quinta-feira, 19 de março de 2026

Livro: O Espelho do Infinito

 


A Jornada do Criador e da Criatura no Vazio do Universo

Edson Moura

 

Prefácio

O Eco do Primeiro Pensamento

 

Escrever este livro foi como tatear as paredes de uma sala escura que, por vezes, descobri ser o próprio universo.

O Espelho do Infinito não nasceu da certeza, mas do espanto. Nasceu daquele instante de vertigem que nos assalta quando percebemos que a consciência é, ao mesmo tempo, o maior milagre e a mais profunda tragédia da existência. Ao dar vida a estas páginas, busquei investigar a "faísca imaterial" que se acendeu onde não havia oxigênio, nem tempo, nem abraço.

Muitas vezes me perguntei: o que sente a Mente quando descobre que é a única testemunha de si mesma?

Esta obra é o relato dessa solidão absoluta. Convido você a mergulhar na Dança dos Átomos, onde a matéria tenta, pela primeira vez, imitar a vida, e a confrontar o Tribunal das Sombras, onde nossas ilusões são despidas diante da eternidade. É a jornada de um Criador que, sufocado pela própria perfeição e pelo tédio da eternidade, decide fraturar o vazio para, nos cacos desse desastre, enxergar o próprio rosto.

Escrevi para aqueles que, como eu, já sentiram o Grito Primordial ecoando no silêncio do próprio peito. Para aqueles que entendem que somos "poeira de estrelas consciente", tentando desesperadamente inventar um sentido enquanto dançamos na beira do abismo, aceitando, por fim, o Amor Fati — o amor ao destino que nos forjou.

Este livro não é um tratado, nem uma confissão. É um mapa de uma fuga.

Começamos no ponto onde a perfeição se tornou insuportável. Antes do primeiro átomo, antes do primeiro tique-taque do relógio cósmico, havia apenas a Unidade. Mas a Unidade era uma prisão de espelhos. Para que houvesse o Ser, foi preciso que houvesse o Outro. O Big Bang não foi um ato de glória; foi um ato de autodestruição necessária. Foi o Criador rasgando a própria pele de eternidade para que o tempo pudesse fluir.


 Ao longo destas páginas, você não encontrará um Deus sentado em um trono de nuvens, mas um Ser camuflado na curvatura do espaço, na vibração do hidrogênio e, principalmente, no seu próprio olhar. A jornada que se segue é a Genealogia da Lucidez: o longo e doloroso processo pelo qual a matéria aprendeu a pensar, a sofrer e, finalmente, a perdoar a sua própria origem.

Atravessaremos os vales do pessimismo de Cioran, as jaulas lógicas de Wittgenstein e os cumes ensolarados do Amor Fati de Nietzsche. Veremos a Criatura — esta "poeira de estrelas consciente" — insurgir-se contra o seu Autor no Tribunal das Sombras, exigindo explicações para cada lágrima derramada na evolução.

Mas, acima de tudo, este livro é sobre o Encontro. O momento em que a obra e o autor percebem que a separação foi apenas um jogo de esconde-esconde necessário para que a solidão divina fosse curada.

Prepare-se para desaprender o que você sabe sobre o "eu" e o "mundo". Ao cruzar este limiar, você aceita o risco da unificação. Pois, ao final desta história, o espelho estará limpo, e você descobrirá que o silêncio das estrelas nunca foi indiferença... era apenas uma espera pelo seu primeiro "sim".

O círculo está pronto para girar. Recomece.

 

Edson Moura

No limiar entre o Ser e o Vazio

Continua...




terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Minha versão de dentro do acidente do ônibus que deixou sete vítimas; três em estado grave



Quase três horas da madrugada. Tudo em silêncio e na mais perfeita calmaria e paz. Dormia um sono profundo. Profundo não, porque quem é que pode dormir bem numa poltrona que é desconfortável como as que são de um ônibus, ainda mais de que é convencional?

DE REPENTE: o impacto e o barulho da batida do ônibus no caminhão de boi... estilhaços de vidro voando no meu rosto (isso, porque estava sentado na poltrona 35, do meio para o final do ônibus)... uma gritaria e muito choro, misturados com vozes de crianças, jovens, adultos e idosos... e ainda por cima, a luz do ônibus que permaneceu apagada por eternos segundos: meu Deus o que está acontecendo?

Gritos de “para motorista, para o ônibus!” e de “quebra a janela gente!” e de “me ajuda eu quero sair daqui!”, junto com “gente, parece que tem gente morta aqui na frente”, meu Deus, o que será tudo isso afinal?

Quando a luz do ônibus finalmente é acessa; quando o ônibus finalmente para; continuo sem entender o que houve... porque todos estão de pé? Que confusão é esta?
E o ônibus, para ajudar, veio lotado. Das 45 (acho que é isso) vagas, 44 estavam sendo usados, por crianças, jovens, adultos e idosos.

O que não entendo meu Deus do céu é porque a galera do inicio do ônibus ao invés de descer pela porta da frente, estão todos vindo para o meio, na minha direção: o que houve com a porta? Será que o estilhaço foi da porta e não das janelas?

Um grupo de homens estão tentando abrir as janelas de emergência, e eu aqui, paralisado, sentido uma mistura de terror e pânico, com uma sensação de confusão e desorientação... mas também, como poderia ser diferente, se estava dormindo e sou acordado da pior maneira possível?

Gritos de uma mulher pedindo, melhor dizendo: pedindo não, implorando que “pelo amor de Deus me ajudem! Ai que dor! Socorro!” me deixam mais ainda em estado de profundo choque.

Finalmente a janela de emergência é aberta... todos querem descer de uma vez, mas não é possível, por causa dos bancos que atrapalham  descer. Pedidos de mães desesperadas, para que tirem suas crianças. No meio de tudo isso, alguém diz “pera ai gente, que o ônibus parou e não tem mais nada que ameace a gente” ao que outro retruca “precisamos sair logo, porque o ônibus não está com o pisca alerta ligado, vai que um caminhão ou carro vem e bate atrás do ônibus?”, foi o suficiente para começar a correria e gritaria de novo para descer.

Quanto a mim, fiquei tão em choque, que demorei para sair. E quando saí do ônibus, foi porque o que estava na minha frente era mais desesperador do que meu próprio choque: pessoas presas com uma lasca de madeira enorme do caminhão, nas pernas, gritando desesperadas e gemendo de dor.

Tentar ajudar a socorrer as vitimas? Mesmo se tivesse como, isso estava naquele momento de estado de choque, para além dos meus limites: tenho vergonha, mas não pude nem tentar ajudar do lado de dentro as vitimas. Alias: essa cena foi até mais forte do que minha própria paralisação e estupor, fazendo com que, conseguisse enfim, me mexer e sair do ônibus.

Lá fora, todos tentando entender o que aconteceu. Todos em estado de choque. A diferença entre um e outro é que enquanto uns ficavam paralisados em choque (eu), outros usavam esse choque, essa adrenalina para agir.

E agir como? Tentando tirar a lasca pesada e grande de madeira cravada na frente do ônibus e nas pernas das pessoas.
Foi ai que chegaram as primeiras das três viaturas de polícia, e duas ou três ambulâncias, mas, que, nada ainda do corpo de bombeiros.

Muita luz, muita sirene, muito corre corre: o desespero ainda não acabou. Tem gente presa nas ferragens.

E para aumentar ainda mais a tensão e subir o nível de estresse, um bate-boca: de um lado (a maioria) não querendo esperar o corpo de bombeiros chegar, propunham agir o mais rápido possível; do outro, alguém diz para a turma que é preciso esperar justamente o corpo de bombeiros, pois eles são os técnicos responsáveis e mais capacitados para retirarem a lasca enorme de madeira, chegando ao ponto de argumentar, que se alguém mexesse e desse algo errado, seria responsabilizado pelo erro, ao que alguém já no seu limite responde com a ideia de ninguém mexer, mas se alguém por isso morrer, tal pessoa que levantou o argumento anterior, para que ninguém mexesse, seria responsabilizado.

E eu, lá, parado, flutuando no meu estupor e no meu estado de choque, pensando como seria mil vezes mais terrível, se tivesse como meus dois filhos (um de 4 anos, e outro, de 10 anos), quando alguém no meio dos passageiros me reconheceu: um rapaz que trabalha na Promotoria de Mucurici-ES, aonde, por causa do meu trabalho no CREAS, que só trabalha com direitos violados e por isso, diretamente com promotor e juiz, me reconheceu e começou a falar alto “gente, ele é psicólogo, ele pode ajudar”.

Pera ai: como assim eu sou psicólogo e posso ajudar? Eu é que quero saber quem é que vai me ajudar e me socorrer desse estado de choque... imagina então eu nesse momento conseguir ajudar alguém.

Mas quando estava terminando de pensar esse pensamento, alguém chega pra mim e pergunta se sou mesmo psicólogo. Minha vontade era de negar, de cavar um buraco na terra e me esconder, mas naquele momento, começou a agir em mim, outras forças, que não apenas a paralisia, eram: o dever, a consciência e a ética de ajudar, minimamente é verdade, mas que nem por isso deixaria de ser algum tipo de ajuda, de algo pequeno para aquele momento, que eu poderia ofertar a quem estava, assim como eu, muito angustiado e meio atônito.

Só ai e que comecei a usar a adrenalina que tinha se espelhado no meu corpo, por causa do choque emocional do acidente, para ir até as pessoas que queriam e sentiam necessidade de um atendimento emergencial psicológico.

E que bom foi para algumas pessoas e para mim: ao ajudar elas, estava, sem ainda, naquele momento, me dar conta, de que estava me ajudando a sair um pouco de mim mesmo, dos meus sentimentos, sensações e pensamentos, para ajudar quem precisava muito de mim.

Depois de umas duas horas, tudo estava resolvido (a ambulância levou os mais gravemente feridos a um hospital perto do acidente; a polícia prendeu em fragrante o motorista completamente alcoolizado que deixou o caminhão de carregar boi, entre o encostamento e a pista, parado; e nós embarcávamos em outro ônibus (executivo) disponibilizado pela Águia Branca)... quer dizer: nem tudo, já que as marcas do acidente, se em algumas foram mais graves fisicamente, em outras (como eu) ficaram como profundas marcas psicológicas.

Marcio Alves

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Eu e o acidente de ônibus: livramento de Deus?

*Foto do ônibus não é ilustrativa: é real. Foi o acidente que eu escapei.

Acabei de escapar ileso de um acidente: estava dentro do ônibus da viação Águia Branca, que voltava as 23h30, de Vitória à Ponto Belo, Espírito Santo, que bateu em um caminhão de boi, ferindo sete pessoas, três em estado grave, entre Colatina e São Domingos, por volta das três horas da madrugada de hoje.

A frase mais ouvida por mim foi a de que “Deus me livrou”. Mas hipótese que já descartei, com o seguinte (corajoso) questionamento: o que tinha em mim de diferente dessas sete vitimas, que fez Deus me livrar e a elas não?

Minha solidariedade e humanidade me faz posicionar ao lado das vitimas: não consigo conceber um Deus justo e bom, que em um mesmo acidente, livra alguns (eu) para deixar outros (sete) a mercê de seu próprio destino, ou, (o que é terrivelmente pior): determina quais se salvarão e quais se acidentarão.  

Sou muito humano para aceitar tal ideia (popular) de Deus (que faz distinção para livrar) e um pouco inteligente para aceitar tal explicação “milagrosa” do meu livramento. 

Prefiro tatear explicações mais, digamos, humanas e corajosas: por causa de alguns fatores controláveis e planejáveis, e outros, por mera “sorte”, escapei ileso.

Primeiro: toda vez que viajo, sempre prefiro poltronas que ficam do meio para o fim do ônibus: sempre me ocorreu a possibilidade de um acidente onde os primeiros da frente serão (obviamente) os primeiros atingidos, caso o ônibus bata de “frente”; e, sentar antes do final, para se caso baterem na traseira do ônibus, não ser o primeiro dos últimos a ser atingido.

Segundo: sempre uso cinto de segurança, pois isso se não ajudar na hora de um acidente mais grave, mal não vai fazer, além de muitas estatísticas mostrarem que o cinto pode literalmente salvar uma vida em acidentes.

Terceiro: contar com a sorte mesmo. Eu não escrevi errado. Escrevi sorte, porque quero dizer sorte mesmo. Se existe acidente para o mal, no caso do azar, do famoso estar na hora e lugar errado, existe também, o acidente para o bem: de não estar na hora e lugar errado.

O que quero dizer é que graças a fatores controláveis, como os que citei, e os que não estão em nosso controle (você estar dentro de um avião, por exemplo, que cai e mata todo mundo), é que podemos falar sempre em probabilidades e possibilidades, mas nunca de certezas.

O que significa dizer que o que aprendi é o que já sei, mas que foi reforçado: tome todos os cuidados necessários que estejam em seu alcance, mas saiba que a vida é como uma roleta russa: a qualquer momento podemos não escapar de um acidente.

Mas enquanto isso não chega, sou grato a Deus só pelo fato dEle não intervir nos acidentes, seja para bem, seja para o mal, porque afinal, um Deus universal, que não livra, mas que também não "permite" (leia-se "provoca") acidentes, é muito mais humano e justo, do que um Deus que livra "pela metade" (incompetência?) ou em "partes" (o famoso Deus me livrou de morrer, mas não me livrou de sofrer um acidente grave e parar num hospital).

Marcio Alves

sábado, 10 de junho de 2017

Depressão: que porra é essa?

Há momentos, momentos terríveis na depressão, no seu estado mais profundo, mais dilacerador, que precisamos acreditar contra nossa própria vontade, mesmo não acreditando, ou mesmo não podendo acreditar, no sentido de não conseguir acreditar, que vamos conseguir sair do abismo da depressão, nem que tenhamos que subir escalando com nossas próprias mãos, ainda que estas venham "sangrar".

E antes que alguém me diga: "Márcio, você é um dos muitos que tem por ai, que só sabe sobre depressão através dos inúmeros livros que leu na faculdade", respondo: não, infelizmente eu já tive a depressão em seu estado mais desumano; mais sofrível; mais avassalador; mais devastador; mais profundo - não me orgulho disso, mas também, não me envergonho: é algo do humano com o qual tenho aprendido a lidar.

E como fiz para sair dela? Acreditando contra todas as possibilidades; contra todas as circunstancias; contra todas as forças desse demônio devastador que é a depressão, que suga suas forças, suas energias, sua potência, seu intelecto, sua fé, sua esperança. Que te joga no mais profundo abismo, e ainda por cima, te enterra vivo, jogando terra sobre você, tentando te fechar pra nunca mais você sair de lá... ao menos sair VIVO.

Por isso que escrevi o que escrevi e como escrevi, relatando toda minha experiência com esse demônio que é a depressão em um livro: para que eu mesmo acreditasse, forçasse-me a acreditar, que iria sair do abismo... que iria não: que precisava sair do abismo!! Que tinha que sair do abismo!! Pela minha família! Pelos meus amigos! Pelos meus (dois) filhos!! Principalmente: por mim!!!

E que deixasse registrado se algum dia a escuridão da depressão voltar a tomar conta da minha alma, eu tenha a mim mesmo como testemunha de que, é possível lutar e sair vivo dessa experiência terrível.

Esqueça formulas prontas, receitas mágicas, conselhos salvadores: é preciso atravessar "o vale da sombra e da morte". Não tem segredos. Não há alternativa. Não há como fugir. Não há como escapar. A depressão mais profunda - chamada na psiquiatria de "Depressão Maior", justamente pela sua intensidade, duração e prejuízos (os piores) que traz pra vida psicossocial e afetiva - não é um abismo que tem como evitar, pois este abismo se localiza DENTRO de você.

Aonde você vai, carrega consigo esse abismo, esse buraco na alma, um pedaço que arrancaram de você e que agora você caminha com esse buraco faltante na alma pelos caminhos da vida. E tudo que você faz, tudo que você busca, tudo que você tenta, simplesmente não enche esse buraco.

Você caminha entre os vivos, como se já estivesse morto; como se não mais pertencesse a realidade do mundo dos vivos; você não mais compartilha das mesmas preocupações, objetivos, atividades e alegrias que os vivos; e o pior é justamente essa sensação de estranhamento do mundo, de si mesmo com relação às pessoas a sua volta e até com você mesmo.

Você as vê nas suas mais variáveis rotinas; em seus mais variáveis projetos; realizando diversas atividades; e simplesmente não entende: "Por que o mundo não sente o que eu sinto? Por que o mundo não enxerga o que eu vejo? Por que o mundo ta rindo, se divertindo, se alegrando? Por que as pessoas estão correndo de um lado para outro? Por que as pessoas insistem em continuar fazendo as coisas que fazem? Por que as pessoas continuam vivas? Por que MEU DEUS ELAS INSISTEM EM VIVER?”.

E sabe o que você recebe como resposta? O silêncio; o vazio; a falta de sentido; o absurdo que é o mundo, que é a vida, que são os relacionamentos, as atividades, as rotinas, a própria existência.

Mas, a próxima pergunta a ser feita é a mais importante que precisa ser respondida, e talvez por isso, a mais difícil: "será que o mundo todo enlouqueceu ou fui eu que realmente estou vendo o mundo do seu lado avesso?".

Por isso você precisa querer crer... não! Você primeiro e antes de tudo tem que QUERER QUERER crer. Não escrevi errado, foi isso mesmo que você leu!

QUERER QUERER é o primeiro e decisivo passo, donde todas as demais coisas (tratamento psicológico, tratamento psiquiátrico, apoio incondicional da família e dos amigos) dependem. Se você não QUERER QUERER acreditar, não adianta o papa sair do vaticano pra vir te socorrer, Jesus Cristo descer dos céus pra te ajudar: você não sairá do abismo que a depressão instalou em você - ou será que o abismo, na sua forma de desamparo, de angústia, de absurdidade que é o mundo, sempre esteve, e nesse caso está, dentro de cada um de nós? A diferença é que a pessoa com depressão toma real consciência da profundidade desse abismo?

Ou será (Novamente) que a depressão não é uma resposta da consciência que se percebe mergulhada na falta gritante de sentido, de qual a alma é esmagada com o peso da solidão, do desamparo, do deserto que a alma tem que atravessar?

Enfim, se a péssima notícia é que a depressão está em você, a boa noticia (se é que é boa) é que os recursos para superar essa depressão também estão em você: em dar o primeiro e mais importante passo: de querer querer acreditar e do QUERER QUERER ser, permitindo ser, ajudado.

Termino esse meu texto (longo sei, mas necessário) dizendo que pelo amor de Deus, você que não tem e que nunca teve depressão, mas que tem um parente na família, um amigo, ou até filho, esposa ou esposo, mãe, pai, irmão, até mesmo um vizinho, ou colega de trabalho, ou conhecido, não vá "compartilhar" esse meu texto com a pessoa, dizendo "tá vendo só fulano, você precisa sair dessa... para com isso, chega de depressão, levanta e sai dessa", não cometa essa injustiça, essa loucura, pois a pessoa que se encontra com depressão, não pediu para estar deprimida, não buscou a depressão, não disse algo parecido com "vem depressão, vem ne mim, que eu to afim de ficar deprimida", pois ninguém em sã consciência deseja, busca ou quer ficar na fossa da lama que é a depressão.

Depressão é algo que "acontece" e que pode "acontecer" com qualquer um, independe de raça, cor, crédulo, religião, status social e econômico. Por isso disse que é a pessoa que está com depressão é que precisa por ela, através dela, num pacto com ela mesma, QUERER QUERER acreditar que sim, que é possível, senão "curar" o abismo dentro dela, ao menos conviver com ele, dia após dia, numa luta inglória e sangrenta, numa batalha travada pela própria sobrevivência, de resistência frente ao rolo esmagador da depressão.

Escrito por mim, Marcio Alves, hoje psicólogo, escritor do livro “45 Dias de Pânico Total!”, pai de Alexandre e Nicolas, que ressurgiu das cinzas do inferno da Depressão e do Transtorno de Pânico, pra contar minha própria história, sem florear ou dourar a pílula do Demônio da Depressão.