sábado, 31 de outubro de 2009

"Vida de Pastor"


Por: Edson Moura

Chamem-me de covarde se quiserem, eu particularmente não ligo. Mas eu gostaria de fazer algumas perguntas e também dar as minhas próprias respostas.
Pretendo falar de homens que estão na vida muita gente. Homens que considero heróis num mundo tão deficiente de tais figuras.

Você estaria disposto a não ter um domingo com sua família, em prol de outras famílias?
Você sairia muitas vezes cansado de seu trabalho, para trazer uma palavra de edificação e inspiradora para homens e mulheres que você chama de irmão, mesmo sem muitas vezes saber nem o sobrenome delas?
Você subiria em um altar, com a responsabilidade de direcionar a e aconselhar vidas humanas? Sabendo que suas palavras ecoarão até a eternidade, e um dia você teria que prestar contas de cada alma que por ventura viesse a se perder?

Confesso que já almejei uma posição assim, mas quando paro para analisar as implicações deste dificílimo cargo, reconheço a minha total incapacidade, tanto estrutural como intelectual, mas principalmente emocional.

Por isso eu deixo de lado as críticas aos maus pastores, para tecer alguns elogios aos bons pastores. Homens como:

John Wesley, que dedicou sua vida inteira a granjear almas para Deus. Não por obrigação, mas por amor às vidas. "Eu considero todo o mundo como a minha paróquia; em qualquer parte que eu esteja, eu considero que é certo, correto e o meu sagrado dever é declarar a todos que estejam dispostos a ouvir, as boas novas da salvação." - John Wesley
"Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo." - John Wesley

Jônatas Edwards, entre os homens, era o vulto maior nesse avivamento, que se intitulava O grande despertamento. Sua vida é um exemplo destacado de consagração ao Senhor para o desenvolvimento maior do intelecto e, sem qualquer interesse próprio, de deixar o Espírito Santo usar o mesmo intelecto como instrumento em suas mãos. Amava a Deus, não somente de coração e alma, mas tam­bém de todo o entendimento. "Sua mente prodigiosa apo­derava-se das verdades mais profundas". Contudo, "sua alma era, de fato, um santuário do Espírito Santo". Sob aparente calma exterior, ardia nele o fogo divino, como um vulcão.
Charles Finney, foi instrumental no grande avivamento de 1857 a 1858 dos 'grupos de oração', que se espalhou por dez mil cidades e municípios, resultando na conversão de pelo menos um milhão de pessoas. Somente entre janeiro e abril de 1858, cem mil pessoas foram salvas nestas reuniões de oração ao meio-dia.

Entre outros tantos, que embora com as limitações de sua época, fizeram um ótimo trabalho para o reino de Deus.
Hoje não penso mais como há alguns anos sobre o conteúdo dos sermões desses grandes homens, mas reconheço a importância de seus testemunhos de vida, para esta nossa geração.
Muito se fala hoje em “pagar preço”, e sei que muitos pastores agarraram esse chamado divino e vêm desempenhando um bom trabalho.

Não falo dos grandes pastores de renome, e sim dos pequeninos, de igrejas pequeninas. Falo, não dos que andam de carro importado, e sim dos que ainda pegam ônibus lotados ou andam a pé por falta de recursos para sua própria condução.
Falo daqueles que muitas noites não tiveram o que comer com suas esposas, a não ser farinha com cebola, mesmo assim não deixaram de louvar a Deus. (história verídica)

Falo também daqueles que não usam terno de grife, e suas refeições em casa muitas vezes é pior do quê as refeições de alguns pastores na cadeia onde foram presos por tentarem sair do país com dólares não declarados.
Falo dos pastores que não vendem bíblias interpretadas “versículo por versículo”, que não escreveram livros ensinando como “exigir seus direitos”, que não enriqueceram vendendo pregações em áudio nos mostrando que “o dia da provação” vai chegar ou que é possível “destronar satanás”

Falo de homens como Acácio Carneiro, que abriram mão de uma vida bem sucedida para pregar quatro sermões aos domingos em sua pequena igreja. Ele não escreveu nem um livro (ainda), mas sua obra como pastor já renderia umas 500 páginas. Um homem que aprendi a amar, e que é co-responsável pelo ser humano que sou hoje. Meu pastor!

Falo de homens simples como Sergio Paschoal, que pra conseguir verbalizar seus pensamentos apelam para a poesia, preocupados em não ofender ninguém. Homens que se emocionam quando precisam abandonar um prédio onde fora sua igreja, por falta de recursos para o aluguel. As lágrimas e o embargo em sua voz demonstram sua sinceridade. Meu pastor!
Homens que acumulam em si qualidades que eu não tenho e não sei se um dia terei ,por isso a minha incapacidade para tão importante missão.

As qualidades bíblicas de pastores/presbíteros/bispos

Paulo cita as qualificações dos bispos ou (presbíteros) em duas cartas (1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9). A linguagem dele deixa bem claro que ele não está dando meras sugestões, e sim requerimentos. Em 1 Timóteo 3:2 ele diz: "É necessário, portanto, que o bispo seja...." Tito 1:7 diz: "Porque é indispensável que o bispo seja...." Antes de examinar as qualificações em si, vamos entender bem esse ponto.
Os requerimentos que encontramos nesses dois trechos são qualidades que o Espírito Santo revelou, através de Paulo, como exigências. Para servir como presbítero, um homem precisa de todas essas qualidades. Ninguém tem direito de apagar nenhum "i" ou "til" do que Deus falou aqui.
Agora, vamos ler o que o Espírito falou nessas duas listas paralelas (bem semelhantes, mas não exatamente iguais).

"Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo" (1 Timóteo 3:1-7).

"Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus, não arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância; antes, hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de si, apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem" (Tito 1:5-9).

Que Deus abençoe os verdadeiros pastores

domingo, 25 de outubro de 2009

Não creio em "milagres"!




Por: Marcio Alves


No inicio e durante muito tempo, na minha caminhada cristã, acreditei que por ser “filho” de Deus, tinha uma super proteção divina.
Não saía de casa, para qualquer lugar, sem antes, fazer uma oração a Deus, pedindo por uma proteção.

Inclusive, faço uma confissão: Na minha adolescência, ávido para “curtir” nas baladas da vida, perdi o interesse religioso, não tinha mais vontade nenhuma de ir á igreja.
Comecei achar os cultos, muito chato, mas, não tinha coragem, aliás, para ser mais exato, tinha medo, de sair da igreja. Acreditava que, saindo da igreja, perderia a proteção divina, ou pior, seria alvo do “castigo divino”.

Deixaria de ter bênçãos, para ganhar maldições.
Resultado; passei daquele amor entusiasmado e esfuziante a Deus, para servi-lo por medo e interesse.
Lembro-me bem, daquele dia, quando decídi sair da igreja, para andar com meus amigos do “mundo”. Com medo de Deus, gerado pela religiosidade evangélica, continuei orando a Deus por proteção.

Hoje, vejo como era engraçado. Saindo para farrear, beber e zuar, mas, o tempo todo, na minha mente, persistia a neurose evangélica; “Cuidado menino por onde andas e o que fazes, Deus esta vendo tudo e vai te castigar”. Lembro-me que, não poucas vezes, orei de dentro da balada: “Oh Deus, estou zuando um pouco aqui, mas não me deixe sofrer nenhum acidente. Proteja e livra-me de quaisquer imprevistos”.

Hoje, mais maduro e consciente, tenho poucas certezas, algumas percepções e muitas dúvidas. Neste texto, passo a escrever essas percepções e dúvidas, deixando de lado as certezas. Pois acredito, que a Fé anda de mãos dadas com a dúvida. Como disse um poeta; “Na casa das certezas, não há espaço para a Fé”. Não vejo Deus, e é por isso que tenho Fé Nele. Se visse, não precisaria de Fé.

Eis algumas das percepções ao longo da minha trajetória na Fé:

A maioria dos evangélicos serve a Deus por interesse.
Como moedas de troca, barganham com Deus.
As orações na maioria das vezes, não passam de pedidos com promessas e/ou sacrifícios com petições, do tipo:“Deus, se o Senhor me der isso, eu vou à igreja”. “Deus, estou ofertando na sua casa, me de aquela benção”. Por isso é que existem essas campanhas de oração e de jejum infindáveis.
“Para arrancar de Deus uma benção”. “Tomar posse da vitória”.Daí o jargão religioso: “A oração da fé move o braço de Deus”.

Se na era medieval, também chamada era das trevas, a igreja manipulava através do medo, hoje ela manipula através de promessas de bênçãos.
Eu tenho pena das pessoas que vão à igreja e acreditam (como eu já acreditei) que por orarem vão conseguir antecipar os percalços da vida e controlar o futuro. Inclusive, a vida só tem graça, porque não sabemos o que há de nos sobrevir amanhã. Passamos a ter uma vida com mais qualidade, quando nos tornamos consciente que ela é breve.
Não adianta ir ao culto, pensando que, se fizer tudo certinho, nossa vida vai ser ou se tornar um mar de rosas.
Alice, o pais das maravilhas, só existe em contos de fadas.

Precisamos ter Fé, isto não no sentido que o senso comum evangélico definiu a palavra Fé. Pois quando se diz; “Fé”, os crentes associam a vitoria, poder, livramento e milagres. Mas na bíblia, antes de tudo, a palavra Fé esta ligada ao sofrimento.
Não precisamos de ter Fé no milagre e vitoria, mas somos convocados a acreditar e servir a Deus, mesmo quando tudo sair errado, quando estamos imersos no sofrimento.

Não, não, não deixei de acreditar que Deus pode intervir.
Deus pode tudo.
A discussão aqui é outra.Esta fundamentada na seguinte pergunta:
Como Deus organizou a nossa existência?:

Eu não acredito que Deus, a todo instante, todos os dias, intervém em nossa realidade com milagres.
Ao contrário, ao nos dar a liberdade, Deus criou um mundo de imprevisibilidade, de acaso mesmo.
Você acha que por eu acreditar em acaso, virei ateu?

Pois leia você mesmo isto na bíblia:
“Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.”

“Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.”

“Que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles.” (Eclesiates 9 v 2, 11 – 12) (O grifo em vermelho é meu)

Não consigo acreditar num “deus” que, protege um crente de assalto, que blinda outro com emprego, carro e casa, mas não protege bilhões de crianças da AIDS, fome, guerras e pedofilias. Afinal, se Deus fosse realmente proteger alguém, porventura essas, não seriam as criançinhas? Não são delas que a bíblia diz: “Dos tais são o Reino de Deus”?

Não consigo digerir a idéia de que, num acidente aéreo que matou 300 pessoas, e, portanto, são 300 famílias que choraram pela perda, apenas uma se salvou, porque Deus interveio. Então por que ele não salvou as 300?

Não excluo a possibilidade de milagre, mas passei acreditar em acaso.

Muitos – para não falar a maioria – dos testemunhos de “milagres” relatados nas igrejas evangélicas, não passam de mero acaso, de sorte mesmo. Concernente a curas, acredito – além é claro, de que Deus pode curar – em processos naturais de cura, produzidos pelo próprio organismo.
Mais os crentes ávidos, para constatarem que Deus ainda faz milagres, no menor sinal de favorecimento, alardeiam que ocorreu o sobrenatural.

O carro de uma pessoa tombou, ela conseguiu sobreviver, mais ficou paraplégica, logo eles afirmam que foi uma intervenção de Deus.
A pergunta que não quer calar: “Se Deus livrou aquela pessoa da morte, porque não fez o serviço completo? Se pode livrar da morte, também não podia livrar da cadeira de rodas? Então porque não o fez? Ah já sei, foi para cumprir um propósito divino, não é mesmo?! Deixou a pessoa para o resto da vida inválida, mais foi para um bem maior? Desculpem, mais não acredito nisso, já acreditei, mas hoje, isso não faz o menor sentido.

Já sei você vai usar a bíblia para provar que estou errado, não é mesmo? Lamento te informar, mais qualquer teoria – isto inclui a bíblia – precisa estar fundamentada na pratica da vida humana.
Pegar alguns textos da bíblia, que falam de promessas de livramentos para o justo e aplicar a nossa existência, prometendo que a vida do crente vai ser um mar de rosa, num mundo em que acidentes mortes e tragédias sobrevém a todos – inclusive aos crentes – é irreal e alucinação.

Vale lembrar que, é muito fácil falar da dor alheia, o difícil é falar em meio a sua própria dor.
Afirmar que os que sofreram com as enchentes de Santa Catarina, receberam um “justo juízo de Deus”, não estando lá é fácil. Teologizar a partir de um lugar privilegiado é muito cômodo, mas falar da enchente com água na cintura é bem diferente.

Portanto aos que sofrem e/ou sofreram, ou até mesmo aos sensíveis ao drama humano, eis a minha frágil proposta:

1- Não organize sua vida em torno de um possível milagre.
Porque o milagre, não passa de uma possibilidade rara, portanto, improvável de acontecer.

2- Não de ouvidos aos oportunistas que prometem, ter o poder de decretar o seu milagre.
Isso é mentira. Ninguém controla Deus.
Deus pode realizar milagres, mas isso não depende de nosso desempenho.

3- Viva uma vida normal.
Soa até esquisito, mas é verdade, as igrejas estão se especializando em “espiritualizar” todo problema.
Se você quer conseguir um emprego, envie currículo, corra atrás. Quer passar no vestibular, estude. Quer receber uma cura, procure ajuda médica, faça tratamento. Quer salvar seu casamento, seja melhor esposo ou esposa.

Não caia na paranóia evangélica, não busque a Deus, para melhorar de vida. Para ter melhor sorte do que o resto dos mortais.
Ninguém tem a proteção de Deus!
Para Deus nos proteger, seria necessário nos aprisionar, tirando nossa liberdade. È como o pássaro dentro de uma gaiola, protegido, mas preso. Tire-o da gaiola, ele terá liberdade, porém correrá riscos.Viver é uma grande aventura, que custa correr riscos.

Ore, e muito. Vá para os cultos. Mas sem propósito, a não ser para adorar e celebrar o amor de Deus.
Acho ridículo, oração com propósito. Você convida uma pessoa para orar, e ela já pergunta: “Para qual propósito?”. “Uma cura, emprego ou livramento?”Pergunto: Mas porque isso? Não podemos simplesmente orar a Deus, para termos comunhão com Ele?

Termino esta postagem, com um trecho de um texto do Pr. Ed. Rene Kivitz:
“Além disso, estar sob o cuidado de um super protetor não é a razão porque acredito em Deus: de fato, abro mão de ser protegido – minha solidariedade com a raça humana não me permite esperar melhor sorte do que a das crianças abandonadas, dos enfermos crônicos, dos miseráveis e vitimados pelas atrocidades dos maus. Ou Deus protege todo mundo, ou a proteção não serve como fundamento para a crença nele.”

Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

sábado, 17 de outubro de 2009

"Resposta ao leitor"




Por: Edson Moura

A Paz do Senhor meu irmão Isaias Medeiros.
Primeiramente gostaria de congratulá-lo pelo coragem e despreendimento para ler toda a mensagem (e acredito que você leu mais de uma vez), e pelo seu comentário que foi muito bem desenvolvido.

Esta é justamente a idéia de nosso blog, fazer com que as pessoas reflitam sobre o que escrevemos e discordem se acharem que o conteúdo é prejudicial à fé.

Você disse que acha que eu não passo de um "liberal", pois bem! Posso até ser muito racional, mas daí a me chamar de liberal, talvez seja um pouco de exagero de sua parte.
Quanto ao fato de Deus não ter que se ajustar ao homem, lamento decepcioná-lo, mas Deus já fez isso, no momento em que esvaziou-se de todo seu poder, e encarnou Cristo e andando pelo mundo durante 33 anos.

Quero agora me explicar, tanto à você Isaias, quanto aos outros leitores que possivelmente não tenham entendido o artigo escrito, demonstrando assim a minha preocupação e o senso de responsábilidade que voçe acha que não tenho.

Algumas Provas Bíblicas De Que Os Ímpios Não serão Atormentados Por Toda a Eternidade:

Um dia Deus irá terminar com o sofrimento veja:

“E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”. (Apocalipse 21:4).
Se o “inferno de fogo” durasse para sempre, esta passagem não poderia estar na Bíblia, pois o luto, o sofrimento, o pranto e a dor não cessariam. O pecado seria eterno, o que contraria plenamente as Escrituras. Se há um inferno eterno e o se diabo fosse atormentado por toda a eternidade juntamente com os pecadores, teríamos de aceitar pelo menos outras 4 heresias:

1a) Que o diabo, os demônios e os pecadores são e serão eternos. Deus não conseguirá um dia destruir o diabo definitivamente? Que dizer dos seguintes textos:
Malaquias 4:1-3; Romanos 16:20; Hebreus 2:14?
2a) Que o pecado é eterno – Se os ímpios fossem atormentados com o diabo eternamente, nunca iriam deixar de ter raiva de Deus por estarem no fogo, e continuamente o blasfemariam. Estariam constantemente pecando.

3a) Que muitas pessoas que pecaram 70 ou oitenta anos irão sofrer a mesma penalidade que satanás, que pecou desde o princípio e que foi o originador do pecado. Isto não estaria de acordo com os seguintes textos Bíblicos: Ap 20:11-13 e Lc 12:47 e 18 (alguns receberão “muitos açoites e outros poucos”).

4a) Que Deus nunca iria terminar com o sofrimento. A Bíblia ensina claramente que um dia não existirá mais o sofrimento (Ap 21:4, etc). Graças a Deus que não é assim; logo o Senhor Jesus irá terminar com todo o pecado e sofrimento. Creia, irmão Isaias, que Deus não irá condenar ninguém à tortura, pois ao analisar a Bíblia profundamente, percebemos isto; se o fizer, a visão que você tem de Deus será mudada, e sua comunhão com ele será melhor e mais duradoura.

Por fim: A doutrina do inferno eterno não é Bíblica; foi originada na mente do diabo para denegrir o caráter e a justiça de Deus e aperfeiçoada por filósofos pagãos. O que acontece é que este ensinamento entrou nas igrejas sutilmente, devido à influência desses filósofos no passado e uma errada interpretação de alguns versos Bíblicos que não foram analisados à luz do “contexto” da Bíblia (principalmente a parábola do Rico e Lázaro).

Meu ponto de vista:

O inferno de “tormento” não existe; a Bíblia diz que Deus punirá os ímpios no futuro e não agora no inferno: “porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos”. (Atos 17:31).

Uma pergunta:
Se as pessoas que morrem hoje já vão para o céu ou para o inferno de condenação, por que Deus terá que realizar um juízo final? Afinal de contas já não estão todos julgados?

No livro de Pedro diz que os anjos maus foram lançados para o Tártaro (lugar de escuridão). Ora, se fosse o inferno de fogo, como seria escuro?

A palavra inferno, traduzida de suas línguas originais (Sheol, Hades, etc) simplesmente significa “sepultura”. Neste momento os ímpios estão “dormindo” até “aquele dia em que Deus julgará a todos”, pois a morte não passa de um sono (Jesus disse isso em João 11:11-14 e devemos acreditar nele), onde a pessoa está inconsciente até a volta de Jesus.

“Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol... Tudo quanto te vier à mão para fazer faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”. (Eclesiastes 9:5, 6 e 10).

“Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda”. (I Coríntios 15:23) Quando Jesus voltar, ele irá ressuscitar a pessoa; aí sim ela ficará consciente (João 5:28 e 29; João 6:40).

Os justos serão ressuscitados para irem ao céu (I Tessalonicenses 4:16 e 17, etc) e os maus para serem destruídos (Malaquias 4:1, etc), pois não aceitaram a Jesus como salvador, rejeitaram seus ensinamentos e seus convites de amor. Veja ainda que o verso três de Malaquias 4 (e muitos outros ainda) diz que “os ímpios se farão em cinzas”; se os maus ficarão em cinzas como serão atormentados eternamente?

Os textos Bíblicos usados por muitos ‘em favor’ da existência do inferno não foram corretamente traduzidos de sua língua original e foram tirados de seu contexto. “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”. (I João 4:8).

Um Deus de amor jamais iria queimar alguém pela eternidade; sua justiça e misericórdia não permitem isto. Se Ele o fizesse, a dor, o sofrimento, o luto, não deixariam de existir nunca; as pessoas iriam blasfemar de Deus eternamente no ‘inferno’ e assim o pecado seria eterno.

Confie no amor de Deus. Vá a Ele sem temor, pois o Senhor lhe ama e quer bem. Ele tem muito mais a te oferecer do que um "inferno de fogo". Não que você já não o tenha feito Isaias, mas aceite a Jesus como salvador de sua vida e verás que a cada dia Ele lhe mostrará o amor do Pai e do Espírito Santo por você, tornando-o uma pessoa mais feliz e confiante quanto ao futuro.

“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei”. (Ezequiel 18:32).

Que Deus o Abençoe meu irmão!

“A Oração da Fé move o braço de Deus ?”


Por: Marcio Alves



Sem dúvida, umas das maneiras mais profundas que temos, para nos relacionar com Deus, é a oração.
Já dizia um poeta que: “A oração é o respirar da alma”, logo se deixamos de orar, nossa alma vai definhando.
Perdemos a sensibilidade do Espírito de Deus, não passamos de mortos-vivos.
Alguém já disse que; Aqueles que não lêem, não têm vantagem nenhuma sobre os analfabetos. Parafraseando esta frase, podemos dizer que; A pessoa que não ora, não leva vantagem sobre os ateus.
Porque vive indiferente a Deus.De que adianta crermos na existência de Deus, se não o buscamos?
Qual a diferença de uma pessoa que crer em Deus, mas não o busca, para uma pessoa ateia? Nenhuma! Os dois vivem como se Deus não existisse.


Agora, junto á oração, existe um outro conceito indispensável, a saber; a Fé.
Fé e oração estão tão intensamente ligadas , que podemos afirmar que são irmãs gêmeas. Portanto uma pessoa que ora, já pressupõe-se que ela tenha fé. Como poderá orar à Deus, sem fé? Se ora é porque tem fé, e se tem fé é porque ora.
O apóstolo Tiago diz que; a fé sem as obras é morta, logo uma demonstração concreta da fé, é a oração. Por isso, toda oração por mais simples que seja e desacreditada, é uma oração da fé.


Muitos acreditam que as pessoas não recebem bênçãos de Deus por que não oram, e se orou e continuou não recebendo, e porque o fez sem fé. Simples não é? Não, não é tão simples assim.
Como disse e volto a frisar: “Toda oração é um ato de fé.”
Mas se a oração esta ligada automaticamente a fé, por que muitos oram e não recebem o que pediram?
Acredito que isso aconteça, porque o conceito mais popular de oração da fé, está equivocado
.


No senso comum evangélico, a oração da fé, é um instrumento que “move o braço de Deus”. Que impulsiona Deus, a fazer o que desejamos.
Digamos que, Deus esteja lá no seu altíssimo trono, estático, frio e indiferente à raça humana, então o crente tem que orar para ver se mexe com Deus, cutucando-o com a fé.
É como dizer, que a oração da fé, é uma imensa vara que bate na árvore (Deus), até cair o fruto (benção) que queremos.
Este conceito transforma Deus, em um mero ídolo, que esta esperando ser agradado e convencido a abençoar. Uma força que temos que manipular a nosso favor. Isto eu chamo de feitiçaria evangélica, pois manipulação de poderes é coisa de feiticeiro. O pior é que, essa é exatamente a idéia, que a maioria das pessoas nutrem de Deus.


Exemplificando é mais ou menos assim: “Clássico entre São Paulo e Corinthians. Deus esta lá em seu trono assistindo. O São Paulo faz um gol, ai os Corintianos começam a roer unhas e orar para que Deus vire o placar. Deus atende, e o Corinthians vira o jogo, mas o São paulinos também oram e Deus fica numa situação complicada, Pra quem Ele dá a vitória? Conclusão; é por isso que tem esses placares, 1 x 0, 2 x 1, 3 x 2, 4 x 3. Porque na medida que as pessoas vão orando com mais fé e em número maior, Deus vai atendendo.


Achou este exemplo ridículo? Um imenso absurdo?
Então por que as pessoas oram pedindo emprego?
E se tiver apenas uma vaga para dois concorrentes?
E se os dois concorrentes forem crentes?
Deus vai dar para o que orar com mais fé?
Ou vai dar para o que tiver mais intercessores?
Digamos que concorrendo a uma vaga de emprego, tenha dois crentes, um da assembléia e outro da mundial. O assembleiano tem 10 intercessores, o da Mundial conseguiu mobilizar uns 230 para oração. Já era o assembleiano. O pior é quando o crente “A” arruma 50 intercessores sem fé, ai o outro que é o “B”, conseguiu apenas 4, mas 4 de fé, já era, o emprego é do B, porque vale mais um, com pouco intercessores que tenham fé, do que um, com muitos intercessores sem fé.

Este conceito é sem lógica, não possui coerência bíblica, é pior, não possui amor nenhum.

Como posso acreditar que se eu orar, Deus vai me dar um emprego, casa, carro ou celular, enquanto tem milhões passando fome, sem ter o que comer? É porque eu orei com fé, e os milhões não? Quer dizer que Deus é funcional? Precisa de um empurrãozinho nosso para agir? Então Ele (Deus) é débil no seu amor? Dá emprego para o crente, porque orou, mas deixa outras bilhões á própria sorte, porque não oraram?


Passamos a outro exemplo, só que agora muito mais grave, pois vejamos:
Uma mãe nos corredores de um hospital, desesperada, com um filho na u.t.i. O médico vem até ela e diz que o seu filho vai morrer. Então ela sai do hospital e se dirigi até á uma igreja, lá ela bombardeia o céu com muita oração. E Deus fica olhando, inerte, dizendo: “Se orar com mais fé, eu salvo a criança, ou se arrumar muitos intercessores, eu cedo, e dou a cura.”


É claro que acredito que Deus cura, mas acreditar que Deus curou porque se orou com mais fé ou porque orou muito, é desacreditar no Deus da graça. E por quê? Ora, se foi a força ou quantidade da oração que fez Deus agir, já não é mais graça, e sim mérito pessoal. Afinal, Deus fez porque orou. E se não tivesse orado? Deus deixaria de dar a cura, porque não houve oração? Esta imagem de Deus, não se parece com o homem? Afinal de contas nós somos assim, só ajudamos quem aos nossos olhos merece.


Concordo com um filósofo – o qual não recordo-me, o seu nome – que disse: “Rejeite qualquer conceito de um Deus, que seja menor que você”. Ou seja, um deus mesquinho, interesseiro que só ajuda os “seus filhos”, abrindo porta de emprego, ou salvando do perigo, para deixar o resto da humanidade sem socorros, é pior do que eu, pois mesmo eu sendo pecador, não tenho coragem de pedir qualquer bem material pra mim, enquanto tiver crianças morrendo sem ter o que comer, ou morrendo de câncer e AIDS.


Algumas implicações em acreditar que; a oração da fé move o braço de Deus:

1- Arrogância:

Este conceito gera nos corações, uma soberba tão grande, o de achar que nós temos o controle remoto – que é a oração da fé – que dirige Deus, ao nosso favor. Faz de Deus, um ser tão pequeno, que vive para servir os nossos caprichos. E do ser humano um arrogante que, se senti no direito de mandar em Deus. De dizer o que ele deve ou não fazer. E ainda nos transforma em diabo, pois toda busca de poder, é luciferiana na sua essência. Foi o Diabo, que primeiro buscou o poder de estar acima de Deus.


2- Rebeldia em forma de piedade:

Rebeldia porque a pessoa quer por que quer, que Deus de o que ela quer, o mais rápido que puder.
E em forma de piedade, pois transforma essa rebeldia em oração.

3- Paranóia:

Lembra do exemplo citado acima da mãe? Se ela acreditar realmente que, a sua oração tem o poder de decidir a vida de seu filho. E porventura, se o mesmo vier a falecer, como fica essa mãe? Ela vai se culpar pelo resto da vida, pensando que se tivesse orado com mais fé ou com mais determinação, seu filho não teria morrido. Isso é colocar sobre os ombros uma responsabilidade que não é nossa. Ninguém, absolutamente ninguém, nem o papa, pastor, apostolo, igreja ou religião controla Deus.


Concluo com uma ilustração do Rubem Alves, que acredito resumir e explicar este texto. Para poder entender melhor essa ilustração, tenha em mente que: 1- O galo, digamos somos nós, crentes. 2- O sol é um símbolo de Deus. 3- O cantar do galo, é a oração da fé.
Com isso em mente, leia e reflita nessa ilustração:


“Você conhece a estória do galo que cantava para fazer nascer o sol? Pois havia um galo que julgava que o sol nascia porque ele cantava. Toda madrugada batia as asas e proclamava para todas as aves do galinheiro: “Vou cantar para fazer o sol nascer”. Ato contínuo subia no poleiro, cantava e ficava esperando. Aí o sol nascia. E ele então, orgulhos, disse: “Eu não disse?”. Aconteceu, entretanto, que num belo dia o galo dormiu demais, perdeu a hora. E quando ele acordou com as risadas das aves, o sol estava brilhando no céu. Foi então que ele aprendeu que o sol nascia de qualquer forma, quer ele cantasse, que não cantasse. A partir desse dia ele começou a dormir em paz, livre da terrível responsabilidade de fazer o sol nascer.” (Autor: Rubem Alves)


Devemos cantar (orar) não para fazer o sol (Deus) nascer (operar) – porque ele nasce com ou sem nós cantarmos – mas porque ele já nasceu e morreu por nós. Deus já se agradou de nós em Cristo, portanto, não há sacrifícios, ofertas, campanhas a fazer! A oração da Fé é um tributo, reverência ao Deus de amor, bondade e justiça, que faz com que o seu sol e chuva venha sobre os bons e maus.




Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.