sábado, 2 de outubro de 2010

As colunas (parte III)

 Ao aproximarem-se da maior e mais poderosa de todas as colunas, Logomeu e Psiquemom estagnaram atônitos. Era magnífica...imponente...soberana sobre toda e qualquer coluna que eles já tinham visto. Entreolharam-se e por um momento Logomeu detectou medo nos olhos brilhantes de Psiquemom. Ele (Logomeu) não culpava Psiquemom por ter este tipo de sentimento, afinal de contas, muitos já haviam chegado até ali mas o que restara dos bravos guerreiros era apenas um amontoados de ossos aos pés da coluna que nem sequer fora arranhada pelas investidas dos desconstrutores que por ali se aventuraram.

Precisamos destruí-la amigo! Disse Logomeu.

Esta coluna tem atraído nossos irmãos por milênios. Povos de todo o mundo são capturados pela crença de que esta coluna deu origem ao nosso mundo e a todos os outros mundos que existem na vastidão do universo. Nós “sabemos” que isso não é verdade...ou melhor, sabemos que não existem provas de que isso seja verdade. Não precisamos temer aqueles que nos apedrejam por tentarmos acabar com a ilusão de que a origem se deu desta forma. Não podemos recuar agora. Vamos em frente!

Mas Psiquemom, por ser mais cauteloso que Logomeu, achou por bem, não investir contra a ela. Psiquemom dizia que não tinha certeza de que estavam certos. Dizia que tanto existia a possibilidade de tudo ter origem num só lugar...num só ser, como também poderia ser verdadeira a teoria de que o homem, assim como todas as espécies do planeta teriam surgido espontaneamente de uma evolução lenta e exponencial.

O temor de Psiquemom não era de ser punido pelo senhor daquela coluna, mas sim, os efeitos que poderiam causar aos fiéis seguidores da mesma. Muitos alienadunianos haviam se apoiado nesta crença para que suas vidas ganhassem um significado. Muitos haviam saído do fundo do poço e hoje gozavam de uma felicidade que jamais o existencialismo logomeuniano poderia proporcionar-lhes. Seria irresponsabilidade, ou como dizia Psiquemom, burrice, afirmar que a coluna era uma construção humana e não que o homem era uma construção da coluna.

Eu continuarei a caminhada Logomeu! Disse Psiquemom.

Você optou por ficar e lutar, mas eu apenas continuarei a caminhar, buscarei respostas mais adiante pois depois de tantos anos caminhando lado a lado, tudo que consegui foram mais perguntas. E cada dia que passa as perguntas tornam-se mais difíceis. Sei que não vou convencê-lo a seguir comigo, também sei que você jamais trairia suas convicções, pois, como você mesmo diz: “não é saudável para um alienaduniano, ir contra sua consciência”. Você saiu de uma caverna que era a crença cega na coluna, mas agora, entrou em uma nova caverna que é o ceticismo radical. Eu porém, prefiro não entrar com você nesta caverna. Vou continuar caminhando e quem sabe um dia encontrarei respostas para minhas indagações?

E Logomeu chorou. Chorou como nunca antes havia chorado. Ele entendia que o amigo precisava de mais tempo para pensar, e sabia também que desta vez ele não poderia influenciá-lo. Uma coisa era certa: Ambos haviam experimentado a fé na coluna durante anos, e justamente por este motivo, os dois tinham o total direito de falar que a coluna não existia...que era uma farsa...que fora inventada pelo próprio homem para confortá-lo das mesmas inquietações que afligiam Psiquemom agora. Na incerteza de uma vida sem sentidos, a melhor coisa a fazer é não tirar aquilo que, de certa forma, dá sentido à vida de muitos.

Psiquemom partiu. E quando já estava distante da coluna em que Logomeu ficara, olhou para trás. Viu o amigo investindo contra a coluna com toda sua força. O suor lhe corria ao rosto, as mãos sangravam pelas arremetidas contra a gigantesca coluna, as armas que trouxera para a batalha, já estavam despedaçadas. A luta era desleal. Logomeu era uma formiga diante da pilastra da fé alienaduniana.

Sentiu vontade de voltar e lutar com o amigo, mas Psiquemom também sabia que não podia fazer isso. Logomeu, assim como ele, também precisava de um tempo sozinho. Precisava domar a fera que existia dentro de si, para só então entender que a coluna que ele tenta desesperadamente derrubar a golpes de mão...nem sequer irá arranhar...

Edson Moura

11 comentários:

  1. “os dois tinham o total direito de falar que a coluna não existia...que era uma farsa...que fora inventada pelo próprio homem para confortá-lo das mesmas inquietações que afligiam”

    “Os dois tinham o total direito de falar que a coluna não existia...”

    Não! Não e não e não rsrs... Ninguém tem o direito de afirmar que a coluna não existe, isso é monstruosamente injusto e arrogante, pois não sendo verificável tal objeto da concepção da mente humana, o máximo que cada um pode dizer é simplesmente: “eu não creio” “eu creio” “eu não acredito que deus existe”, “eu acredito que deus existe”mas afirmar assim: “ Deus não existe ou “Deus existe quer você queira ou não” é muita arrogância. É o mesmo que dizer teimosamente que não este vida em outros planetas e galáxia, ou afirmar aferradamente que existe sim vida em outros planetas. Cara estas coisas não dão para provar, então que cada um acredite no que quiser que cada um use seus argumentos, pois única coisa que existe são argumentos e contra argumentos teses e antíteses.

    “que era uma farsa...”

    Não também, mesmo que deus realmente não exista, mesmo se nem uma concepção Monista panenteista, deita, teista e animista de deus sejam próximas a uma possível realidade, mesmo que não exista nada neste infinito universo, a não ser somente seres como nós, a idéia de deus não é uma farsa, mas simplesmente uma crença humana pois farsa é muito pejorativo, denota engodo consciente, denota invenção maldosa. E mesmo que exista lideres que perpetua esta crença por proveito próprio a sua origem, a origem da crença humana é a mais pura e ingênua e a primeira interpretação dos homens da origem da vida. No passado não se conhecia a imensidão do nosso universo, a multiplicidade de crenças, a filosofia sociológica, e a ciência astronômica que produzem o ateísmo moderno, mesmo que os primeiros homens tenha errado, eles fizeram de boa fé pois eles realmente acreditaram sim em uma origem divina para vida.


    “que fora inventada pelo próprio homem”
    Não também, a palavra inventar trás conotação de coisa cuidadosamente elaborada, pois a crença é um processo humano de tradições s e tradições de pessoas que sentim as coisas, que interpretavam espiritualmente as coisas. E os mitos são acontecimentos interpretados e passados de boca em boca, se tornando com o tempo uma narração subjetivas de varias pessoas e épocas de um acontecimento objetivo em um determinado lugar. Ou seja, aqui até cabia a palavra invenção, nas não no sentido frio de um escritor cronista ou legislador, mas invenção do próprio povo crédulo em superstição, que mesmo que no fundo em conjunto tenham inventado isso, fizeram para si mesmo, como alto engano e não como motivo de tirar proveito.

    “para confortá-lo das mesmas inquietações que afligiam”

    Em partes, pois a crença em uma origem divina para o mundo vem primeira como necessidade de explicar o mundo, vem como sensação causada pelo mistério que o mundo sempre teve, principalmente no começo das civilizações. A crença de todos os povos vem como sentido e direção para vida a qual os primeiros homens sentiram, pois a fé vem da primeira da sensibilidade e não da reflexão e não da busca por resposta das suas perguntas, pois princípios as perguntas não eram formuladas verbalmente e claramente, mas simplesmente os homens intuíam sobre a origem, e eram profundamente inebriados da sensação mística de suas próprias personalidades e temperamentos. Ou seja, fé não surgiu em depois de muita reflexão para o alivio da duvida, mas surgiu como processo natural da sensibilidade de homens em meio ao um compreensão do mundo sem os estudos da ciência que faziam dos fenômenos naturais deste planeta um lugar fantasmagórico e mágica

    Esta é minha opinião sobre a idéia divina para o mundo, falo origem divina para não falar de uma interpretação pessoal de uma religião, mas para englobar todas as crenças humanas em Deus e deuses

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  2. Graça e paz, sempre!

    Passei por aqui para conhecer seu blog.
    Estou seguindo.
    Ficaria muito feliz em me visitar.
    Se quiser me seguir também será um prazer.

    Abraço em Cristo,

    Sandro
    http://oreinoemnos.blogspot.com/
    Te espero lá.

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  3. Prá quê tanto sofrimento e suor? Deixa de lutar e vai viver!!!!! A vida é curta e pior do que isto, não tem sentido... Qual o sentido da luta? Podemos falar em "sentido"? Ou será que você na verdade busca um sentido prá viver e resolveu escolher para isso lutar contra o fundamento que busca exatamente um sentido para ela? Mas se não há sentido qual o sentido da luta e...

    abraços

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  4. Como é dificil seguir sozinho a caminhada, mas onde iremos chegar?...será que vale a pena sofrer tanto em busca de respostas para as nossas questões? Mas se conformar com respostas mediocres, não faz parte da personalidade de um pensador, porem o que nos conforta é pensar...Temo que algumas questões não tem e nunca terão respostas.

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  5. Gresder, finalmente consegui arrumar aminha internet. Logo mais responderei ao seu comentário. Gostei muito da sua observação ponto-a-ponto do meu texto.

    Mas deixe-me dar uma respirada e botar em dias todos as pendências dessa minha ausência da blogosfera.

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  6. Jair, valeu pelo comentário. Você me pergunta onde vamos chegar? Eu lhe respondo: Chegaremos ao final de nossos caminhos. E não importa qual seja o final, mas sim, como trilhamos ele. Encarando a realidade...ou ignorando-a e vivendo a ilusão de uma vida com sentido dúbio?

    Você me pergunta:

    "..será que vale a pena sofrer tanto em busca de respostas para as nossas questões?"

    Jair, não vejo sofrimento nisto, mas sim, uma satisfação muito grande de, pelo menos, buscá-las.

    Adorei esta sua fala: "Mas se conformar com respostas mediocres, não faz parte da personalidade de um pensador, porem o que nos conforta é pensar...Temo que algumas questões não tem e nunca terão respostas"

    Exatamente Jair. Algumas perguntas jamais serão respondidas, e são justamente essas questões "arrespondíveis" que nos impulsiona a seguir em frente. Lamentamos as perdas...sofremos quando um amigo fica para trás...mas "navegar é preciso", e este oceano precisa ser vasculhado em busca de um tesouro perdido...às vezes somos açoitados pelas ondas...mas são ônus da guerra..não é?

    Abraços meu poeta "furacão"

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  7. Eduardo, a vida de fato não tem sentido.

    Seu comentário irônico chega a soar como ofensa. Sei que você sabe que eu sei o que que estou dizendo quando faço esta afirmação: "A vida não tem sentido"

    A vida não tem um sentido pré-determinado...a vida tem o sentido que damos a ela no decorrer da experimentação da mesma.

    Esse fundamento que você afirma dar sentido à vida, não passa de uma grande idiotice. Este tipo de sentido, dado por um deus que não existe, e pregoado por uns profetas que não passam de alienados...não me interessa.

    Ando com os pés no chão...e assim pretendo continuar. Caminho com os olhos fixos no real...e isso não me causa danos. Não preciso de uma muleta para viver. Vivo...e vivo muito Eduardo. Vivo de verdade...e morrerei de verdade, sabendo que não fui fruto de uma coluna falsa e alienadora.

    Abraços calorosos

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  8. Gresder, outro dia lí um comentário seu em meu e-mail, onde você respondia a um pastor, usando o próprio comentário dele. Gostei de sua técnica e vou imitá-la aqui:

    Minha fala:
    “Os dois tinham o total direito de falar que a coluna não existia...”

    Sua fala:
    Não! Não e não e não rsrs... Ninguém tem o direito de afirmar que a coluna não existe, isso é monstruosamente injusto e arrogante...

    EU DIGO:

    É CLARO QUE, NÃO APENAS EU, COMO QUALQUER PESSOA TEM O TOTAL DIREITO DE FALAR QUE DEUS NÃO EXISTE. ORA, DIZER QUE NÃO ACREDITA, É APENAS UMA FORMA COVARDE DE NÃO ASSUMIR QUE TEM CERTEZA DE QUE NÃO EXISTA DEUS ALGUM.

    SUA FALA;

    ...pois não sendo verificável tal objeto da concepção da mente humana, o máximo que cada um pode dizer é simplesmente: “eu não creio” “eu creio” “eu não acredito que deus existe”, “eu acredito que deus existe”mas afirmar assim: “ Deus não existe ou “Deus existe quer você queira ou não” é muita arrogância. É o mesmo que dizer teimosamente que não este vida em outros planetas e galáxia, ou afirmar aferradamente que existe sim vida em outros planetas...

    EU DIGO:

    SEU RACIOCÍNIO É EXATO GRESDER, MAS VOCÊ HÁ DE CONVIR...QUE É MUITO MAIS PAPÁVEL CRER QUE EXISTA VIDA EM OUTROS PLANETAS (QUE DIGA-SE DE PASSAGEM EXISTEM...OS PLANETAS É CLARO), DO QUE DIZER QUE EXISTE UM SER CRIADOR DE TUDO E TODOS, CHAMDO DEUS.

    VOCÊ DIZ:

    ...cara estas coisas não dão para provar, então que cada um acredite no que quiser que cada um use seus argumentos, pois única coisa que existe são argumentos e contra argumentos teses e antíteses...

    EU DIGO:

    É CLARO QUE NÃO DÁ PARA PROVAR NADA SEU CABEÇÃO! É JUSTAMENTE POR ISSO QUE EU DIGO, SEM TEMER SER REFUTADO POR UM CRENTEZINHO DE MERDA COMO VOCÊ (RISOS), QUE DEUS NÃO EXISTE. E COMO TENHO ABSOLUTA CERTEZA DE QUE VOCÊ NÃO PODE ME PROVAR O CONTRÁRIO, É MELHOR ENGOLIR EM SECO E RECONHECER QUE TENHO SIM, O DIREITO DE DIZER: "DEUS NÃO EXISTE...NUNCA EXISTIU....NEM NUNCA VAI EXISTIR! RSSS

    CONTINUAREI.

    Mas já que você falou que só existem teses e antíteses...é claro que você se esqueceu da síntese, me diga lá:

    Qual é sua tese para o deus falso que você defende?

    Abraços e Ps. Não fica com raivinha não tá? Eu tô só enchendo o seu saco "crente"! kkkkkkkk

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  9. "O crente vive na ilusão de que Deus existe e o ateu na ilusão de que ele deixará de existir."
    '

    Eduardo Medeiros (sem ofensas)

    abraços também mui calorosos

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  10. Sabe tem dias que eu sou crente, mas tem dias que eu sou ateu, e só sou ateu quando penso os argumentos a favor de Deus e só sou crente quando vejos a os argumentos contra deus, ou seja voce me deicha mais crente ainda rsrs pois todos os argmentos pro e contra sao fracos demais e só enfraquece a causa...

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  11. Agora velho não viaja com este papo de isso ser coragem ou covardia, estamos falando de algo que não da para provar e des-provar, aqui não é questão de coragem, mas de honestidade. No mais: fé e descrença são muito velhas, não a nada novo no ateísmo que me anime a debater, pois comigo nunca ateu teve vez, pois eu nunca tentei provar nada.

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