrevir amanhã. Passamos a ter uma vida com mais qualidade, quando nos tornamos consciente que ela é breve.
Não adianta ir ao culto, pensando que, se fizer tudo certinho, nossa vida vai ser ou se tornar um mar de rosas.
Alice, o pais das maravilhas, só existe em contos de fadas.
Precisamos ter Fé, isto não no sentido que o senso comum evangélico definiu a palavra Fé. Pois quando se diz; “Fé”, os crentes associam a vitoria, poder, livramento e milagres. Mas na bíblia, antes de tudo, a palavra Fé esta ligada ao sofrimento.
Não precisamos de ter Fé no milagre e vitoria, mas somos convocados a acreditar e servir a Deus, mesmo quando tudo sair errado, quando estamos imersos no sofrimento.
Não, não, não deixei de acreditar que Deus pode intervir.
Deus pode tudo.
A discussão aqui é outra.Esta fundamentada na seguinte pergunta:
Como Deus organizou a nossa existência?:
Eu não acredito que Deus, a todo instante, todos os dias, intervém em nossa realidade com milagres.
Ao contrário, ao nos dar a liberdade, Deus criou um mundo de imprevisibilidade, de acaso mesmo.
Você acha que por eu acreditar em acaso, virei ateu?
Pois leia você mesmo isto na bíblia:
“Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.”
“Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.”
“Que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles.” (Eclesiates 9 v 2, 11 – 12) (O grifo em vermelho é meu)
Não consigo acreditar num “deus” que, protege um crente de assalto, que blinda outro com emprego, carro e casa, mas não protege bilhões de crianças da AIDS, fome, guerras e pedofilias. Afinal, se Deus fosse realmente proteger alguém, porventura essas, não seriam as criançinhas? Não são delas que a bíblia diz: “Dos tais são o Reino de Deus”?
Não consigo digerir a idéia de que, num acidente aéreo que matou 300 pessoas, e, portanto, são 300 famílias que choraram pela perda, apenas uma se salvou, porque Deus interveio. Então por que ele não salvou as 300?
Não excluo a possibilidade de milagre, mas passei acreditar em acaso.
Muitos – para não falar a maioria – dos testemunhos de “milagres” relatados nas igrejas evangélicas, não passam de mero acaso, de sorte mesmo. Concernente a curas, acredito – além é claro, de que Deus pode curar – em processos naturais de cura, produzidos pelo próprio organismo.
Mais os crentes ávidos, para constatarem que Deus ainda faz milagres, no menor sinal de favorecimento, alardeiam que ocorreu o sobrenatural.
O carro de uma pessoa tombou, ela conseguiu sobreviver, mais ficou paraplégica, logo eles afirmam que foi uma intervenção de Deus.
A pergunta que não quer calar: “Se Deus livrou aquela pessoa da morte, porque não fez o serviço completo? Se pode livrar da morte, também não podia livrar da cadeira de rodas? Então porque não o fez? Ah já sei, foi para cumprir um propósito divino, não é mesmo?! Deixou a pessoa para o resto da vida inválida, mais foi para um bem maior? Desculpem, mais não acredito nisso, já acreditei, mas hoje, isso não faz o menor sentido.
Já sei você vai usar a bíblia para provar que estou errado, não é mesmo? Lamento te informar, mais qualquer teoria – isto inclui a bíblia – precisa estar fundamentada na pratica da vida humana.
Pegar alguns textos da bíblia, que falam de promessas de livramentos para o justo e aplicar a nossa existência, prometendo que a vida do crente vai ser um mar de rosa, num mundo em que acidentes mortes e tragédias sobrevém a todos – inclusive aos crentes – é irreal e alucinação.
Vale lembrar que, é muito fácil falar da dor alheia, o difícil é falar em meio a sua própria dor.
Afirmar que os que sofreram com as enchentes de Santa Catarina, receberam um “justo juízo de Deus”, não estando lá é fácil. Teologizar a partir de um lugar privilegiado é muito cômodo, mas falar da enchente com água na cintura é bem diferente.
Portanto aos que sofrem e/ou sofreram, ou até mesmo aos sensíveis ao drama humano, eis a minha frágil proposta:
1- Não organize sua vida em torno de um possível milagre.
Porque o milagre, não passa de uma possibilidade rara, portanto, improvável de acontecer.
2- Não de ouvidos aos oportunistas que prometem, ter o poder de decretar o seu milagre.
Isso é mentira. Ninguém controla Deus.
Deus pode realizar milagres, mas isso não depende de nosso desempenho.
3- Viva uma vida normal.
Soa até esquisito, mas é verdade, as igrejas estão se especializando em “espiritualizar” todo problema.
Se você quer conseguir um emprego, envie currículo, corra atrás. Quer passar no vestibular, estude. Quer receber uma cura, procure ajuda médica, faça tratamento. Quer salvar seu casamento, seja melhor esposo ou esposa.
Não caia na paranóia evangélica, não busque a Deus, para melhorar de vida. Para ter melhor sorte do que o resto dos mortais.
Ninguém tem a proteção de Deus!
Para Deus nos proteger, seria necessário nos aprisionar, tirando nossa liberdade. È como o pássaro dentro de uma gaiola, protegido, mas preso. Tire-o da gaiola, ele terá liberdade, porém correrá riscos.Viver é uma grande aventura, que custa correr riscos.
Ore, e muito. Vá para os cultos. Mas sem propósito, a não ser para adorar e celebrar o amor de Deus.
Acho ridículo, oração com propósito. Você convida uma pessoa para orar, e ela já pergunta: “Para qual propósito?”. “Uma cura, emprego ou livramento?”Pergunto: Mas porque isso? Não podemos simplesmente orar a Deus, para termos comunhão com Ele?
Termino esta postagem, com um trecho de um texto do Pr. Ed. Rene Kivitz:
“Além disso, estar sob o cuidado de um super protetor não é a razão porque acredito em Deus: de fato, abro mão de ser protegido – minha solidariedade com a raça humana não me permite esperar melhor sorte do que a das crianças abandonadas, dos enfermos crônicos, dos miseráveis e vitimados pelas atrocidades dos maus. Ou Deus protege todo mundo, ou a proteção não serve como fundamento para a crença nele.”
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
sábado, 26 de setembro de 2009
Liberte-se da Manipulação dos "evangélicos!" (Parte I)

É próprio da maioria dos sistemas religiosos, cometerem abusos, violência espiritual. Usando de manipulação e muitas vezes até de coerção. São duas, as palavras, que nós precisamos saber para podermos entender este tema.
1- ABUSO (VIOLÊNCIA) ESPIRITUAL: É o uso inadequado do poder. O problema não está no poder, mas sim, em como usar este poder.
As igrejas e/ou líderes, cometem abuso (violência), quando tentam manipular as pessoas.
2- MANIPULAR AS PESSOAS: É instrumentalizar, como se fossem mero objetos.
A novidade, que não é novidade, é que, os “evangélicos” estão cada vez mais, usando desta arma, para conseguir arrastar multidões para as suas igrejas. A lamentável lógica religiosa é a seguinte: “Quanto mais pessoas vierem á igreja, mais dinheiro se tem”.
Já de antemão quero esclarecer que:
1- Nem toda igreja e/ou líder comete violência espiritual.
2- E as igrejas e/ou líderes que usam deste artifício, não cometem o tempo todo, a todo o momento abuso espiritual.
3- Não quero que você saia da sua igreja, tenho outra proposta, que estarei dando no final da outra postagem: “Liberte-se da Manipulação dos “evangélicos”! (Parte I I)
Esclarecido possíveis dúvidas, vamos ao diagnóstico que visa responder a seguinte pergunta:
Eis a resposta:
Os 3 principais pilares da violência espiritual:
1- Controla as ações através de:
A- Medo.
Toda igreja que manipula seus membros, o faz através do medo.
Seja este medo qual for, desde o medo do devorador, que virá, se a pessoa não der (ou pagar como costumam usar hoje em dia) o dízimo, até mesmo o medo do inferno.
Apelos e chantagens emocionais tais como, se não orar, deixam de receber a benção, se quebrar a campanha, vem maldição, se não der o dízimo, o devorador – que segundo alguns líderes, é o diabo – vai devorar sua renda, (sendo que biblicamente, o devorador era um gafanhoto que devorava literalmente as plantações dos israelitas) se não vier à igreja, vai queimar eternamente no inferno, deixar de vir ao evangelismo – que muitas vezes, não passa de proselitismo – “Deus vai cobrar”, e muitos outros, (Você tem mais? Aceito sugestões!) não passa de manipulação pelo mecanismo do medo.
B- Ameaças:
Pestes, furacões, terremotos, maremotos, secas ou enchentes, que antes se pensavam que era a “ira de Deus”, hoje é sabido que não passava de fenômenos naturais. Inclusive, é possível através da tecnologia e da ciência, poder até prever alguns desses acontecimentos naturais.
Portanto o velho chavão: “Se você fizer ou deixar de fazer.......Deus vai pesar a mão”, não passa de manobra para domesticar as pessoas.
Não podemos pressionar as pessoas com medos, ameaças e culpas, mas antes, tentar conscientizá-las.
C- Culpa:
Culpa boa, é aquela culpa que vem da nossa consciência, que nos mostra que erramos e precisamos corrigir-nos.
A culpa como manipulação é aquela que vem externamente, seja da igreja ou sociedade, esta sim é má.
A culpa produzida pelo Espírito Santo brota de dentro para fora, e visa nossa restauração.
A culpa dos religiosos visa nossa condenação.
Esta arma é quase que infalível, porque, quem é que não tem pelo menos uma culpazinha no cartório? Ou como disse Jesus para aqueles homens que queriam apedrejar a mulher adúltera: “Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra.”
Por isso é fácil e indigno, manipular as pessoas através da culpa.
O Evangelho de Cristo veio para nos libertar de toda culpa e condenação, mas as “igrejas” vieram para nos prender.
(Continua..............)
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
Liberte-se da Manipulação dos "evangélicos”! (Parte II)

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (Autor: Jesus Cristo)
2- Controla as idéias.
Isto ocorre quando somos obrigados a pensar dentro de uma “caixa”. A “verdade” não é propriedade de nenhum seguimento religioso ou evangélico.
Aliás, a Bíblia é inspirada, mas a sua interpretação muitas vezes não.
Pois há muitas interpretações divergentes uma com a outra, de vários grupos religiosos, e todos com base na Bíblia, portanto, mesmo o argumento tendo fundamento na Bíblia, não é suficiente a segurança de que esteja correto. Se alguém e/ou grupo religioso afirmar ser detentora da verdade, de que sua interpretação é a única infalível, de uma das duas hipóteses; ou a pessoa e/ou grupo não conhece nada de teologia e da história milenar do Cristianismo, (pois diferentes estudiosos em diferentes épocas discordaram um do outro em algum ponto) e por isso erram ao fazer com que seus seguidores pensem que estejam seguindo um conceito infalível ou pior ainda, tem muito, mas muito mesmo conhecimento, e sabe que toda a sua teologia não está 100% correta, mas para manipular as pessoas, diz-se que só lá é possível encontrar a “verdade absoluta”.
A maioria dos seguimentos religiosos tem por objetivo, fazer com que as pessoas pensem igual, só que isso é coisa de máquina, não de ser humano.
Nesses ambientes as pessoas estão sendo desencorajadas a questionar e pior ainda discordar. É lamentável ver que até os obreiros são ensinados a memorizar conceitos, e não formá-los.
Parecem mais papagaios eclesiásticos.
Infelizmente muito da teologia clássica, esta engessada.
Não fomos chamados para ser um eco, mas para sermos vozes!
Não podemos “robotizar” as pessoas.
3- Controla os relacionamentos.
A- Relacionamentos conjugais.
A igreja não pode dizer para os casais quando e porque separarem. Isso tira das pessoas, o direito de decidir.
Pior ainda, é dizer como as pessoas devem ter relações sexuais.
Isso compete ao casal, e ninguém ou organização tem o direito de intervir.
B- Relacionamento com o próximo.
Em muitos ambientes legalistas, onde impera a rigidez, ocorre o patrulhamento ou policiamento dos membros.
Não fomos chamados para vigiar o nosso irmão, mas para amá-lo.
C- Relacionamento com a igreja.
Muitos entendem (muitas vezes, tendenciosamente) que buscar em primeiro lugar o Reino de Deus, é trabalhar para a igreja, cumprindo a programação da igreja. Nessa compreensão, ficam reféns da instituição religiosa.
Esquecem-se que não somos nós quem devemos servir a igreja, mas a igreja é que deve nos servir.
D- Relacionamento consigo mesmo.
Esta imagem de que somos miseráveis e totalmente perdidos, gera nas pessoas uma baixa auto-estima.
Faz com que a pessoa não consiga se aceitar, e precise constantemente usar mascaras para se proteger das outras pessoas. Daí a imagem que alguns líderes nutrem de si mesmos e pior ainda, passam para os membros..........a de Super-Espiritual.
E- Relacionamento com o “mundo”.
Essa idéia de que o mundo é nosso inimigo, de que tudo que está no mundo é do diabo e que não somos deste mundo, por isso devemos pensar só no céu, é uma das grandes distorções evangélicas, que tem prejudicados milhões.
As pessoas não entendem – pois são ensinadas de maneira errada – que, quando a bíblia afirma que o mundo jaz no maligno, ela faz alusão ao sistema do mundo. A corrupção e a imoralidade, e não aos prazeres, músicas, teatros, poemas em fim, as artes que compõe a nossa cultura, e que veio de Deus, pois foi ele quem nos criou assim, e nos deu sabedoria para criar muitas outras coisas as quais devemos desfrutar.
F- Relacionamento com Deus.
Muitas instituições, têm se colocado – a exemplo da igreja católica – como intermediadora entre Deus e as pessoas.
Fazendo com que elas pensem, que para ter contato com Deus só é possível através da igreja.
Se não forem à igreja, não tem como ter um relacionamento com Deus. Esta é a manipulação mais grave de todas.
A pessoa fica submissa á igreja, dependente como uma criança da instituição.
A igreja não é a intermediária entre Deus e os homens, pois só há um mediador.......Jesus Cristo!
Uma constatação:
Eis a proposta para quem está em uma igreja em que há manipulação:
1- Para os lideres:
Cometam suicídio organizacional!
Não há outra saída!
Preguem na contramão do sistema religioso.
Mesmo que isto signifique ir contra o ministério.
Para isso você terá que fazer uma difícil escolha.....abrir mão do “status quo” que a religião oferece.
Prefira agradar a Deus mesmo que isso lhe leve a desagradar os homens. A não ser que você seja como um dos religiosos no tempo de Jesus que: “Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga. Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.” (Jo 12 v 42-43)
2- Para os membros:
Cometam suicídio comunitário.
Comecem a questionar tudo o que fala o pastor.
Se não concordar com algo, discorde abertamente.
Cause impacto na sua comunidade.
Proponho que sejamos Sal dentro do saleiro!
Existem muitos membros e líderes que são reféns do sistema religioso, por isso, seja um irmão e amigo, se vir ou ouvir alguma coisa errada, fale, questione, ouse dar sua opinião. De uma oportunidade para as pessoas mudarem de conceitos.
Pois afinal de contas, a verdade não tem medo de ser questionada, por ser verdade!
E finalmente lembre-se de que.......”Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão.” (Autor: Apostolo Paulo)
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
domingo, 6 de setembro de 2009
Eu não faço a “vontade” de Deus!
Por: Marcio Alves
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” (MT 7v21)
Faço uma afirmação que vai soar um tanto como herética e chocar algumas (muitas?) pessoas: “Eu não faço a “vontade” de Deus!”. Não, não, não! Não perdi o juízo e nem muito menos a Fé! Estou bem consciente nesta minha afirmação. Alias, tenho ciência das implicações.
Bem, permita-me, construir minha linha de raciocínio:
Entre os evangélicos, criou e propagou-se uma mania, para não falar epidemia, de que todas as decisões a serem tomadas, precisam antes, serem consultadas através da oração a Deus. Perguntando-o, se é da vontade Dele.
Exemplo: Se o crente quer casar, e existem pretendentes, ao invés de escolher, ele ora a Deus, para que Deus decida por ele. Ou se ele quer mudar de casa para outro bairro ou estado, ele primeiro ora á Deus, para ver se é da vontade de Deus.
Algum tempo atrás, um amigo meu, crente há muito tempo, tinha comprado um carro, e para variar, o carro vivia com problemas, ele disse-me que estava “pagando o preço” pela desobediência, porque ele não tinha, antes de comprar o carro, orado á Deus, para ver se era da vontade ou pelo menos tinha a permissão Dele.
Então, se pra muitos crentes, fazer a vontade de Deus, se resume a orar á Deus para tomar qualquer decisão, então com toda certeza: “Eu não faço a vontade de Deus”.
Na verdade, o que as pessoas (in)conscientemente querem, ao orarem pra Deus antes de tomar qualquer atitude, é que Ele decida por elas.
Primeiro que, Deus decidindo por elas a chance de errarem é zero. Ou seja, as pessoas querem se antecipar e prevenir qualquer possibilidade de erro ou acidente.
Segundo que, ao orarem, e Deus supostamente tomar a decisão, elas ficam isentos de qualquer responsabilidade. Porque se der errado, foi Deus quem quis assim, e afinal de contas - elas argumentam - quem sou eu para ir contra a decisão de Deus.
Ou seja, o crente não quer amadurecer na fé, não quer deixar de ser criança para se tornar adulto no entendimento, tomando as decisões necessárias que competem a nós.
Ouso, contra-argumentar que:
Primeiro: Mesmo orando, o crente toma decisões erradas, e a bíblia diz que a vontade de Deus ela é boa, agradável e perfeita. (RM 12v2) Não adianta vir com aquele papo de que Deus decidiu assim, deve ser porque é o melhor para mim, mesmo não compreendendo nada agora, mas no céu Deus vai me mostrar que tinha algo bom nisso tudo.
Será que esse determinismo é verdade? Será que Deus decidiu muitas coisas ruins, mas no final, vai revelar que era bom? Quando uma criança morre, vale aquele chavão de que, não devemos chorar por que Deus sabe o que faz?
Meus questionamentos têm a intenção de levar você a pensar.
Mas em segundo lugar, se Deus realmente decide até que carro devemos comprar, a casa onde vamos morar e a pessoa com quem vamos nos casar, então não há livre-arbítrio, e nós não passamos de meros fantoches nas mãos de Deus. Sabe aquelas frases de que: “Deus escreve certo por linhas tortas”, “que ele tem um plano pra cada pessoa”, “que ele dá o frio conforme o cobertor”, “Deus tem uma pessoa certa para cada um” – são frases de um determinismo fatalista.
Não, não acredito e nem aceito que Deus escreveu os roteiros e nós somos atores em uma história já pronta e pré-determinada. Antes, acredito que Deus é nosso parceiro, e que nossa história pode ser mudada por nós. Deus não nos fez para sermos assim, podemos e devemos construir a nossa historia. Não aceitemos a idéia de destino traçado
Mas uma pergunta ainda faltou ser respondida, já que Jesus disse, os que vão entrar no céu, são aqueles que fazem a vontade de Deus. Então, o que é fazer a vontade de Deus?
Em síntese, fazer a vontade de Deus é: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6v8)
Perceba que a vontade de Deus está relacionada com a moral e não com escolhas que pertencem a nós!
Nós devemos escolher com quem casar, o emprego que queremos trabalhar, o lugar onde vamos morar e o carro que vamos andar.
Nisto tudo, o que Deus pede á nós, é que sejamos íntegros e fiéis a Ele.
Dentro dessa lógica, para Deus, não importa se você vai casar com A ou B, o importante mesmo é ser fiel no seu casamento. Ou até mesmo, se vai trabalhar no emprego A ou B, se vai morar no Japão ou na china, contudo que seja integro em qualquer lugar.
Um clássico exemplo é o de Adão e Eva. De todas as arvores que tinham no jardim, Deus só pediu que eles não comessem o fruto do conhecimento do bem e do mal. O restante estava liberado. Eles não ficaram perguntando a toda hora, em todo momento, se podiam pegar da fruta A ou B.
“16- E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente,17- Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (GN 2v16-17)
Mas não, não queremos decidir, pra não ter que assumirmos a responsabilidade, preferimos jogar para as “costas largas” de Deus as nossas escolhas.
Urge que os evangélicos (re)aprendam a viver, e viver é correr riscos. É tomar decisões, algumas certas, outras erradas.
Somos seres semelhantes a Deus, isto é, somos seres moralmente livres e não cachorrinhos presos em coleiras.
Deus não nos colocou em bolhas de aço ou dentro de gaiolas, não somos intocáveis e nem perfeitos. Isto é........somos seres humanos!
Você pode mudar o seu destino, a sua historia é como um diário, em que todos os dias você a escreve! E Deus onde é que fica nessa história? Não fica manipulando e nem ausente, Ele está ao nosso lado!
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém
terça-feira, 1 de setembro de 2009
A culpa é de Deus ou do diabo?
Por: Marcio Alves
Infelizmente, em muitas igrejas evangélicas, a espiritualidade se tornou sinônimo de infantilidade. Ao invés de ensinar e colaborar para o crescimento e responsabilidade, o que ocorre, é justamente o oposto, pessoas se tornando cada vez mais irresponsáveis.
Parece-me que, o ocorrido no jardim do Éden, volta a se repetir. Pois cada vez mais, em um numero cada vez maior, em situações cada vez mais freqüentes, os evangélicos estão jogando a culpa em Deus ou no diabo.
Observem o relato bíblico, e percebam, se há algo em comum no meio evangélico: “11-E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?12-Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.13-E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.” (Gn 3v 11-13) (grifo meu)
Vejam que, na passagem em apreço, quando questionado por Deus, a respeito quem lhe mostrara que estava nu, Adão jogou a culpa na mulher e por conseqüência em Deus: “A mulher que me deste por companheira”. Eva, por sua vez, jogou a culpa na serpente (ou seja, no diabo): ”A serpente me enganou”. Então a tradicional desculpa por erros ou acidentes, ser de Deus ou o diabo, ela é tão velha quanto a própria tentação no jardim do Éden!
Quer um exemplo? Pois bem! O crente perde o emprego, logo acha um “bode expiatório” para se isentar da responsabilidade, dizendo que é Deus quem está o provando, ou o diabo está se levantando contra ele. E muitas vezes a culpa foi toda dele (e só dele), porque chegava atrasado, dava o “cano” no patrão. Ou mais ainda, por causa do drama do desemprego que afeta milhões de brasileiros, por causa da falta de estrutura do nosso governo.
Lembrei-me de outro exemplo dessa paranóia, recentemente encontrei com um amigo meu, crente, em um hospital, ele tinha machucado o dedo, quando o perguntei sobre o ocorrido – que foi um acidente – ele me disse que foi o diabo, pois na mesma semana ele tinha começado 3 campanhas em igrejas diferentes, portanto o diabo – segundo sua palavra – estava furioso contra ele.
Daí o titulo dessa postagem: “A culpa é de Deus ou do diabo?”
Isto ocorre principalmente no meio pentecostal, pois os pentecostais (e olha que eu me considero pentecostal viu!) em sua maioria são muito “místicos”, gostam de “espiritualizar” tudo. Como diagnosticou muito bem o Pr. Paulo Romeiro, quando disse: “Os pentecostais são mais propensos a “sentir” do que a pensar”. Ainda mais com o advento da falaciosa e perniciosa “guerra espiritual” e principalmente com a publicação dos livros de rebeca Brown. Essa historia de que cada lugar, bairro, cidade, estado, país e continente (ufa! Pensei que não ia acabar mais essa listinha, só falta agora, inventarem os demônios planetários!) é comandado por um demônio territorial, cheira mais a filme de bruxa do que a realidade. Inclusive, um católico fez uma excelente afirmação, quando disse que: “Vocês crentes falam que nós católicos temos um santo para cada problema, mas vocês têm um demônio para cada situação, pelo menos nós – palavras suas - ficamos com a melhor parte”.
Vejo outro fator importante nessa historia “diabolicamente satânica”, que contribuiu para exaltação da imagem dos demônios. São os que se convertem da “macumbaria”, por exemplo, e trazem para a igreja os nomes e costumes do espiritismo. Daí o chavão, ser mais comum nessa vertente do protestantismo. Se o pneu do carro furar a caminho da igreja, pode saber que lá vem o diabo de novo. Se ficou doente, ou é porque Deus esta provando ou o diabo que está lutando. Na verdade isto é uma verdadeira “babel”, pois ora o crente culpa o diabo, ora ele culpa Deus, acho que até o diabo fica confuso nessa história.
A grande verdade é que não podemos subestimar o diabo, e é claro que ele existe, e que nossa luta é contra ele. (não só contra ele, porque, demônios verdadeiros, nós expulsamos através da oração, mas fome, desemprego, doença e violência – por exemplo – se expulsa com justiça e dignidade social!) Mas dizer que todo erro que cometemos ou acidente que sofremos, é ele que esta por trás, é forçar muito a barra. Essa história de dar “brecha” para o diabo é uma verdadeira paranóia!
Mas, pior do que culparmos ao diabo, é culparmos à Deus!
Na verdade estou cansado da resposta simplista, de que, quando uma criança é estuprada e morta – por exemplo – vem com o velho chavão: “Deus sabe o que faz”, Deus sabe o que faz?! Isso é loucura! Culpar a Deus por um crime tão hediondo. Concordo com o grito de protesto de Habacuque, quando ele diz: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar.” (Hc 1v 13)
Se realmente for Deus que na eternidade passada, para cumprir um propósito misterioso, (sabe lá que propósito é esse) manipula ou consente (a famosa “vontade permissiva”, que é outra explicação simplista demais) que uma criança seja violentada ou assassinada, esse “deus” eu não quero, porque ele é pior do que eu!
Se a culpa não é de Deus e nem do diabo, de quem seria a culpa então?
A culpa é nossa! Isto é, de cada ser humano, nisto concordo com o chavão: “Errar é humano”. O erro faz parte do processo de ser humano. Se fossemos máquinas talvez não errássemos. Se a culpa é de Deus ou do diabo, como fica os textos bíblicos como esse: ”De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.” (RM 14 v 12)
Concernentes aos acidentes, o nome já diz tudo, é um acidente! O mundo em que vivemos é totalmente imprevisível. Nele ocorrem os acidentes naturais, verdadeiras catástrofes. Querer encontrar uma explicação para fenômenos naturais, dizendo serem possíveis “castigos” divinos, é muito cruel, e não condiz com o Deus revelado em Cristo.
Enfim, concluo com uma frase pertencente ao catolicismo, que concordo completamente e soluciona o “enigma” proposto: “A culpa é de Deus ou do diabo?”:
Minha culpa!
Minha culpa!
Minha máxima culpa!
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
