sábado, 13 de julho de 2013

Escrito por mim em 28/01/2010 ás 22:11 hrs e postado somente hoje



CRER DA FÉ



Por: Marcio Alves
 
Fé da Fé está residida em sua “essenciabilidade” do essencial do crer pelo crer na crença essencial da fé. Somos o que acreditamos ser o crer da crença da fé pois se não crermos ou se deixarmos de crer no que cremos pelo que cremos do jeito em que cremos não estamos crendo em nossa crença do crer.

A simbologia simbólica dos símbolos dos mitos “mitologizada” da Fé em um Deus humano de divino de tão humano encontra no Cristo histórico o mesmo significado da significância dos significados do Cristo da fé sem precisar ser ou deixar de ser o que era ou o que é pois foi o que foi para ser o que é da maneira como se vive em nossa fé.

Seu nascimento do nascer sua vida do viver e sua morte do morrer encontram-se na fé sem precisar ser real si sendo real na fé pois na fé o torna real na realidade da fé do que crer sem perceber que a historia pode ser diferente do que de fato está em sua fé.

O significado da essência dos significados significantes do cordeiro morto está em sua morte como morte da fé pelo fato de entender e aceitar por fé a fé do cordeiro imolado pela fé dos que creem sem de fato poderem provar que sua fé na fé do cordeiro morto precise de evidencias da evidenciação sendo evidenciado pela historia como fato consumado.

A “sagradação” do sagrado do filho do homem ser o homem mais divino de homem encontra-se na sua historia contada e recontada pelas falas e escritas humanas que o descreve sendo o que foi e o que fez fazendo-nos crer que sua vida só foi vida vivida de maneira tão impactante pois encontra na historia  ao mesmo tempo em seu simbolismo simbólico sem precisar ter ocorrido de fato os fatos que marcaram e constituem a nossa fé pois fé da fé está em crer sem precisar ver os fatos que aconteceram no palco do acontecimento histórico literário pois a fé transcende os fatos “terrestriais”     sendo expandida a consciência do crer pela fé da fé na fé que nos faz crer e ver para além da história.

Escrito por mim em 28/01/2010 ás 22:11 hrs e postado somente

quarta-feira, 10 de julho de 2013

"Inveja da lágrima alheia"






Sinto inveja dos que choram. Uma inveja que me atormenta à medida em que vou envelhecendo e vejo que as lágrimas não mais se apresentam. Nem olhos lacrimejantes, nem coração apertado, nem soluços contidos... Nada disso. Um ermo e solitário deserto. Um deserto árido é o que sinto que sou. Mas, mesmo nos desertos, ainda que em porções ínfimas, as lágrimas da noite se fazem presente, umedecendo a areia e deixando um orvalho rico para os seres que por lá vagueiam. Tenho inveja do deserto.

Lembro-me da última vez em que chorei. E como foi bom. Na verdade foi uma das poucas vezes que chorei, depois de adulto. Malas prontas, violão e livros guardados, meu irmão com o carro parado à porta, esperando que eu me despedisse dos meus filhos. Era a separação. Já dentro do carro, ao ver de relance meu filho no portão, me olhando, não sei se com tristeza ou indiferença, pois tinha apenas 3 anos, elas vieram. Vieram com tamanha força que por mais que me esforçasse, não consegui contê-las. Chorei, e chorei de soluçar. Meu irmão nada disse, apenas respeitou esse meu momento.

Como foi bom. Chorar não era ruim naquele momento. Me revelou o tamanho do amor que eu tinha pelos meus filhos, e como seria difícil a vida longe deles. Foi um choro efêmero. Rapidamente substituído por um ódio com as mesmas dimensões do amor. Odiei minha esposa. Odiei a mim mesmo me julgando culpado pelo rompimento. Hoje sei que não tive culpa. Mas, queria ter. Para quem sabe, poder chorar de arrependimento.

Recordando agora daquele fatídico dia, não consigo fazer brotar uma lágrima sequer. Remoendo e remoendo as lembranças, vejo um solo estéril e totalmente sem possibilidades de gerar vida. Para onde forma minhas lágrimas? Se soubesse que me fariam tanta falta, as teria economizado ainda mais. Pergunto-me se a total ausência delas, não é a constatação que que não valorizo o que perco hoje. Acho que estou tentando me enganar. O que aconteceu foi que a vida me tornou duro demais, ou melhor, eu me tornei assim.

Ainda ontem vi uma cena que me desmontou por completo. Meu filho mais velho, Jonas, ao me ver saindo com o mais novo, Cauã, para levá-lo à casa de sua mãe, após uma semana de férias comigo, veio correndo atrás de mim, e tocou em minha blusa, com os olhos cheios de tristeza e lágrimas e diz olhando para o irmão: "nem se despediu de mim né?". Senti inveja daquelas lágrimas que provavelmente correram pelo seu rosto jovem logo depois do abraço. Aquilo me deixou feliz, por saber que meu filho ainda não padece do mesmo mal que eu.

Sofrer deveria ser obrigatório para alguns homens. Mas sofrer mesmo! Aquele sofrimento que faz desabar qualquer gigante. Que faz a mais dura rocha amolecer. Isso não quer dizer que não esteja sofrendo. Sofro por não sofrer o tanto que gostaria. Sofro por não chorar, e lavar minha suposta alma, e purificar meu suposto espírito. Sofro o sofrimento maior do homem. Aquele que ninguém percebe. Só nós mesmos.

Filósofo cético, Edson Moura

terça-feira, 9 de julho de 2013

Eternamente jovens


Existe um marketing "idiotizante" que nos faz acreditar que devemos ser jovens o tempo todo, e funciona. Somos "jovialistas". Antigamente, cada idade era uma etapa de nossa existência que tínhamos que transpor a caminho da realização pessoal. A juventude vinha logo depois da infância, mas só por alguns anos. Depois vinha a maturidade que tinha seu culto na plenitude, e até mesmo a velhice era algo desejado e reverenciado.

Mas em tempos modernos, ou como diz Bauman, "modernidade líquida", de uma forma forçada e postiça, abdicamos de todas as idades para nos reduzirmos ao perverso estado da inocência juvenil.

Não se chega à consciência sem uma boa dose de dor. Os verdadeiros adolescentes, à medida que crescem e amadurecem, aprendem e internalizam esse fato, que faz parte de um movimento em direção à vida adulta. Já os adolescentes "artificiais", que batalham desesperadamente contra a inevitabilidade dos ciclos, tremem diante dessa ideia, procuram negá-la, fogem dela, abjuram a maturidade, a consciência e por conseguinte, o sentido existencial.

Este pensamento tomou proporções gigantescas, e hoje, pode ser chamada "fenômeno social". Um bando de "Peter Pans", que tremem de medo de cortar o cordão umbilical com o seio materno, e firmar um contrato com a responsabilidade da vida adulta e autônoma. Quando tais atitudes se multiplicam, e se tornam este fenômeno social, já não são mais apenas patéticas, mas também perigosas.

Uma sociedade em que a infância e principalmente a adolescência deixam de ser períodos de passagem, para se converterem em faixas etárias de aglomeração e engarrafamento, devido à recusa e ao abandono daqueles que a ultrapassaram para continuar seu desenvolvimento existencial, é uma sociedade que padece de ausência funcional de adultos, de carência de referências maduras e de saturação de comportamentos adolescentes.

Nos convertemos em um vasto grupo humano sem líderes sábios, em uma massa de indivíduos que não transformam suas vivências em experiência. Somos uma sociedade de rumo imprevisível, de condutas inconstantes, de pronunciamentos confusos, quando não voluntariosos.

Enfim, somos uma sociedade de púberes "Peter Pans", e vivemos à margem do mundo real, e nosso contato com ele (mundo real), nos provoca desencanto, frustração insuportável, chiliques inúteis, e o pior, nenhum aprendizado. Giramos no vácuo, sem rumo e nem propósito. Uma coletividade anêmica de adultos maduros.

Uma sociedade empenhada em permanecer adolescente, vive no imediatismo, na fugacidade, nas rebeliões arbitrárias e manifestações confusas que a nada conduzem, apenas pelo prazer de confrontar as regras pelo simples fato de as regras existirem. 

Filósofo cético, Edson Moura

A dor do outro não é nossa

 
No exato momento em que escrevo este texto, é provável que muitas pessoas estejam sofrendo algum tipo de agrura, inclusive eu. Mas e daí? Quem se importa com a dor dos outros? Acho tudo uma grande hipocrisia essas senhoras, jovens e rapazes que dizem sentir a dor do outro. Quanta mentira.

E daí que o menino boliviano morreu? Quem, exceto a família dele, está acordando todas as manhãs e procurando o pequeno Bryan em seu bercinho, ou caminha? Quem está preocupado com o aposentado que está na U.T.I entre a vida e a morte, por ter sido agredido por um morador de seu condomínio? Quem, a não ser a velhinha que perdeu seu companheiro de longos anos, e agora terá que pegar no sono sem o braço de seu "velho" para repousar a cabeça?

Por que fingimos sofrer, quando na verdade só estamos sendo politicamente corretos, e tentando mostrar para o mundo que não aceitamos tais atos, quando em nossas mentes inescrupulosas estamos aliviados por não ter sido conosco a tragédia. "Gratos a Deus" por ele ter batido na porta do vizinho... e não na nossa.

A única dor que sofremos de verdade é a nossa própria, e às vezes ela e tão pequena que não merece atenção de ninguém, e isso nos incomoda. Queremos que sofram conosco, queremos aquele minuto de silêncio em nossa homenagem, queremos cair dentro do caixão e ser enterrados juntos com a pessoa amada que está ali dentro. Queremos que a atenção seja direcionada para nossa dor e não para o morto.

O egoísmo atingiu patamares divinos em nossa sociedade. E cada um, sem exceções, quer ser o sol onde os planetas orbitam. Querem ser a estrela mais brilhante do firmamento, e se possível, que nossa dor seja acariciada por cada vez mais pessoas, e que se dane o outro.

Filósofo cético, Edson moura